O chill out parece ser um local onde se pode “descansar” da festa, onde tudo acontece num ritmo menor. Lá, tudo se acalma. Os objetos e as pessoas parecem não se movimentar com a mesma velocidade alucinante da rave. Nesse espaço, pode-se ouvir desde gêneros musicais que atravessam o ambient, deep house, acid jazz e DUB até bossa nova e mantras indianos com suas melodias relaxantes. Todos estes sons soam de forma bastante agradável aos ouvidos que querem “descansar” por alguns instantes dos graves cortantes e das batidas rápidas do psytrance. Para Pedro, o chill out é uma espécie de:
[...] pedacinho do céu, sua função dentro da festa é primordial. É impossível imaginar uma festa boa, que tenha boas atrações, e que não conte com o espaço do chill out, da música lounge pra fazer a galera relaxar. Eu faço festas com o pessoal há 4 anos já e em todas elas a gente sempre coloca um espaço assim, pra galera relaxar mesmo. Nos grandes festivais que tem por ai, tipo na Europa, os chill outs são coisa de sonho, tem comida indiana, você pode praticar ioga, é fantástico. (Pedro, jovem entrevistado em 23 de maio de 2009).
A decoração do espaço segue a mesma orientação estética do restante da rave. Em alguns eventos, ele é ornado com desenhos de seres extraterrestres, estrelas, planetas e divindades hindus, como Shiva e Ganesha. O chill out não é só o lugar reservado ao “descanso” na dinâmica da festa, mas também aclimata os encontros. Nele, os jovens podem conversar de forma mais relaxada, sem precisar ter que falar alto junto ao ouvido do outro por conta do elevado volume da música executada na pista principal. Os assuntos variam, nem sempre estão relacionados ao universo da música eletrônica. Os jovens alternam seus movimentos entre a pista principal e o chill out durante a rave. Eles não aproveitam a festa em um mesmo ambiente, mas preferem circular pelos vários espaços que a compõe. É comum ver jovens que estavam instantes atrás no chill out, deslocarem-se em direção à pista principal e depois
retornarem para o chill out para continuar vivenciando todas as experiências que a festa pode lhes oferecer, aproveitando-a ao máximo.
Mesmo no interior da rave, a itinerância e a mobilidade continuam sendo as palavras de (des)ordem entre os jovens. Além das conversas, o chill out também abriga aqueles jovens que chegam cedo à festa e por conta disso buscam se poupar, reservando suas energias para extravasá-las somente no início da manhã. Muitos deles aproveitam o espaço para tirar breves cochilos. Não é por acaso que em alguns momentos durante a noite, o espaço do chill out chega a ficar mais lotado do que a pista principal.
Alguns jovens aproveitam o ambiente relaxado do chill out para, além de “descansarem” da festa e interagirem uns com os outros, ingerirem substâncias psicoativas. Por conta da atmosfera criada neste espaço sugerir um clima de relaxamento, dentre os psicoativos consumidos nele destaca-se a nicotina e a maconha, substâncias que conferem uma sensação de calma a quem as consome. Seus odores característicos se espalham pelo ar. O consumo, principalmente, da maconha neste espaço nunca se dá de forma isolada, mas sempre em grupo. Além do consumo, também há o comércio, não só da maconha, mas de outras substâncias consumidas durante a festa, como as cartelas de LSD e os comprimidos de ecstasy.
Os DJs que se apresentam no espaço do chill out nem sempre desfrutam do mesmo prestígio daqueles que tocam na pista principal. A maioria deles está iniciando sua carreira musical e aproveita o espaço para divulgar seu trabalho ainda em fase inicial. Porém há DJs que possuem projetos paralelos, com estilos diferenciados de músicas para ambos os espaços. Um exemplo que posso citar é o do DJ e produtor musical argentino, mundialmente famoso, Yagé. Durante a realização da quarta edição da Entrance, Yagé tanto se apresentou no palco principal ao amanhecer, como no chill out, já no final da manhã. No momento de sua apresentação, o espaço contou com uma presença maciça de jovens, superando o público que prestigiava as atrações que se apresentavam no palco principal do evento. A performance do DJ no chill out contou com o auxílio de uma flautista e de um percusionista que tocou berimbau e depois bongô, criando um som híbrido que misturava a música eletrônica com a música acústica.
