PART IV CHAPTER 5: CONCLUSION
5.3. L IMITATIONS AND FURTHER RESEARCH
Por fim, os comentários a seguir parecem resumir algumas questões pedagógicas importantes: a maneira de construir conhecimento no ambiente virtual e a qualidade dos cursos.
Excerto 28:
E8: Sim, pois acredito que é uma forma gostosa de aprender, que tenta
fugir dos moldes de ensino tradicional.
Outro comentário: Acredito que, assim como cursos presenciais, há cursos à distância de boa e má qualidade. Mas vejo como algo
positivo e inevitável o aumento dos cursos à distância, pois esses sintonizam com o atual momento de informação e gestão de
conhecimento. O cuidado a ser tomado é fugir da superficialidade e
buscar interações entre as diversas formas de conhecimento.
Num primeiro momento, o informante contrapõe o ensino dito “tradicional” à EAD. Se a EAD é “uma forma gostosa de aprender”, o ensino tradicional seria uma forma “chata” e desestimulante. A EAD nem sempre é “gostosa”. Ela pode ser apenas uma transposição de antigos moldes de aprendizagem, como um texto que tem questões fechadas para serem respondidas, sem espaço para discussões ou pensamento crítico. Ser “gostosa” nos remete a algo fácil e que nos entretenha, mas será que todas as atividades de um curso virtual são assim? Ao mesmo tempo, um curso dito tradicional se refere a quê? Uma sala de aula com carteiras, alunos e professores é sempre enfadonha? Se assim é, por que os alunos dizem preferir as aulas presenciais?
Algumas vezes, a qualidade, que também é ressaltada nesse excerto, pode ser essencial para a EAD, assim como ela o é para o ambiente presencial. É importante ressaltar que o informante parece entender que em qualquer contexto há problemas - assim como cursos presenciais, há cursos à distância de boa e má qualidade - e que o caminho para um ensino melhor seria a combinação entre o novo e o já conhecido “pois esses sintonizam com o atual momento de informação” e que o cuidado deve estar em “fugir da superficialidade e buscar interações entre as diversas formas de conhecimento”.
O excerto 28 resume bem a discussão que envolve a chegada dos ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) e já citada por Litto (2010) ao discutir os problemas
que a EAD enfrenta. Não se trata de avaliar se a EAD é boa ou ruim, mas de aceitá-la como parte das mudanças contemporâneas e usá-la de maneira tal que ela contribua para a educação. Quanto maior diversidade de meios e ferramentas, maiores serão as chances de estarmos mais próximos dos nossos alunos e contribuirmos para seu desenvolvimento.
Resumo
Esta análise foi baseada nas representações que alunos fazem da EAD: o que se diz. Num primeiro momento, observamos que as formulações dos aprendizes são constituídas de vozes de discursos recorrentes em nossa sociedade, noções que perpassam os sujeitos e os constituem. Dentre esses discursos, optamos por discutir o discurso publicitário, o empresarial e o discurso pedagógico. Apesar de estarmos cientes de que esses discursos aparecem de forma imbricada, como se fizessem parte de uma mesma teia, procuramos fazer os recortes acima para melhor discuti-los.
Assim, ao analisarmos os dizeres de nossos informantes, a flexibilidade, o ganho de tempo ou mesmo oportunidades de conhecimento são vistos como qualidades presentes nos cursos a distância, reforçando a ideia da EAD como uma possível solução aos problemas dos alunos e ressoando características construídas pelo persuasivo discurso publicitário.
O discurso empresarial, por sua vez, aparece primeiramente no discurso de QT que permeia a escola de línguas, construindo a sua imagem como uma instituição que está voltada à eficiência e à qualidade dos seus produtos, nesse caso, os cursos de inglês. Além disso, esse discurso também ressoa nas vozes dos alunos, que procuram a qualidade como forma de melhorar a sua própria posição no mercado de trabalho por meio da língua inglesa.
