Beregnet utgiftsbehov 2014
8. DISKUSJON OG VURDERINGER
8.2 Lokale målsettinger og funksjonell region
Os estudos seminais de Cohen e Lenvithal em 1989, “Innovation and Learning: the two faces of R&D” introduziram a definição da capacidade de absorção, neste primeiro momento, os autores abordam a ACAP como um processo de aprendizagem fundamental à organização, utilizando indicadores proxies como gastos e investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para medir sua intensidade.
No estudo seguinte, Cohen e Levinthal (1990) descrevem a capacidade de absorção primeiramente como um processo baseado na capacidade de absorção individual. Desta forma, o valor não está somente nos processos de P&D, mas, principalmente relacionado aos aspectos cognitivos do individuo. A partir do reconhecimento do conhecimento prévio, o individuo se torna capaz de reconhecer o valor da nova informação e então irá assimilá-la e aplica-la para fins comercias (COHEN; LEVINTHAL,1990). Neste novo estudo, os autores indicam que a ACAP não é apenas um produto de gastos ou investimentos em P&D, mas, também, da capacidade individual de seus empregados, agregando o nº de patentes, conhecimento técnico dos empregados especializados para mensurar a ACAP. Todorova e Durisin (2007) ilustraram o modelo de proposto por Cohen e Levinthal (1990), conforme apresentado na Figura 2.
Figura 2 - Modelo de Capacidade de Absorção proposto por Cohen e Levinthal (1990)
Fonte: Adaptado de Todorova e Durisin (2007).
Como um processo cognitivo, a capacidade de absorção da organização dependerá da capacidade individual de seus membros em absorver conhecimento. O desempenho tardio da ACAP provoca dificuldades na identificação e apreciação de novas oportunidades, ocasionando uma diminuição em desenvolvimento tecnológico, dirimindo a obtenção de vantagem competitiva. O engajamento no processo interno de inovação torna-se insensível às oportunidades oriundas do ambiente externo COHEN; LEVINTHAL,1990).
Cohen e Levinthal (1990) indicam que a empresa possui maior facilidade no aprendizado quando possui conhecimento prévio para poder valorizar o novo conhecimento adquirido, desta forma, as empresas com pouco ou sem conhecimento prévio tecnológico (P&D) podem ter dificuldades em adquirir e assimilar novos conhecimentos. Além disso, os autores abordam a importância das redes de relacionamentos internas e externas para reforçar o aprimoramento da capacidade de absorção. Tanto a apropriabilidade quanto as oportunidades tecnológicas em P&D são fatores decisivos que afetam a aprendizagem organizacional.
Os regimes de apropriação, que consistem na capacidade da empresa proteger seus conhecimento e ativos, modelam a relação entre a capacidade de absorção realizada e a vantagem competitiva sustentável, portanto, organizações com regimes de apropriação inferior, incorrerão em rendimentos inferiores de conhecimentos absorvidos (ZAHRA; GEORGE, 2002).
Lane e Lubatkin (1998) realizaram uma releitura dos conceitos de Cohen e Levinthal (1990) e identificaram que a capacidade de absorção deve ser analisada com base em alianças estratégicas de dupla aprendizagem, com uma relação professor aluno, em que há uma organização que detêm o conhecimento, denominada no estudo “empresa professor” e outra empresa que absorve o conhecimento, a “empresa estudante”. O conhecimento novo transmitido pela empresa professor é absorvido pela empresa estudante somente quando há semelhança entre os processos, práticas, estruturas organizacionais e quando há familiaridade da empresa estudante com relação ao conjunto de problemas que envolvem a empresa professor.
A habilidade de uma empresa estudante ou receptora em aprender com a empresa professora ou remetente depende de suas características em comum. Para Lane e Lubathin (1998), a capacidade de absorção consiste na capacidade de uma empresa estudante avaliar, assimilar e aplicar novo conhecimento a partir de uma empresa professor.
Diversos autores trouxeram contribuições aos conceitos de Cohen e Levinthal (1990). Entretanto, a reconceitualização proposta por Zahra e George (2002), tem sido a interpretação mais difundida. Os autores realizaram um amplo estudo com enfoque nos processos organizacionais e definem a capacidade de absorção como um conjunto de rotinas e processos organizacionais pelos quais as empresas adquirem, assimilam,
transformam e exploram conhecimentos com o intuito de produzir capacidade dinâmica.
