Gouvêa (2003) acredita que devemos assinalar que o atleta, tal e como lhe concebe a teoria da auto-eficácia, é visto como um ser ativo, que recebe informação proveniente de todas as fontes de informação, informação nova e mutante que se re- elabora constantemente. Esse processamento de informação é o que vai oferecendo uma percepção ao atleta sobre suas próprias capacidades nas diferentes situações com as quais interage.
Dessa forma, Gouvêa (2003) observa que as expectativas de eficácia que um esportista tem não são traços estáveis, nem concepções globais sobre seu funcionamento
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geral, e sim cognições atuais, específicas e mutantes, que vão se formando a partir das
próprias experiências passadas e que se projetam para o futuro influindo no presente. Bandura (1986) e Feltz (1992) afirmam que as expectativas de eficácia podem desenvolver-se e modificar-se através de quatro tipos de informações principais, Maddux (1995) acrescenta mais duas fontes, que se diferenciam no poder em que influenciam as crenças de auto-eficácia, que podem ser resumidas nos seguintes itens: 1. A realização de desempenho, ou experiências de sucesso real, são vivências que fornecem as informações mais dependentes e têm o efeito mais poderoso sobre a auto- eficácia (BANDURA, 1977). O sucesso na tarefa, no comportamento ou na habilidade fortalece as expectativas de auto-eficácia para a tarefa, para o comportamento ou para a habilidade, enquanto que as percepções de fracasso diminuem as expectativas de auto- eficácia;
2. A auto-eficácia também pode ser aumentada por intermédio das experiências delegadas, ou das experiências vicárias (aprendizagem observacional, modelação e imitação), que influenciam as expectativas de auto-eficácia, quando as pessoas observam outras pessoas executando uma mesma atividade (MADDUX, 1995). Os efeitos das experiências vicárias dependem de quais fatores o observador percebeu como similares entre ele e o modelo (FELTZ; CHASE, 1998), o número e a variedade do modelo, a percepção do poder dos modelos e a similaridade entre os problemas lançados ao observador e ao modelo (BANDURA, 1986). Freqüentemente são utilizadas demonstrações ao ensinar práticas esportivas e, às vezes, observar outro estudante executar uma tarefa reduz a preocupação e aumenta a confiança. Apesar da experiência delegada não ser tão eficiente quanto a experiência pessoal real, a
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modelagem e a modelação melhoram a auto-eficácia (BANDURA, 1977; BANDURA;
JOURDEN, 1991; JOURDEN; BANDURA; BANFIELD, 1991);
3. A persuasão verbal ou persuasão social, para Maddux (1995), é outra técnica usada para aumentar a auto-eficácia. Ela é menos poderosa do que as duas técnicas anteriores, mas os professores e técnicos usam freqüentemente, como incentivo aos jogadores, frases como “você tem talento; eu sei que você consegue”. Feltz e Chase (1998) acrescentam que a informação persuasiva inclui, além da persuasão verbal, o feedback avaliador, a expectativa dos outros, a auto-conversação, a imaginação positiva e outras estratégias cognitivas. A potência da persuasão verbal como fonte de expectativa de auto-eficácia deve ser influenciada por fatores como a destreza, a fidedignidade e a atratividade da fonte;
4. Estímulo emocional é a fonte menos clara e menos estável. Embora as pistas fisiológicas sejam importantes componentes das emoções, as experiências emocionais não são, simplesmente, o produto da ativação fisiológica (WILLIAMS, 1995). Portanto, as emoções ou os estados de humor podem ser uma fonte adicional de informação sobre a auto-eficácia. Segundo Maddux (1995) as pessoas têm mais probabilidade de ter crenças auto-eficazes sobre a performance quando seu afeto está positivo, do que quando está negativo. Por exemplo, tanto a ansiedade quanto a depressão podem ter impactos danosos na auto-eficácia (WILLIAMS, 1995);