É o discurso pedagógico, porém, que chama a atenção para a importância da interação, em especial com o professor, que é vista como essencial para o aprendizado. Ideais do bom professor e do bom aluno são reforçados nas formulações,
demonstrando que a visão dos participantes é povoada pelas noções de aprendizagem do pensamento moderno, do professor como o possuidor do saber, autorizado pela ordem do discurso como a pessoa mais competente para resolver todas as suas dúvidas.
O bom aluno, por sua vez, é aquele que tem disciplina e autonomia. Ao falar sobre essas qualidades, os informantes demonstram que não se veem como alunos ideais. Além disso, seus dizeres sobre o que esperam de um professor indicam que eles estão longe de ser tão autônomos como gostariam. A EAD aparece, então, como uma possibilidade de um curso diferente que traga a motivação que o ensino visto como “tradicional” não é capaz de proporcionar.
No próximo capítulo, verificaremos como era estabelecida a interação tutora- alunos nos cursos estudados.
CAPÍTULO 6
A interação: o que se faz no curso de inglês online
“Aprender uma língua é sempre, um pouco, tornar-se um outro.” Christine Revuz
Neste capítulo, analisaremos as interações entre a tutora e os aprendizes durante os cursos. Para tanto, foram observados os e-mails trocados por tutora-alunos de 2008 a 2010, durante os cursos. Um diferencial dos cursos da instituição era o de que cada aluno contava com um tutor, o que geralmente não acontece em outros contextos em que, pelo grande número de alunos em uma determinada classe, a atenção do tutor é desviada. Apesar de poder ter mais de um aluno, no contexto estudado esse número geralmente não passava de cinco. Esse fato tanto auxiliava, como atrapalhava a construção de conhecimento por meio da interação. Se por um lado o aluno sentia-se privilegiado por ter alguém que o acompanhasse de maneira personalizada, por outro, ele não tinha muitas oportunidades de trocas com outros alunos.
Os excertos a seguir33 são todos provenientes de uma mesma tutora, que era prestigiada pelos alunos e pela instituição por ser capaz de manter-se próxima da maioria aos alunos. Essa circunstância era destacada tanto pela coordenadora do curso como pelos próprios alunos em sua avaliação. Nosso objetivo é discutir como a tutora estabelecia (ou não) essa interação com esses alunos nesse contexto de aprendizagem. Notamos que uma narrativa que envolve tutora-aluna é muitas vezes
33 Touas as transcrições foram reprouuziuas ua maneira como foram escritas. As incorreções linguísticas foram mantiuas, assim como a mistura uo inglês e português nas frases. Quanuo nos referimos às interações entre tutora e aluno, temos as inuicações “T” (tutora) e “A” (alunos A1, A2, etc.). Os grifos são nossos.
criada, o que auxilia a interação. Ao mesmo tempo, a tutora procurava demonstrar que estava observando os passos de cada aluno, o que geralmente provocava algum tipo de resposta do aprendiz.
Em nosso contexto, podemos perceber claramente as funções de Berge (1997) mencionadas por Teles (2009): a pedagógica, a de gerenciamento, a de suporte social e a de suporte técnico, as quais, muitas vezes, se mesclam aos discursos que atravessam os falantes, como o discurso publicitário, o empresarial e o pedagógico, que mencionamos anteriormente. Em nossos excertos, essas funções e discursos não se encontram de forma separada, mas interligadas ao próprio fio narrativo que é estabelecido entre a tutora e os alunos. Para cada aprendiz, a comunicação é estabelecida por meio de uma aproximação geral com as boas vindas da tutora aos alunos, um exemplo claro de suporte social que tenta trazer o aluno para mais perto do curso e do tutor. A aproximação entre tutora-aluno num espaço tão curto de tempo é desafiadora, e a maneira como isso é feito acaba por revelar um pouco da subjetividade dos envolvidos na interação. Assim, as outras funções vão-se mesclando à função de suporte social, dependendo de cada interlocutor.