• No results found

1.1 On dementia

1.1.3 Living with dementia

Sayão e Marcondes (2009) destacam que a tecnologia compreendida nos RIs guarda uma peculiaridade positiva que deve ser explorada, visto que anteriormente, os processos de automatização de acervos, centravam-se em desenvolvimentos de pacotes de

software comerciais, tais como MS Access, atualmente, em contraste, os principais

programas para criação dos RIs são distribuídos livremente para uso e para desenvolvimentos posteriores, ou seja, a filosofia do acesso e arquivos abertos posta em prática.

Tal feito deve-se a muitas pesquisas realizadas no âmbito acadêmico, que acarretaram o desenvolvimento da maior parte dessas tecnologias, de modo que estas foram estruturadas em código fonte aberto, para que pudessem ser amplamente utilizadas (SAYÃO, MARCONDES, 2009).

Assim, para que seja possível o desenvolvimento de um RI, é necessário adotar plataformas de software que sejam versáteis e interoperáveis, apontam Marcondes e Sayão

(2009). Existem vários padrões de metadados que possibilitam a implementação de um RI, dentre eles, o Dspace, que é o resultado de investigações e do desenvolvimento em conjunto entre as organizações Massachussets Institute of Technologia (MIT) e Hewlett-

Packard (HP).

Uma primeira versão da ferramenta foi publicada em 2002 com funções de armazenamento, indexação, preservação e disseminação da informação científica pelas organizações, particularmente de ensino e de pesquisa, atualmente é utilizado por diversas instituições das Américas, Europa e Oceania (IBICT, 2012).

O padrão de metadados Dspace surgiu como uma estratégia para que as instituições de ensino, pudessem acompanhar as mudanças aceleradas que ocorriam na comunicação eletrônica nas esferas técnicas e científicas e também para ser utilizado como um banco de dados baseado na Web, que pudesse propiciar armazenamento e a recuperação de materiais produzidos pelas instituições; que pudesse ser cumulativo, permanente, aberto interoperável e que minimizasse os problemas causados pelas falhas no desenvolvimento das coleções de periódicos, tendo em vista o alto preço das assinaturas (WARE, 2004). O Quadro 2 apresenta as Características do Padrão de Metadados Dspace:

Quadro 2 – Características do Padrão de Metadados Dspace

Disponibilidade e

Distribuição Características Técnicas Padrões Características Específicas

O IBICT disponibiliza para download gratuito em seu site uma versão em português do Dspace,

que possui fonte aberta sob a licença Berkeley

Software Distribution (BSD) open source.

- Ambiente Operacional: Unix, Linux, Windows - Tecnologias usadas: Java,

Tomcat Servlet Engine - Banco de Dados: PostgreSQL, MySQL, Oracle - Motor de Pesquisa: Lucene

ou Google - Formatos aceitos: sem

restrições - Extensível via Java API

- Interoperabilidade: Protocolo OAI-PMH, Web Services,

SRU/SRW - Esquema de metadados

aceitos – Dublin Core qualificado - Identificadores – Handle

System

- Preservação digital – aderente ao modelo Open Archive Information Systems (OAIS)

- Importação/exportação de dados – formato XML e padrão

METS. - Implementa o conceito de comunidades - Voltado para repositórios institucionais -Foco em materiais para pesquisa e ensino.

- Workflow para submissão de

conteúdos - Interface web

customizável Fonte: Adaptado de Marcondes e Sayão (2009).

No Brasil são mais de 90 RIs implementados em diversas instituições, cita-se algumas: Universidade de São Paulo (USP), Instituto Federal do Rio Grande de Norte (IFRN), Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), UFSCar.

De acordo com informações do Directory of Open Access Repositories

(OpenDOAR) o Dspace é o padrão de metadados mais utilizado para a implementação de

RIs, como demonstra a Figura 3 – Repositórios Institucionais: padrões de metadados utilizados no Brasil.

Figura 3 – Repositórios Institucionais: padrões de metadados utilizados no Brasil

Fonte: OpenDOAR (2017).

Os dados apresentados na Figura 3 foram um dos pontos que a pesquisadora considerou na escolha para a proposição da ferramenta, pois de acordo com a pesquisa são mais de 90 RIs no Brasil e o uso do padrão de metadados Dspace representa 77,2% deste universo.

