5. OM SEGMENTENE OG DERES KLYNGEEGENSKAPER
5.2. L OGISTIKK OG VEDLIKEHOLD FOR OFFSHORE VINDKRAFT
Fairclough (2003) observa que tanto Halliday (1994), quanto Verschuersen (1999) e ainda Hogde e Kress (1988) convergem com a sua opinião de que a atitude dos falantes ou escritores estão engajadas com as representações, revelando o grau de afinidade que com elas estabelecem. Halliday (1994 apud FAIRCLOUGH, 2003 p. 165) afirma que “modalização significa o julgamento do falante das probabilidades, ou das obrigações, envolvidas no que está dizendo”. Para Fairclough ([1992] 2001, p. 201), a modalidade “é um ponto de interseção no discurso, entre a significação da realidade e a representação das relações sociais – ou, nos termos da linguística sistêmica, entre funções ideacional e interpessoal da linguagem”. A modalidade é uma dimensão relevante na construção discursiva da identidade.
Para Fairclough ([1992] 2001, p. 201), as modalidades são consideradas de grande valor para a análise uma vez que “A modalidade é uma importante dimensão do discurso e mais central e difundida do que tradicionalmente se tem considerado. Uma medida da sua importância social é a extensão com que a modalidade das proposições é contestada e aberta à luta e à transformação”, porque espaço de negociação das identidades dos atores sociais.
As escolhas realizadas pelos atores sociais em relação à modalidade não são proeminentes apenas em termos de “identificação”, mas também em termos de “ação” e “representação”. Fairclough (2003, p. 166) afirma que,
Modalidade pode ser vista como inicialmente relacionada à ‘comprometimento’, ‘atitudes’, ‘julgamentos’, ‘postura’ e, por conseguinte, com a Identificação (que é o porquê eu lido com ela nessa sessão do livro), mas também tem a ver com a Ação e as relações sociais, e a Representação. O mesmo é verdadeiro com o modo. Pode ser visto como fundamentalmente algo a ver com os tipos de ação, Tipos de troca, Funções da fala (ver capítulo 6), mas especialistas, por exemplo, que irresistivelmente, usam as orações declarativas para fazer Afirmações identificam-se diferentemente dos especialistas que usam orações interrogativas para fazer perguntas, então o Modo é também significativo para identificação” (FAIRCLOUGH, 2003, p.166).
Apesar de tratar de cinco tipos de modalidade (deôntica, epistêmica, subjetiva, objetiva e categórica), em Fairclough ([1992] 2001; 2003), são dois os tipos prioritariamente desenvolvidos: modalidade epistêmica (trocas de conhecimento) e modalidade deôntica (trocas de atividade/ações).
Para Fairclough (2003), a troca ou intercâmbio se constitui por uma sequência, com alternância, de dois ou mais turnos entre falantes, em que um turno (ou movimento) provoca a expectativa de um outro turno ou movimento. No exemplo de Cameron (2001 apud FAIRCLOUGH, 2003, p. 106, tradução da pesquisadora)
1.Cliente: Um copo de Guiness, por favor.[troca de atividade – turno 1]
2.Garçom: Quantos anos você tem? [troca de conhecimento – turno 1]
1.Cliente: Vinte e dois. [troca de conhecimento – turno 2]
2.Garçom: ok. É pra já. [troca de atividade – turno 2]
A troca de conhecimento [modalidade epistêmica] está inserida na troca de atividade [modalidade deôntica], sem a resposta adequada a ação não teria sido concluída de forma satisfatória. A seguir apresento exemplos dos tipos de modalidade epistêmica e deôntica.
Quadro 7 – Descrição das modalidades (epistêmicas e deônticas) baseado nos exemplos de Fairclough (2003) Modalidade epistêmica (troca de conhecimento) Afirmações
Comprometimento do autor com a verdade do ato
Perguntas
Autor provoca o comprometimento com a verdade dos outros
Declarar: A janela está aberta. Positiva não modalizada: A janela está aberta?
Modalizar: A janela pode estar aberta. Modalizada: A janela poderia ser aberta? Negar: A janela não está aberta. Negativa não modalizada: A janela não
está aberta? Modalidade
deôntica (troca de ação)
Ordem / Exigência Comprometimento do autor com a
obrigação/ necessidade
Oferta
Compromisso do autor com o ato
Prescrever: Abra a janela! Comprometimento: Abrirei a janela.
