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Att bara sitta och lyssna, det känner jag att vi inte är byggda för

In document Vad kan esteten? (sider 58-62)

A adaptação ativa da mãe funda as bases da saúde mental do bebê, e pressupõe um estado básico de relaxamento na mãe e uma compreensão do modo de vida individual do bebê, um

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mergulho em uma comunicação silenciosa que permite a mãe oferecer ao bebê aquilo que ele procura no momento certo, assim como não perturbá-lo quando não há necessidade.

O bebê passa, com muita facilidade, da integração ao conforto descontraído da não-integração, e o acúmulo destas experiências torna-se um padrão e forma uma base para as expectativas do bebê. Ele passa a confiar nos processos internos que levam à integração em uma unidade. (...) a confiabilidade do meio ambiente passa então a ser uma crença, uma introjeção baseada na experiência de confiabilidade (humana, e não mecanicamente perfeita). (Winnicott 1987d p.86-87)

Na parceria entre mãe e bebê que se estabelece desde o início, a mãe tem de travar conhecimento com seu filho em dois estados: quando ele está satisfeito e tranquilo, e quando está excitado. Nos momentos tranquilos, a mãe observa seu bebê dormindo a maior parte do tempo, e pode vivenciar uma experiência de ternura e contemplação, mas o contato mais satisfatório se dará em momentos como o banho, a troca de fraldas, etc. Já a mãe dos momentos de excitação do bebê é aquela que controla as variações do sono ou do anseio por alimentar-se.

Esta é a primeira tarefa da mãe, adaptar-se e conhecer seu bebê, que pode ser muito diferente de si mesma. O lactente pode ser mais rápido ou mais lento, por exemplo, e é no envolvimento da mãe durante os dias ou semanas após o parto que se encontrará uma possível harmonia, na qual o bebê é protegido de intrusões de toda sorte. “(...) além disso ela está muito identificada com o nenê e sabe muito bem como o nenê está se sentindo. Para isso ela usa suas próprias experiências como bebê.” (Winnicott 1965r p.81)

Só na presença de uma maternagem suficientemente boa a criança pode iniciar um processo de desenvolvimento pessoal e real. Assim, Winnicott coloca um paradoxo dizendo que o ego da criança é ao mesmo tempo fraco e forte. Fraco pela imaturidade própria de um recém- nascido, mas forte quando a parceria mãe-bebê funciona bem, pois o ego da criança é apoiado em todos os seus aspectos. Quando isto não ocorre, a criança é levada a acumular experiências de reações à intrusão, o self verdadeiro da criança não se fortalece e se retrai, ou permanece oculto atrás de um falso self que se submete às exigências do ambiente.

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A mãe se liga ao bebê de forma consciente e inconsciente, e no trato com seu filho, irá trazer suas próprias experiências primitivas que estão localizadas em alguma parte do seu ser, sua estória de vida e seus traumas. Quando a mãe era uma criança, pôde regredir e voltar a ser um bebê em momentos de fragilidade, assim como brincou de ser mãe ou viu pessoas cuidando de bebês. Talvez tenha lido sobre os cuidados com o recém-nascido, ou já tenha ajudado a cuidar de um. Os hábitos da cultura e família também lhe ensinaram algo sobre o trato com crianças. Assim, a mãe, tem uma ideia, mesmo que nunca tenha parado para pensar nisto, do que considera correto ou não na criação de seu filho. Contudo, para o bebê tudo é novo, tudo é uma primeira experiência, ele traz apenas uma capacidade de chegar a identificações cruzadas na experiência de mutualidade, de forma que a comunicação estabelecida carrega uma “(...) dicotomia fundamental - a mãe pode retroceder às formas de experiência infantil, mas para o bebê é impossível apresentar a sofisticação característica de um adulto. Desta forma, a mãe pode, ou não, falar com seu bebê; a língua não importa.” (Winnicott 1987d)

Para Winnicott a mutualidade se caracteriza pela intercomunicação entre mãe e bebê, e constitui a base de todas as comunicações entre os seres humanos. Trata-se de uma comunicação fundamentalmente inconsciente5, a nível sensorial, que acontece antes da aquisição da linguagem.

