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As auto-crenças de eficácia desempenham um papel central na auto-regulação da motivação. A maioria da motivação humana é cognitivamente gerada. Na motivação cognitiva, as pessoas se motivam e guiam suas ações antecipadamente, através do exercício da premeditação. Elas formam crenças sobre o que podem fazer, antecipam resultados prováveis de ações prospectivas, ajustam as metas para si mesmas e planejam cursos de ação designados para realizar ações futuras valiosas (BANDURA, 1992).

Segundo Bandura (1999), metas desafiantes aumentam a motivação e as realizações de performance. Quando perante obstáculos, derrotas e fracassos, aqueles

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que duvidam de suas capacidades diminuem seus esforços, desistem ou escolhem

soluções medíocres. Em contraposição, aqueles que têm uma forte crença em suas capacidades redobram seus esforços e tentam descobrir caminhos melhores para dominar os desafios. Eles permanecem resistentes aos efeitos humilhantes proporcionados pela adversidade.

Podem-se distinguir três diferentes formas de motivadores cognitivos, ao redor dos quais diferentes teorias foram construídas. Esses incluem as atribuições causais, as expectativas de resultado e as metas cognitivas. As teorias correspondentes são: a teoria da atribuição, a teoria da expectativa de valor (mérito) e a teoria de meta, respectivamente. Os resultados e os motivadores de meta claramente operam através do mecanismo de antecipação. As razões causais concebidas retrospectivamente para realizações prioritárias podem também afetar, antecipadamente, ações futuras, por alterar a auto-avaliação da capacidade e a percepção das demandas da tarefa.

O mecanismo de auto-eficácia de agência pessoal opera em todas essas formas variantes da motivação cognitiva. As atribuições causais e avaliações de auto-eficácia envolvem causas bidirecionais. As auto-crenças de eficácia predeterminam/influenciam a atribuição causal como concluíram Silver, Mitchell e Gist em trabalho citado por Bandura em 1992. O peso relativo dado para a informação referente à competência, ao esforço, à complexidade da tarefa e às circunstâncias situacionais afeta a avaliação da auto-eficácia.

As atribuições causais que as pessoas fazem de suas performances bem- sucedidas e de suas performances deficientes também afetam a motivação. As crenças de eficácia dão forma às atribuições causais, sem levar em consideração a natureza da atividade. As pessoas que se estimam como altamente eficazes relacionam suas falhas a

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esforços insuficientes, estratégias inadequadas ou circunstâncias desfavoráveis, tudo

tendo conserto (SILVER; MITCHELL; GIST apud BANDURA, 1992). Aqueles com baixa eficácia atribuem suas falhas a baixa habilidade, o que é desmotivante. Análises causais indicam que os efeitos das atribuições causais sobre as realizações de

performance são mediadas através das crenças de auto-eficácia ao invés de operar diretamente na performance (RELICH; DEBUS; WALKER, 1986). Quanto mais forte a crença de auto-eficácia, mais alto são as subseqüentes realizações de performance.

Na teoria da expectativa de valor, a força da motivação é governada juntamente pela expectativa que ações particulares irão produzir resultados específicos e pelo valor colocado naqueles resultados (AJZEN; FISHBEIN, 1980). De qualquer forma, as pessoas atuam sobre suas crenças acerca do que elas podem fazer, bem como, suas crenças sobre os resultados previsíveis de ações variadas. Os efeitos das expectativas de resultado sobre a motivação de performance são parcialmente governados pelas auto- crenças de eficácia. Existem muitas atividades que, se feitas bem, garantem resultados valiosos, mas elas não são perseguidas pelas pessoas, que duvidam de sua capacidade para fazer o que é necessário para vencer (BETZ; HACKETT, 1986). A preditividade da teoria da expectativa de valor pode ser aumentada pela inclusão do determinante da auto-eficácia (SCHWARZER, 1992).

O grau que a esperança de resultado independentemente contribui para a motivação de performance varia dependendo de quão firmes/próximas as contingências entre as ações e os resultados estão estruturadas, tanto inerentemente quanto socialmente, num dado domínio de funcionamento. Para muitas atividades, os resultados são determinados pelo nível de realização. Portanto, os tipos de resultados

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antecipados das pessoas dependem largamente de quão bem elas acreditam que irão ser

capazes de atuar em situações dadas.

Na maioria dos passatempos sociais, intelectuais e físicos, aquelas pessoas que se julgam altamente eficazes esperarão resultados favoráveis, entretanto, aquelas que esperam performances pobres de si mesmas invocarão resultados negativos. Desta forma, nas atividades em que os resultados são altamente contingentes da qualidade da

performance, o auto-julgamento de eficácia explica a maioria da variância nos resultados esperados. Quando variações na auto-eficácia percebida são parcialmente notadas, os resultados esperados para as performances dadas não têm muitos efeitos independentes no comportamento (WILLIAMS; WATSON, 1985).

