Kapittel 2: Konkurranse og kommunikasjon
2.6 Er meldingene troverdige?
A origem do município de Uberlândia começa por volta do século XIX, visto que as atividades de pecuária extensiva desenvolvidas na região desde o século XVIII foram a gênese do processo de criação que possibilitou o surgimento de um distrito chamado de São Pedro de Uberabinha. A Lei Provincial nº 602, de 21 de maio de 1852, instituiu esse distrito vinculado ao município de Uberaba; mais tarde, em 31 de agosto de 1888, foi elevado a freguesia, pela Lei nº 4.643, compreendendo os distritos da sede e o de Santa Maria, desmembrado do município de Monte Carmelo.
Em 1891, por meio da Lei nº 11, foi criada a Comarca e, mais tarde a Lei nº 23 de 24 de maio de 1892 elevou a sede à categoria de cidade. A Lei 843, de 7 de setembro de 1923, criou o distrito de Martinópolis, desmembrado do distrito da sede e, por fim, com a Lei nº 1.128 de 19 de outubro de 1929 o município recebeu o nome de Uberlândia. Após o advento da Lei nº 1058, de 31 de dezembro de 1943, foram criados os distritos de Cruzeiro dos Peixotos, desmembrado de Martinópolis, e Tapuirama desmembrado da sede; ainda pela presente lei, mudaram-se os nomes dos distritos de Martinópolis e de Santa Maria, para Martinésia e Miraporanga, configurando-se a composição do município de Uberlândia com cinco distritos: Uberlândia, Cruzeiro dos Peixoto,Tapuirama, Martinésia e Miraporanga.
Importante ressaltar uma peculiaridade da cidade de Uberlândia, pois desde os anos de 1940, diferenciando-se de Uberaba e de outras cidades do Triângulo Mineiro, procurou desenvolver o comércio e a indústria em detrimento da atividade agropecuária, que era a prática econômica predominante dos demais municípios.
O processo de busca pela industrialização no município de Uberlândia foi confirmado pela intensificação na produção de açúcar, de álcool, de bebidas, de laticínios, entre outros produtos, fortalecendo a tendência de priorizar a atividade industrial e a de urbanização pautada no comércio, fortalecido pelos grupos dominantes que, além de possuírem fazendeiros ricos, eram compostos por representantes de instituições tais como a Associação
do Comércio e Indústria de Uberlândia (ACIUB). Nas palavras do atual reitor da UFU, professor Alfredo Júlio Fernandes Neto46 :
E outro ponto que eu acho determinante é quando o prefeito Renato de Freitas canalizou a água do rio Uberabinha por meio da represa Sucupira para Uberlândia; me lembro muito bem da inauguração, ali na Floriano Peixoto, perto da caixa d’água, jogou toda a água na rua, desceu pela Afonso Pena, pela Floriano. Eu me entendo que ali, colocando aquela água, e na época chegando a CEMIG, substituindo a companhia energética que era aqui da região, deu a Uberlândia uma condição de infraestrutura para receber o progresso, para receber as indústrias e o comércio que temos hoje; com isso, nós tínhamos um Governador, que era de Uberlândia, o Governador Rondon Pacheco, que fez várias ações junto ao Governo Federal para que nós fôssemos um grande entroncamento rodoviário que nós somos hoje; isso deu a Uberlândia a infraestrutura, água, luz, rodovia, acesso e a inteligência que foi a criação da Universidade. Então esses dois pontos, a vontade da comunidade e a ação política, os políticos sempre olhando pro futuro, depois do prefeito Renato de Freitas, veio o prefeito Virgílio Galassi, que canalizou o rio Bom Jesus, para outra usina de captação de água, já veio a expansão do Distrito Industrial, então essa conjunção de infraestrutura da cidade e inteligência da Universidade é um fator determinante pro crescimento, quando eu falo força da sociedade eu me lembro muito bem quando criança, quando não tinha asfalto, por aqui, da ação da associação comercial e industrial de Uberlândia, tanto que você vê varias fotos históricas na Universidade, a presença dessas pessoas, e tem uma pessoa que me chama muito a atenção que eu tive a honra de conhecer, que é o Sr. Osvaldo Oliveira, no lançamento da pedra fundamental da Medicina. Você vê o Sr. Osvaldo lá representando a ACIUB, em vários outros momentos a ACIUB e o Sindicato Rural tiveram participação importante representando a sociedade, que era o comércio, a indústria, os ruralistas e a sociedade como um todo Sr. Milton Porto, de colégio, e essas pessoas que participaram da criação da Universidade, e eu entendo que a História do desenvolvimento de Uberlândia passa por esses fatores, infraestrutura da cidade e a inteligência da Universidade (FERNANDES NETO, 2011 (Entrevista 16, em anexo).
