4.4 Presentasjon og beskrivelse av hovedfunn og resultater knyttet til gjennomføring av
4.4.3 Arbeidsmåter
Aproveitando os messes de vilegiatura e uma maior ocupação da vila de Cascais, a presidente da SPCEL lança a ideia de se realizar uma festa de caridade, visando a angariação de fundos, na sua residência junto ao mar, situada no baluarte da Conceição.
Estas festas já faziam parte da temporada balnear. As práticas de sociabilidade das elites deslocavam-se para onde quer que estas fossem, permitindo às classes em ascensão porem em prática os seus anseios de valorização social. Cascais orgulhava-se de ser no alvorecer do Outono a verdadeira Corte.
De 13 a 16 de Outubro de 1900, sob a orientação da filha da duquesa de Palmela, D. Helena Maria, é organizado um grandioso arraial no parque envolvente do palacete Palmela, apelidado “Abadia dos duques de Palmela”, projectado pelo famoso arquitecto inglês Thomas Henry Wyatt180. Este parque já por si «constituía um grande atractivo para o público, pelo acidentado do terreno, vista explendida sobre o oceano, tendo disso óptimas sombras do luxuriante arvoredo e custosas plantas que o povoam», referia Jaime Artur da Costa Pinto, o então presidente da Câmara Municipal de Cascais, na primeira página do relatório anual da SPCEL do ano 1900181. Maria Luísa Martins, no seu trabalho sobre a vilegiatura marítima oitocentista destaca que o Parque Palmela, implantado entre o baluarte da Conceição e o Monte Estoril, como um dos locais preferidos pelos veraneantes para passar a tarde. Era hábito por parte dos duques promoverem acontecimentos naquele parque durante os messes de Setembro e Outubro.
Dirigiram-se a este arraial cerca de 12054 pessoas. Repare-se que em 1900 a Vila de Cascais (Nª Senhora da Assunção) tinha apenas 3275 almas182. Foi arrecadada a soma líquida de 7:571$015 réis. Este montante incluiu as entradas, os pagamentos pelas diversões oferecidas e por alguns serviços prestados, assim como pelas sortes ou outros objectos vendidos.
No jardim podiam encontrar-se as seguintes distracções: teatro de fantoches, fonógrafo, lanterna mágica, animatógrafo, barraca das sortes, bazar, tômbolas e mastro de cocagne. Estas distrações foram sempre acompanhadas por três bandas de música, gaita-de-
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Anacleto, Regina, (1994), «O Palacete Palmela», in, O Neomanuelino ou a reinvenção da arquitectura dos
Descobrimentos, Lisboa, Inst. Port. do Património Arquitectónico e Arqueológico.
181 Relatório da Direcção e Parecer do Conselho Fiscal da SPCEL, Gerência de 1900, Lisboa, Imprensa Nacional, p.3.
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foles, bailes populares, e à noite por fogo-de-artifício183. Os bazares de sortes a vintém e a cinco tostões foram um sucesso. A concorrência foi tal que ao terceiro dia tinham-se esgotado as sortes. As barracas encheram-se de prémios valiosos oferecidos por companhias, empresas e particulares. Num dos muitos períodicos ficou registado um episódio relativo às sortes : «A um polícia coube a maior felecidade, que se pode colher em jogo: ganhou um prémio e que prémio! – uma máquina de costura .../” É casado perguntou-lhe logo alguém” – “Não senhor !” respondeu felisardo, sorrindo-se solteirinho, e só.»184
Também esteve em apresentação uma orquestra durante os três dias, com um reportório mais clássico. As construções efêmeras concebidas pelo arquitecto Rosendo Carvalheira polvilhavam todo o parque com as animações e disponham de luz eléctrica. Aproveitou-se para fazer dinheiro com praticamente tudo. Para além da referida entrada e o pagamento das diversões, foram cobrados os alugueres de cadeiras, vendida água, assim como inúmeros postais artísticos realizados ou doados por benfeitoras que ali se deslocaram. Também foram arrecadados diversos donativos que totalizaram a quantia de 222$900 réis. Para o sucesso desta iniciativa contribuíram a Câmara Municipal de Cascais, o pessoal enviado directamento pelo rei, os marqueses do Faial, o Conde de Faria e Rosendo de Carvalheira.
Assim como para a batalha de flores de 1899, também foram reduzidos os preços do comboio de Lisboa-Cascais para embaratecer a deslocação e por consequência atrair um maior número de visitantes.
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Nas receitas para o financiamento da SPCEL destacaram-se as de origem ordinária, correspondendo a mais de 96% de todos os rendimentos da sociedade. Nestas destacou-se o dinheiro obtido na venda de senhas de refeição, cerca 82% das receitas. Procurou-se a auto- suficiência da instituição, pagando o operário aquilo que consumia.
Os subsídios surgem como segunda forma de financiamento ordinário, seguindo-se os donativos e com pouco mais de 2% as quotas dos sócios. Estes indicadores permitem-nos demonstrar o elevado grau de auto-suficiência e de não dependência financeira de estruturas
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A expressão mastro de cocagne, de proveniência francesa, também existe na língua portuguesa como mastro de cocanha. Esta diversão consiste num mastro alto untado de sebo, no cimo do qual se colocam prendas para que alguém o tente subir para as obter.
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Brasil – Portugal, «Quermesse no Parque dos Duques de Palmela em Cascais», Vol. 43,1 de Novembro de 1900, pp. 301-302.
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externas à sociedade. Os subsídios atribuídos à instituição, tanto da parte da Câmara Municipal de Lisboa como dos sucessivos governos demonstraram o interesse público e a importância dos serviços prestados da SPCEL.
A venda de senhas a benfeitores traduziu-se numa nova prática: a da distribuição de esmolas sob a forma de senhas de refeição.
Nas receitas extraordinárias releva-se a importância das festas de caridade. As festas de caridade das cozinhas económicas acompanharam as exigências e os novos gostos de sociabilidade das classes mais abastadas. As batalhas de flores, os bailes, os arraiais , os concertos, as subscrições entre outras formas de encontro e lazer constaram nas formas de angariação de fundos pela SPCEL.
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