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Langsiktig planlegging

4.3 Presentasjon og beskrivelse av hovedfunn og resultater knyttet til planlegging

4.3.1 Langsiktig planlegging

desempenharam funções no início do projecto da SPCEL. Para além do capital financeiro aplicado no funcionamento das cozinhas, é necessário retratar o capital humano investido nesta instituição. Quem eram essas pessoas? Que estatuto tinham? O que as aproximava? São algumas das questões que se demonstram pertinentes91. As tabelas que se seguem identificam todos os indivíduos presentes no texto dos estatutos.

Quadro 1.1. Identificação das pessoas que tomaram lugar na Mesa da Assembleia Geral, 1894.

Cargo Nome Idade

em 1894

Título nobiliárquico

Laços familiares na SPCEL

Presidente José Frederico do Casal Ribeiro 43

2º conde Casal

Ribeiro S.I. *(Sem Informação) Vice-Presidente Francisco Manuel de Melo Breyner 57

4º conde de Ficalho

Pai de Maria Luísa Amable de Melo

Primeiro Secretário

António de Carvalho Melo e Daun de

Albuquerque e Lorena 44

6º marquês de

Pombal S.I.

Segundo

Secretário José Maria Mascarenhas 38

9º marquês de Fronteira

Primo direito da 8ª marquesa de Fronteira e de Alorna Primeiro vice-

secretário

António Maria Vasco de Mello Silva César e Menezes 39 9º conde de Sabugosa Esposo da 4ª condessa de Murça Segundo Vice-

Secretário António de Vasconcelos e Sousa 36 5º conde de

Figueiró

Esposo de Josefa de Vasconcelos e Sousa

89 Actas de reunião da Assembleia Geral, 8 de Dezembro de 1893, p.1. 90 Actas de reunião da direcção da SPCEL, 27 de Setembro de 1909, p.2. 91

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Quadro 1.2. Identificação das pessoas que tomaram lugar na Direcção, 1894.

Cargo Nome Idade

em 1894

Título nobiliárquico

Laços familiares na SPCEL

Presidente Maria Luísa de Sousa Holstein 52

3ª duquesa de

Palmela Esposo duque de Palmela Vice-Presidente

Maria Isabel de Lemos e Roxas

Carvalho e Menezes de Saint- Leger 53

1ª marquesa de Rio

Maior S.I.

Tesoureira D. Júlia M. de Brito e Cunha 34 S.I.

Irmã de Alberto Júlio de Brito e Cunha Vice-

Tesoureiro José Martinho da Silva Guimarães S.I. S.I. S.I.

Primeiro

Secretário Manuel Inácio de Castro Guimarães 36

(Futuro conde de Castro Guimarães,

em 1909) S.I.

Segundo

Secretário Carlos Roma du Bocage 40 S.I.

Filho Teresa Roma du Bocage Vogal

Luís Borges Coutinho de Medeiros

Sousa Dias da Câmara 28

4º Marquês do Faial

Genro da duquesa de Palmela

Vogal Henrique Pereira Taveira 39 S.I.

Esposo de Corina de Mendonça Taveira

Vogal Eduardo A. Esteves de Freitas S.I. S.I. S.I.

Quadro 1.3. Identificação das pessoas que tomaram lugar no Conselho Fiscal, 1894.

Cargo Nome Idade

em 1894 Título nobiliárquico Laços familiares na SPCEL Elemento do C. Fiscal

António de Sampaio e Pina de

Brederode 60 3º duque de Palmela Esposo da duquesa de Palmela Elemento do C.

Fiscal José Joaquim da Silva Amado 53 S.I. S.I.

Elemento do C.

Fiscal Alberto Júlio de Brito e Cunha 37 S.I.

Irmão de Júlia de Brito e Cunha

Quadro 1.4. Identificação das pessoas que tomaram o cargo de inspectora, 1894.

Cargo Nome Idade

em 1894 Título nobiliárquico Laços familiares na SPCEL Inspectora

Eugénia Maria Brandão de Melo

Cogominho 54

1ª marquesa de Monfalim

Tia da duquesa de Palmela

Inspectora Maria Mascarenhas Barreto 72

8ª marquesa de Fronteira e de

Alorna

Prima direita do 9º marquês de Fronteira

Inspectora Helena Domingas de Sousa Holstein 30

8ª marquesa do Faial

Filha da duquesa de Palmela

Inspectora

Maria das Dores Melo Palha

Vasconcelos Guedes 38 4ª condessa de Murça e 9ª condessa de Sabugosa Esposa do 9º conde de Sabugosa

Inspectora Baronesa de Lebzeltern 61

Baronesa de Lebzeltern, título

inglês

S.I.

