Shelton (1990) considera que, embora Bandura conceituasse a auto-eficácia como sendo específica à situação, pode, também, ser concebida como um construto global/universal ou como um traço de personalidade. Muitos pesquisadores têm construído teorias para definir fatores ligados à auto-eficácia em termos mais gerais. White (apud SHELTON, 1990), ao buscar uma explanação motivacional para o comportamento exploratório e manipulativo, desenvolveu o “motivo de ser eficaz/competente”. O motivo de ser eficaz é uma necessidade intrínseca humana básica para interagir com o ambiente e desenvolver através de uma acumulação de conhecimentos e habilidades de acordo com o ambiente. Harter (apud SHELTON, 1990) notou a posição de White que a experiência de insucesso diminui o senso de competência. Ela usou a teoria da motivação de ser eficaz para o estudo de crianças e ampliou o conceito dentro de uma estrutura desenvolvimental.
Yarrow e associados (YARROW; MCQUISTON; MACTURK; MCCARTHY; KLEIN; VIETZ apud SHELTON, 1990) traduziram a motivação de ser eficaz dentro de uma forma mais testável. Eles chamaram o construto de motivação de maestria/domínio e o definiram como o esforço para atingir a competência ou uma ação efetiva, de acordo com o ambiente. Seus resultados indicaram uma fraca relação entre a motivação de maestria e a competência. No entanto, isso foi visto como evidente para um construto multiface que se torna mais diferenciado e interage com a idade.
Em 1982, um significante projeto de pesquisa emanou do trabalho de Bandura sobre a auto-eficácia em tarefas específicas e posicionou um conceito de auto-eficácia generalizada e conduziu dois experimentos baseados nesse conceito (SHERER et al.,
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1982). A substância dessa visão inclui os pontos seguintes: (a) auto-eficácia
generalizada é um composto de todas as experiências de sucessos e fracassos passados na vida do indivíduo, (b) diferenças individuais existem em geral nas expectativas de auto-eficácia, e (c) a auto-eficácia geral do indivíduo deve afetar a expectativa de maestria da pessoa em novas situações (SHERER et al., 1982). Os autores situaram que uma experiência individual passada com sucesso e fracasso em uma variedade de situações pretende resultar em um cenário geral de expectativas que o indivíduo leva para novas situações.
Partindo dessa conceituação, eles desenvolveram a Escala de Auto-Eficácia para medir a auto-eficácia geral. A escala foi originalmente desenvolvida como uma escala de 36 itens, usando um índice de 14 pontos, em formato Likert. A primeira apresentação da escala (SHERER et al.,1982) documentou a redução para uma escala de 23 itens com duas sub-escalas distintas de auto-eficácia geral e auto-eficácia social (sete itens preenchedores são usados para fazê-la uma escala de 30 itens). Eles reportaram os resultados dos dois estudos. O primeiro mostrou evidência da validade do construto, em que a Escala de Auto-eficácia teve teoricamente correlações apropriadas com seis medidas de personalidade. Um segundo estudo examinou a validade do critério e rendeu correlações positivas entre os resultados da escala e as medidas de sucesso vocacionais, educacionais e de carreira militar.
A meta de ambos os experimentos era para desenvolver a escala de auto-eficácia generalizada para usar em novas pesquisas e para proporcionar uma ferramenta avaliativa para o progresso de clientes em terapia.
Uma segunda apresentação da escala (SHERER e ADAMS, 1983) mudou a escala para somente cinco pontos, mas reteve o formato Likert. Além disso, no
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desenvolvimento original, Sherer et al. (1982) notaram que a escala era para medir a
auto-eficácia geral em áreas como as de habilidade social e competência vocacional. Os itens se preocupavam com três aspectos do comportamento: iniciação, gasto de esforço e persistência apesar da adversidade.
Os dados renderam duas subescalas, a subescala da auto-eficácia geral e a subescala da auto-eficácia social. Sherer e Adams (1983) conduziram um estudo, mais tarde, também mostrando a validade do construto da Escala de Auto-eficácia. Os resultados sustentaram o uso da Escala de Auto-eficácia como uma medida válida de confidência na habilidade pessoal para iniciar e persistir em um comportamento.