Junto com o line up divulgando os DJs que se apresentarão na pista principal, os núcleos ou produtoras responsáveis pela organização do evento anunciam também a seqüência de músicos que irão tocar no chill out. A maioria das apresentações de ambos os grupos de artistas tem duração semelhante, variando de 1 a 2 horas para cada músico. Assim, percebe-se o modo como pista principal e chill out interagem.
3.2.2 A pista principal
Visualmente, a pista principal é, com certeza, o espaço mais atraente da festa. Também chamada de dance floor, ela é decorada com filtros dos sonhos e lycras coloridas para proporcionar sombra aos jovens que participam da festa durante o dia. Toda esta estrutura composta, muitas vezes, de tecido e bambu recebe o nome de tenda. Tanto as lycras como os filtros brilham ao refletirem a luz negra que ilumina o espaço durante a noite, produzindo um efeito inebriante, movendo-se a cada sopro do vento. Para este tipo de decoração, dá-se o nome de flúor. É aconselhável também que se espalhem lixeiras pelo local para receber copos de plástico, garrafas de água, pontas de cigarro, latinhas de cerveja e de refrigerante, dentre outras coisas que, depois de consumidas, são abandonadas pelo espaço da festa. Em algumas raves, as lixeiras brilham durante a noite compondo parte da decoração do evento. Tal atitude indica que há entre os organizadores, certa preocupação com o meio ambiente. Pode-se observar no microcosmo das festas a existência de um discurso ecológico que prega a preservação da natureza como algo a ser praticado por todos que habitam o espaço da rave. No entanto, nem sempre esse discurso surte efeito entre os participantes, prova disso é o chão da rave logo após a festa, repleto de latas de cerveja, garrafas de água, pontas de cigarro etc.
A pista de dança, geralmente, é decorada no mesmo dia da festa, instantes antes de seu início. Profissionais encarregados pelo equipamento de som e de iluminação começam a desembarcar toda a parafernália ainda durante o dia. Do lado de fora, instala-se o gerador elétrico para abastecer o evento caso seja preciso. À medida que os técnicos vão montando e testando os equipamentos, outros profissionais responsáveis pela decoração estendem lycras, filtros dos sonhos, carrancas, mandalas e os distribuem aleatoriamente pelos espaços da festa.
Foto 8: Caixas de som que serão utilizadas na rave sendo
Enquanto um dos membros de um grupo de decoração preparava a pista principal para uma festa, atando a ponta de um painel que tinha a figura do deus hindu Shiva desenhada nele, falou-me o seguinte:
[...] Um ponto importante em uma festa é a decoração. Ela cria e transforma o ambiente. É importante deixar o ambiente o mais psicodélico possível, porque você tem que transformar ele em algo completamente diferente do que a gente tá acostumado a ver no dia-a-dia. Assim que a luz negra bate nesses painéis produz o efeito flúor, que faz a galera viajar nas cores. (DIÁRIO DE CAMPO, 2008).
Tudo é preparado com bastante cuidado. Alguns jovens consideram a decoração da pista principal, juntamente com a música tocada pelo DJ, um dos elementos mais importantes numa rave. Durante a festa, ouve-se com freqüência comentários elogiosos ou depreciativos acerca de sua decoração, tais como este que pude registrar em meu caderno de campo durante uma conversa informal com um dos participantes da Liquid Sky realizada no dia 06 de setembro de 2008, no Ytacaranha Parque:
[...] na última Ultra Vip fiquei de cara com o nível da decoração. O Paulo se garantiu, conseguiu deixar aquela festa perfeita. Uma das coisas que mais me atraiu quando comecei a freqüentar rave aqui em Fortaleza, é que tanto um bom som, como um pico irado é que fazem que uma festa fique boa. Nesses dois pontos o cenário atual aqui de Fortaleza tá muito bom, promete. (DIÁRIO DE CAMPO, 2008).
