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Bedömning

In document Vad kan esteten? (sider 24-27)

Como abordado anteriormente, a identidade visual de uma organização

compõe-se do conjunto de suas várias manifestações visuais, estruturadas ou não, e não apenas das suas marcas gráficas ou elementos gráficos. Nesse conjunto,

entram a arquitetura e os ambientes das escolas. Para essa compreensão, é necessário abordar o Goetheanum, sede mundial da Sociedade Antroposófica Universal, que exerce influência direta nas concepções dos ambientes e dos prédios das escolas Waldorf.

A Antroposofia tem por centro de sua organização, a Sociedade Antroposófica Universal, com sede no Goetheanum, em Dornach, Suíça. A Escola Superior Livre de Ciência Espiritual (Freie Hochschule für Geisteswissenschaft) continua a

atividade de pesquisa e divulgação esotérica iniciada por Rudolf Steiner. Em inúmeros países existem sedes locais, onde os membros se reúnem para a prática de suas atividades antroposóficas. No Brasil, a Sociedade Antroposófica foi fundada em 1982, podendo se tornar membro qualquer pessoa, sem distinção de

nacionalidade, profissão, religião e convicções científicas e artísticas, desde que considere como justificada a existência de uma instituição como o Goetheanum, em Dornach, na qualidade de Escola Superior Livre de Ciência Espiritual (LANZ, 1997, p.96).

Segundo Rudolf Steiner, a Antroposofia cultivada no Goetheanum produz resultados suscetíveis de fecundar a vida espiritual de qualquer indivíduo, seja qual for sua nacionalidade, profissão e religião. Tais resultados podem levar a uma vida social realmente assentada no amor fraternal. Sua adoção, como fundamento para a vida, não pressupõe qualquer grau de instrução científica, mas tão- somente o ser humano isento de preconceitos. (LANZ, 1997, p.96)

A referência à arquitetura antroposófica é pertinente para esta pesquisa porque Steiner acreditava que a arquitetura podia ser um meio de conexão com o mundo espiritual, o mundo transcendental. Segundo Braga (1999, p.183), Steiner acreditava na percepção de mundos superiores e na visualização de estados espirituais além da realidade física, que “segundo o caráter do mundo físico

(formas), podiam ser constituídas conexões favoráveis ou desfavoráveis com uma espécie ou outra das essências espirituais que nos rodeiam”. Steiner atribuía uma influência moral da arquitetura, a qual deveria ser “experienciada” pela “percepção interior” e não simplesmente pelos sentidos – através da harmonia das formas aprender-se-ia a viver em harmonia com o próximo.

A arquitetura de Rudolf Steiner é construída “a partir de formas estruturais derivadas de analogias com as respostas estruturais da natureza, traduzindo também uma experimentação formal mais audaz, sendo que esta experimentação formal é realizada, como no Expressionismo, pela utilização da modelagem física como elemento de concepção projetual” (BRAGA,1999, p.164).

Figura 78 - (A) Exemplo do Expressionismo: igreja de Auvers, de Van Gogh. (B) Exemplo de arquitetura antroposófica: casa velha em Dornach. Fontes no rodapé141.

Steiner vai buscar uma concepção orgânica da arquitetura entendendo que o edifício deva ser concebido como um organismo vivo – “como se o edifício possuísse

141 Fontes: (A) <http://www.musee-orsay.fr/fr/collections/oeuvres-

commentees/recherche/commentaire_id/leglise-dauvers-7079.html?no_cache=1>.

(B) < https://www.flickr.com/photos/archisculpture/88586120/in/photostream/>. Acessos em 18 jan.2015.

alma” -, e que cada forma se transformasse em outra por ser um organismo completo em si. É a ideia da metamorfose.

Braga (1999, p.184) escreve que Goethe elaborou a ideia da metamorfose, pesquisando as leis do mundo orgânico. Entendeu que cada forma se transforma em outra pela necessidade intrínseca de desenvolvimento da forma original como as pétalas que não passam de folhas transformadas. “Em 1888, Steiner descobrira em Goethe uma nova abordagem sobre a questão estética que o levou a um modo completamente novo de estudo da natureza” (BRAGA, 1999, p.184).

