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Levels in general European populations with serum or plasma samples collected from – and

3. Assessment

3.3. Hazard identi fi cation and characterisation

3.3.2. Biomonitoring

3.3.2.3. Levels in general European populations with serum or plasma samples collected from – and

O documentário de produção independente Super size me (EUA, 2004), dirigido por Morgan Spurlock, promove um contundente e bem humorado dano na imagem da rede de lanchonetes McDonald’s, ao realizar uma experiência alimentar perturbadora e de resultado imprevisto. Quais os desdobramentos de um mês de exclusiva “McDieta” (SUPER size me, 2004)?

A inspiração para realizar um filme sobre a responsabilidade da rede norte-americana de fast-food McDonald’s no incremento do peso de seus clientes surgiu quando Spurlock assistiu a uma reportagem sobre o processo no qual duas adolescentes acusavam a referida rede de ter provocado a obesidade delas. “Os advogados do McDonald’s disseram que o processo era incoerente, afirmando que os perigos eram conhecidos. As meninas não podiam provar que o problema de peso era causado só pela McDieta” (ibid.). Como o argumento de defesa se pautou na inexistência de provas, o juiz solicitou que a acusação as apresentasse.

O espectador Morgan Spurlock imaginou uma saída decididamente inusitada. Fez um documentário no qual se submeteu a trinta dias de regime, comendo exclusivamente itens do cardápio de tal rede de lanchonetes, para avaliar as possíveis conseqüências do consumo destes alimentos. Antes se cercou de alguns cuidados com o objetivo de assegurar a credibilidade dos procedimentos adotados.

Procurou especialistas (nutricionista, cardiologista, gastroenterologista e clínico geral) que avaliaram minuciosamente as suas condições de saúde antes da incursão experimental. Os resultados apontaram uma excelente condição do diretor – peso dentro do nível recomendável, pressão arterial, níveis de colesterol, de triglicérides e de ferro, funções dos rins e fígado, entre outros índices, todos considerados normais; embora o paciente tenha se declarado carnívoro convicto e não levar uma vida exatamente regrada.

Questionados sobre os possíveis desdobramentos resultantes de tal experiência, os profissionais afirmaram que poderiam ocorrer problemas como aumento de peso e das taxas de triglicérides e colesterol, etc. Embora não recomendando o regime que o cliente se propunha a adotar, eles não apontaram a probabilidade de ocorrência de nada exatamente alarmante

Sob supervisão médica e utilizando o próprio corpo como cobaia, Spurlock deu “início a um mês de farra no McDonald’s” (ibid.), experiência que começou com visível motivação e bom humor. Durante o período aceitou, sempre que ofereciam, porção gigante dos itens solicitados, obrigando-se a comê-la integralmente.

Progressivamente o filme adquire ritmo mais acelerado e tom acentuadamente trágico à medida que a dieta avança e os efeitos presumidos e inesperados comparecem. O diretor relata as reações gastrintestinais, emocionais e os encaminhamentos adotados para a pesquisa. O filme não se restringe apenas a buscar uma comprovação da periculosidade da comida comercializada pelo McDonald’s. Nele, questiona-se os hábitos alimentares dos americanos e, além do registro da experiência gastronômica de gosto duvidoso, o documentário traz entrevistas com especialistas e cidadãos de diversas partes, assim como, dados sobre o consumo de alimentos no país e da prática de atividades físicas, entre outros indicadores do way of life e da cultura do exagero daquela que “está se tornando a nação mais gorda do mundo” (ibid.). Conforme o filme aponta, há nos Estados Unidos

quase 100 milhões de [...] gordos ou obesos. Mais de 60% dos adultos do país. Desde 1980, dobrou o número de norte-americanos gordos ou obesos. O número de crianças duplicou e o de adolescentes triplicou (Ibid.).

A obesidade configura-se uma epidemia nacional e resulta da associação entre hábitos alimentares desregrados e sedentarismo. O excesso de peso dos americanos tornou-se uma das maiores preocupações do sistema de saúde do país. Conforme Spurlock (ibid.), “hoje a obesidade só perde para o cigarro como principal causa-mortis evitável nos EUA, com mais de 400 mil mortes por ano por doenças associadas a ela”.

