Kapittel 3: Cheap talk og kommunikasjon i dynamiske og statiske spill
3.1 Cheap talk i uendelig repeterte spill
3.1.1 Bertrandkonkurranse med to aktører:
3.1.1.2 Likevekt med prisannonseringer
O desenvolvimento dos projetos políticos, econômicos e culturais da cidade de Uberlândia acontecia de forma relativamente uniforme, resultando em um aumento populacional e no crescimento material da cidade, nos discursos de alguns dos entrevistados estão presentes o intuito do grupo dominante em valer-se de todas as condições positivas para ampliar as riquezas e investimentos, os vários setores da economia aproveitavam-se dos incentivos provindos da construção de Brasília, da implantação da política de interiorização.
De acordo com documento do Núcleo de Pesquisa e Documentação em História e Ciências Sociais (NUCHIS), em A HISTÓRIA DE UBERLÂNDIA, 1988. p. 1. (mimeo):
A sociedade do Uberabinha queria o progresso, mas para isso seria preciso elaborar um projeto político e muito trabalho. Aos homens ricos coube elaborar esse projeto e às pessoas trabalhar muito para que esse projeto fosse hoje uma realidade.
Desde o início, os dirigentes da cidade Uberabinha (atual Uberlândia), preocupavam- se em elaborar projetos de expansão e desenvolvimento para o município; percebe-se, pela análise dos documentos, que, desde os primórdios da cidade, há presença de um grupo dirigente local tentando somar esforços objetivando desenvolver e fortalecer os aspectos econômicos e políticos da região.
O discurso dos grupos dominantes locais estava em consonância com os preceitos de “Ordem e Progresso” do Governo Federal, enfatizando-se a necessidade de uma união de todos em prol do desenvolvimento e beneficiamento da sociedade uberlandense, destacava-se que a luta era por melhorias para a sociedade e que a luta e valorização da atuação laboral do “povo” eram essenciais para a consolidação dos projetos.
E, evidentemente, nessas imagens políticas, o progresso só se concretiza na ordem e, a ordem, por sua vez, se assegura no trabalho empreendedor da “gente uberlandense”. Escamoteando os conflitos sociais, o progresso é, no espaço urbano, o elo de estreitamento entre as divergências de classe. Por essa ótica, indiferentemente ao lugar que ocupa na sociedade, detentores do capital e despossuídos realizam, através do trabalho, a projeção da cidade no
cenário nacional. Não fugindo dessa lógica, os discursos da ordem e do progresso, constituídos no seio da sociedade uberlandense, podem ser traduzidos nos grandes projetos políticos desenvolvimentistas que se identificam na prática pelas lutas por estradas, pela implantação de uma Universidade Federal, pelo monopólio do sistema de comunicação na região, por sediar o maior centro atacadista e armazenador de grãos em nível nacional, entre outros. Todos esses projetos têm em comum o fato de terem sido concretizados entre meados da década de 1960 e finais da década de 1970 e refletirem não só o desenvolvimento econômico pelo qual passava a sociedade brasileira, como também pela capacidade do capital aqui instalado se converter em alvo das políticas geo-regionais do Poder Central de forma articulada aos interesses locais (GOMES et al. 2003, p. 27).
A despeito do discurso ideológico uniforme de defesa do interesse da população uberlandense, observa-se a tentativa de legitimação dos projetos dos grupos dominantes, implementando um discurso de tentar beneficiar e atender aos interesses de todos, enquanto que de fato acontecia uma co-optação das massas buscando-se apoio popular para efetivar os projetos dos detentores do poder.
De acordo com a estratégia argumentativa e discursiva dos grupos dominantes locais, as necessidades e as desigualdades sociais uberlandenses poderiam ser minimizadas e até resolvidas por meio do sacrifício e do trabalho do povo. Dessa maneira, ao fazer a população acreditar que o trabalho dignifica o homem e que a ordem e o progresso seriam os meios mais diretos para o desenvolvimento, obtinha-se legitimidade e apoio do “povo”.
Entre os inúmeros ideais e projetos de crescimento e desenvolvimento, seja de ordem econômica ou política, entende-se que os objetivos propostos pelos grupos detentores do poder em Uberlândia estavam relacionados com a proposta de ensino, em virtude do fato de que o projeto de instituir Escolas de Ensino Superior fazia parte da idealização maior de inserção da cidade em uma posição de destaque no cenário nacional.
Os objetivos do grupo dominante ficam evidentes quando as lideranças locais buscam construir uma estrutura que permita o crescimento da cidade, seja por meio de estabelecer vias de comunicação, comércio, indústrias, seja por priorizar, como toda cidade progressista da época, a luta por construção de estradas, pontes, facilitando o comércio com as cidades circunvizinhas e com outras regiões, primando também por aumento de edificação de escolas, de casas e de postos de trabalho.