3.7.1 Goetheanum

Para sediar a Sociedade Antroposófica foi construído em Dornach, na Suíca, um pavilhão chamado de Goetheanum entre 1908 e 1925 - uma obra de arquitetura revolucionária para a época. Como foi destruído, convencionou-se chamá-lo de “primeiro Goetheanum” (fig. 79), uma estrutura de madeira e concreto, parte de um complexo de dezessete edifícios projetados por Rudolf Steiner. Segundo Christa Glass (Steiner, 2000, prefácio): “A construção era de madeira, com o interior praticamente esculpido com formas e pinturas espiritualmente significativas,

elaboradas por Rudolf Steiner e executadas por artistas vindos de diferentes partes do mundo”.

Na época – início do século XX – Rudolf Steiner e a Antroposofia tinham muitos adversários, tanto entre os raros grupos esotéricos que o condenavam por revelar conhecimentos ocultos quanto entre linhas religiosas. Em 31 de dezembro de 1923, o Goetheanum – como era chamada essa obra de arte – foi totalmente destruído pelas chamas. Essa perda atingiu dolorosamente todo o movimento

antroposófico, mas sobretudo o criador espiritual da obra, Rudolf Steiner. (GLASS apud STEINER, 2000 – prefácio).

Iniciado em 1913 para abrigar os eventos anuais de teatro de verão da Sociedade Antroposófica, inúmeros artistas visuais contribuíram para sua construção.

Arquitetos criaram a estrutura de dupla cúpula de madeira incomum (figura 79, imagem B) sobre uma base de concreto curva, vitrais acrescentaram cor ao espaço, pintores decoraram o teto com motivos alusivos à evolução humana (figura 80) e escultores produziram bases enormes nas colunas, capitéis e arquitraves (figura 81) com imagens de metamorfose.

A B

Figura 79 - Primeiro Goetheanum. Escultores (A) e construção da cúpula (B).

Fonte:<http://www.rudolfsteinerweb.com/galleries/First_Goetheanum/Construction_and_Mod els/>. Acesso em 18 jan. 2015.

Figura 80 - Primeiro Goetheanum. Teto com pintura da evolução humana.

Fonte:<http://openbuildings.com/buildings/goetheanum-profile-8812/media#>. Acesso em 18 jan. 2015.

Figura 81 - Primeiro Goetheanum. Capitéis e arquitraves. Fonte no rodapé142:

A B

Figura 82 - (A) Primeiro Goetheanum - construção em madeira (destruída). (B): Segundo Goehteanum - construção em concreto (atual). Fontes no rodapé143.

Com a destruição do primeiro Goetheanum (figura 82, imagem A), foi construído um segundo (figura 82, imagem B), no mesmo lugar do primeiro. Este também foi idealizado por Rudolf Steiner, mas desta vez executado em concreto, depois da sua morte.

Moravánszky (2011) escreveu em seu artigo: “A transformação entre a construção de madeira do primeiro Goetheanum e a estrutura de concreto do

segundo representa uma mudança significativa”. Ele argumenta que a maleabilidade da madeira, a fibra e a matéria viva prestava-se bem à ideia de uma arquitetura orgânica. Já para o segundo Goetheanum, o que Steiner chama de “espírito”, manifesta-se em processo metabólico: com seu corpo pesado de concreto - em si uma marca -, funciona como uma espécie de molde que envolve a memória de seu antecessor (queimado), absorvendo a atenção do observador, criando-lhe sentido.

142 Fonte: <http://www.rudolfsteinerweb.com/galleries/First_Goetheanum/Construction_and_Models/>.

Acesso em 18 jan. 2015.

143 Fontes: (A) <http://www.goetheanum.org/The-first-Goetheanum.690.0.html?&L=1>,

(B)<http://www.domusweb.it/en/architecture/2011/02/15/the-rudolf-steiner-goetheanum.html>. Acessos em 13 nov. 2013.

