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De frittstående lagene og Frifond – 4 eksempelkommuner

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3 HVOR GÅR PENGENE?

3.3 De frittstående lagene og Frifond – 4 eksempelkommuner

No que concerne ao acto de cuidar e à condição económica, verifica-se que as dificuldades económicas estão directamente relacionadas com os cuidados prestados e que há uma interligação económica entre cuidadores e idosos.

Os nossos entrevistados referem a relevância da questão económica, nomeadamente, das dificuldades financeiras, no acto de cuidar.

“ (…) é muito pouco dinheiro, de facto, é muito pouco dinheiro, temos que pagar tudo, no fundo, ainda tenho de pagar muita coisa do meu bolso”. E4.

“ (…) é muito complicado cuidar com pouco dinheiro, tenho de andar sempre a esticar, para dar para tudo”. E5.

“Viver aos Bocadinhos”

O Papel do Cuidador Informal do Idoso em Contexto Domiciliário

“ (…) colchões anti-escaras já estragou quatro, já tive de comprar quatro colchões, eu compro essas coisinhas, mesmo para pôr o quarto da minha sogra como de hospital, exclusivamente só com o que é necessário quando recebo o subsídio de Natal e de férias aproveito, e faço essas compras, porque, de resto não chega, ela tem o complemento por dependência II, mas tudo isso não chega, é muito pouco dinheiro”. E6.

“ (…) com pouco dinheiro é complicado (…) se eu não tivesse uma vida económica razoável, não sei”. E8.

“ (…) é muito difícil, quando não há dinheiro, é mais difícil cuidar.. E10.

“ (…) fica muito caro cuidar do meu pai, fica caro as comidas que ele come, tenho que lhe comprar tudo, depois, é preciso medicamentos, cremes, fraldas chego ao fim do mês, e fico sem dinheiro nenhum, não fica nada”. E11.

“ (…) é muito pouco dinheiro e é tudo muito caro, só a minha irmã é que não vê isso”. E14.

As dificuldades sentidas pelos nossos entrevistados são, algumas vezes, colmatadas pela família. A este propósito, 9 dos nossos entrevistados afirma que ajuda economicamente a pessoa idosa, se não for em bens, é em géneros:

“ (…) a reforma da minha sogra não chega, nem pensar, eu em três coisas resumo a reforma dela: farmácia, fraldas e Centro Social, não conto alimentação, estadia, trabalho, cremes, não conto nada, não fujo a nada, compro os cremes melhores”. E6.

“ (…) a mãe é reformada, mas a reforma não chega, se formos a fazer as contas, só em cremes, em fraldas, é um dinheirão. Deus me livre, mais a medicação, em medicamentos para a mãe gasto uma média de 60€, mais 25€ de fraldas por semana, é muita coisa, já não conto a alimentação e o trabalho”. E8.

“Viver aos Bocadinhos”

O Papel do Cuidador Informal do Idoso em Contexto Domiciliário

“ (…) a reforma não chega, porque eu estou a dar algum por mês à minha cunhada, ela está desempregada e vem cá muitas vezes, quando eu não estou, ver os meus pais, dá-lhe a refeição, e faz o que é preciso na minha ausência. Não acho justo não lhe dar nada, ainda por cima não vivem bem, o que lhe dou é bem preciso para ela. Dou-lhe a reforma da minha mãe, que são 230€. A reforma do meu pai é de 235€, ficam 160€ para pagar ao Centro Social”. E3.

Para Fernandes (1997), nos casos em que existe coabitação, considerada como uma forma mais intensa de solidariedade de pais idosos com os filhos adultos, poderá existir uma situação de solidariedade dependente, na qual os familiares idosos dependem das ajudas dos seus filhos.

Segundo Portugal (2007), as características da reciprocidade no interior do parentesco dependem das características socio-económicas das famílias. Embora a reciprocidade directa aumente este tipo de reciprocidade, é sobretudo visível nas ajudas materiais. Neste domínio, a troca directa é muito mais clara: os filhos recebem bens e serviços dos pais, mas estão quase sempre obrigados a retribuições explícitas.

A esta dificuldade associam-se as reformas pequenas de que os idosos usufruem. A este propósito, 13 dos nossos entrevistados referem que:

“ (…) eu governo-me com as nossas reforminhas, se não tivéssemos esse bocadinho, morríamos de fome, gastamos muito dinheiro na farmácia”. E13.

“ (…) a reforma da minha mãe é muito pequena, não chega para tantos gastos. A minha mãe ainda não tem complemento II, só tem os 218€ de reforma, já pedi o complemento, mas ainda não foi chamada à Junta médica”. E4.

Cardoso, et al. (2008) explica que os valores das pensões (social e mínima) continuam a manter-se sistematicamente abaixo da linha de pobreza. 1 das nossas entrevistadas chegou mesmo a referir a necessidade do apoio económico do pai, num caso que, de acordo com Fernandes (1997), denota a existência de uma solidariedade dominante, na qual são os filhos que dependem economicamente das ajudas dos pais:

“Viver aos Bocadinhos”

O Papel do Cuidador Informal do Idoso em Contexto Domiciliário

“ (…) o meu pai é reformado e tem o complemento por dependência II, é o que me tem ajudado, ajuda-me muito, é o que me vale, eu tenho a pensão de viuvez, que é muito pouco, tenho Rendimento Mínimo (RSI), mas é muito pouquinho (…). Tenho muito medo de ficar numa situação difícil, quando o meu pai morrer, o dinheiro dele faz-me muita falta, não sei o que vai ser feito de mim”.

E11.

A este propósito, Fernandes (2001) refere que, no que toca às transferências económicas e financeiras, estas ocorrem, principalmente, de avós para netos, e de pais idosos para os/as seus/suas filhos/as, ainda que os primeiros apresentem rendimentos, em muitos casos, inferiores. Já que no que se refere à troca de serviços, esta ocorre em ambos os sentidos.

Santos (1993) refere que, por outro lado, as pessoas e as famílias relacionam-se necessariamente com os sistemas geradores de rendimentos que lhe permitem a obtenção de recursos financeiros provenientes de uma ou várias fontes de rendimento. Para a maioria das famílias, a principal fonte de rendimento é o mercado de trabalho. Para outros – por exemplo, os reformados – o principal recurso financeiro de que dispõem é a pensão de velhice ou invalidez.

A crença de que a família é obrigada a prestar apoio à pessoa idosa começa a ganhar novos limites. Assim, existem famílias que delegam a responsabilidade de prestar cuidados aos seus familiares idosos, e outras, particularmente as famílias da classe trabalhadora, com mais incapacidades económicas, que assumem essa responsabilidade (Costa, 1998). Por isso, a atenção que o Estado dedica à família tem de ser cada vez maior ou os valores sociais mais elementares podem perder-se para sempre (Sprinthall e Sprinthall, 1993).

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