Por fim, fica evidente, na confrontação e na análise das fontes da época, que o cerne do projeto político da sociedade uberlandense era desenvolver as fábricas e o setor industrial
de forma que se criasse uma autonomia na produção de mercadorias que seriam distribuídas para todo o País.
Junto a esses ideais, compreende-se também o projeto educacional sonhado pelos idealizadores das primeiras faculdades de Uberlândia, que vislumbravam a criação de uma universidade como elemento integrador, tornando o município um polo cultural atrativo de pessoas interessadas em adquirir conhecimento técnico-científico para exercer uma profissão; dessa maneira, o desenvolvimento educacional colaboraria com o aumento dos benefícios econômicos, políticos, comerciais, industriais e administrativos da região.
FIGURA 6 Reportagem do Jornal Minas Gerais de 05.06.1967
Fonte: CAETANO, Coraly Gará e DIB, Miriam Michel Cury, eds. A UFU no imaginário social. Uberlândia, Universidade Federal de Uberlândia, 1988, p. 67 FONTE: CAETANO, Coraly Gará e DIB, Miriam Michel Cury, eds. A UFU no imaginário social. Uberlândia, Universidade Federal de Uberlândia, 1988, p. 67
Transcrição da reportagem: UM BOI POR UMA ESCOLA
Em várias cidades mineiras vão surgindo, nesses últimos tempos, escolas superiores. Já se não limitam à Escola de Minas de Ouro Preto, de justo renome e de tradições gloriosas, nem do instituto eletrotécnico de Itajubá que lhe sucedeu, depois de longo intervalo – Juiz de Fora integra-se há muito, entre os Centros Universitários do país. Santa Rita de Sapucaí tem sua escola de eletrônica. Divinópolis, Itaúna, Montes Claros, vão congregando as suas escolas superiores em outras tantas unidades da mesma forma que Varginha, Uberlândia e Uberaba. A Universidade do Vale do Jequitinhonha, em Diamantina, já vai passando de aspiração a realidade. Sem ser um levantamento, mas simples enumeração necessariamente incompleta, esses dados patenteiam um dos mais promissores sinais do progresso mineiro, ultimamente verificado: - a descentralização da Universidade.
Entre os fatos mais recentes, nessa ordem de trunfos, é de registrar a Faculdade de Medicina e Cirurgia de Uberlândia. A metrópole triangulina além da sua Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, de nome feito e tradição firmada, vai ter agora sua Escola de Medicina. A sociedade local, aberta a todas as formas de progresso, aguarda com alvoroço o novo acontecimento cultural. Em cursos intensivos, quatrocentos candidatos preparam-se, com zelo e entusiasmo, para disputarem as oitenta vagas.
O patrimônio da Escola, cujas aulas se iniciaram em 1968, já ultrapassa novecentos milhões de cruzeiros antigos. Sempre tem sido assim, nessa grande cidade, em pleno surto de desenvolvimento. O povo com exemplar orgulho de sua terra e dotado de pura compreensão do benefício da cultura, corresponde ao apelo de educadores e idealistas. Desta vez, à semelhança do que se deu em outras ocasiões, cada fazendeiro se dispõe a doar um boi para o patrimônio da Escola de Medicina.
Pelo visto, todos compreendem o que representa a formação de médicos, de tanto que necessita o nosso “hinterland” na própria região onde devem atuar. E o mesmo saberia dizer, até certo ponto, das outras profissões liberais.
Como quer que seja, essa descentralização está corrigindo, pelo menos duas anomalias: o excesso de população estudantil da Capital, e, principalmente, a ideia de a ela ficarem circunscritos os progressos dessa natureza. Efetivamente, sem melhorar as condições
de vida do interior, não haverá meio de evitar a constante afluência de famílias para os grandes centros. Em sentido rigorosamente sociológico, o chamado êxodo dos campos não é um mal nem um bem, mas sim a solução inevitável em face da má distribuição dos bens do progresso e da cultura. Essa verdadeira revolução na esfera do ensino superior, que já agora não é privilégio da Capital, represente expressivo fator de equilíbrio.
Um boi por uma escola! Esse gesto dos fazendeiros de Uberlândia tem de ser divulgado para servir de exemplo. Dificilmente se encontrará mais acabada integração da comunidade com uma iniciativa cultural, que tanto a serve e a dignifica.
Para Dr. José Olympio de Freitas Azevedo: “Chegamos inclusive a notificar nos jornais que 4.000 fazendeiros pertencentes ao Sindicato Rural dariam, cada um, uma cabeça de gado, um boi, para financiar a Escola, apenas para criar impacto na opinião pública, inclusive nacional, para repercutir nos membros do Conselho Federal de Educação junto ao Ministério”.