O edifício seria para Steiner o resultado de processos metamórficos: “O Goetheanum anterior é uma estrutura de madeira com cúpula cujas bases foram lançadas em setembro de 1913, e que queimou na véspera de Ano Novo de 1922. O edifício atual é o seu sucessor, e, como tal, o seu memorial”. O fato de que ele foi concebido pela mesma pessoa que desenvolveu também uma teoria da arquitetura, comprova a continuidade básica entre as duas estruturas – o conceito. O primeiro edifício estava associado com o idealismo do começo; o segundo não foi uma “reconstrução” literal, nem se destinou a ser o produto do luto do primeiro edifício, mas um documento do desenvolvimento do movimento desde a época de sua fundação.

Figura 83 - Modelo em plastilina do segundo Goetheanum. Fonte no rodapé144.

Em 1924, Steiner fez um modelo de plastilina (figura 83) – espécie de argila que serve para modelar -, que serviu como base para a construção realizada. O modelo assume particular importância porque Steiner não pôde participar mais no processo de design: ele morreu após uma longa doença em março de 1925, três anos antes de o edifício ser concluído.

Segundo Braga (1999, p.188), as ideias de arquitetura de Steiner e sua ação no primeiro Goetheanum anteciparam algumas ideias do primeiro programa da Bauhaus, publicado em 1919, que coincide com o término das obras do

Goetheanum. Gropius disse não haver diferença essencial entre o artista e o

artesão, que todos formam uma comunidade sem distinção de classes, concebendo e criando o novo edifício do futuro, que reúne arquitetura, escultura e pintura: “Que

144 Fonte: <http://www.domusweb.it/en/architecture/2011/02/15/the-rudolf-steiner-goetheanum.html>.

um dia será levantado contra o céu pelas mãos de milhões de trabalhadores como o símbolo de cristal de uma nova fé” (GROPIUS apud BRAGA, 1999, p.188).

A modernidade steineriana como possibilidade de organização da sociedade (que é a utopia moderna) apresenta-se hoje como uma proposta mais abrangente, radical e moderna do que o projeto

racionalista-mecanicista, que falha na realização do desafio utópico a que se propôs, perdendo o vínculo inicial com o caráter de totalidade como ideário, que incluía as dimensões do homem na sua existência política, cultural e social. Rudolf Steiner está preocupado com os níveis de consciência envolvidos, enquanto o racionalismo- mecanicista está preocupado com a manipulação dos meios de produção. (BRAGA, 1999, p.193).

Goethe e Steiner não foram contemporâneos. Apesar da grande influência de Goethe sobre as ideias de Steiner, Goethe (1749 – 1832) viveu o Romantismo europeu, que vigorou entre o final do século XVIII e início do século XIX, sendo, como escritor, uma das mais importantes figuras da literatura alemã, e Steiner (1861-1925), viveu um período de grandes movimentos nas artes em geral, em reação à arte acadêmica do século XIX. O contexto artístico desse período de início da Antroposofia era o movimento art nouveau, que vigorou principalmente na Europa entre 1890 e 1910. A art nouveau trouxe as formas e as estruturas curvas e naturais de flores e plantas. Em seguida, as artes mudaram para um estilo mais geométrico que se denominou art déco, entre 1910 e 1939. Paralelamente a esses movimentos, tem-se o expressionismo alemão, no início do século XX, cuja tônica era a

deformação da realidade para expressar a natureza do ser humano, com expoentes tão diversos quanto El Greco, Goya e Matthias Grünewald. O expressionismo, por sua vez, foi uma reação ao impressionismo, que se tratava da mera observação da realidade – “impressão” -, contra a visão interior do artista – “expressão”.

3.8 Relato histórico das escolas Waldorf

Aplicada no Brasil desde 1956 em determinadas escolas de ensino particular para crianças e adolescentes, a pedagogia Waldorf foi fundada na Alemanha por Rudolf Steiner (1861-1925), no início do século XX.

Sua principal meta é proporcionar à criança e ao jovem o desabrochar harmonioso de todas as suas capacidades,

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