As crenças de auto-eficácia explicam somente parte da variância nos resultados esperados quando os resultados não são completamente controlados pela qualidade da

performance. Isso ocorre quando fatores externos também afetam os resultados, ou os resultados são socialmente limitados por um nível mínimo de performance de que algumas variações na qualidade da performance acima ou abaixo do padrão não produzem resultados diferenciados. E, finalmente, resultados esperados são independentes da percepção da auto-eficácia quando contingências estão discriminadas e estruturadas, tanto que nenhum nível de competência pode produzir resultados desejados. Isso ocorre em perseguições (buscas) que são rigidamente segregadas pelo sexo, pela raça, pela idade ou por algum outro fator. Sob tais circunstâncias, as pessoas em grupos desfavorecidos esperam resultados pobres por mais eficazes que eles se julgam ser.

A capacidade para exercer auto-influência pelo desafio pessoal e pela reação avaliativa para seus próprios feitos proporciona um principal mecanismo cognitivo de

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motivação e auto-direcionamento (BANDURA, 1992). Um largo corpo de evidência é

consistente em mostrar que metas desafiadoras explícitas aumentam e sustentam a motivação (LOCKE; LATHAM, 1990).

As metas operam largamente através do processo auto-referente, ao invés de regular diretamente a motivação e a ação. A motivação baseada em padrões aspiracionais envolve um processo cognitivo de comparação. Pela produção da condição auto-satisfatória nas metas combinadas adotadas, as pessoas dão direção para suas ações e criam auto-incentivos para persistirem em seus esforços até suas

performances igualarem a suas metas. Elas procuram auto-satisfações para realizarem as metas valorizadas e são incitadas a intensificar seus esforços por estarem descontentes com performances abaixo do padrão.

A ativação do processo de auto-avaliação através da comparação cognitiva requer ambos os fatores comparativos – um padrão pessoal e o conhecimento de um nível de performance. Simplesmente adotando uma meta, sem conhecer como alguém está fazendo, ou conhecer como alguém está fazendo na ausência de uma meta, não tem um impacto motivacional duradouro (BANDURA; CERVONE, 1983). Mas a influência combinada de metas com o feedback de performance aumenta a motivação substancialmente.

A motivação cognitiva baseada em intenções de metas é mediada por três tipos de auto-influências: as reações auto-avaliativas afetivas para uma performance, a percepção da auto-eficácia para a realização de uma meta e o ajustamento de padrões pessoais por causa de um feito.

A percepção da auto-eficácia contribui para a motivação em muitos caminhos. Ela está parcialmente na base das auto-crenças de eficácia que as pessoas escolhem

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quais desafios se encarregarão fazer, quanto de esforço para despender na tentativa e

quanto tempo para perseverar em face às dificuldades (BANDURA, 1986). Quando em face a obstáculos e fracassos, as pessoas que têm auto-dúvidas sobre suas capacidades afrouxam ou diminuem seus esforços ou abortam suas tentativas prematuramente e concordam com soluções medíocres, uma vez que aquelas que têm uma forte crença em suas capacidades exercem grande esforço para controlar o desafio (BANDURA; CERVONE, 1983). A forte perseverança normalmente resulta em sucesso em realizações de performance.

Como previamente notado, auto-reações afetivas fornecem uma dupla fonte de motivação de incentivo – a auto-satisfação antecipada para realizações pessoais opera como um motivador positivo e o descontentamento com a performance deficiente funcionam como um motivador negativo. Quanto mais descontentes as pessoas estiverem com realizações abaixo do padrão, mais elas aumentarão seus esforços. Essas duas formas de auto-motivadores contribuem diferencialmente para realizações de

performance, dependendo da complexidade da atividade. Em tarefas onde o sucesso é somente atingível pelo aumento do nível de esforço, o auto-descontentamento com as realizações abaixo do padrão é o principal regulador das realizações de performance (BANDURA; CERVONE, 1983).

Em contraste, em tarefas que requerem pesadas demandas atencionais e cognitivas, a auto-satisfação com o progresso pessoal em direção aos desafios padrões fornece uma orientação motivacional positiva para realizações de performance. As fortes reações auto-críticas podem diminuir a intrincada tarefa de generalizar e testar estratégias organizacionais alternativas (BANDURA; JOURDEN, 1991). Como as pessoas aproximam ou ultrapassam o padrão adotado, elas ajustam novas metas para

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elas mesmas, que servem como motivadores adicionais. Quanto mais alto o auto-ajuste

de desafios, maior é o esforço investido na tentativa. Portanto, realizações notáveis trazem a satisfação temporária, mas as pessoas que asseguram suas capacidades alistam novos desafios como motivadores pessoais para realizações mais distantes.