Inspectora

Josefa Sandoval y Pacheco de

Vasconcelos e Sousa 34 S.I.

Esposa do 5º Conde de Figueiró Inspectora

Teresa Roma du Bocage

64 S.I.

Mãe de Carlos Roma du Bocage Inspectora

Maria Ana de Andrade de Castro

Guimarães 35 S.I.

Esposa de Manuel Inácio de Castro Guimarães

Inspectora Maria Luísa Amable de Melo 21 S.I.

Filha do 4º conde de Ficalho

Inspectora Corina de Mendonça Taveira 17 S.I.

Filha de Henrique Pereira Taveira

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Segundo o gráfico da Figura 1.2 das vinte e oito pessoas assinaladas 54% são do género masculino e os restantes 46% do género feminino, não existindo uma diferença significativa entre sexos no que diz respeito à ocupação de cargos na SPCEL. As diferenças fazem-se sentir quando falamos na divisão por sectores. A totalidade dos funcionários afectos à mesa da Assembleia Geral é do sexo masculino, são seis. Na direcção, seis homens tomam funções assim como três senhoras. No Conselho Fiscal estão presentes três homens e no núcleo de inspecção, as senhoras tomam todos os lugares, totalizando dez.

Figura 1.2. Gráfico - Sexo dos indivíduos que integraram a estrutura da SPCEL, 189492.

Dos vinte oito elementos, conseguimos apurar as idades de vinte e seis, doze senhores e catorze senhoras. Em 1894 o grupo etário dos 30 aos 39 anos de idade assume a predominância com onze indivíduos. No gráfico da Figura 1.3 podemos constatar que o grupo dos 50 aos 59 anos de idade é o que se destaca logo a seguir. Esta estrutura etária pode ser explicada pela proximidade à duquesa, das pessoas que integraram a estrutura da SPCEL. Tanto a filha como D. Maria Luísa incluem-se nestes dois grupos. D. Helena com 30 anos e a duquesa com 52 anos de idade. Amigos de ambas e da mesma geração são convidados a executar funções nesta sociedade.

Os extremos de idade apresentam-se no núcleo de inspecção. Com 17 anos Corina de Mendonça Taveira e 72 anos D. Maria Mascarenhas Barreto, marquesa de Fronteira e de Alorna. Na generalidade assiste-se a um grupo de meia-idade que pode garantir alguns anos de trabalho pela frente, de forma a assegurar a continuidade e estabilidade do projecto.

92 O gráfico foi executado com base em dados recolhidos nos Estatutos da SPCEL, 1894. Homens

54% Mulheres

44

Figura 1.3. Gráfico -A média de idades dos indivíduos que integraram a estrutura da SPCEL, 189493.

Das informações recolhidas acerca das pessoas identificadas nos estatutos, consideramos relevante assinalar o número de pessoas tituladas. Exactamente 50% dos elementos que constituíram a SPCEL possuíam título de nobreza. Entre os outros 50% podíamos encontrar esposas ou filhas de aristocratas e até futuros agraciados como é o caso de Manuel Inácio de Castro Guimarães, a qual seria outorgado em 1909 o título conde de Castro Guimarães. Todos os elementos da mesa de Assembleia Geral, e as pessoas que estão à frente de cada sector possuem título nobiliárquico.

Figura 1.4.Gráfico - Percentagem de indivíduos com título nobiliárquico que integraram a estrutura da SPCEL, 189494.

93

O gráfico foi executado com base em dados recolhidos nos Estatutos da SPCEL, 1894. 94 O gráfico foi executado com base em dados recolhidos nos Estatutos da SPCEL, 1894.

0 1 2 3 4 5 6 7 10-19 20-29 30-39 40-49 50-59 60-69 70-79 Homens Mulheres Com título nob. 50% Sem título nob. 50%

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Para além deste número representar um círculo de pessoas esperadas, pela posição social de D. Maria Luísa, é necessário voltar reforçar a ideia de capital humano aqui investido. Estamos perante um projecto fundado numa perspectiva de consistência, sustentada pela confiança e importância das influências económica, social e política, das pessoas convidadas a integrarem a SPCEL.

