• No results found

Ledelse av kunnskapsarbeideren

2. Kapittel Teoretiske perspektiver

2.4 Ledelse av kunnskapsarbeideren

Charles Helou sucedeu Shihab na presidência em 18 de agosto de 1964. No campo da política interna, a questão entre “Libanismo” e Arabismo não deixou de ser o grande

problema para a integração nacional, ainda mais quando a população xiita do sul do país já se tornara maior que a maronita e as reivindicações, mais intensas. As grandes famílias da região de Jabal Amil, os Assads, os Zeins e os Oseyrans, que preservavam seu prestígio político e militar à base dos rendimentos provenientes da monocultura do tabaco, se revoltavam com a pequena participação de seu grupo na política nacional.

O ‘esquecimento’ do sul do Líbano por parte dos governantes da nação não era um problema recente, e pode ser atribuído à posição política que os xiitas historicamente ocuparam no Islã, no Império Otomano e, posteriormente, no Estado libanês. Sendo deixados à parte das grandes questões e muitas vezes perseguidos, os xiitas acabaram por cultivar uma forma peculiar de se verem inseridos na realidade nacional – como “cidadãos de segunda classe”, ou seja, sem os mesmos direitos dos demais grupos religiosos –, o que acabaria por dificultar, ainda mais, sua integração e os levaria a buscar, no futuro próximo, uma identidade que não a libanesa.

O clamor de figuras iminentes denunciando a realidade que o povo xiita vivia não começara a surgir nos idos de 1960; desde de a década de 1940 já publicavam-se livros e jornais que denunciavam a pobreza e a miséria de Jabal Amil. Como fizera, em suas

memórias, um dos grandes pensadores xiitas, Muhammad Jawad Mughniyya46, que

denunciava a situação de sua terra: “Thus, in 1945, note Mughniyya, the cholera hit some of villages of the South so heavily that in a city of 400 inhabitants like Majdel Zanoiun, 70 perished without the central government sending one medic or a pill of quinine.” (Mallat) e incutia nos xiitas o sentimento de revolta contra o governo maronita “Worker [xiita], how can you spend the day at loss, and live throuh the night with hunger! You cannot even find work to buy a loaf of bread… And if for hunger you escape to Palestine, they throw you in dark prison… As if you were a war convict!”. (Mallat)

Quando Mughniyya suscita a dificuldade de locomoção dos xiitas do Líbano para a Palestina – na ocasião, sob o Mandato Britânico –, já dá sinais da opressão que sua comunidade sofria, haja vista que não podia recorrer ao auxílio do governo central – dominado pelos maronitas – e, tampouco, buscar novas oportunidades na Palestina, que já vinha sendo projetada para ser um Estado para o povo judeu. Mughniyya, no início da década

46 Mughniyya nasceu em 1904 e faleceu em 1979, formou-se em teologia em Najaf e, posteriormente, assumiu

um cargo na Corte Religiosa da comunidade de Ja’fari (xiita). Ali, ficou sob a supervisão das poderosas famílias do sul do Líbano: Assad, Usayran e Zein. Em 1948 foi apontado juiz na Corte da Sharia em Beirute e tornou-se presidente do Tribunal no ano seguinte. Apesar do cargo que ocupava, não tinha a mesma força política do Mufti sunita e do Presidente Maronita, fato esse que lhe gerava bastante ressentimento. Contrário ao sistema de poder tradicional libanês, não sujeitou-se à sua lógica clientelista, o que levou a perder seu cargo. Mughniyya escreveu 61 livros sobre a desigualdade existente no sul do Líbano e a necessidade de o povo xiita conquistar seus direitos. (Mallat)

de 1940, procurava sublinhar o abandono pelo qual seu povo passava e que, mais à frente, teria a situação política e social bastante prejudicada com a inserção da “Questão Palestina”; o segundo grande problema vivido pelo governo de Helou passou.

O período de 1948 (criação do Estado de Israel) a 1967 foi caracterizado pelo enfrentamento direto entre os árabes e o recém criado Estado de Israel. Conflitos constantes que alteravam as fronteiras do Oriente Médio e que estavam ligados, diretamente, às ações das potências da época (EUA e URSS), grandes polarizadoras da política internacional. Nesse cenário instável, o sul do Líbano passou a abrigar campos de refugiados palestinos que, muitos deles, vieram a se tornar campos de treinamentos para guerrilhas enfrentarem o Estado de Israel.

Em 1967, quando a tensão no Oriente Médio aumentou e configurava-se a iminente invasão que Egito, Síria e Jordânia pretendiam fazer contra Israel, esse foi mais perspicaz e atacou, preventivamente, os três países ao mesmo tempo. O evento passou a ser conhecido como “Guerra dos Seis Dias” e seu resultado foi calamitoso para os três Estados árabes derrotados, assim como, mesmo que indiretamente, para o Líbano.