O diretor, cobaia e narrador, adota uma atuação performática, hoje em voga, que lembra bastante o desempenho do também diretor Michael Moore, responsável pelo boom do documentário desta linha de temática impactante, de abordagem mais agressiva e fenômeno de bilheteria.

Spurlock não esconde que aprecia o sabor de frituras, mostra-se entusiasmado como um adolescente quanto à realização do filme, expõe sua opinião sobre o desempenho dos entrevistados, expressando a sua simpatia e compaixão com as condições dos mesmos e, freqüentemente, qualifica a atuação dos membros da equipe do filme como genial. A sua postura é irreverente, sarcástica, divertida e, algumas vezes, repetitiva. Embora o tom pareça

exagerado em alguns momentos, utiliza-se de uma linguagem e ritmo bem ao gosto dos jovens, seu principal público-alvo.

Photo by Julio Soefer26

Tal público é também alvo, desde muito cedo, da estratégia de sedução adotada pelo McDonald que envolve, entre outros recursos, a cooptação infantil com a oferta de brindes e disponibilidade de coloridos parques com brinquedos e jogos no interior de suas lojas. Nada se compara, porém, ao fortíssimo investimento em publicidade que adota. Os clientes, expostos a uma espécie de bombardeio intermitente, introjetam uma forma de condicionamento no qual o consumo ocorre sem que se questione a qualidade dos produtos adquiridos e se faça comparação com outras alternativas mais saudáveis. Aliás, este é hoje um fenômeno mundial.

O filme aponta a agressiva publicidade adotada pelo McDonald’s e outras redes de lanchonetes como catalisadora dos hábitos alimentares desregrados adotados pela população americana que hoje faz 43% de suas refeições em fast foods. Traça um contraponto à publicidade McDonaldica propondo, por meio de uma espécie de paráfrase imagética, numa inversão do conteúdo veiculado pelos comerciais da rede. Alguns dos cartazes são bastante interessantes, neles utiliza-se um estilo ousado, cores fortes e alguma semelhança com a linguagem do grafite.

Embora os representantes McDonald’s tenham se recusado a conceder entrevista para o filme e procurado ignorá-lo inicialmente; quando o mesmo foi lançado, alguns efeitos se fizeram notar no seu cardápio desde então. Introduziram frutas e saladas e aboliram a porção gigante. A mudança se atitude pode ser observada por consumidores mais atentos, como é o caso do critico de cinema Amir Labaki (2007) que afirmou recentemente:

atrasado para um compromisso, baixei a guarda no último sábado e pela primeira vez em anos entrei num McDonald’s perto de casa. Além da nova economia em guardanapos e canudos, me chamou atenção a nova preocupação com itens mais saudáveis no cardápio: iogurtes, mais saladas e sucos, batatas fritas livres de gordura “trans” (como afirma o pacote). Essa reformulação do cardápio teria se dado, na mesma velocidade, sem Morgan Spurlock e “Super Size Me” (2004)?

Do ponto de vista de produção, Super size me é um filme relativamente de baixo custo. Foi realizado ao custo de trezentos mil dólares, sendo que só em território americano arrecadou cerca de doze milhões, desempenho de bilheteria nada desprezível para o gênero documentário. Foi indicado para o Oscar da categoria e o diretor recebeu o prêmio de melhor realizador no Festival de Sundance.

Porém, a sua maior qualidade talvez seja a de atingir ao público adolescente na sua auto-estima e desafiar este mesmo público a modificar seus hábitos alimentares. É diferente quando um discurso não convencional se torna audível, inteligível e classifica como estúpido o comportamento de toda uma cultura. A performance de Spurlock resulta convincente também porque ele se mostra debochado, uma liberdade de abordagem com um poder que não é acessível ao discurso convencional.

A aparente franqueza e liberdade de crítica que o diretor lança mão nesse filme não encontrariam espaço num documentário televisivo porque o seu conteúdo contraria os interesses econômicos de anunciantes de peso, responsáveis pela injeção de uma considerável soma de dólares em publicidade e, por conseqüência, contraria também aos interesses dos canais de televisão, preocupados em manter seus anunciantes.