Outro elemento importante a ser apresentado e analisado é o posicionamento geográfico de Uberlândia ressaltado por vários estudiosos da História e historiografia da cidade, que afirmam o aspecto de a cidade estar situada entre o planalto central e o centro industrial do País, São Paulo e Rio de Janeiro, o que facilitou sobremaneira o fortalecimento da característica de entreposto comercial do município (FIGURA 5).
46 Atual reitor da Universidade Federal de Uberlândia (2008-2012), Professor Titular e Docente Efetivo do
Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia - FOUFU. Diretor da FOUFU de 2000 a 2008, Presidente Nacional da Associação Brasileira de Ensino Odontológico - ABENO de 1994 a 2002 e 2006 a 2009.
FIGURA 5 O eixo do desenvolvimento São Paulo-Uberlândia com os principais polos de crescimento.
Essa característica de localização estratégica foi benéfica para o desenvolvimento comercial e econômico da cidade, pois as riquezas provenientes das atividades comerciais possibilitavam e ainda viabilizam investimentos na área industrial em desenvolvimento.
Nessa época, a maior parte das indústrias era proveniente da Região Metropolitana de São Paulo, entretanto, o eixo de desenvolvimento SÃO PAULO – UBERLÂNDIA com os principais polos de crescimentos apresentados na Figura 05 foi favorecido pela busca de novos locais para a inauguração de estabelecimentos industriais, que pela lógica seguida incentivou o desenvolvimento industrial polarizado em Uberlândia, Uberaba, Ribeirão Preto e Campinas, conforme comprovado no Quadro01 que se segue:
QUADRO 1 Desempenho da indústria nas microrregiões do eixo São Paulo-Uberlândia, por número de estabelecimentos, de funcionários e pela participação no VTI do Estado e Evolução
Observa-se que, no período de 1970 a 1980, ocorreu uma desconcentração da indústria brasileira que possibilitou o desenvolvimento industrial em Uberlândia, assim como nas outras cidades-polos de crescimento.
Em 1970, Uberlândia apresentava uma atividade industrial incipiente, contudo, tornou- se atraente para implantar e para desenvolver a produção, a indústria e o comércio, fator esse que modificou o processo de urbanização da cidade. Desde então, pautou-se em um modelo caracterizado pela necessidade de aumento da produtividade e da oferta de empregos, exigindo paralelamente, uma modernização em sua infraestrutura, assim como a ampliação do mercado consumidor, comercial e agrícola, para que ela se inserisse definitivamente na economia brasileira. O Governador Rondon Pacheco teve oportunidade de se manifestar sobre a dinâmica do município:
E em 1971, no final de 1970, foi um ano marcante pra mim, o ano em que fui escolhido como Governador do Estado. Fui eleito pela Assembleia e pude dar continuidade ao trabalho que vinha fazendo como Ministro e como Deputado. Trouxe a malha rodoviária para Uberlândia. E trouxe de Montes Claros, a estrada chegou aqui foi uma surpresa pra cidade, pois tínhamos aqui uma grande aspiração, que era construir uma ponte sobre o Rio Araguari para encurtar o caminho, pois era muito difícil, não havia realmente uma justificativa, e isso era muito caro para a época. Mas quando conseguimos implantar a rodovia do sal, que vem de Montes Claros para
Uberlândia, Montes Claros, Pirapora, Patos de Minas, Patrocínio, Uberlândia, essa rodovia consolidou muito o progresso de Uberlândia. Como em 1951, como Deputado Federal tínhamos conseguido as verbas para o asfaltamento de Uberlândia a Itumbiara, precedeu ao asfaltamento de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro. Eu fiz um projeto de lei para fazer a estrada, o Presidente Getúlio Vargas, achou aquilo no início, dentro da sistemática legislativa, uma aberração. Um projeto isolado dessa natureza. Mas ele foi de uma sensibilidade política admirável. Ele não sancionou o projeto, não criou precedentes, mas também não vetou. Não exerceu o direito do veto que ele tinha. Então, quinze dias depois, o projeto teve que voltar ao Congresso, e o Presidente do Senado aprovou o projeto. Era o Café Filho, o