Para explorar mais o conceito total de eficácia, Woodruff e Cashman (1993) conduziram um estudo para examinar a relação entre a eficácia geral e a de tarefas específicas. O estudo utilizou a Escala de Auto-eficácia desenvolvida por Sherer e colaboradores e uma medida da eficácia em tarefas específicas, com o intuito de proporcionar maiores corroborações para a Escala de Auto-Eficácia.
Tipton e Worthington (1984) construíram uma escala de Auto-eficácia Geral, baseada em um instrumento criado para medir o conceito multiface da confiança. Tipton e Worthington dirigiram dois experimentos, explorando a validade do construto, por estudar a relação entre a performance específica da tarefa e a contagem/pontuação da auto-eficácia geral. Ambos os experimentos sustentaram a hipótese de que sujeitos com alta pontuação de auto-eficácia geral pretendem despender mais esforço e perseverar mais, que participantes com baixa pontuação de auto-eficácia geral.
Esse autor desenvolveu um inventário de 100 itens da auto-eficácia geral, que diferiu da Escala de Auto-eficácia de Sherer e seus associados na construção do item, devido ao fato de o construto ter sido medido por uma diferente perspectiva
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(SHELTON, 1990). Ao invés de usar itens gerais como Sherer et al. (1982), Tipton e
Worthington usaram, para identificar um traço global de personalidade, uma variedade de itens de domínios-específicos. Desde que a definição da auto-eficácia geral enfatiza a natureza composta do construto, usando situações específicas, que cobrem um amplo espectro de experiências da vida, em vez de declarações gerais sobre si mesmo, sugere um método mais preciso para chegar às diferenças individuais na auto-eficácia geral.
Tal re-elaboração da Escala de Auto-eficácia desenvolvida por Sherer e seus associados oferece algumas evidências adicionais para o valor da escala, no entanto, algum refinamento adicional pareça necessário. Embora evidências mostrem que a Escala de Auto-eficácia está de fato relacionada com escalas que medem a auto-estima, que medem o senso de domínio/maestria e que até medem a eficácia de tarefas específicas, a questão que resta é se nós estamos medindo, ao certo, o conceito de auto- eficácia geral (WOODRUFF e CASHMAN, 1993).
A teoria de Sherer et al. da auto-eficácia geral definiu a natureza global da auto- eficácia e, então, é conceitualmente diferente, mas ligada à auto-eficácia de situação- específica de Bandura. Bandura (1977) definiu auto-eficácia somente como específica à situação, não generalizando entre domínios. A auto-eficácia, de acordo com os comportamentos de fobia, é afetada pelo sucesso ou fracasso em um comportamento de fobia relacionado, mas não pelo sucesso ou falha em qualquer outro domínio sem relação, como esportes ou leitura. Para Bandura, domínios específicos de auto-eficácia não se relacionam um ao outro. Sherer et al. (1982) leva a auto-eficácia para uma diferente arena, por sugerir que essas áreas não relacionadas de domínio-específico da auto-eficácia contribuem para a formação de um cenário geral de expectativas, que o indivíduo carrega para novas situações. Essa auto-eficácia geral, então, influencia as
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expectativas dos indivíduos de maestria/domínio em uma nova situação. Portanto, esses
autores olham a auto-eficácia como um traço de personalidade com relativa estabilidade, que informa uma performance do indivíduo em situações específicas.
A auto-eficácia geral, definida como um construto global, é o composto de todos os sucessos e fracassos da vida que são atribuídos para o “eu” (SHERER et al., 1982). É a soma total da experiência e da atribuição que impacta as auto-expectativas do indivíduo a respeito da decisão para desempenhar um comportamento, despender esforço e persistir diante a adversidade (expectativas de auto-eficácia). Para desenvolver mais o construto da auto-eficácia geral, a relação conceitualizada entre a auto-eficácia geral e a auto-eficácia específica é explorada abaixo.