Modalizar: Você deveria abrir a janela. Modalizada: Eu devo abrir a janela! Proscrever: Não abra a janela! Recusa: Não abrirei a janela. Fonte: (FAIRCLOUGH, 2003, p. 167, tradução da pesquisadora)
A construção de um enunciado modalizado requer o reconhecimento das possibilidades de usos da língua porque, por exemplo, “exigências/ordens” podem ser prescritas por meio de uma pergunta-pedido, como por exemplo, “Você abrirá a janela?”.
Ex. Abra a janela [exigência/ordem explícita]/ Você abrirá a janela? [exigência/ordem implícita]
Para Resende e Ramalho (2006), são os verbos com os advérbios e adjetivos os clássicos marcadores da modalidade. Contudo, Charaudeau e Maingueneau (2004, p. 336 apud RESENDE; RAMALHO, 2006), propõem outros elementos. Reunimos as proposições num quadro, exemplificando.
Quadro 8 - Fenômenos linguísticos e paralinguísticos a serem considerados em modalizações explícitas
Campo Categoria Exemplos isolados
Aspectos semântico-
pragmáticos do verbo Verbos Modos do verbo Poder, dever, querer Indicativo, subjuntivo, imperativo
Tempos verbais Presente, pretérito perfeito, futuro do pretérito Valoração dos referentes, da circunstância ou do lugar. Aspecto sintático- semântico-pragmático
Adjetivos Desejável, indiscutível, absorto, confuso, restrito, estreito
Advérbios e
locuções adverbiais De dúvida: talvez, possivelmente, decerto, provavelmente, porventura, quiçá, acaso. Negociações dialógicas Interjeições Fora! Oba! Eh! Arre!
Entonação Afirmativa, interrogativa
Rupturas
enunciativas Ironia, discurso citado Sinais tipográficos Aspas
Fairclough (2003) explica que a modalidade é construída independente da presença de marcadores explícitos como verbos modais como: ‘can- poder; will - usado pra representar o futuro; may -dever, poder- para possibilidades; must - dever-obrigação; would- usado para representar futuro do pretérito, should - dever- para conselhos; etc. Sobre tempo, can – poder/ could-poderia; will (futuro do presente); wold (futuro do pretérito). É a partir do uso desses marcadores de tempo que Fairclough (2003) apresenta a relação entre o não hipotético e o hipotético:
Ex.: Eu abrirei a janela [não hipotético]/ Eu abriria a janela se pedisse [hipotético].42
É possível distinguir diferentes graus de comprometimento com a verdade e diferentes graus de comprometimento com a obrigação/necessidade em oração modalizadas, sejam elas epistêmicas ou deônticas (FAIRCLOUGH, 2003).
42 Exemplos de Fairclough (2003).
Quadro 9 – Níveis de comprometimento com os enunciados produzidos pelos falantes e escritores
Níveis de comprometimento Verdade Obrigação
Alto Certamente Requerido
Médio Provavelmente Suposto
Baixo Possivelmente Permitido
Fonte: (FAIRCLOUGH, 2003, p. 170, tradução da pesquisadora.
A partir do exemplo “Abra a janela” (FAIRCLOUGH, 2003, p. 166), elaborei um quadro (ver quadro 10) de possibilidades de construção com diferentes níveis de comprometimento (NC) e diferentes formas de modalização (modalização marcada no texto ou, por exemplo, modalização por meio do uso de interrogativas).
Quadro 10 – Exemplos de realizações de Exigências baseado em Fairclough (2003)
Afi. /
neg. comprometiGrau de mento
Modalizado / não -
modalizado Exemplo
Afi. Alto Não-modalizado
para Halliday, modalizado para Fairclough.
Abra[verbo no imperativo] a janela!
Afi. Alto Modalização
explícita no texto, pelo uso de verbo
Você deve[modalização com o verbo dever no presente – não hipotético] abrir a janela
Afi. Médio Modalização
explícita no texto pelo uso de verbo
Você deveria[modalização com verbo dever no futuro do pretérito – hipotético] abrir a janela
Afi. Médio Modalização
implítica (pelo uso de interrogativa)
A janela está aberta? [ausência de marcadores de modalização na sentença, o uso da interrogativa como estratégia de modalização de uma exigência/ordem]
Afi. Baixo Modalização mista
(no texto, pelo uso de verbo e pelo uso de interrogativa)
A janela poderia [modalização com verbo dever no futuro do pretérito – hipotético] estar aberta?