Muitas teorias da motivação e da auto-regulação são fundadas por um modelo de controle de feedback negativo (LORD; HANGES, 1987). Esse tipo de sistema funciona como um motivador e regulador da ação, através de um mecanismo de redução de discrepâncias. A discrepância percebida entre a performance e o padrão de referência motiva a ação para reduzir a incongruência. A redução de discrepância claramente desempenha um papel central em qualquer sistema de auto-regulação. De qualquer forma, no sistema de controle de feedback negativo, se a performance está compatível ao padrão, a pessoa não faz nada. Um sistema de controle de feedback semelhante deveria produzir ações circulares que não levam a lugar algum. As pessoas não poderiam ser movidas a agir desde que receberam o feedback que suas performances estão negativamente discrepantes do padrão.

A auto-regulação por discrepâncias negativas somente conta metade da história e, não necessariamente, a parte mais interessante. As pessoas são pró-ativas. Suas capacidades para premeditar lhes permitem organizar e regular suas vidas de forma pró- ativa. A auto-motivação humana depende, tanto da produção de discrepâncias, quanto da redução da discrepância (BANDURA, 1992). Isto requer um controle pró-ativo, bem como, um controle reativo. As pessoas se motivam e guiam suas ações através de um controle pró-ativo pelos ajustes próprios de padrões de desafios valorizados, que criam um estado de desequilíbrio e, então, mobilizam seus esforços sobre a base de estimação antecipatória a qual deveria levar a alcançá-los.

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O controle de feedback reativo é acionado em ajustes de esforço subseqüentes

para atingir os resultados desejados. Como previamente mostrado, depois das pessoas atingirem o padrão que estavam tentando alcançar, aquelas com um forte senso de eficácia ajustam um alto padrão para elas mesmas. Adotar desafios longínquos cria novas discrepâncias de motivação para ser controlada. Similarmente, superar um padrão é mais provável que aumente a aspiração do que diminua a performance subseqüente para ajustar-se ao padrão superado. A auto-regulação da motivação e da ação, portanto, envolve um processo hierárquico de controle duplo da produção desequilibrada da discrepância, seguida pela redução equilibrada da discrepância.

Há um crescente corpo de evidência em que as realizações humanas e o bem- estar positivo requerem um senso otimista de eficácia pessoal (BANDURA, 1986). Isso é porque realidades ordinárias sociais são cheias de dificuldades. Elas são cheias de impedimentos, fracassos, adversidades, prejuízos, frustrações e inquietações. As pessoas devem ter um senso robusto de eficácia pessoal para sustentar o esforço perseverante necessário para ter êxito. Autodúvidas podem se estabelecer rapidamente depois de alguns fracassos ou derrotas. A importante questão não é que as dificuldades causam as autodúvidas, que é uma reação natural imediata, mas a velocidade de recuperação da percepção da auto-eficácia das dificuldades. Algumas pessoas rapidamente recuperam sua autoconfiança, outros perdem a confiança em suas capacidades, porque a aquisição de conhecimento e competências, normalmente, requer um esforço sustentado, face às dificuldades e aos prejuízos, é a resistência da auto-crença que conta.

Registros de triunfos humanos consideram centrais os efeitos motivacionais nas auto-crenças de eficácia em realizações de humanos. Isso leva a um resistente senso de

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eficácia para ignorar os numerosos impedimentos dissuasivos em realizações

significantes.

Acredita-se muito que um mau julgamento cria disfunções. O valor funcional da auto-avaliação verídica depende da natureza da tentativa. Em atividades onde as margens do erro são limitadas e tropeços podem produzir caras ou dolorosas conseqüências, o bem-estar pessoal é mais bem servido pela alta precisão da auto- avaliação. Um diferente problema acontece quando difíceis realizações podem produzir um benefício substancial pessoal ou social e onde o custo pessoal envolve tempo, esforço e recursos supérfluos. Indivíduos têm que decidir por eles mesmos que habilidades criativas devem cultivar; se devem investir seus esforços e recursos nas tentativas que são difíceis para realizar e quantas privações eles estarão dispostos a resistir em atividades cheias de obstáculos (BANDURA, 1992).

Na maioria das tentativas, auto-avaliações otimistas da capacidade que não são excessivamente desiguais do que é possível podem ser vantajosas, uma vez que julgamentos verídicos podem ser auto-limitantes. Quando as pessoas erram em suas auto-avaliações elas tendem a superestimar suas capacidades. Isso é um benefício ao invés de um defeito cognitivo a ser erradicado. As crenças de auto-eficácia sempre refletiram somente o que as pessoas podem fazer rotineiramente, elas deveriam raramente fracassar, mas elas não deveriam aumentar o esforço extra o necessário para superar suas performances ordinárias.

A evidência emergente indica que o bem-sucedido, o inovador, o sociável, o não ansioso, o não abatido e o reformador social levam uma visão otimista de suas eficácias pessoais para exercer influências sobre eventos que afetam suas vidas (BANDURA, 1986). Se não exagerada de forma irrealista, tais auto-crenças aumentam e sustentam o

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nível de motivação necessário para as realizações pessoais e sociais. As sociedades

desfrutam de benefícios consideráveis de feitos eventuais destes persistentes.