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L OKALFORENINGENE

In document Evaluering av Nettverksguide Telemark (sider 52-57)

Muitas vezes, os jovens costumam se referir a esses momentos de “explosão”, de intensa “efervescência coletiva”, utilizando o termo “vibe”. Derivada do inglês, a palavra significa “vibração”. O termo se relaciona diretamente à forma como os participantes interagem com a música. Quando a pista de dança está lotada e bastante agitada, costuma-se dizer que a “vibe” da festa está boa, que a “energia” que emana dali é “positiva”. A “vibe” atuaria como uma espécie de conexão entre as pessoas e o ambiente da rave. Os DJs possuem uma relevância sui generis na produção da “vibe” de uma rave, principalmente porque são eles que fazem com que a pista de dança lote e se torne agitada. Os DJs são os principais responsáveis por conectar os corpos dos jovens à música eletrônica, fazendo-os se movimentarem de forma quase incansável. Segundo Fabrício,

Vibe é a sensação que você tem. Pra mim, é quando, tipo, você chega lá na festa, chega na hora do DJ principal e você vê que tá todo mundo pulando, você vê que a galera tá animada, você sente a energia positiva, tipo, a energia do povo! Você sente vontade de pular, você fica feliz. Vibe é como se a alegria de cada um fosse passando pra você. É uma sensação muito boa que você sente. (Fabrício, jovem entrevistado em 12 de fevereiro de 2009).

A vibe é descrita pelos jovens como um tipo de experiência partilhada. Experiência partilhada de corpos que se entregam em conjunto à dança, que trocam energias entre si, como algo que contamina: afeto mútuo de corpos e de vibrações. É ainda como se aqueles que estão na pista de dança se

entregassem à mesma vertigem. Todos se tornam cúmplices nesse empreendimento coletivo, nessa “sensação muito boa” que, de forma semelhante a uma rede, vai atravessando e conectando o corpo de cada um dos participantes. Uma descarga coletiva de energias é produzida:

[...] a rave é uma festa para se liberar energia. Eu acho que é por isso que ela tem aquela história de ser uma festa comprida. É uma festa que, realmente, você descarrega, porque quando termina você fica só o bagaço. Eu acho que é muita mística, tem muita mística por detrás disso. As energias, tipo, você passa a rave dançando, pulando, abraçando. Então é uma festa que eu vejo que é pra desestressar, de verdade! Eu acho que é uma festa que você vai pra esquecer os problemas. É tanto que tem toda uma mística, por que elas são fora também? Não é só a questão do ingresso, porque você sai da sua realidade, você vai pra um lugar paradisíaco. O que é isso? É a fuga! Você tá fugindo do seu ambiente, dos seus problemas. O que é que eles tão querendo propor? Todo mundo vai pra esse lugar afastado, paradisíaco, você deixa os seus problemas aqui e você vai passar agora 12, 14 horas agora curtindo uma música. Tá entendendo? É toda uma proposta, uma outra realidade, um ritual. É um ritual. Você vai naquele lugar longe pra fazer alguma coisa, mas você tá deixando tudo aqui, tem que deixar tudo aqui. Eu acho que é por isso que rave, rave de verdade, que presta, tem que ser longe. Porque todo mundo, até mesmo inconsciente tá indo e num tá nem se ligando que tá fazendo isso, mas você pode ver que quem vai, diz: “ah, hoje eu vou pra festa porque eu quero esquecer os meus problemas”. Eu acho que tem muito isso, é aquela história de você sair daqui e ir pra um lugar longe, você deixa tudo aqui, você vai pra descarregar. Quando chega lá, você fica outra pessoa. [...] Você tem que se soltar, tem que sentir a música entrar dentro de ti. Quando eu fecho o olho e me solto na festa, dançando eu num fico pensando em nada, sinto apenas uma sensação boa, de liberdade. Leve. (Camila, jovem entrevistada em 05 de maio de 2009).

