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behandling eller straff fordrer opplæring og en kombinasjon av forskjellige lovgivningsmessige,

I. Liste over forkortelser

Num estudo desta natureza é importante recorrer a fontes múltiplas de evidência cuja principal vantagem é o “desenvolvimento de linhas convergentes de investigação, um processo de triangulação e corroboração” (Yin, 2010, p. 143). Neste sentido, a escolha de técnicas diferentes de recolha de dados, análise documental, entrevista em profundidade e focus group, permite o cruzamento da informação conferindo maior fiabilidade à análise dos mesmos e às conclusões que daí advém.

Análise documental

Para iniciar uma investigação como um estudo de caso é fundamental conhecer o mais possível o fenómeno e o contexto em causa. De acordo com Estrela, “não será possível elaborar nenhum projeto, nenhum estudo científico, sem o conhecimento da realidade a que ele se refere, isto é, sem se conhecer o campo em que se quer intervir” (Estrela,1994, p. 13).

O primeiro passo será analisar todos os documentos disponíveis e retirar deles as informações mais pertinentes que permitam responder aos objetivos pretendidos com este estudo. Tuckman (2000, p.524) defende que, logo que se inicia um estudo de cariz qualitativo, importa obter cópias de todos os documentos disponíveis relacionados com o acontecimento ou fenómeno a ser estudado. A análise desses documentos deve ser orientada, segundo alguns tópicos pré-selecionados, para a situação que se pretende

estudar. Yin afirma que, nos estudos de caso, a análise de documentos se torna fundamental para “corroborar e aumentar a evidência de outras fontes.” (Yin, 2010, p. 128).

Assim, em primeiro lugar, procedemos à análise da legislação pertinente para o enquadramento legal da implementação e desenvolvimento curricular da escola em estudo, como consta do capítulo II desta dissertação. Ao mesmo tempo, solicitamos à direção da escola o Projeto Educativo, do qual se fez uma análise do seu enquadramento e dos aspetos que o distinguem em relação às outras escolas.

Entrevista

Sendo este um estudo qualitativo que pretende a compreensão de um contexto específico, a entrevista afigura-se como o método de recolha de dados de eleição, uma vez que permite conhecer pela voz dos atores do contexto em causa, o seu funcionamento, os seus dilemas e conquistas. Através da entrevista ficamos a saber como os participantes, atores observados no seu contexto natural, pensam, interpretam e explicam o seu comportamento, ou seja, nos revelam a sua visão pessoal acerca das ocorrências. A entrevista pode assumir diferentes formas de acordo com o grau de profundidade que pretende atingir. As entrevistas podem ser: não estruturadas; semiestruturadas e estruturadas (Coutinho, 2011; Ghiglione & Matalon, 1997).

De acordo com Yin (2010, p. 133), “As entrevistas são conversas guiadas, não investigações estruturadas” e, para o estudo de caso, interessa a profundidade, isto é, a qualidade das informações que possam surgir das entrevistas. Assim, foram realizadas entrevistas individuais semiestruturadas aos informantes-chave, com o intuito de obter dados comparáveis dos diferentes participantes (Coutinho, 2011), perceber as suas perspetivas e, ao mesmo tempo, salvaguardar uma margem de liberdade discursiva em que os próprios entrevistados possam revelar informações importantes e pertinentes para a realização do estudo. Essas entrevistas foram gravadas em suporte áudio com a devida autorização dos participantes.

Para a realização destas entrevistas semiestruturadas foi previamente elaborado um guião (Anexo I e II) onde constam as linhas orientadoras a ter em conta no desenvolvimento da entrevista, por forma a precaver as respostas às questões

fundamentais para os objetivos do estudo, não limitando, contudo, os respondentes às questões levantadas. Nesta lógica de entrevista semiestruturada, as perguntas serão introduzidas ao longo da conversa (entrevista), caso o entrevistado não tome a iniciativa de abordar esse aspeto, sendo a sua ordem aleatória (Guerra, 2006).

A investigação deve revestir-se de rigor. Para tal é necessária disciplina e a elaboração de protocolos que garantam a fiabilidade da recolha de dados e da sua interpretação. Assim, foram realizados protocolos (Anexo III) com os participantes onde constam as informações acerca do enquadramento do estudo, os seus objetivos e onde é pedida autorização para a gravação das entrevistas. “Na investigação qualitativa, esses protocolos surgem sob o nome de “triangulação” (Stake, 2007, p.121).

A escolha dos entrevistados é muito importante. Deverão ser indivíduos com um conhecimento muito significativo sobre o caso a ser estudado para que possam trazer ao estudo informações relevantes (Guerra, 2006). Neste sentido, foram entrevistados os principais intervenientes desta escola: a mentora do projeto, o diretor, o diretor pedagógico e os professores, uma vez que são representantes significativos na validação das informações pretendidas (Guerra, 2006). Os respondentes-chave podem dar informações, opiniões e até sugerir outros possíveis entrevistados com pertinência para o estudo. Desta forma, o entrevistado não é um mero respondente e passa a agir como um “informante” (Yin, 2010, p. 133).