Para Zaha e George (2002), a capacidade de absorção pode ser dividida em duas naturezas que, em conjunto, permitem a eficiência na criação de valor da organização – capacidade potencial e realizada. A capacidade potencial (ACAP) é definida como um recurso dinâmico relativo à criação de conhecimento e capacidade da empresa em obter vantagem competitiva. A segunda subclasse se refere à capacidade realizada (RACAP) que consiste na aplicação do conhecimento para melhorar o desempenho e produzir vantagem competitiva.
Zahra e George (2002) ampliam o conceito de Cohen e Levinthal (1990) propondo uma nova dimensão - a transformação. A transformação consiste na capacidade de uma empresa combinar os conhecimentos prévios com os conhecimentos externos adquiridos e assimilados. O modelo de Zaha e George (2002) melhor pode ser traduzido pela Figura 3 Figura 3que apresenta as dimensões proposta pelos autores. Figura 3 - Modelo de Capacidade de Absorção proposto por Zaha e George (2002)
Como visto, os estudos iniciais de Cohen e Levinthal (1990) percebem os aspectos cognitivos do indivíduo como aspecto fundamental à capacidade de absorção. Posteriormente os processos organizacionais foram abordados por Zaha e George em 2002. Entretanto, os autores colocam em segundo plano o papel do indivíduo no desenvolvimento, implantação e manutenção da ACAP. Lane, Koka e Pathak (2006) retomam a relevância do indivíduo e, indicam os aspectos cognitivos como elemento base à ACAP. Os autores sugerem que os modelos mentais compartilhados entre os membros da organização fornecem “insights” valiosos ao processo de aprendizagem. O estudo propõe um novo modelo de construção da ACAP, em que capacidade de absorção pode ser definida como a habilidade de uma organização em reconhecer o valor por meio da utilização de três processos sequenciais de aprendizagem: exploratória, transformativa e exploradora (de aplicação).
Lane, Koka e Pathak (2006) discutem a separação proposta por Zaha e George (2002) da capacidade de absorção em potencial e realizada. Os autores defendem que esta separação não é possível, pois, desta forma, os resultados são identificados em curto prazo, sem que haja a possibilidade de um fluxo, essencial à vantagem competitiva sustentável, a qual é uma das maiores características da ACAP. Portanto, Lane, Koka e Pathak (2006) identificam suas dimensões que, em conjunto e em fluxo contínuo, formam um novo modelo de capacidade de absorção. Conforme apresentado na Figura 4, os autores consideram em seu modelo os elementos internos e externos que influenciam a ACAP e colocam um fluxo contínuo com possibilidade de retorno “feedback”.
Figura 4 - Modelo de Capacidade de Absorção baseado em Lane, Koka e Pathak (2006)
Fonte: Adaptado de Lane, Koka e Pathak (2006)
Assim como Lane, Koka e Pathak (2006), os autores Todorova e Durisin (2007) indicam que a divisão da capacidade de absorção em potencial e realizada proposta por Zaha e George (2002), apresentara lacunas. Os autores defendem que a divisão não é correta por não indicar qual o papel dos dois subconjuntos para a obtenção de vantagem competitiva. O processo de absorção do conhecimento deve ser um processo contínuo, que segundo Todorova e Durisin (2007), envolve “loops” e “feedback”, neste processo, o sucesso na absorção de conhecimentos ao longo do tempo está relacionado à influência das ações absorvidas futuras.
A Figura 5 apresenta as alterações propostas por Todorova e Durisin (2007) que altera o modelo proposto por Zaha e George (2002) e retoma alguns pontos do modelo seminal de Cohen e Levinthal (1990).
Figura 5 - Modelo de Capacidade de Absorção baseado em Todorova e Durisin (2007)
Fonte: Adaptado de Todorova e Durisin (2007).
Todorova e Durisin (2007) retomam os estudos originais de Cohen e Levinthal (1990), indicando omissões e ambiguidades no constructo original e, recolocam o reconhecimento de valor como passo anterior à ACAP. Os autores reconceituam os constructos de Zaha e George (2002), advertindo que a transformação não deve preceder a aplicação, mas sim, ser um processo alternativo a mesma. Os autores entendem que a transformação não incide em uma consequência como apresentam Zaha e George (2002), mas, sobretudo, um processo alternativo à assimilação.
