Kapittel 3 Rammer for tilrettelegging og inkludering
3.1 Blir tillitsvalgte inkludert i beslutningsprosessen?
Este trabalho de pesquisa pode ser caracterizado como um “estudo de caso”, categoria de pesquisa qualitativa “cujo objeto é uma unidade que se analisa profundamente” (Triviños, 1992: 133).
“O caso” deve ser bem delimitado, de maneira que constitua uma unidade em um sistema mais amplo, sendo tratado como representação singular da realidade, “ mesmo que posteriormente venham a ficar evidentes certas semelhanças com outros casos ou situações” (Ludke & André, 1996:17)
Neste estudo, a unidade investigada consistiu num grupo de alunos protestantes do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Bahia.
A escolha da UEFS como campo de pesquisa e dos alunos do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas desta instituição como população a ser estudada
foi incitada pela experiência da pesquisadora como docente de disciplinas responsáveis pela formação pedagógica destes alunos, o que a levou a amadurecer esse objeto de estudo. Atendeu-se, desta forma, à “necessidade de um contato estreito e prolongado do pesquisador ao objeto pesquisado”, a qual, segundo André (1984:53), está implícita no conceito do “estudo de caso”. Por outro lado, a familiaridade com o curso e a instituição facilitou a seleção e o acesso aos alunos que potencialmente poderiam participar do trabalho como sujeitos depoentes.
Outra motivação para a seleção da UEFS como local para realização da pesquisa consistiu no desejo de contribuir com novas diretrizes curriculares, que poderiam vir a orientar a reforma curricular do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, em andamento nesta instituição.
3. Amostragem:
Como foi comentado acima, a validade interna é o ponto forte da credibilidade da pesquisa qualitativa. Para assegurar que os dados coletados representem o mais autenticamente possível a realidade, é preciso, no entanto, tomar certos cuidados, como, por exemplo, buscar diminuir vieses na seleção dos sujeitos depoentes.
Desta forma, procurou-se estabelecer critérios para a seleção dos alunos que viriam compor a nossa amostra. Foi definido a priori que seriam selecionados alunos com alguma experiência docente no ensino fundamental e/ou médio e que estivessem cursando entre o sexto e o oitavo (último) semestre do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UEFS. Surgiu, então, o primeiro desafio, concernente à pluralidade dos Protestantismos.
Sob a aparente unidade do termo „Protestantismo‟, esconde-se uma diversidade de denominações, referindo-se a organizações com diferentes origens históricas, muitas delas resultantes de dissidências, seguidas de reformas religiosas e institucionais. Estas denominações apresentam algumas diferenças, nem sempre sutis, no que diz respeito a aspectos teológicos, doutrinais, litúrgicos e organizacionais. Referindo-se a tal pluralidade, Alves (1979: 27) afirma que a unidade do termo „Protestantismo‟, quando retirado do contexto de confrontação com a Igreja Católica, se dissolve em uma multiplicidade de oposições nada superficiais.
Tendo em vista esta questão, surge a necessidade de criar-se tipologias que possam classificar as diversas denominações em tipos que delimitem melhor o
protestantismo como objeto de estudo. São comuns tipologias construídas com base em critérios históricos, como antigüidade, período e motivação de transplante de instituições, aliados a alguns aspectos doutrinários e litúrgicos.
Bittecourt Filho (1998) propôs o seguinte modelo classificatório fundado em substrato histórico, teológico, doutrinário e litúrgico: Protestantismo de Missão denominações instaladas no Brasil no ciclo missionário norte-americano da segunda metade do século XIX, vinculadas teológica, doutrinária e historicamente à Reforma Protestante do século XVI. Incluem as Igrejas Batistas, Presbiterianas, Metodistas, Episcopais, Congregacionais e Luteranas; Protestantismo de Migração denominações que se instalaram no Brasil nos ciclos migratórios Europeus. Incluem os Anglicanos e Luteranos; Pentecostalismo Clássico denominações pentecostais pioneiras, instaladas no ciclo missionário do início do século XX. Incluem a Assembléia de Deus, Igreja Pentecostal, Igreja de Deus, Congregação Cristã, Igreja do Evangelho Quadrangular; Pentecostalismo Autônomo denominações pentecostais recentes, nascidas no Brasil, que não reivindicam vinculações históricas e apresentam especificidades doutrinárias e de prática religiosa, como as ênfases no dom da cura e no exorcismo. Incluem as Igrejas Brasil para Cristo, Deus é Amor, Casa da Benção, Universal do Reino de Deus e Cristo Vive; Neodenominacionalismo denominações resultantes de movimentos carismáticos no interior das igrejas de missão, ocorridos na década de 1960. Têm como representantes as Igrejas Batista de Renovação, a Igreja Metodista Wesleyana e a Igreja Cristã Presbiteriana; Seitas Igrejas que nasceram de experiências místicas de líderes iluminados, oriundos de igrejas pentecostais clássicas norte-americanas. Representadas por Testemunhas de Jeová, Adventistas do Sétimo Dia e Mórmons.
O Centro Ecumênico de Documentação e Informação adota uma tipologia semelhante, utilizando o termo “Carismáticos” em lugar de “Neodenominacionalismo” e o termo “Pseudo-Protestantes” em lugar de “Seitas” (Silva, 1998:7-8).