Neg. Médio Modalização
implítica (pelo uso de interrogativa)
A janela não está aberta? [ausência de marcadores de modalização na sentença, o uso da interrogativa como estratégia de modalização de uma exigência/ordem]
Neg. Alto Não-modalizado
para Halliday,
modalizado para Fairclough.
Não abra[verbo no imperativo] a janela!
Entre os pólos “Abra a janela”[prescrever] e Não abra a janela [proscrever], Resende e Ramalho (2006), baseadas em Halliday (1985, p. 86), indicam para a troca de
ação “exigência” um continuum de modalização “[...] permitido / esperado / obrigatório. Em uma ‘oferta’, os pontos intermediários representam diferentes graus de inclinação, como desejoso de / ansioso por / determinado a” (2006, p. 81).
Embora Halliday (1984, p. 86) defina como modalidade “os graus intermediários entre os pólos positivo e negativo”, de modo que as proposições polares (asserção e negação absolutas) ficam fora do estudo da modalidade, Fairclough assume uma categoria ampla de modalidade, que inclui os pólos. Fairclough acrescenta também uma distinção entre modalidade objetiva e modalidade subjetiva [grifo nosso]. Na modalidade objetiva, a base subjetiva do julgamento está implícita: não fica claro qual o ponto de vista privilegiado na representação, se “o falante projeta seu ponto de vista como universal ou age como veículo para o ponto de vista de um outro indivíduo ou grupo” (Fairclough, 2001, p. 200). Na modalidade subjetiva, a base subjetiva para o grau de afinidade com a proposição é explicitada, deixando claro que a afinidade expressa é do próprio falante. (RESENDE, 2008, 82) [grifo nosso]
Resende (2008), em seu artigo A naturalização da miséria contemporânea: análise discursiva crítica de uma circular de condomínio, discorre sobre a relação entre avaliação e modalidade.
A categoria da modalidade também se relaciona à avaliação em textos, no sentido de que, segundo Halliday (1985, p. 75), a modalidade é “o julgamento do falante sobre as probabilidades ou obrigatoriedades envolvidas no que diz”. Para esse autor, a modalidade associa-se a “um traço semântico essencial”: a polaridade. A polaridade é a escolha entre positivo e negativo, como na oposição ‘é/ não é’; e a modalidade, para Halliday, são as possibilidades intermediárias entre sim e não, ou seja, os tipos de indeterminação situados entre os pólos (RESENDE, RAMALHO, 2006, p.80).
Por esse trabalho adotar a proposta de Fairclough ([1992] 2001; 2003), optei pela apresentação da indicação de modalização dos polos, ver Quadro 11, tanto no ponto de vista de Halliday (1991), quanto no de Fairclough ([1992] 2001; 2003).
A seguir apresento o Quadro 11, elaborado para fazer dialogar as propostas de Halliday (1991) e Fairclough ([1992] 2001; 2003), a partir de suas diferenças:
Quadro 11 – Diferenças entre os conceitos de modalidade de Halliday (1991) e Fairclough ([1992] 2001; 2003)
Halliday (1991) Fairclough ([1992] 2001; 2003)
Termos usados: modalidade e modulação Termo usado: modalidade - elimina a distinção entre modalidade e modulação
Fairclough ([1992] 2001, 200-2) acrescenta: modalidade categórica, modalidade objetiva e modalidade subjetiva
Considera, na modalização, apenas o que está entre
os extremos e evita a polarização “é/não é”. Considera os extremos (é/não é), a partir do que acrescenta a modalidade categórica. Acrescenta a observação de que a distinção temporal (deve/deveria) coincide com a distinção hipotética/não-hipotética.
Cervoni (1989, p. 60 apud NASCIMENTO 2010, p. 34) propõe, para a modalidade deôntica, níveis, descritos por Nascimento como níveis de comprometimento: o obrigatório, o proibido, o permitido e o facultativo. Apesar de não esclarecer as diferenças, é criada uma gradação que vai da ordem à negação, ali exemplificada, necessária para reflexões futuras.
Exemplo 1 – o obrigatório: É necessário que esta sala seja a sala de reuniões. Exemplo 2 – o proibido: Você não pode estudar nesse laboratório.
Exemplo 3 – o permitido: Você pode estudar aqui.
Exemplo 4 – o facultativo: As pessoas usam esse espaço para estudar.
Reconheço que há uma gama de reflexões sobre os níveis de comprometimento dos atores sociais com os seus enunciados, mas o trabalho estará baseado no modelo proposto por Fariclough (2003), ver Quadro 10.
A seguir apresento a categoria analítica avaliação.