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Ledelse og eierskap

In document Kristin Alsos og Sissel C. Trygstad (sider 30-33)

Kapittel 4 Innstilling, tillit og rollerespekt

4.1 Ledelse og eierskap

Foi utilizada a entrevista qualitativa semi-estruturada sobre concepções de natureza desenvolvida por Cobern e equipe (Cobern, 1993; Cobern, Gibson & Underwood, 1995; Cobern, 2000) como ferramenta para a coleta de dados visando responder às seguintes perguntas de pesquisa: Que lugar a ciência ocupa vis à vis o conhecimento religioso no pensamento cotidiano dos alunos protestantes do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UEFS?; Como a ciência é interpretada quando se torna parte integrante do pensamento cotidiano destes alunos, como, por exemplo, nas concepções acerca da natureza ?; Que conceitos têm força e alcance nas concepções de natureza destes alunos?

Como já foi discutido, uma vez que a natureza é o objeto de estudo das ciências naturais e, ainda mais, é um tópico que as pessoas em geral não associam explicitamente com a ciência, investigar o pensamento cotidiano das pessoas a respeito da natureza é uma boa estratégia para avaliar como elas empregam o conhecimento científico, ou em que extensão empregam o conhecimento científico em situações em que a ciência não é sugerida ou introduzida na conversação.

A metodologia desenvolvida por Cobern consiste em uma modificação da técnica de entrevista qualitativa do tipo semi-estruturada, baseada no uso de „ferramentas de provocação de conversação‟. O conceito de natureza é profundo e difícil de ser expresso de forma extemporânea, de maneira que é improvável a obtenção de bons dados perguntando-se apenas: “O que é natureza para você?”. Tendo em vista esse problema, Cobern e sua equipe elaboraram ferramentas de provocação que incentivam o entrevistado a „pensar em voz alta‟ e conversar extensamente sobre a natureza. Além deste aspecto, as ferramentas de provocação sugerem muitas direções possíveis para a conversa, dando a oportunidade ao entrevistado de escolher a direção mais consistente com seu próprio pensamento. Desta forma, é possível diminuir o risco de enviesamento da entrevista, bem mais acentuado em entrevistas com perguntas colocadas pelo entrevistador.

As ferramentas de provocação de conversação utilizadas por Cobern e sua equipe consistem, primeiro, em um conjunto de adjetivos que podem ser usados para

descrever a natureza (ordenada, misteriosa, complexa etc.) e, segundo, em um conjunto de sentenças curtas que falam sobre a natureza (por exemplo, „Para mim, a natureza é misteriosa‟). Os adjetivos e sentenças foram elaboradas por Cobern e sua equipe com base em descrições feitas por estudantes norte-americanos a respeito do termo „Natureza‟ em estudo piloto e consulta à literatura acerca do conceito de natureza nos pensamentos ocidental e oriental.

Para diminuir a possibilidade da entrevista ser direcionada por vieses introduzidos pelo entrevistador, Cobern (2000) procurou fornecer um grande número de caminhos possíveis, através dos quais o entrevistado poderia discorrer livremente sobre natureza, seguindo diferentes linhas de argumentação. Para tanto, ele selecionou um bom número de descritores ontológicos, epistemológicos, emocionais e de estado, com o intuito de assegurar que as ferramentas de provocação tivessem uma natureza multidimensional. Esta categorização não deve, entretanto, influenciar a análise dos dados, sendo a interpretação baseada no significado atribuído pelos próprios entrevistados aos adjetivos e sentenças.

Há uma certa redundância entre os adjetivos descritores e as sentenças, de maneira que os entrevistados são expostos à mesma provocação mais de uma vez, em diferentes momentos da entrevista. Esta superposição de conteúdo é proposital e tem o objetivo de manter os entrevistados engajados, de maneira persistente, com as idéias que de fato fazem parte de sua concepção de natureza. Este artifício metodológico também permite ao pesquisador, no momento da análise dos dados, eliminar os conceitos que não têm força e alcance para o entrevistado, mas que eventualmente surgem em meio à conversa, assim como possíveis comentários que não sejam sinceros. Desta forma, a consistência interna da visão do entrevistado é deixada à mostra, aumentando-se a credibilidade da interpretação e, conseqüentemente, a validade interna do estudo.

