5. OM SEGMENTENE OG DERES KLYNGEEGENSKAPER
5.5. B IOENERGI
Segundo Weatherall (2002, p.4), as primeiras pesquisas sobre linguagem e gênero estão voltadas à explicação do poder social nas diferenças de gênero. Uma outra preocupação das pesquisas iniciais era a descoberta dos valores culturais que estariam associados aos homens e aqueles que estariam associados às mulheres. Isso, contudo, não era suficiente para todas as feministas, pois elas desejavam saber se “a linguagem apenas refletia o poder dos homens ou se também o perpetuava”44 (WEATHERALL,
2002, p.4).
Para Kendall e Tannen (2001, p.640)
As primeiras pesquisas de linguagem e gênero tenderam a se concentrar em [1] documentar diferenças empíricas entre a fala de homens e mulheres, especialmente na interação entre sexos; [2] descrever o discurso das mulheres em particular; E, para muitos, [3] identificar o papel da linguagem na criação e manutenção da desigualdade social entre mulheres e homens.45
44 “The issue was whether language just reflected men's power or whether it also perpetuated it”.
45 “Early language and gender research focused on documenting empirical differences between women's
and men's speech, especially in cross-sex interaction; describing women's speech in particular; and, for many, identifying the role of language in creating and maintaining social inequality between women and men (KENDALL; TANNEN, 2001, 640)”.
Cameron (2005) relata que são as linguistas feministas as pioneiras nas pesquisas sobre linguagem e gênero. Cabe salientar que, segundo a autora, as diferenças linguísticas encontradas não foram tratadas como qualidades “inatas de homens ou de mulheres. mas como resultados de uma socialização patriarcal que produziu os dois grupos como diferentes e desiguais” (CAMERON, 2005, p. 485)46. A pesquisadora cita
o trabalho de Lakoff (1975) em que trata a “linguagem feminina” como uma lugar social para evidenciar “a subordinação das mulheres em sociedades patriarcais a que eram condenadas: suas caracterísitcas eram impotência, insegurança e trivialidade”47
(CAMERON, 2005, p. 485).
Essas questões das abordagens do “déficit” e da “diferença”, apresentadas no capítulo dois, permeiam os primeiros estudos da linguagem, como explicou Cameron (2005): porque são conceitos que interferem na metodologia das pesquisas sobre linguagem e gênero. Em ambas, há a busca de modelo hegemônico de cada um dos gêneros [na concepção binária], desconsiderando a pluralidade de usos dos masculinos e dos femininos. O atravessamento desses conceitos ao longo da descrição das pesquisas precisa ser recebido com a compreensão de que a referência, muitas vezes, é inevitável.
Numa perspectiva pós-moderna, Cameron (2005, p. 4) defende,
Em vez de procurar linguísticas que distinguem a masculinidade genérica da feminilidade genérica, os pesquisadores hoje tendem a supor que não existe tal coisa como um homem ou uma mulher genéricos. As masculinidades e as feminilidades vêm em múltiplas variedades, flexionadas e inflectidas por todas as outras dimensões da identidade social de alguém - sua idade, etnia, classe, ocupação e assim por diante. Outro insight importante é que as identidades de gênero podem ser constituídas menos pelo contraste com o outro gênero e mais pelo contraste com outras versões do mesmo gênero [grifo meu].
Com o mesmo olhar, no Brasil, Pinto e Badan (2012), reconhecendo como característica recorrente a presença de força crítica na multiplicidade de abordagens, identificam três características nas discussões feministas sobre a linguagem.
A primeira seria a linguagem “impregnada da noção de poder e de efeitos”, como formadora de identidades possibilitando, assim, “deslocamentos identitários” (p. 134).
46 “The linguistic gender differences these researchers sought to identify and explain were not treated as
expressions of the innate dispositions of men and women, but as the results of a patriarchal socialization which produced the two groups as different and unequal”.
47 “Thus for instance Robin Lakoff (1975) famously characterized what she called ‘women’s language’, a
marked register indexing feminine gender, as a display of the subordinate status to which women in patriarchal societies were condemned: its hallmarks were powerlessness, insecurity, and triviality” (CAMERON, 2005, 485).
Os estudiosos e as estudiosas que relacionam gênero social e linguagem entendem que a identidade se produz na interação social, “[...] constituindo-se em operações de incluir e excluir, reafirmando relações de poder” (PINTO; BADAN, 2012, p.134).