A coisa principal é uma comunicação entre o bebê e a mãe em termos da anatomia e da fisiologia de corpos vivos. O tema pode ser facilmente elaborado e os fenômenos importantes serão as provas cruas de vida, tais como os batimentos cardíacos, os movimentos da respiração, o calor do seio, movimentos que indicam a necessidade de uma mudança de posição, etc. (Winnicott 1970b[1969]/2007 p.200)

Assim, o conceito de holding, que seria traduzido como segurar, pode ser expandido para uma série de atitudes e comportamentos baseados na adaptação sensível da mãe, que não deixa seu bebê desamparado, e proporciona experiências importantíssimas como olhar, ser olhado, tocar, ser embalado, etc. É também nesta comunicação silente que a mãe possibilita ao bebê a

5 Neste caso não podemos falar de inconsciente reprimido, pois este implica em uma integração e na repressão como mecanismo de defesa. Estamos falando de um registro que se refere a algo vivido, mas não simbolizado.

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ilusão de onipotência, que permite a criação de um mundo subjetivo, e estabelece as bases para a criação de vínculos genuínos.

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Há também as brincadeiras. Não me refiro a diversões e jogos, ou a anedotas. A interação da mãe com seu bebê resulta em uma área que poderíamos chamar de território comum, a terra de ninguém que na verdade é de cada um, o local onde se oculta o mistério, o espaço potencial que pode se transformar em objeto transicional, símbolo da confiança e da união entre o bebê e a mãe, uma união que não envolve a interpretação. Portanto, não se pode esquecer das brincadeiras, onde nascem a afeição e o prazer pela experiência.” (Winnicott 1987d [1967]/1999 p.89)

O autor admite que é difícil saber quando se inicia a mutualidade, mas com doze semanas os bebês já oferecem sinais de que a comunicação se tornou um fato, e nos traz o exemplo do bebê que alimenta sua mãe colocando o dedo em sua boca, enquanto é alimentado. Dá-se a experiência que ele denominou de alimentação mútua. A experiência da mutualidade deriva por um lado da identificação da mãe com seu filho e por outro lado do potencial inato do bebê para o processo maturacional, sendo uma conquista importantíssima em seu desenvolvimento emocional.

2.4.4 Amamentação

Sobre a amamentação, Winnicott considera ser um momento muito rico tanto para a mãe quanto para o bebê, pois este contato aumenta muito a intimidade da dupla, e a mãe pode sentir no corpo a relação de amor, que no início, se estabelece e pode ser demonstrada principalmente em termos físicos e através dos cuidados.

36 Estes dois, a mãe e o recém-nascido, estão prontos a unirem-se mutuamente pelos tremendamente poderosos laços do amor, e naturalmente, terão primeiro que se conhecer um ao outro antes de aceitarem, os grandes riscos emocionais envolvidos. Assim que chegarem a uma compreensão mútua – que pode acontecer logo ou só depois de alguma luta – passam a confiar no outro e a entender-se reciprocamente, e a alimentação começa a cuidar de si própria. (Winnicott 1945c/2008, p.32)

Quando tudo caminha bem, o bebê sabe exatamente o quanto precisa mamar e quando cessar a sua alimentação, assim como a mãe percebe a satisfação do mesmo e o protege de possíveis invasões. Não há, nessas circunstâncias, necessidade de ensino de quaisquer técnicas de alimentação, mas nem sempre e talvez cada vez menos, as mães seguem suas próprias descobertas, ficando presas a conselhos ou julgamento de outras pessoas, tirando-lhes a naturalidade do cuidado com seu bebê.

É muito comum os pediatras prescreverem conselhos e técnicas que nem sempre estão vinculados ao momento emocional da dupla mãe-bebê, ou seja, não consideram a importância deste cuidado que surge naturalmente. Frequentemente não é dada às mães espaço para expressarem suas opiniões, dizerem o que estão sentindo nestes primeiros momentos com o bebê. Winnicott coloca que é comum o seguinte comentário:

