• No results found

Lokale strukturendringer – eksempelet Hordaland

In document Hørt om Frifond !? (sider 34-37)

3 HVOR GÅR PENGENE?

3.4 Lokale strukturendringer – eksempelet Hordaland

Costa (1998) refere que as famílias tradicionalmente multigeracionais têm vindo a dar lugar a famílias nucleares, o que leva a um isolamento cada vez maior dos idosos. O agregado familiar das famílias portuguesas é, em média 3,1 pessoas por agregado (Ministério da Saúde, 1999). Este tipo de sociedade, onde não há lugar para o idoso no

“Viver aos Bocadinhos”

O Papel do Cuidador Informal do Idoso em Contexto Domiciliário

seio da família, é designado por Bruto da Costa por sociedade “atomizada” (Costa, 1993).

Quando um idoso fica dependente, a questão da habitação é, naturalmente, uma questão importante a ter em conta, visto em muitos casos, serem necessárias adaptações. A este propósito 7 entrevistados referem:

“ (…) tivemos de adaptar à minha mãe, a minha mãe não conseguia subir as escadas, pusemo-las mais baixinhas e mais largas, para ser mais fácil movimenta-la, tirei os tapetes de casa, fizemos uma rampa para a casa de banho, porque é fora de casa, antes tinha escadas, fez-se um terraço, pôs-se um corrimão nas escadas. Eu decidi fazer essas alterações para eles estarem melhores”. E4.

“ (…) quando ele andava com dois paus, ainda a pé, lá por trás, os meus filhos fizeram uma rampa que vai dar à estrada, e ele, enquanto se pode arrastar, ia para o caminho por essa rampa, agora, também faz falta, para quando tem de ir à consulta. É pena não termos um quarto maior para estarmos os dois, mas a casa é velha não dá para mudar agora”. E1.

“ (…) está mais ou menos adaptada aos meus pais, ficam aqui neste andar de baixo, o meu pai não anda, a minha mãe ainda anda sozinha, é uma casinha moderna. Quando o meu pai chegou do hospital, montámos a cama articulada, tirámos os outros móveis, demos mais espaço ao quarto, mas nada de extraordinário, foi tudo de uma forma natural, quando tem de ser feito, não vale a pena estar a pensar muito, faz-se, para que eles estejam bem”. E3.

“ (…) deitei um quarto abaixo, fiz o nosso maior com casa de banho adaptada a ela, mesmo para tomar banho, coloca-se a cadeira e o chuveiro por cima, está tudo para a condição dela, teve de ser. E2.

De acordo com Silverstone (1995 cit. in Paúl, 1997), o carácter dos arranjos de cuidados de longo-termo aos idosos tem a ver com padrões demográficos, estruturas familiares, papéis e funções, locais de residência, estatuto socio-económico, entre outros aspectos.

“Viver aos Bocadinhos”

O Papel do Cuidador Informal do Idoso em Contexto Domiciliário

Muitas das habitações não usufruíam de boas condições. 7 dos entrevistados afirmam mesmo que:

“ (…) olhe, a casa é muito velha, sem condições, não vale a pena andar com trabalhos, serve bem assim”. E13.

“ (…) esta casa não tem condições, tem muitas escadas, não tem casa de banho, entra frio por tudo quanto é sítio, chove-me no quarto, no ano passado, até na minha cama chovia, agora deitei-lhe os caleiros novos e espero que na cama não me chova mais”. E11.

“ (…) a casa é velha e precisa de obras, e eu, um dia, falei nisso ao meu pai, mas ele não achou boa ideia, disse que se ia fazer muito lixo e muito barulho, que não valia a pena. Ele não sente essa necessidade”. E9.

Neste sentido, nem a família altera a situação, nem o Estado tem políticas adequadas para a alteração, embora, de acordo com o artigo n.º 63º da Constituição da República da 1976), seja dever do Estado promover uma política da Terceira Idade que garanta a segurança económica das pessoas idosas e a política da Terceira Idade deva ainda proporcionar condições de habitação e convívio familiar e comunitário que evitem a superem o isolamento ou a marginalização social das pessoas e lhes ofereçam as oportunidades de criarem e desenvolverem formas de realização pessoal através de uma participação activa da comunidade.