A segunda característica está no fato de se considerar a linguagem como elemento essencial para a emancipação das mulheres. Afirma Caldas-Coulthard (2007, p. 233, apud PINTO; BADAN, 2012, p. 134):
A meu ver, já estava mais do que na hora de apresentarmos textos em que as mulheres fossem incluídas em seus textos. O meu propósito político, ao decidir apresentar meu trabalho todo no feminino, era o de chamar atenção para o problema. O livro não foi aceito pela editora.
Os textos são escritos no masculino gramatical e dificilmente seus/suas produtores/as se preocupam em adaptar a fim de fazer referência ao masculino e ao feminino. Há, no movimento social, quem já construa outras possibilidades para fugir do binarismo. A academia ainda não conseguiu criar e legitimar uma forma linguística que possa ser usada com o sentimento de pertencimento pela comunidade acadêmica.
Segundo Chouliaraki e Fairclough ([1999] 2007, p.6), “o discurso48 é uma forma
de poder, um modo de formação de crenças/valores/desejos, uma instituição, um modo de domínio social, uma prática material”, mas também “[...][é] um modo de ação, uma forma em que as pessoas podem agir sobre o mundo e especialmente sobre os outros como também um modo de representação [grifo meu]” (FAIRCLOUGH, [1992] 2001, p.91). Para ele, contudo, o discurso não se limita a representar o mundo, mas é parte dele. Esse elo entre ação e representação é elaborado numa relação dialética em que as regras do mundo interferem nas formas de produção do discurso e, portanto, de sua maneira de agir, ao mesmo tempo que agindo, afeta e pode – em níveis distintos de potência – modificar a estrutura social, suas crenças e valores. Efeitos construtivos do discurso referem-se, primeiro, a “identidades sociais” e “posições de sujeito”; segundo, à ajuda na constituição de relações sociais entre as pessoas e, por fim, o discurso interfere na construção de [novas] crenças (FAICLOUGH, [1992] 2001). Assim, na perspectiva de Fairclough ([1992] 2001; [1999] 2007; 2003), da mesma forma que ele atua para a manutenção do status quo, também pode transformar a sociedade.
Magalhães (2008, p. 62), ao realizar um estudo sobre discursos e identidades de gênero na alfabetização de jovens e adultos, acrescenta que “o discurso também
48 A Sociolinguística trata o discurso como representação da realidade, por meio da reprodução de dada
significa, por meio do corpo, constituindo formas de ser, identidades pessoais e sociais (estilos)”.
A terceira característica proposta por Pinto e Badan (2012) em relação às discussões feministas sobre a linguagem é que “[...] a identidade é central para as escolhas epistemológicas.” (PINTO; BADAN, 2012, p. 134). Seja tratando de si, seja tratando de um coletivo de mulheres, a identidade apresenta-se como princípio fundamental das pesquisas, porque revela como essas mulheres se reconhecem na sociedade e como avaliam que suas práticas são capazes de afetar o seu cotidiano.
Magalhães (2003), em sua pesquisa “Interdiscursividade e identidade de gênero”, afirma que “A linguagem considerada como discurso ou prática social constitui identidades sociais, inclusive as identidades de gênero” (2003, p.36). Considerando os processos históricos, traz a mobilidade e/ou flexibilidade das identidades como uma possibilidade mais adequada às análises ligadas à modernidade tardia. Para Magalhães (2003), o declínio das velhas identidades (HALL, 1997, p.7) também tem relação com um período de intensas interações sociais, em sistemas de caráter globalizado (CHOULIARAKI; FAIRCLOUGH, [1999] 2007, p.3, tradução da pesquisadora),
Nas últimas duas décadas tem havido um período de profunda transformação econômica e social em uma escala global. Economicamente, tem havido uma relativa mudança da produção de massa e consumo de bens “Fordista” para a “acumulação flexível”. “Flexibilidade” se tornou um conceito e uma prática chave que cobre tanto a inovação tecnologia intensiva na diversificação da produção, quanto a “flexibilidade” do trabalho, onde os trabalhadores de curto prazo e meio período são cada vez mais comuns (HARVEY, 1990). Ao mesmo tempo, unidades de produção são cada vez mais transnacionais. Politicamente, o “neo-liberalismo” se estabeleceu internacionalmente. Essas profundas mudanças econômicas foram descritas como introdução da nova era “pós-industrial” na organização do capitalismo moderno (BELL, 1978). As transformações culturais, que são largamente referidas como “pós- modernismo”, são, de acordo com alguns teóricos sociais, a faceta cultural dessas mudanças econômicas (BECK, GIDDENS e LASH, 1994; GIDDENS 1991; HARVEY, 1990, 1996; JAMESON, 1991; LASH e URRY, 1993). [grifo meu]49
No início da tese, em 2014, havia um sentimento de ampliação das fronteiras neo-
49 “The pasto two decades or so have been a period of profound economic na social transformation on
global scale. Economically, there has been a relative shift from ‘Fordist’ mass production and consumption of goods to ‘flexibility’ of technological inovation in the diversification of production, and the ‘flexibility’ of labour where short-term and part-time working are increasingly the pattern (Haven 1990). At the sime time, units of production are increasingly transnational. Politically, ‘neo- liberalism’ has established itself internationally, These deep economic changes heve been described as introducing a new ‘post-industrial’ era in the organisation of capitalismo (Bell 1978). The cultural transformations thet are widely referred to as ‘postmodesnism’ are, according to some social theorists, the cultural faceto f these economic chages (BECK, GIDDENS e LASH, 1994; GIDDENS 1991; HARVEY, 1990, 1996; JAMESON, 1991; LASH e URRY, 1993)”.