Para além disso, o Dspace está sob tutoria do IBICT, é de código aberto, possui fórum de discussão para sanar dúvidas durante o processo de implementação, além de apresentar casos de sucesso de implementação, como pode-se observar as instituições citadas anteriormente.

Camargo e Vidotti (2009) destacam que ambientes informacionais digitais surgem para possibilitar o gerenciamento, o tratamento, a recuperação, o uso, a preservação e a disseminação de informações e de documentos científicos e acadêmicos, assim, os RIs, se

apresentam como um tipo desses ambientes, que objetivam contribuir significativamente na comunicação entre as comunidades científicas, administrativas, culturais e memoriais.

As referidas autoras destacam que os RIs utilizam sistemas de informação que possibilitam para as organizações o desempenho das funções: criação de comunidades e de coleções, cadastro de usuários, gerenciamento de políticas de conteúdos e auto- arquivamento de documentos, entre outras atividades.

Se considerar que somente as organizações que compõem a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica somam 44 instituições2, com representatividade em

todos os Estados brasileiros, sem contabilizar a quantidade de campus que cada uma destas organizações possui, a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica por si só, já possui um arcabouço considerável de informações científicas, artísticas e administrativas que poderão ser armazenadas, organizadas e compartilhadas por meio dos RIs.

Ao realizar levantamento no portal do IBITC3 sobre qual a quantidade de IF que

possui RI implementado, são apenas duas instituições que constam na listagem, o Instituto Federal da Paraíba e o Instituto Federal do Rio Grande do Norte

Ao refinar a temática para o IFSP, objeto de estudo desta tese, o cenário é compreendido por trinta e oito campus em atividade, que atendem a mais de quarenta mil alunos matriculados e conta com mais de cinco mil servidores (docentes e técnico- administrativos)4

Na perspectiva dos RIs, o IFSP caminha a passos embrionários, sendo o momento singular para estruturar tal prática, neste sentido, a estruturação de um RI estruturado deverá contar com uma consistente arquitetura da informação5, desse modo, pensar em um

processo de implementação de um RI refere-se a pensar para além de uma atividade de GI, mas sim, como uma prática de GC e para tanto, deve contar com o apoio da gestão organizacional.

2 Pesquisa realizada no e-MEC em 04 de julho de 2017. Disponível em: <http://emec.mec.gov.br/>. Acesso em: 04 jul. 2017.

3 Listagem de Insittuições Brasileiras que possuem RI implementados disponível em:

<http://www.ibict.br/informacao-para-ciencia-tecnologia-e-inovacao%20/repositorios-digitais/repositorios- brasileiros>. Acesso em: 03 abr. 2017.

4 Pesquisa realizada no portal do IFSP em 04 de maio de 2017. Disponível em:<http://www.ifsp.edu.br/index.php/instituicao/ifsp.html>

5 Arquitetura da Informação: organização de conteúdos informacionais e suas formas de armazenamento e preservação (sistemas de organização), contempla as esferas da representação, descrição e classificação (sistema de rotulagem, metadados, tesauro e vocabulário controlado), recuperação (sistema de busca), objetivando a criação de um sistema de interação (sistema de navegação) no qual o usuário deve interagir facilmente (usabilidade) com autonomia no acesso e uso do conteúdo (acessibilidade) no ambiente hipermídia informacional digital (VIDOTTI, CUSIN, CORRADI, 2008, p. 182).

Corrobora-se com Sousa Filho et al. (2012) quando os autores destacam que a GC é compreendida na perspectiva do RI como o processo de captação, armazenamento e disseminação do capital intelectual, onde este se constitui no conjunto de informações e conhecimento adquirido ao longo dos anos por pesquisadores e cientistas na práxis de suas atividades.

Desse modo, utilizar o RI nos processos de GC implica em visualizar a ferramenta como um meio, um veículo, em que seja possível armazenar, gerir e criar novos conhecimentos organizacionais.

Isto posto, é salutar sugerir que iniciativas como a RCAAP possam ser pensadas no contexto dos IFs, criando assim, uma rede de conhecimento, sendo esta iniciativa um feito para a alta gestão.