4.3 Presentasjon og beskrivelse av hovedfunn og resultater knyttet til planlegging
4.3.2 Kortsiktig planlegging
Para além de toda a estrutura humana da SPCEL visível nos Estatutos existiam outros funcionários que executavam o trabalho essencial para que a instituição cumprisse os seus objetivos. Estes como todos os outros indíviduos que integraram a sociedade deviam ser pessoas de confiança, mas por outro lado deveriam preencher determinados requisitos, exigidos quando se candidatavam a determinado cargo.
Em Maio de 1905 foi necessário preencher a vaga de fiel para uma das cozinhas que, para além de este ser recomendado por algum sócio enquanto pessoa de bem e confiança, deveria ter «boa letra, não mais de 40 anos, boas referências e fica a sua admisssão dependente de exame médico»134. A escolha dos empregados não ficou por mãos alheias e obedecia a regras.
Embora não executasse diretamente funções nas cozinhas, o cargo de chefe de escritório foi entre todos o que mais problemas levantou. Em 1897 discutiram-se e proposeram-se diversos nomes, mas mesmo sem unanimidade foi escolhido o Sr. Júlio Ferreira Bastos, sobretudo pela sua longa experiência em trabalho de escritório. A dificuldade na escolha assentou na sua intransigência e na da própria duquesa, relativa ao valor do salário. A
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presidente achava que 20$000 réis mensais eram suficientes, por outro lado Júlio Bastos pedia 40$000 réis mensais, que apesar de se achar exagerado o valor foi aprovado em reunião.135
No interior das cozinhas trabalhavam irmãs, fogueiros, criados, moços, fieis e no exterior elementos da segurança pública. Os fogueiros estavam encarregues de acender os caldeiros, mantelos assesos e assegurar a limpeza das caldeiras. A dificuldade em se acharem profissionais desta área fez-se sentir em mais que uma situação, recorrendo-se à Associação dos Fogueiros. Os criados deveriam acompanhar as irmãs em todas as tarefas, na preparação das refeições, manutenção da cozinha e da sala de refeições. Os moços estavam disponíveis para transportar até às cozinhas os bens essenciais para a confecção dos pratos, para ajudar na distribuição externa das sobras pelos mais pobres, que deveria ser longe das cozinhas, e em outras tarefas necessárias. Já os fieis estavam encarregues da guarda e do control de entradas e saídas dos bens alimentares e das senhas de refeição que se encontravam nos depósitos e armazéns que circundavam os edíficios das cozinhas. Os polícias mantinham a ordem à porta dos estabelecimentos onde se concentrava grande número de pessoas.
Quadro 3.1. Funcionários e remunerações das cozinhas económicas, Março de 1896. Função Número de Funcionários Remuneração em réis Periocidade do pagamento Outras regalias Irmã 27 600 Mensal Refeição e habitação
Fiel 4 1800 Mensal Refeição
Fogueiro 4 500 Diário Refeição
Criado 4 500 e 360 Diário Refeição
Moço 14 360 Diário Refeição
Polícia 4 4500 Mensal Refeição
Tendo em atenção ao Quadro 3.1, com dados respeitantes a 1896, podemos verificar que as quatro cozinhas em serviço empregavam 57 pessoas. A distribuiçao dos funcionários era orientada pelo número de frequência e trabalho de cada cozinha. A cozinha dos Prazeres era a de todas a que possuia menos pessoal, apenas 10 funcionários contra a média das outras cozinhas que era de 14 elementos. Assim podiasse encontrar a trabalhar em cada cozinha, na dos Anjos, Alcântara e Xabregas, sete irmãs, um fiel, um criado, um fogueiro, quatro moços e um polícia. Enquanto que na dos Prazeres estavam apenas cinco irmãs, dois moços, um fiel,
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Em 1900 o valor de remuneração do chefe de escritório da SPCEL elevou-se para 50$000 mil réis, não havendo qualquer contestação por se achar o seu trabalho perfeito.