liberais, um aprofundamento do mundo globalizado também em decorrência das novas tecnologias, contudo os anos de 2015 e 2016 são marcados por um volume de mudanças em direção contrária ao que ocorreu no entresséculos. Há um avanço do conservadorismo e o fortalecimento de políticas nacionalistas. Decidi que não seria possível trazer a análise dessas questões ainda tão embrionárias para o texto, não pela ausência de um posicionamento ideológico em relação ao que ocorre, mas por uma questão metodológica.
Diante desta observação, estou de acordo com Fairclough (2003) sobre a tese de que as mudanças culturais são uma faceta das mudanças econômicas. Da mesma forma, essas mudanças econômicas e sociais interferem nos modos de ser e de agir.
Para Fairclough (2003), existem diferentes formas de agir por meio de diferentes gêneros, falados ou escritos. Nesses gêneros, estão representações do mundo material, de práticas sociais ou autorrepresentações. Aqui, Fairclough entende que as representações podem ser entendidas como uma questão discursiva negociada (ou afetada) pelo gênero discursivo. O gênero também é um elemento que impõe orientações para o estilo.
Segundo Fairclough (1999, p.91), o discurso não só é capaz de representar o mundo, mas é também uma forma de incidir sobre ele, numa relação dialética entre discurso e estrutura social. Para ele, o discurso não se limita a representar o mundo, mas é parte dele. Efeitos construtivos do discurso referem-se, primeiro, a “identidades sociais” e “posições de sujeito”; segundo, à significação de relações sociais entre as pessoas; e, por fim, o discurso “contribui para a construção de sistema de conhecimento e crença” (1999, p. 91). Não muito distante disso, Fairclough (2003, p. 123) defende que o discurso é meio para representar o mundo, não só considerando o mundo material (processos, relações e estruturas), o mundo mental (pensamentos, sensações e crenças) e o mundo social, mas também considerando o mundo projetivo e imaginário.
Chouliaraki e Fairclough ([1999] 2007, p. 4, tradução da pesquisadora), afirmam que “É uma importante característica das mudanças econômicas sociais e culturais da modernidade tardia suas existências tanto como discursos como processos que estão ocorrendo fora do discurso, e que os processos que estão ocorrendo fora do discurso são substancialmente moldados por esse discurso”50.
50 “It is na importante characteristic of the economic, social and cultural changes of late modernity that
they exist as discourses as well as processes that are taking place outside discouse as substantively shaped by these discourses”.
Em Discurso e Mudança Social, Fairclough (1999, p.253) afirma:
Aspectos discriminatórios (e, portanto, antidemocráticos) da língua e do uso linguístico tem sido largamente documentados, como o uso de 'ele' como se fosse um pronome genérico para se referir tanto a mulheres quanto a homens, ou o uso de 'homem' e termos semelhantes, a exemplo de 'coordenador' (Graddoll e Swann, 1989: 99-110). Se 'ele' fosse genuinamente genérico, seria usado indiferentemente para se referir a membros não específicos de grupos de pessoas. Contudo, existem de fato alguns casos em que 'ela' e largamente usado dessa forma, por exemplo, "se uma secretaria(') começa a sentir dor nas costas, há chances de que o equipamento do escritório dela esteja com defeito". 'Ela' e usado dessa forma quando o membro estereotipado do conjunto de pessoas em questão é uma mulher: a secretária típica, ou enfermeira, e uma mulher. Mas se o uso de 'ela' para referência não específica está baseado em um estereotipo, não ocorre o mesmo com 'ele'? Se regras universitárias contêm coisas como essa: "Se um aluno deseja interromper seu curso por razões pessoais ou de saúde, ele deveria discutir a questão com seu orientador em primeiro lugar". Ai não e o estereotipo de 'o aluno' masculino?