vice do Getúlio. Ele promulgou o projeto. Então uma batalha, com o auxílio de toda uma retaguarda política de Uberlândia, de todos os seus representantes, das associações de classe, aí fomos nos organizando e Uberlândia mandou uma representação ao Getúlio, que estava passando o verão em Petrópolis, como ele sempre fazia. A comissão uberlandense ligou lá e mostrou as razões que justificavam tudo isso, tendo como principal argumento que, durante a Grande Guerra, o Governo Federal foi obrigado a fazer em Uberlândia a Fundação Brasil Central, para poder arrecadar toda a produção com transportes especiais essas coisas, e com o abastecimento de gasolina, porque ela era racionada. E essa estrada em terra que foi uma obra admirável do saudoso engenheiro Fernando Vilela, estudou em Ouro Preto, veio para Uberlândia e aqui criou família e tal, era um homem notável. Ele fez essa estrada até Ituiutaba, que era uma estrada de bancos de areia, era uma viagem penosa, daqui a Ituiutaba você gastava quatro horas. Mas era a via de comunicação fundamental para a grandeza de Uberlândia. E conseguimos. O Getúlio teve a sensibilidade e mandou o DNER comprar esse asfalto. O Brasil não produzia asfalto, pois não tínhamos a Petrobrás. Até o asfalto era importado da Venezuela. Os galões de asfalto entraram ali na Afonso Pena e foi um foguetório. O Alexandrino Garcia ainda não era dono da CTBC, mas tinha postos de gasolina, com o foguetinho na mão, soltando foguete. O Boulange Fonseca, o Juquita da Erlan. Todos eles soltando foguete e o asfalto chegando. Fizemos o asfaltamento até Itumbiara. Foi um achado para o futuro. Pois coincidiu depois com a criação de Brasília. (PACHECO, 2006,). (Entrevista 14, em anexo).
Os grupos dominantes locais, representados pelas lideranças políticas, tinham consciência do aspecto favorável do posicionamento estratégico da cidade de Uberlândia e articularam esse aspecto geográfico para desenvolver o setor comercial, valendo-se da proximidade com os governantes militares e da conjuntura nacional preconizada desde o Governo de Juscelino Kubitschek, que, na década de 1950, já primava por uma política de interiorização.
Nas palavras de Maria Clara Tomaz Machado em contribuição à obra de (Gomes et al. 2003) asseverou:
O progresso vislumbrado foi possível não só pela intensificação do processo de urbanização e desenvolvimentismo que envolveu o País a partir da década de 1950, no qual a cidade se inseriu e se ajustou, mas também pelo fato de que, já nessa década, Uberlândia constituía-se no lugar catalizador da maior
parte da produção de mercadorias da região. Esse foi o impulso que, necessariamente, colocou essa cidade no circuito do mercado nacional, garantindo a acumulação e reprodução do capital aqui instalado. Essa acumulação de capital, propiciada pela função de entreposto comercial exercida desde o começo de sua História, possibilitou à cidade um desenvolvimento econômico seguro e privilegiado nos quadros de Minas Gerais e, porque não dizer do País. O papel de destaque do município no cenário nacional pode já ser percebido, na segunda metade da década dos anos 1950, com a construção de Brasília, que faz de Uberlândia “ponto obrigatório de entrecruzamento do sul, norte e nordeste com o centro-oeste do País”. Nesse sentido, investimentos federais passam a ser canalizados para a cidade como forma de viabilização da integração nacional. (MACHADO, 2003, p.28).
A política desenvolvimentista marcou a História com a idealização e com a construção de Brasília, que favoreceu intensamente a região do Triângulo Mineiro, visto que sua localização entre o Centro-Oeste- Brasília e as megalópoles São Paulo e Rio de Janeiro localizadas no Sudeste brasileiro confirmou e reforçou a qualidade de entreposto comercial.
A mudança da capital para Brasília e a construção da malha rodoviária pretendiam facilitar o acesso com todo restante do Brasil. Uberlândia foi favorecida sobremaneira, desenvolvendo-se benefícios para relações comerciais exercendo um papel decisivo no modelo econômico adotado pela cidade.