Grande parte destes elementos já tinha um historial de beneméritos. A condessa de Murça desempenhou o cargo de presidente da Associação Protectora de Escolas para Crianças Pobres, a marquesa de Rio Maior teve inúmeras responsabilidades em instituições de beneficência prosseguindo a forte tradição da família de seu marido, que entre muitos exemplos fora fundador da Escola Asilo de São Sebastião da Pedreira e Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa durante 18 anos, onde desempenhou de forma excepcional as suas funções, representando o seu trabalho «um dos mandatos mais reformadores das estruturas da Santa Casa durante o séc. XIX.»95 A experiência não passava apenas pela participação em instituições, mas também no exercício particular da benemerência, que certamente era bem mais vasta. Exemplo anteriormente referido, a distribuição diária de centenas de refeições a crianças carenciadas em casa da marquesa de Fronteira e Alorna. No núcleo de inspectoras existe de igual forma uma representação elevada da aristocracia. O prestígio da tarefa de inspecção estava relacionado com o contacto directo do acto de beneficência, que neste caso se realizava nas cozinhas. As cozinhas enquanto espaços semipúblicos e de concretização mais visível da SPCEL, prestigiavam os elementos que participavam na sua organização quotidiana, acção observada pelos utentes. Recorde-se que na primeira metade do século XIX, D. Eugénia Teles da Gama, 1.ª duquesa de Palmela, ocupava cargos de inspecção na Sociedade de Instrução Primária e na Associação para as Casas de Asilo da Primeira Infância Desvalida.

Contudo não seria a posição social ou o círculo de amizades os únicos elos de ligação deste conjunto de pessoas. Segundo os dados apresentados nos Quadros 1.1, 1.2, 1.3 e 1.4, os laços familiares assumem relevância. Dezoito dos funcionários têm um ou mais familiares a executarem funções na instituição. A família dos duques de Palmela é a que se faz representar em maior número: D. Maria Luísa na presidência, o seu marido no Conselho Fiscal, a filha e a sua tia, a marquesa de Monfalim, como inspectoras e, por último, o seu genro a desempenhar

95 «4.º Provedor – D. António José Luís de Saldanha de Oliveira Jusarte Figueiredo e Sousa, Marquês de Rio Maior», in Provedores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa desde 1851, coordenação de Rogério Seabra Cardoso, Lisboa, Arquivo Histórico/Biblioteca da SCML, 1995, pp. 49 -65.

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o cargo de vogal na Direcção. Envolvendo a família, a duquesa de Palmela demonstra expectativas muito altas em relação a este projecto.

Figura 1.5.Gráfico -Número de indivíduos com familiares a executarem funções na estrutura da SPCEL, 189496.

Podemos então caracterizar este grupo como sendo homogéneo, de meia-idade, cuja maioria dos seus elementos pertence ao mesmo estrato social e círculo de amizades, detentor de influência política, económica e capital social, ao mesmo tempo possuidor de experiência nas actividades ligadas ao campo da assistência, estando muitos deles unidos por laços de parentesco.

*

*

*

O conceito das cozinhas económicas foi construído ao longo de todo o século XIX, apontando-se como a sua origem mais próxima as Sopas Económicas que proliferaram por toda a Europa. As cozinhas económicas procuraram, de uma forma mais complexa e estruturada, dar respostas às novas questões sociais ligadas às classes trabalhadoras.

Em Lisboa este projecto teve um grande impulso da sua fundadora, e de um grupo de senhoras da alta sociedade, que utilizaram com diferentes estratégias a sua influência social, económica, cultural e política a favor da formação, crescimento e consolidação das cozinhas.

96 O gráfico foi executado com base em dados recolhidos nos Estatutos da SPCEL, 1894. 0 5 10 15 20 Relações familiares na SPCEL Indivíduos sem familiares na SPCEL

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Os estatutos da Sociedade Protectora das Cozinhas Económicas de Lisboa, instituição que tutelava os diferentes estabelecimentos, apresentam uma estrutura regida pela organização, ordem e plano. O seu texto demonstra claramente as preocupações sociais que presidiram todo o projecto: fornecer uma alimentação saudável e substancial aos operários que podiam pagar a senha de refeição. A moralização e a saúde das classes trabalhadoras da capital estavam em primeiro plano. O discurso institucional da SPCEL identifica a obra feita com o movimento filantrópico.

Para integrarem na estrutura da SPCEL a duquesa de Palmela convidou um grupo de pessoas próximas, com elevado estatuto social, económico e político, que pudessem beneficiar sob vários aspectos a organização e gestão das cozinhas.

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II – ENTRE OS PALMELAS E A REPÚBLICA. CONSTRUÇÃO E

ADMINISTRAÇÃO DAS COZINHAS ECONÓMICAS DE LISBOA, 1893-

1911

1. A Presidência Palmela e Faial: as Cozinhas Económicas de Lisboa, 1894-1910