As representações particulares podem diferir, o que demonstra as discrepantes relações que as pessoas estabelecem. Nesse estudo, o autor ainda acrescenta que é o discurso o elemento a que as pessoas recorrem para se relacionarem umas com as outras e para negociarem os termos dessa relação. Assim, na perspectiva de Fairclough ([1992] 2001), da mesma forma que o discurso atua para a manutenção do status quo, também pode transformar a sociedade.
Cameron (2010), em estudo realizado sobre a identidade de gênero e a construção da masculinidade heterossexual de jovens do sul da Califórnia, buscou verificar se suas falas se aproximavam da percepção de senso comum de que o estilo conversacional masculino “é competitivo, hierarquizado em tópicos 'impessoais' e na troca de informação, e que evidencia gêneros conversacionais como piadas, troca de insultos e resultados de jogos” (p.130).
A pesquisadora, ao analisar o uso da fofoca masculina, não tinha o intuito de verificar se estavam utilizando um estilo conversacional “feminino”. Para ela, essa pesquisa justifica o argumento de que a fofoca não é um gênero feminino. Isso não quer dizer que não seja, na prática, mais comum entre as mulheres. A questão que se apresenta como fundamental não é a da recorrência, mas o motivo que essa prática é mais comum nesse coletivo. Se homens e mulheres vivem num mesmo espaço-tempo, partilham de macroestruturas culturais, sociais e econômicas, a circulação dos gêneros discursivos está à disposição de todos os gêneros sociais. Então, o uso dos gêneros discursivos é uma escolha política, e muitas vezes ocorre pela reprodução de “formas de
falar 'adequadas' a seu próprio sexo” (CAMERON, 2010, p. 145).
A escolha desses padrões linguísticos (orais ou escritos) pode variar.
[…] Mesmo para o indivíduo que se orienta claramente por noções tradicionais de gênero, há uma gama de identidades de gêneros possíveis de ser abordadas […] Podem ser necessárias diferentes estratégias, quando a conversa envolve o mesmo gênero ou quando há a sua mistura, quando se dá em situação privada ou em público, segundo deferentes posições sociais (pais, mães, amantes, profissionais, amigos) que as pessoas podem ocupar nas suas vidas cotidianas. (CAMERON, 2010, p.145)
Concordo com Cameron, pois a fala teoricamente não é de um grupo; mas a prática social pode segmentar determinados grupos, inclusive por questões de poder. Mills (1995, p.1) afirma que os textos atuam sobre os seus leitores de modo inconsciente. Assim, ela propõe uma análise profunda para ajudar o leitor a perceber como as escolhas realizadas na elaboração do texto podem servir mais a um determinado grupo social do que a outro. Ela assume para a sua pesquisa um objetivo que já estava posto em Fairclough (1989), em sua obra Linguagem e Poder.
Norman Fairclough afirma em seu livro Linguagem e Poder que seu objetivo é ‘ajudar a aumentar a consciência da linguagem e do poder, e particularmente de como a linguagem contribui para a dominação de algumas pessoas pelos outros’ (Fairclough 1989: 4). Em muitos aspectos, eu concordo com esse objetivo, uma vez que a análise da linguagem pode ajudar o leitor a estar ciente das ideologias de diferença de gênero que são opressivas. Mas este não é o meu único objetivo, já que as ideologias de gênero não são somente opressivas, e elas não são simplesmente impostas às mulheres pelos homens. As mulheres e os homens constroem seu próprio senso de si dentro dos limites dessas estruturas discursivas, e constroem seus prazeres e desenvolvimento emocional, muitas vezes em resistência consciente a essas condicionantes, bem como em conformidade com essas restrições (MILLS, 1995, p.2, tradução da pesquisadora)51.
É com base nesse ponto de vista [de que a linguagem contribui para a dominação] que proponho verificar como a vida das mulheres acadêmicas tem mudado ao logo dessas três gerações.