É importante ressaltar que, em momento algum, o entrevistador faz menção explícita à ciência ou a outra forma de conhecimento. É deixado ao critério do entrevistado trazer à tona a ciência ou outra forma de conhecimento na discussão. Procura-se encorajar o entrevistado a falar livre e extensamente sobre o tópico em questão. A expectativa é a de que o entrevistado lance mão da ciência e/ou de outras formas de conhecimento na medida em que estas sejam importantes no seu modo de pensar. Quando o entrevistado se refere espontaneamente à ciência, o entrevistador

aproveita para colocar questões referentes à concepção de ciência do aluno e à sua relação com a concepção de natureza.

Os adjetivos e sentenças foram traduzidos e a metodologia utilizada por Cobern e sua equipe foi adaptada por El-Hani, sendo validada em estudo piloto realizado com uma amostra de 20 alunos da disciplina “Evolução do Pensamento Científico”, do curso de Bacharelado em Ciências Biológicas da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Embora o referido estudo não tenha sido realizado com o objetivo específico de investigar a interação entre o conhecimento científico e o conhecimento religioso no desenvolvimento das concepções de natureza dos alunos, os seus resultados demonstraram uma forte influência da formação religiosa na visão de mundo de alguns dos entrevistados, de maneira semelhante ao que foi encontrado por Cobern (2000) em alunos norte-americanos do ensino médio. Desta forma, estes dados sugeriram, fortemente, a adequação desta ferramenta de coleta de dados aos objetivos propostos para a pesquisa em questão.

Esta expectativa foi correspondida quando da realização da primeira entrevista piloto pela mestranda. Foi entrevistado um aluno recém egresso do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UEFS, de formação religiosa protestante, membro da Igreja Batista Memorial, que apresentava uma curta experiência docente nos ensinos fundamental e médio. Após a transcrição e análise do depoimento dado por este aluno, foi possível constatar que a entrevista sobre concepção de natureza adaptada da metodologia de Cobern fornece excelentes subsídios para avaliar-se o grau de integração do conhecimento científico ao pensamento cotidiano dos alunos vis à vis o conhecimento religioso, assim como para diagnosticar em que medida os conceitos sobre natureza considerados fundamentais, do ponto de vista das Ciências Naturais, em especial da Biologia, são expressos pelos entrevistados.

Decidiu-se incorporar esta entrevista piloto como parte da amostra, devido à qualidade dos dados obtidos, aliado ao fato de estarmos diante de um sujeito informante muito relevante para a pesquisa, dado o grau de envolvimento e inserção na comunidade religiosa da qual participava e o nível de integração do conhecimento religioso e do conhecimento científico revelado na sua descrição acerca da natureza.

As modificações propostas por El-Hani no procedimento descrito por Cobern e equipe (Cobern, 1993; Cobern, Gibson & Underwood, 1995; Cobern, 2000) consistiram na retirada do „evento de focalização‟, originalmente realizado no início

da entrevista, e na inclusão de alguns adjetivos descritores e sentenças. Cobern e colaboradores iniciam a entrevista com um evento de focalização, o qual consiste na apresentação de fotografias que mostram a natureza em níveis macro- e microscópicos, bem como retratam aspectos benéficos e perigosos da natureza. Após as fotografias terem sido apresentadas, pergunta-se ao entrevistado se elas se referem à natureza ou ao mundo natural. Este procedimento foi adotado por Cobern e equipe dada a constatação de que os alunos utilizavam os termos „natureza‟ e „mundo natural‟ de formas muito diversas, afastando-se com freqüência das definições científicas, filosóficas e mesmo daquelas encontradas em dicionários.

Supondo-se que os alunos de um curso de Ciências Biológicas, diferentemente da população amostrada por Cobern, não teriam dificuldade em focalizar o tema da entrevista, o evento de focalização não foi utilizado no referido estudo piloto realizado por El-Hani, tendo sido observado, de fato, que os alunos não se desviavam dos aspectos centrais que deveriam ser abordados na entrevista, mesmo com a ausência deste procedimento.

A metodologia adaptada por El-Hani foi adotada praticamente na íntegra, exceto pela retirada do grupo de descritores (adjetivos e sentenças) de estado do conjunto de ferramentas de provocação, na medida em que os mesmos não eram de interesse central para a pesquisa.