Quanto aos mecanismos de integração social, os autores defendem que não só reduzem as barreiras entre assimilação e transformação, aumentando a ACAP como indicado por Zaha e George (2002), como também, acreditam que a influência pode ser negativa ou positiva, afetando todos os componentes da capacidade de absorção.
Para Jiménez-Barrionuevo, García-Morales, e Molina (2011), a capacidade de absorção pode ser composta por quatro
componentes (aquisição, assimilação, transformação e aplicação do conhecimento). Os autores retomam o conceito de Zaha e George (2002) agrupando as capacidades em dimensões potencial e realizada.
No entendimento de Jiménez-Barrionuevo, García- Morales, e Molina (2011) as dimensões diferem entre uma organização e outra, e ainda, auxiliam a explicação das distinções no desempenho organizacional entre empresas similares presentes no mesmo ambiente mercadológico. Neste sentido, a partilha e aceitação de novos conhecimentos se torna fundamental para a capacidade de absorção.
O Quadro 1 apresenta por ordem cronológica as diferentes conceituações que trouxeram contribuições à construção da capacidade de absorção utilizada por diferentes autores.
Quadro 1 - Conceituações da Capacidade de Absorção (Continua)
Autor Conceituação
Cohen e Levinthal (1989)
Capacidade de Absorção refere-se à habilidade de reconhecer o valor de novas informações, assimilá-las e aplica-las para fins comerciais. Lane e Lubatkin
(1998)
Capacidade de absorção consiste na capacidade de uma empresa estudante avaliar, assimilar e aplicar o novo conhecimento a partir de uma empresa professor.
Zahra e George (2002)
Capacidade de Absorção refere-se a um conjunto dinâmico de rotinas e processos organizacionais pelos quais as firmas adquirem, assimilam, transformam e exploram conhecimento para produzir uma capacitação dinâmica.
Lane et al (2006)
Capacidade de absorção é definida como a habilidade de reconhecer valor, utilizando os conhecimentos externos através dos processos de aprendizagem exploratória, transformativa e de aplicação.
Quadro 1 - Conceituações da Capacidade de Absorção (Conclusão)
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
Zahra e George (2002) ampliam a concepção original de ACAP definida por Cohen e Levinthal (1989) que divide a capacidade de absorção em três dimensões: capacidade de identificar, assimilar e explorar o conhecimento adquirido de fontes externas, para quatro dimensões: adquirir, assimilar, transformar e explorar. Os autores consideram que as dimensões da ACAP podem ser divididas conforme sua natureza em potencial (aquisição e assimilação de conhecimento) e realizada (transformação e aplicação do conhecimento). A nova construção de ACAP proposta por Zaha e George (2002) possibilita que as organizações explorem novos conhecimentos e fornecem recursos intangíveis cruciais ao desejado desempenho superior que possibilita a vantagem competitiva organizacional (Teece, Pisano e Shuen, 1997).
Conforme indicam Zahra e George (2002) a vantagem competitiva é alcançada por meio da inovação e flexibilidade estratégica. As etapas potencial e realizada definida pelos autores possibilitam a renovação nas bases de conhecimento e nas habilidades necessárias à competição. Portanto, as empresas flexíveis na utilização de seus recursos são capazes
Autor Conceituação
Todorova e Durisin (2007)
Capacidade de absorção é definida como a capacidade de uma organização para reconhecer o valor de novos conhecimentos, assimilá-lo e transformá-lo, implementando e utilizando estes conhecimentos.
Jimenez-
Barrionuevo et. al, (2011)
Capacidade de absorção consiste na capacidade da organização em criar valor desenvolvendo um conjunto de rotinas e processos estratégicos capazes de adquirir, assimilar, transformar e explorar o conhecimento externo adquirido.
de identificar e reconfigurar seus recursos para a captação de estratégias emergentes.
Com base nos conceitos de ACAP apresentados, o conceito adotado no presente estudo é o modelo desenhado por Zaha e George que compreende quatro dimensões consideradas as mais representativas do constructo capacidade de absorção, dividindo as capacidades em potencial (aquisição e assimilação) e realizada (transformação e aplicação). Os autores e as dimensões da capacidade de absorção propostas serão apresentadas no subtítulo dimensões da capacidade de absorção.