A postura da investigadora assume um aspeto importante a considerar durante o uso desta técnica pois, durante o processo de entrevista, deve “seguir a sua própria linha de investigação, como refletida pelo protocolo do estudo de caso; e formular questões verdadeiras (conversacionais), de maneira imparcial, para que também sirvam às necessidades da sua linha de investigação” (Yin, 2010, p.133). A realização das entrevistas deve pautar-se sempre pelo rigor e seriedade face ao trabalho que está a ser desenvolvido, na expetativa de se apurar dados fidedignos e objetivos com valor significativo para o cumprimento dos objetivos do estudo. Assim, a entrevistadora deve apresentar sempre uma postura neutra e de controlo de juízos de valor (Guerra, 2006; Ghiglione & Matalon, 1997). Importa também atender à clareza de ideias, tanto no que refere ao esclarecimento das questões se necessário, como na formulação de questões redundantes que permitam confirmar ou esclarecer a informação dada pelo entrevistado, pois:

“... estamos perante sujeitos racionais (entrevistador, mas também entrevistado), sendo que ambos dão sentido à sua ação e, de forma aberta e transparente, definem o objetivo dessa interação: um pretende recolher informações sobre percursos e modos de vida sobre os quais o outro é um informador privilegiado pelo fenómeno social que viveu.” (Guerra, 2006, p.21- 22)

De acordo com Yin (2010), uma forma de aumentar a validade do constructo na realização de estudos de caso é a revisão do relatório do estudo de caso pelos informantes-chave. Assim, depois de integralmente transcritas, as entrevistas foram devolvidas aos participantes para proceder à sua validação. De seguida, as informações delas retiradas foram cruzadas por forma a permitir obter dados concretos e fiáveis para a respetiva análise de conteúdo.

Da profusão de informações obtidas nas entrevistas, foi necessário fazer uma organização da informação em função dos objetivos iniciais do estudo, por forma a encontrar linhas comuns que permitissem chegar a conclusões fiáveis. De acordo com Yin (2010, p. 65), para o investigador validar o constructo terá que ser capaz de “definir a mudança em termos de conceitos específicos”, tendo sempre em conta a sua relação com os objetivos iniciais, e “identificar as medidas operacionais que combinam os conceitos.” Como afirma Guerra:

“A racionalidade é encontrada exatamente ex post, no momento da narração; aí os elementos que na altura pareciam dispersos e as racionalidades que no momento emergiam como espontâneas estruturam-se num todo coerente que amarra o fio condutor de múltiplas decisões e ações” (Guerra, 2006, p.19).

A triangulação resultante do cruzamento da informação das várias entrevistas permite confirmar questões dúbias, aferir a veracidade dos significados retirados de determinada observação, esclarecer pormenores menos percetíveis num primeiro contacto mas que se revelam importantes para o estudo do caso em questão. Sendo o estudo de caso subjetivo, a triangulação permite “minimizar as perceções erradas e a invalidação das nossas conclusões” (Stake, 2007, p.148).

Focus group

O focus group consiste numa entrevista de grupo a vários sujeitos e tal como a entrevista em profundidade pode ser estruturada, semiestruturada ou não estruturada, de acordo com os objetivos de recolha de informação do entrevistador. Esta entrevista de grupo pode proporcionar outro nível de informação ou uma perspetiva de pesquisa não disponível na entrevista individual (Fontana & Frey, 1994, cit. por Aires, 2011). A entrevista de grupo pode ser usada para triangulação de informação, no sentido de validar as informações obtidas através de outras técnicas.

Na utilização desta técnica de recolha de dados, “O entrevistador/moderador deve ser flexível, objetivo, persuasivo, bom ouvinte e criar empatia com o grupo” (Aires, 2011, p.37).

De acordo com Fontana e Frey (1994), cit. por Aires (2011, p. 37-38), o investigador deve:

i) Estabelecer uma cumplicidade com um elemento ou mais elementos (do grupo) que lhe permita comunicar com o grupo;

ii) incitar os respondentes mais recalcitrantes a participar;

iii) obter respostas de todos os elementos do grupo para assegurar a cobertura total do tópico em discussão;

iv) gerir as dinâmicas do grupo equilibrando o papel de entrevistador diretivo com o de moderador.

A utilização do focus group como técnica de recolha de dados caracteriza-se por ser uma forma mais rápida de obtenção de uma grande quantidade e diversidade de informação. Nestas entrevistas os participantes são estimulados a intervir quer pela ação do entrevistador, quer pela interação com os outros participantes. Assim, produzem-se informações mais complementadas e elaboradas do que nas entrevistas individuais (Aires, 2011). Ao mesmo tempo, permitem ao investigador aferir a veracidade das afirmações dos participantes pelas reações imediatas dos seus pares.

Neste estudo recorremos à realização de dois focus group com alunos escolhidos aleatoriamente pelos professores. Cada grupo representa um núcleo de aprendizagem diferente (2.º ano e 4.º ano) e é composto por seis elementos do sexo feminino e

masculino, sendo solicitada a devida autorização de participação no estudo aos encarregados de educação (Anexo IV). Para a realização destes grupos focais elaboramos um guião (Anexo V) orientador das questões a apurar.

A intenção da utilização desta técnica prende-se com a necessidade de dar voz aos intervenientes principais do processo educativo, os alunos, com vista a auscultar a sua visão e perceção da realidade deste contexto específico. A obtenção destas informações permite-nos também validar, pelo cruzamento de dados, as informações obtidas através da análise documental e das entrevistas.