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L IK BEGYNNELSE , MEN FORTSETTELSEN HANDLER OM FORSKJELL

6. FORSKJELLEN MELLOM AV-OG-TIL-RØYKERE OG DAGLIGRØYKERE

6.1 L IK BEGYNNELSE , MEN FORTSETTELSEN HANDLER OM FORSKJELL

Como dito anteriormente, consideramos discurso o corpo simbólico representado no todo apresentado durante a comunicação, fala, linguagem e postura.

Foucault (2010) discorrerá longamente sobre a ordem do discurso e a importância de sua análise na desconstrução e compreensão dos signos de dominação utilizados pela classe dominante com o propósito de exercer o poder. Aquele autor aponta que a classe dominante tem a necessidade de legitimar seu discurso e busca construir uma aura de verdade em torno dele.

É que se o discurso verdadeiro não é mais, com efeito, desde os gregos, aquele que responde ao desejo ou aquele que exerce o poder, na vontade de verdade, na vontade de dizer esse discurso verdadeiro, o que está em jogo, se não o desejo e o poder? (FOUCAULT, 2010, p. 20).

Ao analisar a estrutura organizacional a qual se estrutura a EBC e o perfil de seu

corpus administrativo, perceberemos a estrutura arquitetada para a manutenção do poder e

reforço das bases piramidais sociais que formam historicamente a sociedade brasileira, branca, masculina e burguesa. Esta comprovação é possível inicialmente, a partir da análise das fotos do corpo diretor e administrativo constantes no Plano Estratégico 2012/2022, lançado em novembro de 2012, disponível apenas de forma impressa, onde tive acesso por na época ser colaborador da empresa.

Em uma crítica análise das fotos constantes nos campos que designam os membros do corpo diretivo da empresa , teremos trinta e três membros diretores ou conselheiros representados. Dentre estes, encontraremos apenas um membro com a pele retinta – claramente do segmento negro, lembrando que no Brasil a cor é autodeclarada (IBGE 2010), membro da sociedade civil representada no conselho curador. Dois orientais – um membro da

sociedade civil no conselho curador, e, outra, membro do conselho fiscal. Somando o total de um negro, perceptível e com traços negroides13 e onze mulheres.

Gráfico 1 – Corpo diretivo da Empresa Brasil de Comunicação por sexo.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Gráfico 2 – Corpo diretivo da Empresa Brasil de Comunicação por cor.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Esta parece ser a verdade da empresa neste momento da análise, observamos nesses dados uma manutenção do histórico status quo do poder brasileiro e totalmente divorciado do

13 Enfatizando que estes dados foram auferidos por fotografia, o autor em nenhum momento questionou os

discurso centrado na diversidade étnico-social. Estes elementos imagéticos reunidos produzem um significado possível de ser interpretado. Tomando como referência a obra de Foucault, onde em sua vasta pesquisa sobre poder e construção discursiva, ele nos informará, que diversas práticas e instituições sociais são construídas por formas de discurso e situadas dentro delas. Assim, para Foucault, um discurso é meio tanto de produzir quanto de organizar o significado dentro do contexto social (EDGAR; SEDGWICK, 2003).

Os perigos políticos inerentes ao uso ordinário da televisão devem-se ao fato de que a imagem tem a particularidade de poder produzir o que os críticos literários chamam o efeito de real, ela pode fazer ver e fazer crer no que faz ver (BOURDIEU, 1997, p.28).

Importante salientar, que não é de nosso interesse estabelecer a verdade dos fatos, isso porque, desconhecemos tais verdades. Verdade poderia aqui ser considerada uma palavra polissêmica, possuidora de diferentes interpretações. Intencionamos isto sim, trazer dados para o debate e construção de uma TV pública diversificada e independente. Esta realidade apresentada, e por nós analisada, está de acordo com um determinado grupo que há séculos luta para se ver representado na mídia, nos espaços de poder. Tal qual Iasbeck (2004), acreditamos que na verdade, toda verdade é uma versão autorizada e interessada da realidade. Portanto, na verdade, não há realidade fora do signo e não há verdade fora da leitura intencionada, interessada e direcionada dos sinais.

1.3.1 Desestruturação da estrutura

A EBC tem dificuldade de comunicar e/ou compartilhar, conforme Sfez (1994), a partir da diversidade étnico-social. Em diálogo com a sociedade brasileira, a empresa deveria ter o desafio de incorporar a diversidade à sua estrutura organizacional. No momento em que o governo federal propôs a reserva de vagas em concursos públicos para negros, os funcionários da EBC pleitearam que todos os cargos de chefia e direção fossem preenchidos de acordo com critérios de gênero e raça, proporcional ao verificado no país.