Lakoff ([1975] 2010), por sua vez, em texto intitulado Linguagem e lugar da mulher, diz que “somos usados pela linguagem tanto quanto a usamos” (p.13). Para a
51 Norman Fairclough states in his book Language and Power that his objective is ‘to help increase
consciousness of language and power, and particularly of how language contributes to the domination of some people by others’ (Fairclough 1989:4). In many ways I would agree with this aim, since analysis of language can help the reader be aware of ideologies of gender difference which are oppressive. But this is not my only aim, since ideologies of gender are not solely oppressive, and they are not simply imposed on women by men. Women and men construct their own sense of self within the limits of these discursive frameworks, and build their pleasures and emotional development, often in conscious resistance to, as well as in compliance with, these constraints.
pesquisadora, existe uma problemática linguística que precisa ser posta: “é possível corrigir a desigualdade social por meio da mudança das disparidades linguísticas?”. Para ela, as mulheres sofrem preconceitos em duas perspectivas: uma delas na forma como ocorre o ensino para as mulheres e a outra na forma como a linguagem é dirigida a elas. Além disso, as escolhas linguísticas realizadas pelas mulheres podem implicar processos de exclusão social. Qualquer aproximação linguística com o que é um comportamento linguístico estereotipado como comportamento masculino põe em risco a habilidade social de a mulher viver em sociedade. Como sugere Lakoff ([1975] 2010, p.15), “Em função da forma como fala, a menininha – então uma mulher adulta – será acusada de não conseguir falar claramente ou expressar-se convincentemente”.
Cameron (2005), ao incluir a obra de Lakoff ([1975]2010) na história dos estudos de gênero e linguagem, descreve seu trabalho como centrado na abordagem da “dominância” e acrescenta que estudos posteriores de pesquisadores da diferença cultural, no qual está Deborah Tannen (1990)
[...] argumentariam que as diferenças lingüísticas de gênero eram produzidas não pela subordinação das mulheres como tais, mas pelos arranjos sociais que separam os gêneros no período formativo da infância e da adolescência. Meninos e meninas, argumentou-se, aprendem diferentes maneiras de falar nos grupos de pares do mesmo sexo onde sua socialização principal ocorre. Eles pertencem a subculturas diferentes, e a comunicação entre eles é análoga à comunicação intercultural, implicando muitos dos mesmos problemas.
A estigmatização das mulheres pelas suas escolhas é um risco que nós, mulheres, corremos. Estou num caminho em que a escolha pela busca do poder social e acadêmico – por meio da socialização de saberes – pode ao mesmo tempo nos excluir, porque nos apropriamos daquilo que foi historicamente reconhecido como produção do homem; e nos excluir, porque não conseguimos por meio da linguagem sustentar discursivamente o saber de que nos apropriamos. Em outras palavras: “precisamos saber” e “precisamos saber como sustentar o saber”, a fim de enfrentar uma sociedade que não acredita na capacidade de produção científica das mulheres. Um problema é que quando nós, as mulheres, temos acesso a espaço que antes eram prioritariamente de homens, para que sejamos aceitas, adotamos as regras linguísticas do discurso masculino.
Uma área que os pesquisadores têm abordado é o impacto da entrada das mulheres em instituições e profissões que antes eram fechadas a elas ou então massivamente dominadas pelos homens. O pressuposto óbvio é que as mulheres nesta situação serão obrigadas a assimilar a uma norma 'masculina' de uso da linguagem, e que algumas delas serão profissionalmente desfavorecidas em consequência. Mas enquanto alguns estudos descobriram isso, outros encontraram algo mais complexo, sublinhando mais uma vez a importância de reconhecer a diversidade local. (CAMERON, 2005, p. 497)
Lakoff ([1975] 2010) trata das distinções entre as linguagens de meninos e meninas. Sua pesquisa levanta a questão de que, quando crianças, meninos e meninas aprendem o que ela chama de “linguagem materna”, mas que, por volta de 10 anos de idade, os meninos começam a diferenciar o comportamento linguístico introduzindo um ar rudimentar, grosseiro, chocante, enquanto as meninas mantêm o padrão anterior.
Assim, uma menina está perdida se o fizer, e perdida se não fizer. Se ela se recusa a falar como uma dama, é ridicularizada e sujeita à crítica de não ser feminina; se ela aprende, é ridicularizada por não pensar claramente, por não conseguir tomar parte em uma discussão séria: em certo sentido, como sendo menos do que um ser humano completo. (LAKOFF, [1975] 2010, p.16)
Essas escolhas, para Lakoff, ocasionam dor. A sistemática negação de direito ao