Seu nascimento foi normal, e seus pais o queriam. Seu reflexo de sucção parecia bom logo após o nascimento, mas ele não foi levado ao peito até ao cabo de trinta e seis horas. A essa altura ele estava manhoso e sonado, e no decorrer dos quinze dias seguintes a situação alimentar permaneceu altamente insatisfatória. A mãe sentia que as enfermeiras eram antipáticas e não a deixavam por tempo suficiente em contato com o bebê. Afirma que elas empurravam sua boca em direção ao peito, seguravam seu queixo para fazê-lo sugar e apertavam seu nariz para tirá-lo de lá. Quando chegou em casa, sentiu não ter qualquer problema para estabelecer uma amamentação regular e normal. (Winnicott 1957f/1999, p.159)

Para o autor, a alimentação deve iniciar no momento em que o bebê a quer, e terminar quando o mesmo está satisfeito. Este é o fundamento. De forma que a mãe permite ao bebê ter

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momentos de ilusão, como também de confiança, quando faz intervalos de alimentação de acordo com o tempo que ele possa tolerar. Além de mostrar um cuidado pessoal e individualizado, é uma atitude de respeito. No entanto, algumas mulheres não lidam tranquilamente com estas ideias, uma vez que foram treinadas e ensinadas a treinarem seus bebês a terem hábitos regulares, por vezes se sentem culpadas por não seguirem as orientações prescritas, além de estarem fragilizadas fisicamente e emocionalmente pelas circunstâncias. Assim, os profissionais que assistem a mãe acabam por ter grande responsabilidade na condução do processo de alimentação, já que as mães tendem a considerar seriamente o que lhes é dito nesse momento.

Aparentemente, algumas pessoas que assistem a mãe têm dificuldade de aceitar que ela possui duas propriedades opostas: de um lado é uma pessoa vulnerável e altamente dependente, e ao mesmo tempo, é uma especialista no delicado processo de adaptação às necessidades do recém-nascido, incluindo a amamentação. O melhor é que se estabeleça uma relação amistosa entre a mãe e a pessoa que a assiste, criando um ambiente não invasivo, principalmente nos primeiros contatos com o bebê. A mãe deve sentir-se livre para agir à sua própria maneira, estabelecer um contato genuíno e iniciar seu processo de apropriação da maternidade.

Winnicott acredita que nada seja mais poderoso que o vínculo entre um bebê e uma mãe (ou seio) durante a excitação provocada pela experiência da amamentação, e a experiência da maternidade faz com que as mulheres aprendam cada vez mais, sendo uma pena que algumas mães pensem que podem buscar receitas de como serem boas mães. O autor diz também que as mães não deveriam se preocupar tanto com a ideia de falhar com seus filhos:

(...) a mãe que estiver orientando suas relações com o bebê à sua própria maneira estará fazendo o melhor que pode pelo seu filho, por ela e pela sociedade em geral. Nenhuma regra de alimentação é mais importante que a relação dos dois. Por outras palavras, a única base autentica para as relações de uma criança com a mãe e o pai, com as outras crianças e, finalmente, com a sociedade, consiste na primeira relação bem sucedida entre a mãe e o bebê, entre duas pessoas, sem que mesmo uma regra de alimentação se interponha entre elas, nem mesmo uma sentença que dite que um bebê deve ser amamentado ao peito materno (Winnicott 1957f/1999, p.36)

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No tocante a alimentação pela mamadeira, o autor sugere alguns ajustes. A mãe deve manter-se atenta quanto ao ar dentro da garrafa, quanto à sua temperatura que não deve ser nem quente nem fria, experimentando a temperatura em sua própria pele. Contudo, este não deve ser um momento menos importante por isto, e continua sendo essencial que a mãe permita ao bebê passar por experiências calmas, sendo calorosamente envolvido, sem impaciência ou tensão, podendo também se sentir satisfeita com a intimidade desta relação.

Tanto com a mamadeira ou o peito, a mãe deve estabelecer uma situação apropriada para a alimentação, isto é, deve estar confortavelmente instalada junto com o bebê, bem como não deve se preocupar com o tempo. A mãe também deve poder ficar só com o bebê, se assim o desejar, pois muitas vezes a mínima interferência nesta relação aos olhos de um terceiro, pode se tornar um motivo de mágoa ou raiva para mãe, e gerar uma reação à intrusão no bebê. E se por acaso houver dificuldades, não forçar, mas checar se há algo que possa ser feito para aumentar a proximidade do bebê com o seio ou mamadeira, de forma a chegar a uma experiência satisfatória de alimentação.

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