A música executada pelo DJ reivindica que o corpo não somente produza movimentos para acompanhar suas batidas, mas busca oferecer ao participante da festa a possibilidade de “liberar energias”, sobretudo as “negativas”; um momento para “esquecer os problemas”. Nas palavras de Camila, a rave se apresenta como uma espécie de “ritual” que leva o participante a um estado de transe por meio da música, um “ritual” no qual você “tem que deixar tudo” para adquirir, mesmo que momentaneamente, um novo status. Segundo Durkheim (1996), na festa, a energia do coletivo atingiria o seu apogeu no momento de maior “efervescência” dos participantes. O autor afirma que esta efervescência “muda as condições da atividade psíquica. As energias vitais são superexcitadas, as paixões mais vivas, as sensações mais fortes” (DURKHEIM, 1996, p. 603). A festa, através da reunião de uma multidão de pessoas que se movimentam, dançam, cantam e gritam contribui para a produção de uma grande quantidade de “energia” coletiva, que é redistribuída para todos os participantes (CAILLOIS, 1988; MAUSS; HUBERT, 2005). A vibe, atuaria assim, como algo imprescindível à experiência da rave. É através dela que os jovens podem reafirmar a idéia de que o espaço-tempo da festa difere do espaço-tempo da vida cotidiana, ordinária, fazendo da rave um momento especial, um ritual. A festa coloca em cena o conflito entre as obrigações da “vida séria” e a própria natureza humana. De acordo com Durkheim (1996), as festas, assim como a religião, são imprescindíveis para reavivar os

laços sociais em constante perigo de se desfazerem. Para o autor, as festas rejuvenescem o “espírito fatigado” com o labor cotidiano. Por uns momentos, os indivíduos têm a oportunidade de experimentar uma existência menos pesada. Essa oposição entre “visa séria” e divertimento se faz presente na maioria dos escritos produzidos sobre festas. O divertimento emerge como uma rápida fuga das atividades cotidianas, não tendo, a priori, nenhuma “utilidade”. Sua única “função” é fazer com que o individuo, depois do divertimento, volte à “vida séria” com mais coragem e ardor. Dessa forma, a festa compõe um tipo de ritual.

É vasta a literatura produzida no campo das ciências sociais, em especial na antropologia, sobre a temática do ritual. Por conta disto, sigo a orientação dada por Mariza Peirano (2002) e não adoto uma definição de ritual a priori. Não ouso demarcar a fronteira entre o que pode ser considerado ritual e o que não pode, justamente por acreditar que a concepção de que um evento é “especial” deve partir do próprio “idioma nativo”. Ou seja, são aqueles que o vivenciam que podem defini-lo ou não como ritual e, nesse caso, para os jovens a rave é sim um ritual.

Em um texto escrito para o jornal Folha de São Paulo, Hermano Viana (FOLHA DE SÃO PAULO, 1997) destaca o caráter ritualístico das raves, concebendo-as como um espaço no qual um estado de êxtase é produzido em massa. Segundo Vianna,

[...] Nos primeiros momentos, não consegue decifrar exatamente o que acontece na pista de dança. Suas primeiras impressões são apenas auditivas: o que mais se ouve é um som percussivo poderoso, e quase ensurdecedor, que se repete hipnoticamente. Os vocais, quando eles existem, parecem variar sobre um único tema: “Deixe a batida tomar conta do seu corpo!” Ou: “Get out of your mind!” Milhares de pessoas parecem estar ali justamente para seguir aquelas ordens. [...] Do movimento robótico das luzes aos estimulantes (alguns ilegais, outros não) consumidos pelos dançarinos: tudo parece estar ali com a “função” de facilitar a produção de um estado que, não apenas como referência a uma droga muito consumida nesses ambientes, poderia ser chamado de extático. A combinação funciona: nas sociedades contemporâneas, as raves são os espaços menos esotéricos (pois não envolvem iniciações religiosas) e mais internacionais onde o extâse é produzido em massa. Nosso brasileiro, mais ou menos familiarizado com os rituais religiosos do candomblé ou da umbanda, não resiste a fazer a comparação: ele está diante de um terreirão eletrônico. (FOLHA DE SÃO PAULO, 1997)