Alves (1979) faz uma crítica às tipologias históricas, que, ao seu ver, não resistem a uma análise sociológica, porque ignoram aspectos organizacionais e burocráticos e diferentes formas de articulação da fé. O autor procura desenvolver uma nova tipologia que leve em conta o “espírito do grupo social” que se encontra no interior das denominações protestantes. O espírito de um grupo social é definido por
Alves como um conceito mais amplo que o de consciência coletiva, uma vez que inclui não só objetos de conhecimento reais do grupo, mas também os objetos de conhecimento possíveis. Para que tal conceito possa, portanto, ser apreendido, é preciso que se conheça não só o conteúdo da consciência do grupo num dado momento, mas também os princípios inconscientes coletivos segundo os quais o grupo constrói a realidade (1979: 29-30).
Investigando a visão de mundo da Igreja Presbiteriana do Brasil através de análise do discurso do grupo, Alves (1979: 35-36) propõe a seguinte tipologia do Protestantismo, com pelo menos três tipos ideais: Protestantismo da Reta Doutrina privilegia a concordância com uma série de formulações doutrinárias, tidas como expressões de verdade, e que devem ser afirmadas sem nenhuma sombra de dúvida, como condição de participação na comunidade eclesiástica; Protestantismo do Sacramento atribui importância secundária à confissão da reta doutrina, quando comparada com a participação emocional e mística na liturgia e nos sacramentos; Protestantismo do Espírito considera como marca distintiva da participação na comunidade eclesiástica a experiência subjetiva de êxtase intenso, e não a reta doutrina, nem a participação nos sacramentos.
Segundo o autor, estes tipos não apresentam nenhum tipo de correspondência direta com as denominações. Por um lado, eles as transcendem, já que um mesmo tipo pode ser encontrado no interior de várias delas, e, por outro lado, são menores que elas, uma vez que, numa mesma denominação, podem ser identificadas expressões dos três tipos.
Tendo em vista esta discussão a respeito do alcance e dos limites das diversas tipologias propostas para o protestantismo e a impossibilidade de acatar um modelo classificatório semelhante ao de Alves, já que demandaria um longo estudo prévio, optou-se pela busca de concentrar a amostra o máximo possível em torno de uma única denominação, ou de poucas denominações, que se enquadrassem num mesmo tipo determinado pela tipologia histórica de Bittecourt Filho (1998).
Para tanto, realizamos um mapeamento prévio da população, caracterizando-a no que diz respeito à experiência docente, ao envolvimento com atividade de iniciação científica, à semestralização, à opção religiosa, à comunidade religiosa a que se vincula e à forma de participação na referida comunidade. O mapeamento foi realizado através da aplicação de um questionário (Apêndice A) pela pesquisadora,
ao longo das atividades de pré-matrícula e matrícula dos alunos para o segundo semestre de 2001. Cerca de 70% dos alunos matriculados responderam ao questionário, dos quais 24% revelaram ter afinidade e/ou ligação com comunidades religiosas protestantes. Os dados foram analisados, cruzando-se os dados a respeito dos critérios selecionados a priori, experiência docente prévia e semestralização, com os dados relativos às denominações protestantes às quais os alunos se encontravam vinculados. Foi possível, então, selecionar uma amostra de quatro alunos pertencentes a comunidades de Igrejas Batistas Renovadas e uma aluna pertencente à Igreja Presbiteriana Betel.
A seleção de uma amostra pequena para a realização do estudo está de acordo com a fundamentação teórica, de natureza fenomenológica, em que se insere a pesquisa qualitativa. De acordo com Triviños (1995:132), o tamanho da amostra numa pesquisa qualitativa é decidido intencionalmente, levando-se em conta uma série de condições, como a disponibilidade de sujeitos que sejam considerados essenciais, a facilidade para encontrar-se as pessoas e o tempo dos indivíduos para a realização das entrevistas.
Todos os alunos que participaram da pesquisa apresentavam experiência docente no ensino fundamental de Ciências ou no ensino médio de Biologia e estavam cursando entre o sexto e o oitavo (último) semestre. Em sua maioria, freqüentavam Igrejas Batistas Renovadas da cidade de Feira de Santana, a Igreja Batista Central e a Igreja Batista Missionária Internacional, a Igreja Batista Memorial e, portanto, eram seguidores do protestantismo do tipo Carismático, ou do Neodenominacionalismo, com exceção apenas de uma aluna, a qual era membro de uma comunidade do protestantismo de missão (Igreja Presbiteriana), de onde se originaram os movimentos carismáticos, tendo participado anteriormente de uma Igreja Batista Renovada.
O perfil dos alunos variou quanto ao envolvimento com atividades de iniciação científica ao longo do curso três deles (um aluno e duas alunas) foram bolsistas e mantiveram vínculos com laboratórios e grupos de pesquisa, enquanto duas alunas nunca realizaram atividades de pesquisa extra-curriculares e às formas de participação na comunidade religiosa existiam desde aqueles que apenas freqüentavam os cultos aos que eram líderes de grupos de estudos bíblicos e atividades de evangelização.