Asseveraram Paulo Sergio R. Freitas e Roberto C. Sampaio (1985, p. 87) em análise da região que os serviços de transporte, comunicação e armazenagem deram, “[...] historicamente, suporte a viabilização da “vocação comercial” da mesma, assim como acompanharam o desenvolvimento agroindustrial sem e constituírem em entrave a essas atividades, como ocorreu em nível nacional”.
Sendo assim, percebe-se que Uberlândia, uma cidade localizada no Triângulo Mineiro, Estado de Minas Gerais, no vértice de um chapadão, circunscrita pelos afluentes do rio Paranaíba, limitada pelos vales do Araguari e do Tijuco, originária de uma pecuária extensiva, passou a intensificar atividades de comércio e de indústria, corroborada pela construção de Brasília, que colocou a região do Triângulo Mineiro em posição evidentemente beneficiada e atrativa para investimentos. Com a tentativa de interiorização do desenvolvimento preconizada pelo Governo Federal, aumentavam-se as perspectivas de crescimento econômico e investimentos com a construção de estradas, como destacou Rondon Pacheco em entrevista, foram inúmeros os esforços e investimentos na região que foi intensamente beneficiada pela proximidade da Capital.
Ao escrever o texto intitulado UFU: a dinâmica de uma História, Maria Clara Tomaz Machado expõe que:
Se quisermos entender o papel da Universidade Federal de Uberlândia na História da cidade, será necessário encontrar o fio condutor que alinhave projetos e práticas políticas das classes detentoras do capital, recriando o imaginário social a partir do conceito de ordem e progresso que perpassa o discurso político local. Ao analisarmos os discursos oficiais, como forma de recuperação do processo histórico engendrado pela sociedade uberlandense, é possível percebermos que neles as marcas ideológicas têm como apoio vital a concepção de sociedade do trabalho – fundadora do mundo comum unitário, designado comumente como sociedade civil. Cidade destinada a cumprir um papel teleológico na História regional, Uberlândia delineia na construção de suas imagens políticas um único alvo a atingir – o progresso. Independentemente das questões pertinentes às diferenças e interesses de classe e à diversidade de posturas políticas, essa sociedade civil estaria predestinada à modernidade (MACHADO, 2003, p. 27).
O somatório das condições objetivas favoráveis, tais como: posição estratégica, políticos influentes, grupo dominante ativo, expansão e crescimento do comércio, política de interiorização do Governo Federal, construção de Brasília, entre outros, resultou no desenvolvimento de Uberlândia que se destacava no cenário nacional como município de intensa participação política seguidora do discurso dos preceitos de “Ordem e Progresso”. Nesse ínterim, pode-se afirmar que a criação das Escolas de Ensino Superior seria uma resposta às necessidades e às exigências da conjuntura social daquele momento.
O professor Odorico Coelho da Costa Neto47, em depoimento, confirma a importância das faculdades nesse momento destacando que:
Além de ter sido uma grande oportunidade para todos aqueles que moravam em Uberlândia, que tinham que sair de Uberlândia, onde a cidade mais próxima era Uberaba, dar oportunidade a quem era da cidade é mais que criar a faculdade, foi a mentalidade da Universidade já trazendo um embrião para que se consolidasse a Universidade de Uberlândia e, posteriormente, a Universidade Federal de Uberlândia. Eu acredito que com isso a gente tenha contribuído muito com o desenvolvimento do bloco regional, um desenvolvimento não só de Uberlândia, mas de toda a região, com a criação, inicialmente, de uma faculdade que era da Autarquia Educacional e tinha uma mensalidade subsidiada, praticamente 1/3 do valor que se pagava em Uberaba, que era particular, e posteriormente a partir de 1978, com a federalização, ocorreu a isenção do pagamento das mensalidades; isso tem contribuído para o desenvolvimento regional de uma forma muito
47 Professor titular da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia. Atualmente, é chefe de
gabinete do Reitor, coordenador do Programa Nacional de reorientação da formação profissional em saúde da FOUFU, membro da comissão para elaboração do regimento interno do HCU-UFU, membro titular e representante da IES – Federais no programa de residência multiprofissional da saúde, e diretor executivo da FAEPU.
importante, não só na Odontologia, como na Veterinária e na Educação Física, como outros cursos que vieram a se agregar a Universidade de Uberlândia e posteriormente a Universidade Federal (COSTA NETO, 2011, (Entrevista 17, em anexo).