A idéia de ritual aparece constantemente no “discurso nativo”, fazendo-se presente tanto nas falas dos freqüentadores como no material de divulgação produzido por seus organizadores. Como exemplo disso, posso citar uma das frases contidas num dos flyers produzidos para divulgar a V edição da Entrance realizada em setembro de 2009, intitulada “Aquarius: o início de uma nova Era”. No material de divulgação do evento, podia-se ler o seguinte: “a celebração acontece no paradisíaco Hotel Fazenda São Gerônimo, no município de Caucaia, a 28 km de Fortaleza, com fácil acesso e

estacionamento próprio”57. Ilana, ao comentar sobre a passagem de Goa Gil pela cena local, mais especificamente na cidade de Iguape, durante sua turnê pela América Latina, disse:

a festa do Goa Gil foi linda! Foi uma celebração [...]. Muitas das raves são rituais. Pode ver como foi que o Goa Gil começou a rave dele. Foi fazendo um ritual. Ele primeiro colocou umas músicas mais pesadas, pra só depois, de manhã, tocar uma coisa mais leve, mais “grooveada”. É porque também os DJs daqui são muito, digamos, ocidentalizados. É aquela historia da rave, assim... é uma festa, uma festona. Eu acredito que em outros lugares, tipo essas ilhas que a rave teve como berço, tipo Goa, eu acho que é bem mais ritual. É tanto que se tu ver os vídeos no youtube, a galera já tá pintada de um jeito diferente, as apresentações são diferentes. Então, assim, tem todo um ritual por detrás disso. Toda festa devia ser que nem a do Goa Gil, que nem um ritual mesmo. Começa de um jeito e termino de outro, bem melhor. (Ilana, jovem entrevistada em 28 de março de 2009).

Para Ilana, a rave começaria com uma dinâmica mais lenta e pesada, com uma música menos dançante, para somente depois, já próximo ao amanhecer, acelerar e elevar tanto o clima da festa, como o de seus participantes. Um “ritual” que, segundo a jovem, tem suas origens no oriente, mais precisamente em Goa, na Índia. A principal diferença dela para as festas locais residiria no fato das raves indianas serem consideradas festas com uma dinâmica diferenciada, mais intimista, reservada, que conta com outros tipos de performances58. Já as raves locais são caracterizadas por Ilana como “festonas”, eventos que contém um caráter comercial, algo que foge ao conceito de “ritual” na concepção da jovem. Um ritual que deve ocorrer num espaço e num tempo demarcado para sua realização, tal como se pode perceber nas palavras da jovem citada logo abaixo:

Eu fui uma vez pra Phanatic, uma festa que rolou ali no Marina. Mas nada a ver. Quando foi de manhã, eu tava aqui dançando e olhava pro lado, e via o [ônibus da linha] grande circular passar, tinha o barulho do lado de fora da festa. Eu não curti porque eu não me senti em outro lugar, parecia que eu nem tinha saído de casa. As

raves servem pra você esquecer seus problemas, você vai pra rave e deixa seu problemas em casa. Nessa festa do Marina eu não me senti assim, sabe? Lá na Biruta, pelo menos, tem o mar, tem a natureza, e não passa ônibus lá perto, é bem diferente dali do Marina (risos). Nada a ver, nada a ver mesmo uma rave ali. E outra, tem muito aquela idéia de que rave é lugar de gente que vai pra descontrair. Na rave todo mundo é amigo, ninguém briga com ninguém e todo mundo se respeita. É tanto que ninguém vai brigar só porque você pisou no pé de alguém. [...] Toda vez que eu volto da rave eu me sinto mais leve, sabia? Eu já volto pra casa doida pra saber quando é a próxima. Nessa do Marina eu não senti isso, acho que por isso eu não gostei dela. [...] A rave é uma festa que você curte com seus amigos, pra sair daquela rotina. (Raquel, jovem entrevistada em 28 de outubro de 2008).

57 Trecho extraído de http://www.nuact.com.br/projeto/, acesso em 23 de agosto de 2009 às 10h e 10min.

58 Em entrevista publicada no site “psyte”, O DJ e produtor Pan Papason explica essa questão do berço da rave tratada por Ilana da seguinte forma: “O trance para alguns é um modo de vida. Se você morar na Índia por seis meses, já começa a agregar toda aquela cultura. Tem um determinado dia no ano que os indianos saem na rua jogando tinta colorida uns nos outros. São muitas pessoas coloridas correndo, cantando e dançando. As cores das festas rave vieram desta cultura”. Extraído de http://psyte.uol.com.br/redacao/materias/materia.asp?seq=314, acesso em 14 de setembro de 2009 às 13h.

