Name of organisation, department or unit:
Scenario 3: You work in an independent unit that supports the Ministry of Health in its use of evidence in policymaking. You have been commissioned to write a background document for a
5. How should local evidence be incorporated with other information?
A abordagem qualitativa permite refletir sobre as ações do processo de condução da investigação desta pesquisa, interpretando os diálogos entre pesquisador e sujeitos, evidenciando as ações desenvolvidas na construção do processo de formação dos professores, revelando e valorizando suas experiências, visando uma atitude crítica de todos os envolvidos no estudo, não perdendo de vista um princípio norteador desta abordagem que é o desenvolvimento humano.
De acordo com Abramowicz (1996), uma das características da pesquisa qualitativa é a valorização das experiências tanto do pesquisador como do sujeito pesquisado, pois a natureza desta abordagem evidencia a subjetividade.
Segundo Chizzotti, a pesquisa em ciências humanas tem sua especificidade, exigindo metodologia própria devido à multiplicidade e à complexidade das dimensões da vida humana e dos seus contextos e os saberes que se constituíram e se acumularam ao longo do tempo. A pesquisa em ciências humanas interessa-se em refletir e aprofundar, por meio de análises, as descobertas feitas e aquelas que poderão emergir a “favor da vida humana”, o que exige estudo detalhado e rigoroso para o aprofundamento do conhecimento daquilo que se deseja pesquisar:
É, em suma, uma busca sistemática e rigorosa de informações, com a finalidade de descobrir a lógica e a coerência de um conjunto, aparentemente disperso e desconexo de dados para encontrar uma reposta fundamentada a um problema bem delimitado, contribuindo para o desenvolvimento do conhecimento
em uma área ou problemática específica. (CHIZZOTTI, 2010, p. 19)
A opção pela pesquisa qualitativa se fez pelos subsídios que a mesma fornece ao estudo aqui apresentado, atendendo aos objetivos já explicitados anteriormente, possibilitando uma compreensão e um aprofundamento do objeto de estudo.
O desenvolvimento da pesquisa considerou o contexto onde os sujeitos estavam inseridos e as relações que são construídas e estabelecidas em seu interior, considerando os processos de interação entre pesquisador e sujeitos pesquisados e a apropriação dos mesmos sobre a problemática emergente estudada.
Chizzotti afirma que é fundamental “construir uma apresentação holística do fenômeno estudado e de seu contexto, descrevendo os comportamentos em seu ambiente natural, extraindo as estruturas reveladoras de significado e fenômeno estudado” (Ibidem, p. 73).
Lüdke e André (1986) ressaltam que a abordagem qualitativa revela a opinião dos participantes, capturando olhares através de suas próprias perspectivas. Segundo as autoras, a partir do momento em que consideramos os diferentes pontos de vistas dos participantes, os estudos qualitativos permitem iluminar o dinamismo interno das situações, geralmente inacessíveis ao observador externo.
André (2003) enfatiza que a pesquisa qualitativa valoriza a maneira própria de entendimento da realidade do indivíduo, portanto, passa por um processo baseado na própria construção que o indivíduo faz durante o seu processo de aprendizado. Esse processo permite a relação direta e dinâmica entre o pesquisador e o sujeito pesquisado, focando a reflexão do contexto pesquisado.
Essa pesquisa espera compreender com maior profundidade a questão principal, o coaching na formação da consciência docente, a partir de um conjunto estruturado de conhecimentos, podendo oferecer subsídios para o desenvolvimento do professor de forma integral e, para isso, optamos pela pesquisa-ação.
A pesquisa–ação possibilita ao pesquisador e aos sujeitos pesquisados a reflexão crítica que visa a transformação, a mudança de suas próprias atitudes e de seus comportamentos.
Barbier (2007) afirma que a pesquisa-ação permite que as pessoas participem na sua própria mudança de atitude ou de comportamento num sistema interativo.
André (2003) endossa as palavras acima, afirmando que o professor é quem decide fazer uma mudança na sua prática docente e a acompanha com um processo de pesquisa, ou seja, um planejamento de intervenção. Processo este semelhante ao coaching, desenvolvido durante a pesquisa.
Barbier corrobora, ressaltando que na pesquisa-ação há uma crescente participação dos envolvidos. O pesquisador passa a ser um interventor e é aquele que provoca reflexões para que as mudanças ocorram de maneira efetiva. Enfatiza também a escuta sensível dos participantes, o que, para o autor, é
[...] um “escutar/ver” que se apoia na empatia. O pesquisador deve saber sentir o universo afetivo, imaginário e cognitivo do outro para compreender do interior as atitudes e os comportamentos, o sistema de ideias, de valores, de símbolos e de mitos. (BARBIER, 2007, p. 94)
A escuta sensível reconhece a aceitação incondicional do outro, semelhante ao que o coaching realiza durante todo o processo. É uma escuta que
não julga, não mede, não compara e, sim, compreende sem, entretanto, aderir a opiniões ou confundir-se com o outro, com o que é enunciado e praticado. Devo reafirmar, desta forma, a coerência do pesquisador dentro desta abordagem de pesquisa.
Pensando ainda no aspecto da mudança, é imprescindível citar que a mudança só acontece de fato quando queremos efetuá-la em nossas vidas, refletindo e tendo uma autocrítica em relação à nossa postura. Citando Marrow, Kurt Lewin afirma que:
Quando falamos de pesquisa, subentendemos Action-Research, quer dizer uma ação em um nível realista sempre seguida por uma reflexão autocrítica objetiva e uma avaliação dos resultados. Uma vez que nosso objetivo é aprender rapidamente, nunca teremos medo de enfrentar nossas deficiências. Não queremos ação sem pesquisa e nem pesquisa sem ação. (apud BARBIER, 2007, p. 29)
Corroborando com esta discussão, volto a me remeter ao processo de coaching, que segue os mesmos princípios citados acima. Durante toda esta pesquisa esses princípios foram seguidos à risca, sempre procurando fazer com que houvesse uma reflexão crítica por parte dos sujeitos e uma escuta sensível durante as sessões de coaching, promovendo, desta forma, o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores envolvidos e o meu próprio desenvolvimento, enquanto pessoa e pesquisadora. A pesquisa-ação possibilita esta transformação e o desenvolvimento de todos os envolvidos, lembrando-se da importância de se transformar o discurso que se quer em ação e refletir de que maneira esta mudança irá impactar nas pessoas que estão à volta, reforçando a ideia do pensar na ação individual dentro de uma prática coletiva.
A pesquisa ação integral visa a mudança pela transformação recíproca da ação e do discurso, isto é, de uma ação individual em prática coletiva eficaz e instigadora, e de um discurso espontâneo em um diálogo esclarecido e até mesmo engajado. Ela exige que haja contrato aberto, formal (de preferência não estruturado), implicando uma participação cooperativa, podendo levar a uma co- gestão.
A partir de toda esta revisão bibliográfica que ampara e fundamenta a presente pesquisa, foi desenvolvida a pesquisa de campo, a qual será descrita de forma detalhada, juntamente com o percurso metodológico, nas páginas a seguir.