símbolo de cristal de uma nova fé” (GROPIUS apud BRAGA, 1999, p.188).
A modernidade steineriana como possibilidade de organização da sociedade (que é a utopia moderna) apresenta-se hoje como uma proposta mais abrangente, radical e moderna do que o projeto
racionalista-mecanicista, que falha na realização do desafio utópico a que se propôs, perdendo o vínculo inicial com o caráter de totalidade como ideário, que incluía as dimensões do homem na sua existência política, cultural e social. Rudolf Steiner está preocupado com os níveis de consciência envolvidos, enquanto o racionalismo- mecanicista está preocupado com a manipulação dos meios de produção. (BRAGA, 1999, p.193).
Goethe e Steiner não foram contemporâneos. Apesar da grande influência de Goethe sobre as ideias de Steiner, Goethe (1749 – 1832) viveu o Romantismo europeu, que vigorou entre o final do século XVIII e início do século XIX, sendo, como escritor, uma das mais importantes figuras da literatura alemã, e Steiner (1861-1925), viveu um período de grandes movimentos nas artes em geral, em reação à arte acadêmica do século XIX. O contexto artístico desse período de início da Antroposofia era o movimento art nouveau, que vigorou principalmente na Europa entre 1890 e 1910. A art nouveau trouxe as formas e as estruturas curvas e naturais de flores e plantas. Em seguida, as artes mudaram para um estilo mais geométrico que se denominou art déco, entre 1910 e 1939. Paralelamente a esses movimentos, tem-se o expressionismo alemão, no início do século XX, cuja tônica era a
deformação da realidade para expressar a natureza do ser humano, com expoentes tão diversos quanto El Greco, Goya e Matthias Grünewald. O expressionismo, por sua vez, foi uma reação ao impressionismo, que se tratava da mera observação da realidade – “impressão” -, contra a visão interior do artista – “expressão”.
3.8 Relato histórico das escolas Waldorf
Aplicada no Brasil desde 1956 em determinadas escolas de ensino particular para crianças e adolescentes, a pedagogia Waldorf foi fundada na Alemanha por Rudolf Steiner (1861-1925), no início do século XX.
Sua principal meta é proporcionar à criança e ao jovem o desabrochar harmonioso de todas as suas capacidades,
considerando as esferas física, emocional e espiritual do ser humano com vistas a um desenvolvimento integral. (LANZ, 1998 – aba do livro).
A primeira escola de pedagogia Waldorf no mundo foi fundada em 7 de setembro de 1919, em Sttuttgart, Alemanha, em meio ao caos social existente no país pós Primeira Guerra Mundial. Foi fundada por Steiner com a ajuda de Emil Molt, diretor da fábrica de cigarros Astoria/Waldorf, para os filhos dos trabalhadores desta fábrica. Costuma-se adjetivar como “medicina antroposófica” e “agronomia
antroposófica” para se referir à atuação da Antroposofia nesses campos. Mas, somente no caso da pedagogia, embora possa se chamar de “pedagogia
antroposófica”, ela é mais conhecida como “pedagogia Waldorf” por causa do local onde funcionou a primeira escola.
Hoje, esta pedagogia está presente em 61 países de cinco continentes, contando com 1.056 escolas de ensino básico (não necessariamente até o ensino médio) e 139 seminários de formação de professores, segundo os dados de
novembro de 2014 do Bund der Waldorfschulen (Associação das Escolas Waldorf). Não há informação do número de escolas no mundo que são apenas de educação infantil - os jardins de infância -, cujo número é expressivo.
A FEWB traz em seu cadastro 35 escolas básicas e 23 jardins de infância em nove estados diferentes do Brasil, mas informa que no total são 62 escolas Waldorf. Há defasagem de informação do Bund der Waldorfschulen que informa serem 30 escolas básicas no Brasil. O número de escolas Waldorf informado, no Brasil e no mundo, deve ser visto como uma referência de número porque se encontra
imprecisão de dados nas diversas fontes e, muitas vezes, em uma mesma fonte. A pioneira no Brasil na utilização desta pedagogia foi a Escola Higienópolis que iniciou suas atividades em 27 de fevereiro de 1956, no bairro de mesmo nome, na cidade de São Paulo, pela iniciativa de um grupo de pais e educadores,
imigrantes de origem alemã, especificamente os casais Schmidt, Mahle, Berkhout e Bromberg, interessados em introduzir esta pedagogia no Brasil.
Em 1958, a escola mudou-se para o bairro Alto da Boa Vista, instalando-se em uma propriedade rodeada de jardins, com muitas árvores e espaço para o desenvolvimento de todas as atividades previstas em seu currículo. A nova escola adota o nome de Escola Waldorf Rudolf Steiner (figura 84), sendo seus fundadores o casal Karl e Ida Urich, professores oriundos da Escola Waldorf de Pforzheim,
Alemanha. Iniciou-se com um grupo de jardim de infância e um primário, com 28 alunos no total.
O “primário” foi logo reconhecido como escola experimental, expandindo-se para as quatro séries iniciais que correspondem ao atual ensino fundamental I. O interesse dos pais leva à implantação do “ginásio” (fundamental II) e, em 1973, à implantação do ensino médio. Em 1975, é concluída a primeira turma de ensino médio de uma escola Waldorf no Brasil. Desde então, ela atende a todos os ciclos de educação básica: infantil, fundamental e também do ensino médio.
Figura 84 - Escola Waldorf Rudolf Steiner. Fonte: o autor (mar. 2014).
Em 1970, dentro do espaço desta escola, foi fundado o primeiro seminário de pedagogia Waldorf para a formação de professores pelo casal Rudolf e Mariane Lanz, que, hoje, se chama Centro de Formação de Professores Waldorf. Em 1978, foi fundado o Colégio Waldorf Micael, também na cidade de São Paulo, próximo à Cotia. A partir daí, surgem outras escolas que utilizam esta pedagogia,
principalmente de ensino infantil (de 3 a 6 anos de idade), fase da educação muito valorizada pela Antroposofia, que prefere chamar essa fase de “jardim de infância”. Com o crescimento do número de professores conhecedores desta
pedagogia, em 1993, é fundada a Associação dos Professores da Pedagogia Antroposófica no Brasil. Em 1996, com a aprovação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) e a exigência do Conselho Estadual de Educação do Estado de São Paulo para a formação de uma federação que
representasse as escolas Waldorf, é fundada, em 1998, a FEWB – Federação das Escolas Waldorf no Brasil. Existiam, então, 11 escolas desta pedagogia no país; hoje são 62.
Da primeira escola Waldorf em Stuttgart em 1919, sem ainda completar cem anos de existência, são mais de mil escolas no mundo. Da primeira escola Waldorf em São Paulo em 1956, sem ainda completar sessenta anos, são mais de sessenta escolas no Brasil. Os números demonstram que a pedagogia vem conquistando adeptos no mundo todo e no Brasil também.
Com 139 seminários de formação de professores Waldorf no mundo e quatorze no Brasil, a sustentabilidade de recursos humanos também vai se
garantindo. Com números expressivos, a pedagogia Waldorf extrapola seu próprio universo e ganha o conhecimento do mundo.