A beleza da decoração é imprescindível ao ambiente da rave. É ela a principal responsável por tornar a festa mais atraente para os jovens. Para ornamentar uma rave de maneira “adequada”, é preciso levar em consideração seu tema. Os temas que irão orientar a estética da festa remetem, na maioria das vezes, ao universo místico-esotérico oriental, fazendo alusão, principalmente, a elementos presentes no hinduismo. Há casos ainda em que se recorre ao campo da mitologia, utilizando figuras como elfos e duendes. A escolha do tema se dá a partir de um acordo comum entre os membros do grupo organizador responsável pela realização do evento.
Sempre que a gente vai fazer uma festa, todo mundo se reúne pra decidir o tema do evento. No nosso caso, isso sempre aconteceu de uma maneira bem... pode até parecer meio bobagem, mas sempre aconteceu de uma maneira meio que mágica em relação a gente. Praticamente as temáticas nos escolheram. A primeira a gente chamou de “Portais da Percepção”, que são, tipo, portais de abertura dos nossos limites. A gente trabalhou esta temática dos portais da percepção. A outra foi o “Equinócio de Primavera”, que a data coincidiu com o equinócio de primavera, que são dois dias no ano que acontecem na primavera, quando o dia tem a mesma duração da noite, exatamente 12 horas. Ai foi justamente no dia que a gente tinha escolhido pra acontecer a festa. Depois a gente fez o “Portais da Percepção II”, fizemos essa do “Kosmonoises”. Tipo, nessa do “Kosmonoises” a gente tava meio perdido com relação a temática, ai um amigo da gente veio com um livro pra cá e juntou com umas coisas do Calendário Maia e a data coincidia, mais ou menos, com uma data la cabalística,
tinha acontecido o surgimento de umas estrelas, um lance bem, assim, místico. Assim, é tudo documentado, a gente tem todo esse material em livro. Apesar da gente ter o interesse em fazer o evento, essas temáticas apareceram junto com a gente. Num é aquela coisa, tipo: “vamo lá, vamo fazer aqui. A próxima edição vai ser a... Kosmonoises, tal”. Não, nunca foi assim. É uma coisa mágica de certa forma, surgiram pra gente. Foram colocadas pra gente, a gente pensa dessa forma. (Pedro, jovem entrevistado em 23 de maio de 2009).
Nem sempre o tema da festa é escolhido de forma instrumental entre os integrantes de um núcleo ou produtora, há vezes em que ele surge de uma maneira “mística”, segundo a descrição de Pedro. Toda essa atividade vai encontrar sua fundamentação em sistemas de pensamento e religiões orientais, em “cosmologias” ameríndias e toda a sorte de “correntes espiritualistas”52; e não poucas vezes
em todos eles concomitantemente, resultando em surpreendentes hibridismos. Como exemplo disso, posso citar o nome de três festas que pude freqüentar durante a pesquisa de campo: Magic Lagoon II, Entrance Kosmonoises e Shiva Attack. No flyer de divulgação desta última, anunciava-se: “decoração inédita em Fortaleza”, que privilegiava a divindade hindu que dava nome ao evento: Shiva. Na decoração utilizada na segunda edição da Magic Lagoon, havia mandalas e carrancas com desenhos indígenas espalhadas por todos os espaços da festa, e na quarta edição da Entrance, intitulada Kosmonoises, o tema buscava ressaltar a “influência cósmica sobre nossa mente e corpo” (descrição impressa no material de divulgação confeccionado para o evento). Com relação a decoração produzida especialmente para esta última, um de seus organizadores comentou:
Na edição passada da Entrance a gente fez a Kosmonoises, então a gente trabalhou muito preto, muito raio laser, muita coisa do espaço sideral. [...] Construímos uma tenda de 9 metros de altura e colocamos uma lycra branca esticada de, mais ou menos, uns 4 metros. Na metade da tenda, a gente colocou 4 projetores, 1 em cada quadrante [...]. A gente pegou várias imagens da Discovery de constelações, formação de galáxias, planetas, explosões espaciais, surgimento de estrelas e fez um vídeo fenomenal. Programamos os 4 projetores pra ficar fazendo essa imagem no teto, durante a noite toda da festa. Tu olhava pra cima e via o espaço todo na tua cabeça, se mexendo, os planetas passando, o sol, várias coisas. (DIÁRIO DE CAMPO, 2009)53.