Para Cardoso, et al. (2008), se a pobreza monetária tem uma tão grande incidência na população idosa; se os recursos financeiros são recursos fundamentais para aceder aos padrões de vida, costumes e actividades disponíveis numa dada sociedade, não será difícil perceber as implicações que uma tal situação terá ao nível da exclusão das pessoas idosas por relação a tais padrões de vida.

Segundo Costa, et al. (2008, p.26), a pobreza constitui “uma situação de privação, resultante da falta de recursos”. Neste entendimento, a ideia de pobreza é indissociável da noção de privação (não satisfação das necessidades básicas). A “privação” expressa- se em más condições de vida, relacionadas normalmente, com a ausência de satisfação

“Viver aos Bocadinhos”

O Papel do Cuidador Informal do Idoso em Contexto Domiciliário

das necessidades mais básicas, como a alimentação, vestuário, condições habitacionais, transportes, comunicações, condições de trabalho, possibilidades de escolha, saúde, educação, cultura, formação profissional e participação na vida social e política.

Quando as condições habitacionais são desfavoráveis ao bem-estar do idoso e os familiares o integram na sua habitação, o idoso tem, sem dúvida, melhores cuidados.

Dos nossos resultados destaca-se, a este respeito, a seguinte perspectiva:

“ (…) tive de trazer a minha sogra para minha casa, não a podia deixar sozinha”.(…) tive de adaptar a minha casa, tive de fazer um quarto no sótão para um dos meus filhos, para a minha sogra ficar cá em baixo, para ela não subir escadas, tive de aumentar à casa, porque eu fiz casa a contar só com os meus filhos”. E6.

Tendo em conta as habitações e a falta de espaço, 2 dos nossos entrevistados referem que:

“ (…) já pensei em trazer os meus pais para minha casa, mas não tenho mais nenhum quarto disponível, tenho três quartos, tenho a viver comigo um filho e uma filha”. E9.

“ (…) quem me dera poder trazer aos meus pais e o meu irmão aqui para minha casa, mas eu não tenho condições, se tivesse, trazia, era mais simples para mim, escusava de andar sempre na casa deles e aqui, mas não tenho onde os colocar”. E4.

2 das nossas entrevistadas foram viver para casa do dependente, ou por sentir que é o meio ideal, ou por necessidade:

“ (…) a mãe está melhor no meio dela, ela conhece bem a casa, sabe onde é o quarto, a casa de banho, a cozinha, e consegue movimentar-se com o andarilho, por exemplo se lhe apetecer água, sabe que tem de ir até a cozinha, depois, pode não atinar onde está o copo, mas reconhece o espaço, e se tirar do meio dela

“Viver aos Bocadinhos”

O Papel do Cuidador Informal do Idoso em Contexto Domiciliário

fica muito desorientada, acho mesmo que morreria mais rápido. Por isso, faço este sacrifício de viver cá e não levar a minha mãe para minha casa, não mudo a mãe”. E7.

“ (…) o meu pai gosta deste cantinho e eu lá também não tenho grande espaço e, assim, quando os meus irmãos o vêm ver, vêm aqui, senão, iam para minha casa e eu não estou para isso”. E11.

2 dos nossos entrevistados referem que o idoso permanece na sua habitação, por opção:

“ (…) é muito complicado irmos viver para casa dos meus filhos eles têm a vida muito ocupada, a única que poderia ter vida para nos acolher em sua casa é a São, que não tem filhos, mas está no Algarve, também, levá-la daqui para o Algarve não dava, e nós queremos viver na nossa casa”. E12.

“ (…) os meus irmãos, alguns já nos têm falado para irmos viver com eles, que temos sempre lá um cantinho, mas à minha mãe ninguém a tira de sua casa para fora, quer morrer aqui”. E13.

Esta ideia pode estar associada, como refere Fernandes (2001), a uma menor frequência da coabitação dos pais idosos com os filhos adultos e a uma maior proporção de idosos a viverem sós. Apesar deste aumento de pessoas idosas a viverem sozinhas e do predomínio das famílias compostas apenas pelo casal, as relações intra-familiares continuam a ter um lugar preponderante, ainda que com intensidades variadas, mesmo depois de os filhos constituírem novos núcleos familiares e saírem de casa.

In document Hørt om Frifond !? (sider 34-37)