Após os comentários introdutórios referentes à natureza confidencial da entrevista, e uma vez obtido o consentimento informado do entrevistado, a entrevista se iniciava perguntando-se ao aluno como ele definiria a natureza ou o mundo natural. A seguir, o entrevistador perguntava se „natureza‟ ou „mundo natural‟ tinham, para o aluno, o mesmo significado. Quando o entrevistado apontava alguma diferença entre os termos, escolhia-se o termo mais adequado para ser usado durante a entrevista, em vista do tema a ser abordado. Na maioria dos casos, os alunos atribuíram o mesmo significado aos dois termos. Em apenas uma das entrevistas, foi apontada uma diferença significativa para os termos. Para este entrevistado, o termo „natureza‟ se referia a uma espécie de característica intrínseca e única de uma pessoa ou objeto e „mundo natural‟, por sua vez, designava o ambiente que está em torno de nós e tudo que o compõe. Neste caso, procurou-se empregar o termo „mundo natural‟ durante a conversação, por aproximar-se mais do objeto da entrevista.

A partir deste momento, a entrevista era desenvolvida em três etapas estruturadas em torno dos conjuntos de adjetivos e sentenças (descritores), impressas em fichas de arquivo plastificadas, que constituíam as ferramentas de provocação.

Os adjetivos utilizados na primeira etapa da entrevista se encontram no Quadro I. O entrevistador apresentava as fichas contendo os adjetivos ao entrevistado, solicitando que ele os dividisse em dois grupos, um contendo os adjetivos que ele usaria e outro, os que ele não usaria para descrever a natureza. Caso desejasse, ele poderia formar mais grupos. Após todas os adjetivos terem sido examinados, era pedido ao entrevistado que formasse subgrupos, caso percebesse similaridades ou qualquer outro tipo de relação entre elas.

O entrevistador solicitava, então, ao entrevistado que escolhesse um dos subgrupos, entre os adjetivos usados para descrever a natureza, como ponto de partida para a conversa. Eram, então, realizadas perguntas sobre cada um dos descritores, buscando-se investigar os motivos que levaram o entrevistado a reunir aqueles adjetivos num grupo e identificar o aspecto comum por ele empregado como critério de classificação.

A partir de então, eram feitas perguntas bastante abertas com o propósito de estimulá-lo a falar sobre cada um dos adjetivos, bem como questões adicionais, com o intuito de esclarecer pontos obscuros ou perseguir linhas de argumentação interessantes iniciadas pelo entrevistado. Quando, por exemplo, os alunos se referiam à ciência, aproveitava-se a ocasião para explorar a concepção de ciência do entrevistado e sua relação com sua concepção de natureza. Da mesma forma, quando o conhecimento religioso ou bíblico era citado, procurava-se conhecer maiores detalhes sobre a formação religiosa do aluno e implicações da mesma para a formação de sua visão de mundo, sempre com a preocupação de evitar o enviesamento das respostas.

Quando os subgrupos de adjetivos utilizados para descrever a natureza se esgotavam, passava-se à conversa sobre os adjetivos que não foram usados pelo entrevistado para descrever a natureza, seguindo-se o mesmo procedimento explicado acima.

Na segunda etapa da entrevista, era apresentado ao entrevistado um conjunto de sentenças sobre a natureza (ver quadro II) e solicitado que ele o dividisse em dois grupos: um grupo de sentenças com as quais o entrevistado concordasse e um grupo

de sentenças das quais discordasse. Caso lhe parecesse necessário, o entrevistado poderia formar um grupo intermediário. O procedimento era, basicamente, similar ao da etapa anterior ( ver apêndice B ).

Com o intuito de compreender melhor a força que diferentes idéias tinham na visão de natureza do entrevistado, na terceira etapa, o mesmo era solicitado a indicar quais idéias lhe pareciam mais importantes, entre aquelas que ele tinha trazido à tona. O procedimento empregado para este fim consistiu em solicitar ao aluno que examinasse, mais uma vez, o conjunto de sentenças, descartando aquelas com as quais não concordasse e arrumando, de acordo com o grau de importância, aquelas com que concordasse. Após o aluno ter examinado todas as sentenças, o entrevistador registrava a ordem hierárquica estabelecida. A entrevista terminava com uma repetição da questão inicial: “Como você definiria a natureza ou o mundo natural?”, seguida por um pedido ao entrevistado para que falasse acerca de algo da natureza que, para ele, teria grande importância.

Todas as entrevistas foram realizadas pela mestranda, sendo registradas na íntegra por meio de gravação em áudio . A duração das entrevistas variou de 120 a 150 minutos.

In document Kristin Alsos og Sissel C. Trygstad (sider 30-33)