I srael antes de Junho de 1967

I srael depois da Guerra dos Seis Dias

Helou, que acabou por assumir uma postura de neutralidade durante a guerra, sofreu as mais ferozes críticas por parte dos pan-arabistas libaneses. E, ao mesmo tempo, com a derrota árabe e ampliação do território de Israel, muitos palestinos refugiaram-se na Jordânia e no sul do Líbano, gerando conflitos ainda maiores com os xiitas e com a população libanesa; de acordo com Hala Jaber:

In 1968, de PLO began making raids into Israel from South Lebanon. A refugee population of Palestinians had lived in Lebanon since the establishment of the state of Israel in 1948. After the Six Day War in 1967, their number has swollen to 350,000. By the early seventies, Lebanon had become the PLO’s only base, following its expulsion from Jordan, The Palestinian became deeply involved in the internal politics of Lebanon and the question of the PLO became the hottest issue on the agenda, further polarizing the Lebanese community. (1997: 11-2)

Em vista do status assumido pela OLP, repercutindo em ações mais radicais por parte da organização – marcadamente após a derrota árabe de 1967 –; Zuhur aponta para o que viria a ser característica da OLP nos anos posteriores, qual seja, o envolvimento em atos terroristas: "The Palestinian resistance in Lebanon began attacks on Israel in 1968, after the disastrous defeat of 1967 had convinced some that extreme tactics, acts of ‘terrorism’ and a military campaign independent of Arab governments was required.” (2003: 155)

A postura das lideranças regionais libanesas também divergia quanto à ‘Questão Palestina’, mais uma vez, Zuhur nos ajuda a definir como os clãs assumiam sua estratégia:

Opinions on the need to restrain the Palestinians, or support them, varied quite sharply from Christian right and moderates to Muslims, Druze and the Christian left. Helou had already encountered problems with Karami and Gemayel over this issue. Jumblatt formed a leftist front which expressed support for and solidarity with the Palestinians, while Jumayyil [Gemayel] allied with other Maronite leaders, Eddé and Chamoun against the Palestinians. Hostilities took place between the Lebanese army and Palestinian guerillas on April 15th of 1969 and clashes

continued on the 22nd, in the villages in the south, but also in Sidon and Beirut. (2003: 155-6)

Gozando de certa liberdade de ação no sul do Líbano, a OLP e as demais organizações que funcionavam como seus tentáculos, organizavam formas de retaliar a derrota que os palestinos haviam sofrido frente a Israel. As ações terroristas passaram a ser planejadas em solo libanês e executadas fora. Como não havia um consenso em como agir frente às organizações palestinas, seu poder no sul do Líbano foi sendo ampliado.

Em 1968, após um avião israelense ter sido seqüestrado em Atenas e o governo libanês não ter implementado qualquer represália contra os palestinos da Frente Popular para

a Libertação da Palestina (FPLP) – organização considerada mais radical que a Fatah (a qual era liderada por Yasser Arafat), mas que agia integrada a OLP – que assumira a autoria do atentado; Israel demonstrou sua insatisfação com relação à postura libanesa bombardeando 13 aeronaves civis que encontravam-se no aeroporto de Beirute.

A ação israelense buscava respaldo no pressuposto básico de que, estando os refugiados palestinos em solo libanês, deveria, então, o governo do país, responsabilizar-se por seus atos e suas ações; impedindo, se fosse o caso, que atacassem Israel ou, se acontecesse, imputando duras penalidades aos transgressores. Entretanto, a situação pela qual o Líbano passava, com sua população divergindo sobre a questão dos refugiados palestinos – parte dela entendia se tratar de uma luta legítima –, gerava fragilidade e impotência. Assim, restava ao governo libanês alegar impossibilidade e incapacidade de impedir as ações palestinas proferidas contra o Estado de Israel.

Com o cenário construído, a ‘Questão Palestina’ assumiu proporção não esperada pelo governo Helou e, a dificuldade de tratar o assunto de forma a atender aos interesses do governo e da população, fez com que as partes, pró e contra palestinos, implementassem sua luta com mais veemência. A partir do final do ano de 1968, Jumblatt, que representava a Esquerda e apoiava os palestinos, iniciou a fase de choques com o governo, que, por sua vez, encontrava certo apoio institucional na figura do, então Primeiro-ministro, Karami. A instabilidade política adentrou o ano de 1969 fazendo com que os fortes protestos e atritos paralisassem o país. O resultado final desse embate de forças foi que o governo libanês partiu para a negociação direta com a OLP.

Pressionado e com pouca margem para negociação, o governo Helou cedeu e aceitou discutir a presença palestina no Líbano. Para alguns, esse foi o ato que apontou o caminho que o Estado seguiria nos anos seguintes e o levaria à guerra civil. O Egito de Nasser, assumindo uma postura de liderança no cenário árabe e em busca da efetivação do pan-arabismo, patrocinou o encontro para as negociações em sua capital, no Cairo, em 1969. Durante as negociações, que visavam estabelecer as condições em que a OLP poderia permanecer em território libanês, o presidente Helou designou o General Emile Bustani para representar do governo e negociar com Yasser Arafat, que assumira a liderança da organização a partir daquele ano. Além deles, participaram do processo os ministros de governo egípcios Mahmud Riyad e General Muhammad Fawzi.

O resultado final do Acordo do Cairo – que proporcionou a liberdade de ação para a OLP no sul do Líbano e, por conseguinte, gerou o aquecimento da fronteira com Israel, modificando, assim, fundamentalmente o status da organização e transformando-a num

“Estado dentro do Estado” – foi de encontro a qualquer proposta que pudesse unificar o Estado.

O fato, por si, demonstrou nitidamente que a parcela da população contrária à presença palestina no sul do Líbano havia perdido o embate e, na esteira dos acontecimentos, as bases em que foram estabelecidas as condições para que a OLP permanecesse em solo libanês proporcionaram-lhe amplas possibilidades para implementar ações militares contra o Estado de Israel. Isso posto, se por um lado não se pode afirmar que a facção libanesa que apoiava a causa palestina seja a maior responsável pela fragmentação com que o estado passaria a viver, por outro, não é possível negar que a soberania do Líbano ficou gravemente comprometida com a abertura dada à OLP.

THE CAIRO AGREEMENT