5. As experiências da imaginação é uma das fontes de informação de auto-eficácia acrescentadas por Maddux (1995) aos trabalhos de Bandura (1986) e Feltz (1992). A Teoria Social Cognitiva postula que as pessoas têm uma enorme capacidade para uma atividade cognitiva simbólica. Portanto, as pessoas são capazes de visualizar antecipadamente as possíveis situações e os possíveis eventos, seus próprios
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comportamentos e suas reações emocionais a esses eventos e a essas situações, e as
possíveis conseqüências de seus comportamentos. As pessoas podem gerar crenças sobre a eficácia pessoal ou sobre a ineficácia pessoal se imaginando ou imaginando outras pessoas a se comportar de forma efetiva ou não em situações futuras (WILLIAMS, 1995). Tais imagens podem ser derivadas de experiências atuais ou de experiências vicárias em situações similares à antecipada, ou elas podem ser induzidas pela persuasão verbal, como quando o psicoterapeuta guia o cliente através de intervenções imaginais como a dessensibilização sistemática e o modelo oculto. Imaginar-se desempenhando de forma bem-sucedida ou de forma mal sucedida, porém, não é provável ter tão forte influência na auto-eficácia quanto o sucesso atual ou a experiência de fracasso (WILLIAMS, 1995);
6. Os estados fisiológicos são indicados por Maddux (1995) como a outra fonte de informação de eficácia. Eles influenciam a auto-eficácia quando as pessoas associam a ativação fisiológica aversiva com uma performance comportamental pobre, com uma incompetência percebida e com a percepção do fracasso. Portanto, quando as pessoas se tornam cientes de uma ativação fisiológica desagradável, elas estão mais inclinadas a duvidar de sua competência comportamental do que se o estado fisiológico for agradável ou neutro. Do mesmo modo, sensações fisiológicas confortáveis são mais prováveis de conduzir a pessoa a se sentir confiante em uma habilidade na situação à mão. Os indicadores fisiológicos de expectativa de auto-eficácia, porém, se estendem além da ativação autônoma porque, em atividades envolvendo força e resistência, a percepção de eficácia é influenciada por experiências como fadiga e dor e ausência disto (BANDURA, 1986). A informação fisiológica tem sido mostrada como sendo uma fonte de informação de eficácia mais importante nas tarefas que envolvem o esporte e a
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atividade física, do que nos casos de tarefas sem participação física, conforme citado
por Chase, Felta, Tully e Lirgg (1994), Feltz e Riessinger (1990) e Wilson, Feltz e Fitzpatrick (1996), trabalhos citados por Feltz e Chase (1998).
Para Mcauley e Mihalko (1998), os elementos que poderiam ser influenciados pela auto-eficácia são:
• A escolha da ação, sendo o mais popular método utilizado, segundo eles, para determinar a validade de medições na predição de adoção em exercícios;
• Esforço e persistência, que demonstraram que há uma relação entre as respostas fisiológicas e a auto-eficácia;
• Padrões de pensamento, os que foram realizados tem um suporte nas predições cognitivas sociais. Bandura (1986) argumenta que a eficácia pessoal pode modelar o tipo de explicação que é apresentado para certos resultados de comportamentos, através da relação entre auto-eficácia, o controle pessoal, e as dimensões das atribuições causais. As respostas eficazes proporcionadas pelo exercício podem ser causadas por uma influência indireta das atribuições. Outros construtos têm demonstrado ser influenciados pela relação exercício e auto-eficácia, incluindo a motivação intrínseca, o otimismo e a auto-estima (MCAULEY; BOZOIAN; REJESKI, 1994);
• Respostas emocionais (orgulho, vergonha, felicidade, tristeza), respostas afetivas para exercícios fortes ou de longa duração.
Bandura (1993) percebeu que a auto-eficácia envolve mais que convicções de esforço na determinação do desempenho. Os julgamentos sobre o conhecimento da pessoa, as habilidades, as estratégias e a administração de tensão também entram na formação de convicções de eficácia. A eficácia contribui diretamente para o desempenho da memória e o aumento da persistência.
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