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um criado e um polícia. Em 1907 com seis cozinhas a laborar o número de empregados ascendia a 88 elementos136.
Na generalidade os salários do pessoal das cozinhas estava dentro da média do que verificava-se em Lisboa. O valor mais alto era auferido pelos fogueiros e pelos criados, em média 500 réis diários, que trabalhavam 7 dias por semana. Para todos, à remuneração do trabalho ainda acrescia o direito de refeição gratuita. As irmãs e polícias recebiam apenas gratificações às quais se juntavam no caso das primeiras refeições e habitação e no caso dos polícias o direito a uma refeição diária.
A não existência de regulamento interno das cozinhas não impediu que fossem adoptadas medidas e obrigações que afectassem directamente o pessoal. De forma a acabar com algumas práticas e procedimentos menos correctos aos olhos dos corpos gerentes, ficaria firmado na acta da reunião da direcção de 14 de Maio de 1899 o seguinte:
«a) Licenciar o pessoal desnecessário enquanto se mantiver a redução do movimento , readimitindo-os à proprorção que este aumente,
b) Limitar a 6 decelitros diarios a rações de vinho a cada um serviçal,
c) Não abonar gratificações a fogueiros por limpesa de caldeira, serviços que devem fazer sem acrescimo no vencimento de 12$500 réis,
d) Multar o pessoal em 20$00 reis por cada uma peça de louça que quebrarem salvo caso de força maior reconhecido pelas superioras, em 1898 inutelizaram-se 1934 peças,
e) Recomendar enconomia no consumo de água pois que apesar das grandes dotações das cozinhas ainda houve que pagar agua por execesso de consumo [...]»137.
As regras impostas estavam orientadas sobretudo para a uma redução da despesa e do deficit de cada cozinha. O vinho, a água consumidos e a inutilização dos diversos materiais utilizados nas cozinhas são pontos regularmente salientados nos relatórios anuais como relevantes nos gastos.
Os funcionários da SPCEL podiam ainda usufruir de outros direitos, embora não estivessem estipulados oficialmente. Mais do que um dos funcionários obtiveram licenças por motivos de doença, recebendo por inteiro a respectiva remuneração e as refeições a que tinham direito na sua jorna. A sociedade possuía um médico, o Dr. Silvestre de Almeida que, em Maio de 1905, passou atestado a um dos moços da cozinha de Alcântara, José Lourenço, por este padecer de tuberculose pulmonar, indicando «que a doença é curavel com boa alimentação, trabalho moderado e bom ar.»138. A este moço foram dados 2 messes de licença
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O número de irmãs na Cozinha de São Bento manteve-se em 7, mas na cozinha da Ribeira Velha, a mais frequentada, o número de irmãs era de 8. Todos os outros cargos mantiveram-se em número igual pelas seis cozinhas.
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Acta da reunião da direcção da SPCEL, 14 de Maio de 1899, p.3. 138 Acta da reunião da direcção da SPCEL, 8 de Maio de 1905, p.2.
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e o ordenado completo, mas não foram garantidas as refeições diárias nas cozinhas, possivelmente por representar perigo para a saúde pública. As licenças podiam prolongar por mais de um ano, situação que se verificou com dois fieis das cozinhas dos Anjos e de Xabregas, a quem foram garantidos o apoio médico, o respectivo vencimento e a ração diária entre 1901 e 1903.
Apesar das constantes pressões e propostas efectuadas por alguns elementos da administração, com o objectivo de aliviar os encargos financeiros, a SPCEL nunca se regeu por uma política de dispensa de pessoal. Não consta o registo de demissão de qualquer funcionário até mesmo em situações limites como foi o episódio de roubo de dezenas de senhas de refeição em Abril de 1908, efectuado no armazém da cozinha n.º 3 estando o respectivo fiel envolvido. Como punição este funcionário apenas viu-se obrigado a mudar de local de serviço passando para a cozinha dos Prazeres.139 Existia por parte da presidente e de outros elementos grandes preocupações relativas à falta de trabalho e as suas repercussões sociais.