Além de imagens de astros e planetas projetadas durante a festa, podia-se visualizar, caminhando pelos seus espaços, painéis contendo desenhos de aliens e miniaturas de planetas que acendiam luzes coloridas e se movimentavam sobre a cabeça dos participantes durante todo o evento, dando a sensação de que ali era possível experimentar outra dimensão do universo (e consequentemente, da existência). A pista principal foi denominada de “Pista Sol”, e o espaço reservado ao descanso e
52 O termo “correntes espiritualistas” é utilizado aqui como forma de congregar todo o vasto sistema de idéias e argumentos transcendentais que tentam explicar a vida a partir da existência de uma energia que seja superior a matéria.
53 Conversei informalmente com o jovem enquanto entrevistava outro membro do núcleo em um estúdio de tatuagem. Considerei a conversa bastante relevante e decidi registrá-la em meu caderno de campo.
relaxamento dos jovens (chill out) recebeu o nome de “Pista Lua”. Segundo um dos flyers da Entrance, em ambas as pistas “brilharam astros e estrelas da música eletrônica psicodélica”.
De forma semelhante à decoração, o local onde será realizada a rave é de suma importância não só para os participantes da festa, mas também para seus organizadores. Quanto mais afastado dos centros urbanos for o local do evento, maior a possibilidade de sucesso da festa. Conversando com freqüentadores e organizadores, pude perceber como a escolha do local se mostra como algo que é decisivo para a dinâmica da rave. Os lugares que abrigam as festas são, geralmente, afastados das atividades cotidianas da cidade e, em alguns casos, devem ser também de difícil acesso.
Durante o percurso de ida, é comum você enfrentar situações de atoleiro, carros parados no acostamento com o pneu furado, ou ainda, se deparar com um verdadeiro comboio formado, às vezes, por 5 ou 6 veículos lotados de jovens, todos perdidos tentando localizar o “pico” da rave. Algumas estradas que dão acesso aos locais que servirão de sede à festa, são estreitas, pedregosas e sem nenhuma sinalização. Nelas, requere-se toda a destreza do condutor.
[...] Finalmente, após quase 20 min. rodando sem rumo conseguimos encontrar outros dois carros que também estavam indo à Magic Lagoon II. Tanto o estilo de seus passageiros, como a música que estava tocando no carro denunciava isso. Não pude identificar com precisão de quem era a música, mas me pareceu ser do Astrix. Para nossa desilusão (a minha e a de meus acompanhantes), eles também não sabiam onde era a festa, estavam perdidos que nem a gente. O jeito foi um ir seguindo o outro. Eu decidi ir na frente. A estrada era muito estreita, com espaço para apenas um carro. As árvores localizadas à beira da estrada pareciam querer invadir nosso caminho e nos impedir de chegar na festa. Era preciso ter cuidado tanto para não perder o retrovisor, como para não levar uma ‘porrada’ de seus galhos. Pensei até em desistir, mas não podia mais, principalmente pelo compromisso que havia assumido com meus acompanhantes. Em alguns trechos era preciso acelerar para não ficar na areia frouxa. A cada curva fechada pairava o medo de vir um carro na contramão e ocorrer uma colisão. Era notória minha tensão. No carro, ninguém conversava, todos apenas observavam atentos a sinuosidade da estrada escura, iluminada apenas pelos faróis dos veículos. Quando olhei pelo retrovisor, vi que a fila havia aumentado. Ao invés de três, éramos cinco agora. Minha responsabilidade havia aumentado também. Alguns metros adiante notei, à nossa direita, próximo a uma bifurcação, um homem de boné acenando com o celular, nos chamando. Ele nos indica o restante do caminho e nos alivia dizendo que está perto. Seguimos um pouco mais e outro homem também de boné, bermuda e chinelos de dedo, se aproxima e avisa que podemos deixar o carro ali, no meio do nada, ao relento, pagando 10 reais adiantado. Ficamos receosos, mas concordamos. A festa estava ocorrendo num local distante, aproximadamente, 200 metros de onde deixamos o carro. O sujeito que se aproximou da gente e nos cobrou adiantado pelo estacionamento avisou que não havia nenhum local mais próximo da festa que pudéssemos deixar o carro. Desde o estacionamento já dava para ouvir a música. Nunca tinha vivenciado algo parecido antes para ir a uma festa me ‘divertir’. (DIÁRIO DE CAMPO, 2008).
