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FRIFOND – PRINSIPPER OG PROSESS

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No seguimento da reciprocidade dos cuidados, o acto de cuidar continua associado ao género feminino. Socialmente, as tarefas domésticas continuam associadas à mulher.

“Viver aos Bocadinhos”

O Papel do Cuidador Informal do Idoso em Contexto Domiciliário

Esta “matrilinearidade” das entrajudas familiares é uma característica das relações de parentesco das sociedades ocidentais (Fernandes, 1997). Coward e Dwyer (1990, cit. in Paúl, 1997) referem a importância dos filhos nos cuidados aos seus pais idosos dependentes e, o facto de serem, especificamente, as filhas que desempenham esse papel.

13 dos nossos entrevistados associam o acto de cuidar a uma tarefa do género feminino, independentemente de ser homem ou mulher o entrevistado:

“ (…) sou a única filha mulher, os meus irmãos não eram capazes de dar as voltas aos meus pais, tenho a certeza que não, as filhas, nestas coisas, são sempre mais prejudicadas, também, são criadas desde pequenas para isso, para cuidar, cuidamos dos filhos, depois dos netos, depois dos pais e esperamos que um dia alguém volte a cuidar de nós”. E3.

“ (…) o meu irmão ajuda, mas não limpa a mãe, não a tira da cama, não sabe fazer isso”. E4.

“ (…) a verdade é que ter filhas é sempre melhor do que ter filhos, pelo menos na velhice, com os filhos é diferente, não estou a ver os filhos a dar banho, a mudarem a fralda”. E7.

“ (…) os meus irmãos não me ajudam a cuidar da mãe, isso não é trabalho para homens, nem as mulheres deles me ajudam, essas é que deviam ajudar, agora, os meus irmãos não vão dar as voltas à mãe, um homem não faz essas coisas”.

E13.

Mesmo quando os idosos estão a cargo dos filhos homens, continuam a ser as esposas destes a cuidar. De facto, para Coward e Dwyer (1990, cit. in Paúl, 1997), outro grupo de pessoas que presta cuidados aos idosos é o das noras. Embora seja mais provável que as filhas, e não os filhos, assumam as tarefas de rotina e de retaguarda dos cuidados e os filhos desempenhem actividades mais circunscritas e esporádicas, muito do trabalho que é desempenhado pelos filhos é, na realidade, prestado pelas noras.

“Viver aos Bocadinhos”

O Papel do Cuidador Informal do Idoso em Contexto Domiciliário

A este propósito, dois dos nossos entrevistados referem que:

“ (…) o meu marido vai sempre ver a mãe, mas não cuida dela, não tem jeito, eu é que lhe faço tudo. No fundo, a minha sogra teve sorte em me encontrar”. E5.

“ (…) o meu marido tem muita dificuldade em ajudar-me a cuidar da mãe, porque ele comove-se com muita facilidade (…). Lógico, se ela lhe pedir água ele dá-lhe, mas molha-a, pronto, não tem jeito”. E6.

Para Perista, et al. (2000), continua, hoje, a persistir um fraco envolvimento e desresponsabilização adstrita ao tradicional papel masculino no espaço doméstico, onde se inscrevem os cuidados aos parentes dependentes, sobretudo em relação aos idosos, que, em muitas situações, se tratam de familiares indirectos, como sejam sogros ou sogras

Dos nossos 14 entrevistados, 2 cônjuges homens cuidam diariamente da sua esposa:

“ (…) sou homem e há coisas que me custam fazer, como mudar-lhe a fralda, não fui habituado, acho que, se for as minhas filhas ou as minhas noras a mudar, ela fica melhor”. E2.

Dentro desta perspectiva, Paúl (1997) refere que os cônjuges estão na primeira linha de prestação de cuidados em situações de doença ou incapacidade. Prestam mais horas de assistência e têm mais probabilidade de fornecer cuidados pessoais, tolerando maiores incapacidades e por mais tempo, com menor ajuda externa e mais custos pessoais. Os homens nesse papel têm maior probabilidade de receber apoio, quer formal, quer informal

Para Chapel (cit. in Lage, 2005), o cônjuge emerge como a principal fonte de assistência ao idoso, muitas vezes, ele próprio um idoso dependente, mas mesmo assim uma das maiores garantidas de suporte na velhice.

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“ (…) sou homem e há coisas que me custam fazer, como mudar-lhe a fralda, não fui habituado, acho que, se for as minhas filhas ou as minhas noras a mudar, ela fica melhor, ainda por cima, também ando de canadianas”. E2.

No entanto, um dos nossos entrevistados homens não tem apoio formal e tem pouco informal:

“ (…) quem cuida de outras pessoas, em princípio, é sempre mulher, estão mais habituadas, cuidaram dos filhos, dos maridos, eu tive de cuidar, não tive outra opção”. E12.

“ (…) os meus quatro filhos não têm tempo. O Carlos é que vem cá mais a miúdo e é muito nosso amigo, ajuda-me a lavar a mãe, dá-lhe de comer, levanta-a, dá-lhe muitos beijos é muito nosso amigo, mas não está cá. As três filhas têm as suas vidas, telefonam, vêm cá quando podem, bem sei que se preocupam, mas têm a vida delas, os seus problemas, a sua vida”. E12.

Não podemos esquecer, a este propósito, que as pessoas, de uma forma geral, foram socializadas na ideia que são as mulheres que cuidam:

“ (…) o meu pai não ajuda nada com a minha avó, ele é assim um bocado tímido, também, é homem, não foi habituado”. E10.

Na perspectiva de Paúl (1997), as mulheres especializam-se em tarefas como os cuidados parentais e há uma interiorização de atitudes baseada no papel feminino na prestação de cuidados.

De facto, as estatísticas continuam a mostrar a mulher como principal prestadora de cuidados na velhice e na doença dos seus familiares, quer consanguíneos, quer por afinidade (Relvas, 1996).

De referir que 12 dos nossos entrevistados são mulheres e 2 homens (curiosamente, estes 2 homens são os cônjuges das idosas dependentes). E dentro do grupo de mulheres, 2 que cuidam são noras (tal como o mencionado anteriormente). Parece-nos

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também que a questão da filha economicamente mais desfavorecida e solteira e ou viúva está também relatada nos discursos dos nossos entrevistados.

As pessoas casadas constituem a maior proporção daquelas que prestam cuidados a um familiar idoso dependente, seguindo-se as pessoas solteiras ou divorciada/separadas. Em proporções mais significativas encontram-se os viúvos (Figueiredo, 2004).

Brody e Cole et al. (cit. in Lage, 2005) referem que a proximidade da residência acabará por influenciar quem assumirá o papel de cuidador principal, assim a escolha recai habitualmente sobre a filha economicamente mais desfavorecida, mais reservada pela tradição familiar, sem profissão, aposentada e/ou solteira ou, ainda segundo Ross (cit in Lage, 2005), sobre o filho único.

“ (…) os meus filhos têm a sua vida, são muitos ocupados, vêm cá quando podem, mas não podem sempre”.E12.

“ Tive de cuidar eu da minha mulher, não tive outro remédio, onde a ia pôr? Que lhe ia fazer? Não a podia abandonar e os meus filhos não a podiam levar para casa dele, vivem longe”. E2.

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