Não só os vários momentos vivenciados durante a festa comporiam um tipo de “ritual”, mas, para Raquel, a própria rave operaria uma espécie de suspensão da experiência cotidiana, um tipo de evento “especial”, “distinto”. A partir do próprio “idioma nativo”, pode-se perceber que a principal “eficácia simbólica” (LÉVI-STRAUSS, 1996) da festa é transportar seus participantes para outro espaço-tempo que não seja aquele regido pela racionalidade característica do espaço urbano. Tal fato pode ser percebido já nos relatos iniciais acerca do surgimento dessas festas. Conforme vimos no segundo capítulo, tanto as histórias contadas sobre as festas em Ibiza, como aquelas que elegem a região de Goa como o berço das raves, expressam uma espécie de “fuga”, de negação temporária da vida cotidiana, segundo nos descreveu Camila algumas linhas acima. No imaginário dos jovens, a rave atuaria como uma espécie de espaço liminar entre o “rural” e o “urbano”, entre o “racional” e o “espiritual” numa tentativa de irromper o usual. Conforme se pode perceber na fala de Raquel, o simples fato de dançar num local onde se pode ver as imagens e ouvir os ruídos da cidade aniquila toda a magia e o encanto da rave. A peculiaridade dessas festas é que sua prática marca um intervalo na vida cotidiana de seus participantes.

Segundo Roger Caillois (1988), a festa surge como uma forma de experimentação momentânea da dissolução das regras sociais. Ou seja, nela experimenta-se um sentimento de negação, a busca por uma vivência social sem regras, livre de um dado modo de ordenamento, a fim de tentar afirmar o desejo entre os indivíduos de invenção de uma sociedade liberta de normas. No caso da rave, ela possibilita aos jovens irromper ao usual não só por meio do espaço no qual ela se realiza: espaços “open air”, mas ainda por meio da música que desperta nos participantes diferentes tipos de sensibilidades e emoções.

Qual é a festa que começa de noite e só termina no outro dia de manhã, que acontece num lugar todo especial, perto de lagoa, de mar? A rave é isso. Ela serve pra você realmente se soltar. Ela é feita pra você se sentir bem. Nela, tu pode se soltar, sem se preocupar com o que os outros vão dizer. O psy é pura transcendência, invade o corpo, ele meio que ilumina a alma. Tem a questão do P.L.U.R. também, que é a filosofia da

rave, de todo mundo se respeitar, respeitar a natureza. É muito diferente de você ir pra outro lugar, te faz entrar num ritmo que não dá vontade de parar um segundo só. Você quer dançar e fazer novos amigos e conhecer lugares novos. Chegar no final da festa, você já cansado e mesmo assim feliz, com um sorriso feliz, sabe? É realmente uma sensação muito boa, uma sensação de liberdade [...], esquece de tudo. (Débora, jovem entrevistada em 10 de fevereiro de 2009).

Eu tenho que ir pra rave pelo menos uma vez por mês pra desestressar. Eu sinto necessidade de tá lá dançando com meus amigos, de me divertir e ao mesmo tempo esquecer. E, assim, mesmo que eu não vá só pra dançar, só o fato de ta lá curtindo já é suficiente. A natureza, os amigos, tudo isso é importante pra curtir a festa, claro que tem a decoração, os malabares, os DJs também... tudo isso junto. Não é só a música, é também o sentimento que você sente quando tá lá, a vontade de estar bem com tudo e com todos. A galera toda na mesma vibração. Sempre chega um aqui e você já faz amizade na mesma hora, às vezes é o amigo do teu amigo, ou amigo do amigo do teu

amigo e fica junto lá contigo curtindo. É muito bom, é muito bom mesmo. (Fabrício, jovem entrevistado em 12 de fevereiro de 2009).