Além dessa busca por um afastamento do cotidiano da cidade, vale ressaltar também que a escolha do local a ser realizada a rave não está só relacionada aos prejuízos sonoros que o evento pode
trazer à vizinhança, mas, principalmente, à existência do discurso ecológico que permeia sua “cosmologia”. A valorização da natureza compõe um dos elementos centrais da heterogênea e fragmentada carga discursiva produzida no microcosmo das raves. Os locais que servirão de sede ao evento devem se situar próximos às mais variadas belezas naturais. Assim, para que a festa seja considerada boa pelos jovens, o “pico” tem que ser num “lugar paradisíaco”, afastado de tudo. Os lugares devem impressionar os sentidos e oferecer um cenário “ideal” para a realização da festa, proporcionando uma sensação de distanciamento da experiência ordinária, da vida cotidiana.
A natureza é tida como “pano de fundo” para este tipo de festa. A pista de dança, por exemplo, é localizada de tal forma que se possa contemplar as belezas naturais do lugar proposto. O dance floor de uma rave desemboca no palco onde se apresentam os DJs principais. De forma semelhante à pista principal, o palco também é especialmente preparado para o evento, porém com uma diferença: nem todos os participantes da festa são “autorizados” a habitá-lo. É um lugar reservado somente aos músicos e àquelas pessoas envolvidas na produção da rave. Durante as apresentações dos DJs, aqueles jovens que estão trabalhando na organização da festa sobem ao palco para realizar fotografias do músico e do público que se encontra no dance floor. Antes de montar o palco principal, analisa-se todo o território do lugar que servirá de sede para o evento, escolhendo aquela região mais plana. Depois disso, estuda-se a melhor maneira de posicioná-lo, preferindo-se, geralmente, deixá-lo de frente para alguma das paisagens naturais que compõem o local da festa.
A preparação da estrutura de uma rave requer uma série de cuidados. Pedro nos explicita alguns dos vários fatores que devem ser levados em consideração durante esse empreendimento:
Como são “festas open air” (festas ao ar livre), então, de acordo com o local é [preciso] uma tenda principal que dê sombra, onde vai ficar a galera de frente pro palco [...]. É a pista de dança. Daí, geralmente, ou faz ela de box truck, que é aquela estrutura quadradinha que vai se encaixando, aquelas torrezinhas de ferro que vai montando. Pronto, geralmente ou é disso ai, que se aluga nessas empresas de produção de eventos [...], ou então tu mesmo faz. A gente já chegou a fazer de dois jeitos. A gente já chegou a fazer evento, tipo, em um sítio ali perto da entrada da Lagoa da Precabura, e lá era grama, daí a gente fez uma tenda toda de bambu, sem utilizar nenhum tipo de prego, nem parafuso. O parafuso era feito do próprio bambu, quem fez foi um cara que trabalha com a gente e ele mexe com permacultura. Ele montou essa tenda lá pra gente sem usar um prego, sem usar um arame. A permacultura é, tipo, você utilizar todo tipo de material orgânico, agredir o meio ambiente o mínimo possível. Uma tenda dessa de bambu não vai ta utilizando nada industrializado. (Pedro, jovem entrevistado em 23 de maio de 2009).
Durante a etapa de montagem do palco principal de uma rave, não há um único modelo a ser seguido. Sua estrutura varia conforme o terreno do lugar que servirá de sede para a festa, o gosto e os discursos adotados por cada núcleo ou produtora. Existem aqueles palcos que possuem estrutura de