A EBC aguardava a tramitação do Projeto de Lei nº 6.738/2013 que reserva a pretos e pardos (negros) 20% das vagas oferecidas nos concursos do executivo federal, e enquanto o projeto tramitava, a diretoria se comprometeu com a implantação do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, da Secretaria de Políticas para as Mulheres. A adesão – defendida nas duas últimas pautas de reivindicações do acordo coletivo – ocorreu em setembro de 2013. O

Projeto de lei que prevê cota para negros em concursos públicos no âmbito federal, foi aprovado pelo Senado Federal no dia 20 de maio de 2014 e sancionada pela Presidente Dilma Rousseff em 09 de junho de 2014.

No momento em que se deu o desenvolvimento da presente pesquisa (2013/2014), a estrutura da empresa se mostra excludente. A EBC tem apenas uma mulher entre os seus oito cargos de diretoria executiva, Nereide Beirão, diretora de jornalismo. A presidência, ocupada nos primeiros anos pela jornalista Tereza Cruvinel agora está sob a responsabilidade do jornalista Nelson Breve. Os seis superintendententes, vinculados à Diretoria Geral, são homens, assim como os principais gestores da vice-presidência.

Ainda assim, buscamos também um pequeno esboço do perfil étnico/cor do quadro de apresentadores/jornalistas da TV Brasil para verificar a cor/etnia daqueles profissionais que levam ao ar os programas diários e semanais da TV pública brasileira e a representatividade deste quadro à identidade brasileira ou ainda à política de diversidade da empresa.

Para isso, excluímos os programas encontrados sobre periferia e Hip Hop, onde, na maioria das emissoras estão os “Representantes da Raça” e privilegiamos os programas jornalísticos e de entretenimento geral, programas que abarcam o interesse de toda a audiência e não de nichos específicos. Assim, pesquisamos os vinte programas que consideramos se adequar a categoria do interesse geral. Das duas dezenas de programas pesquisados encontramos vinte e seis apresentadores, alguns programas possuem dois apresentadores, e, desses, apenas uma apresentadora negra, de pele escura e traços físicos que remetem a descendência africana, conforme gráfico abaixo14.

Em tempo, assim como em todo o trabalho, dividimos os apresentadores e também os sujeitos da pesquisa em duas categorias objetivas, negros e brancos, pois, consideramos que independentemente da atual classificação adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o censo de 2010, historicamente, e isto está no inconsciente coletivo nacional, os brasileiros se dividem entre ricos, pobres e classes médias, ou seja, brancos, negros e mestiços/quase brancos. É a tal da “Raça Social”.

“Raça Social” é a expressão encontrada por Valle e Silva para explicar esse uso travesso da cor e para entender o “efeito branqueamento” existente no Brasil. Isto é, as discrepâncias entre cor atribuída e cor autopercebida estariam relacionadas com a própria situação socioeconômica e cultural dos indivíduos. (SCHWARCZ, 2012, p. 106).

14 Enfatizando que estes dados foram auferidos por vídeo e fotografia, o autor em nenhum momento questionou

O quadro abaixo nos apresenta a falta de ousadia da empresa pública em reconstruir os signos consolidados pela televisão brasileira, e a falta de autonomia de seus gestores frente as demandas do mercado televisivo que impõe este modelo eurocêntrico e sem originalidade.

A televisão é um instrumento de comunicação muito pouco autônomo, sobre o qual pesa toda uma série de restrições que se devem às relações sociais entre os jornalistas, relações de concorrência encarniçada, implacável , até o absurdo, que são também relações de conivência, de cumplicidade objetiva, baseadas nos interesses comuns ligados à sua posição no campo de produção simbólica e no fato de que têm em comum estruturas cognitivas, categorias de percepção e de apreciação ligadas à sua origem social, à sua formação ( ou à sua não-formação), (BOURDIEU, 1997,p.50/51).

Gráfico 3 – Apresentadores da TV Brasil por quantidade/cor.

Fonte: Elaborado pelo autor.

O problema na estrutura organizacional das empresas de comunicação e no jornalismo não é exclusividade da EBC. Levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) mostrou que, embora a maioria dos jornalistas seja mulheres, brancas e jovens (64%), elas ocupam posições hierárquicas mais baixas e recebem salários menores que os homens. Já os negros e negras jornalistas somam 23% desses profissionais, o que não corresponde nem de perto ao percentual de 50,74% de pretos e pardos (negros) na sociedade brasileira, segundo o IBGE (2010).

Enfim, este processo por que passa a construção da Empresa Brasil de Comunicação é um processo que perpassa a sociedade brasileira atual, com a reacomodação de poderes políticos e luta por espaço. Uma construção e desconstrução de signos que nos remete a

análise de Luis Carlos Iasbeck sobre o processo comunicacional, que, naturalmente se percebe nos significantes gestacionais.

A comunicação é um fenômeno semiótico. Antes de se configurar como processo de estímulo e resposta, antes mesmo de assimilar tantos e tantos aparatos capazes de sofisticar as linguagens, armazenar informações, estocar lembranças e memórias, disponibilizar recursos de transporte e recuperação, a comunicação segue sendo um fenômeno bastante simples de constatar e intensamente complexo de se administrar. (IASBECK, 2002, p. 01).