[...] Eu sempre procuro ligar muito uma música a uma certa situação ou a uma emoção. Eu não sei o porquê, mas tem uma música do [DJ] Sesto Sento que pra já virou, tipo, um hino. Toda vida que toca eu me alegro muito. Quando essa música toca é a hora que eu danço, é quando o pessoal fala que eu arrisco um “rebolation” lá. Musica eletrônica tem muito disso, é você relacionar a música a um sentimento, a um estado de espírito. Fora que a música eletrônica em si, as batidas já é aquela coisa que já é eletrizante, porque você não consegue escutar aquela música nas alturas, as batidas dela e ficar parado, você tem que mexer o corpo, nem que seja apenas pra marcar o tempo das batidas (risos). (Rodrigo, jovem entrevistado em 22 de janeiro de 2009).

A própria dinâmica da festa, com seus símbolos e discursos, marca uma espécie de “intervalo” na experiência ordinária de seus freqüentadores. No tempo da festa, diferentemente do tempo de trabalho, há uma atitude descontraída, lúdica e espontânea. A rave é vista como uma zona própria e à parte, como uma “tentativa em massa, da população jovem para resistir à pressão para o individual e para criar, para eles próprios, um mundo ‘mais coletivo’” (REBELO, 1999, p. 272). Ela abre novas possibilidades, principalmente no tocante à relação que se estabelece entre corpo e música. A música eletrônica é tida como um estilo musical no qual, mais do que ouvido, pode ser sentido, experienciado sensorialmente em conjunto com os outros participantes da festa. O objetivo último de qualquer rave é catalisar, através da produção de uma espécie de “intimidade coletiva” (REYNOLDS, 1999), seja entre amigos ou desconhecidos, uma espécie de diluição das identidades individuais. Os jovens afirmam que é possível sair de si durante a dança e “todos se tornarem um só corpo”.

A experiência da dança vivenciada durante a rave é o que a melhor caracteriza e, ao mesmo tempo, a distingue de outros tipos de festa. Em alguns casos, a interação entre os movimentos dos corpos dos jovens e as batidas do psytrance é tão intensa que se tem a impressão de que a maioria dos participantes que se encontram ali, na pista principal, está vivenciado a experiência de um tipo de transe. A dança ao som das batidas fortes e repetitivas do psytrance é, na maioria das vezes, descrita pelos jovens como algo que permite a vivência de uma sensação de completo abandono do ego e total entrega à cadência rítmica e melódica da música. Um flyer bastante divulgando na Internet entre os jovens narra essa experiência de sair de si durante a dança da seguinte forma:

Já sentiu como se você tivesse total controle sobre seus sentidos? E todos eles fossem totalmente apurados de modo que você pudesse ouvir melhor, ver melhor, sentir melhor? Entrar em um transe independente de drogas, onde todas as pessoas são felizes e naquele momento não existe dor, nem fome, nem inveja, nem tristeza e todos os sentimentos ruins do mundo ficassem do lado de fora e que apenas um estilo de música pudesse fazer isso... Você pode imaginar um lugar onde todas as pessoas estão na mesma vibração, onde uma só batida pode fazer com que o mundo seja outro, onde as pessoas se gostem e se divertem como nunca... e... após você ter saído de uma festa você nunca pensou! Putz acabou! Segunda feira... estou de volta ao mundinho onde

existe dor, inveja, medo, sofrimento e fome? Se um dia você conseguir imaginar um mundo onde todas as pessoas fossem felizes e não ouvissem coisas ruins, nesse mundo só tocaria música eletrônica e se chamaria rave59.

Pode-se dizer que na rave tudo se volta para a idéia da transcendência, desde o tema do evento e a escolha do local (necessariamente, um “pico” reconhecido como paradisíaco, repleto de belezas naturais, distante o máximo possível das atividades cotidianas da urbe), passando pelos motivos utilizados na sua decoração (inspirada, de preferência, no universo místico-esotérico oriental), até o nome das atrações, dos núcleos e produtoras que atuam na organização do evento. O próprio termo rave, que qualifica de forma bastante abrangente esse tipo de evento, evoca o sentido de uma experiência

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