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KAPITTEL 5: EMPIRISKE FUNN

5.5 L EGITIMITET

A ressonância do debate sobre o papel do jovem na sociedade permite que alguns autores, a exemplo de Castro e Spósito ( 2005) apostem numa perspectiva otimista, ao

77 acreditarem que um novo cenário está em construção, viabilizado pela organização de movimentos sociais. Nas últimas décadas, importantes mudanças têm sido verificadas, tanto no aspecto político como nas pesquisas acadêmicas, com a presença emergente dos jovens no meio rural. Ou seja, a agenda pública, constituída por ONGS, Movimentos Sociais e pela Universidade, desenvolve e propõe posicionamentos a respeito desta importante problemática. Essa percepção torna-se evidente, se olharmos para as questões relacionadas ao rural, que têm aglutinado os jovens em defesa do meio como, por exemplo em prol da reforma agrária. Nesse ensejo, os movimentos sociais77 se organizam em torno dos jovens, criando, dessa maneira, uma nova concepção de juventude, na medida em que atribuem legitimidade aos seus posicionamentos.

Recuperando o percurso histórico dos movimentos sociais podemos observar que dos anos 90 para cá novos processos de luta se inseriram na construção de novos movimentos com uma presença significativa de jovens78. É pertinente ressaltar, entretanto, que tais movimentos sugerem mudanças que ocorrem a passos lentos e, enquanto não se concretizam, o jovem continua enfrentando sua condição, com as políticas públicas pouco investindo em ações eficazes, sendo visto como um sujeito sem direitos, com pouca credibilidade social. Um sujeito definido com perspectivas futuras insuficientes e inconstantes em virtude da sua transitoriedade.

Se olharmos para os movimentos sociais relacionados às forças da esquerda, podemos dizer que o MST se configura como um dos que ainda consegue visualizar a sua juventude. Basta considerarmos as suas atividades e identificaremos que o conjunto da sua estrutura organizativa se compõe basicamente de jovens.

Para o MST, a participação desses no conjunto de mobilizações que são desencadeadas, tanto nas ocupações, nos atos políticos, cursos e encontros são expressivas,

77 Nos anos 60, emergem os chamados movimentos sociais e adquire visibilidade uma série de grupos que lutam

por reivindicações e pertencimentos não mais orientados pela ótica da centralidade.

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Podemos ressaltar as mobilizações de protestos vivenciadas no momento pós-segunda guerra mundial, que contaram com uma expressiva participação dos movimentos estudantis, resultando inclusive na morte de milhares de jovens. No Brasil é a partir da década de 50 que a juventude se vincula a um processo de mobilização social. Os jovens assumem uma atitude crítica perante o paradigma estabelecido, através de movimentos estudantis que visavam propor alterações políticas e comportamentais. A nova geração de caráter idealista adquire visibilidade quando se alia a partidos de esquerda ou se engaja a movimentos culturais que questionavam os padrões culturais vigentes, principalmente, os relacionados ao sexo, às formas de comportamento e ao consumo. Já a década de 80 registra um quadro marcado por um processo de fragmentação, permeado pela apatia. Ou seja, aqueles que queriam transformar o mundo mediante idéias revolucionárias, como tributo à liberdade, não mais figuram nesse contexto. Os jovens desse período histórico são percebidos como indiferentes, formando uma geração individualista, consumista, conservadora e, acima de tudo, alheia aos assuntos públicos. A grande crítica apresentada a essa geração é pela sua incapacidade de resistência ou mesmo a recusa de criar alternativas ao sistema social vigente (ABRAMO, 2002).

78 sobretudo se levarmos em consideração que a inserção dos jovens na esfera pública não contempla as dimensões das lutas empreendidas no mudo rural, que contam com o apoio decisivo dessa categoria. Sob esta realidade, o “MST pode ser considerado uma modalidade de ação do jovem do campo na esfera pública”( Citação retirada do documento do I Curso sobre a realidade brasileira para jovens do meio rural realizado em 1999. )

Diante de tamanha importância que o MST imputa aos seus jovens cabe-nos uma indagação: como os define? A ideologia do MST defende que o jovem deve ser um sujeito capaz e preparado para expressar seu espírito de dever para com a sociedade, demonstrando estímulo e coragem para lutar. Deve ser, portanto, exemplo vivo de um potencial revolucionário, capaz de romper com a estrutura dominante, recusando a passividade no meio social.

Sob este paradigma, a idade nunca foi uma questão central para o MST definir a sua juventude, até porque o Movimento tem contado com a participação efetiva de militantes jovens no conjunto das suas instâncias. Os membros da Direção Nacional, por exemplo, têm, em média, 30 anos e os coordenadores dos setores nacionais por volta de 27/30 anos. Ou seja, a participação dos jovens nesses espaços políticos de direção é uma prioridade do MST. É importante ressaltar, no entanto, que para se tornarem dirigentes políticos, assumindo tarefas na direção nacional, os jovens passam por um processo de formação que começa quando ainda são “sem terrinha”79

O setor de Formação Nacional do MST compreende que a juventude é a esperança para a continuidade do Movimento. Nesse sentido, tem procurado meios para tornar esse jovem engajado cada vez mais junto às causas que defende. Trabalha na perspectiva de difundir aos mesmos pelo menos três processos: compreender as normas gerais e a estrutura organizativa do Movimento; a sua evolução histórica, através do programa de reforma agrária que defende e, por último, conhecer as linhas políticas que orientam a práxis do Movimento.

A grande preocupação é como trabalhar esses elementos com a juventude. Nesse sentido, defende a organização de brigadas de jovens nos assentamentos e acampamentos. Esta é uma forma de atribuir a esses sujeitos tarefas e responsabilidades políticas que o fará evoluir politicamente. O dirigente Nacional João Paulo assim se manifesta:

Entendemos que o processo de formação é uma combinação da luta, da organicidade e do estudo. Este só terá resultados se se tratar de um processo combinado. A formação e a educação contribuem principalmente no estudo, na pesquisa, no entendimento da relação da teoria com a prática e ajudam

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nas elaborações teóricas de nossa prática ( Entrevista realizada em 04 de Abril de 2009).

João Paulo Rodrigues, (Direção nacional do MST), defende ainda que nessa atual conjuntura a principal questão a ser debatida na instância interna do Movimento é como garantir a participação de todos que compõem a família, conscientizando-os da importância de sua atuação. Com isso, cria-se espaços para a formação de novas lideranças além do pai, dono da terra. Nesse intuito, vem lutando para que créditos sejam destinados à juventude, a fim de que esta possa iniciar o seu trabalho no assentamento de forma mais autônoma, desatrelada do patriarcalismo. Tal medida permitirá a ampliação de mais espaços para que os jovens participem cada vez mais da organização do Movimento, dando assim continuidade à sua luta, no sentido de construir uma proposta de reforma agrária digna.

Na verdade, esse é um pensamento homogêneo que o MST, através de sua instância nacional, defende. De acordo com o jovem militante Antonio Francisco Neto,80 o foco principal em relação à juventude é na luta estratégica principalmente de construir uma unidade entre as forças de esquerda desse país, a partir da sua juventude” Neto assim se expressa:

Não queremos só pensar em juventude para lutar para políticas públicas que sejam necessárias para a permanência do jovem no campo. Isso é importante, mas o nosso foco principal é como podemos colocar essa juventude que está lá nos assentamentos e acampamentos da reforma agrária para pautar a questão da luta pela reforma agrária e da luta por outra sociedade que é nosso grande objetivo.(Entrevista realizada pelo observatório jovem do Rio de janeiro, 2008).

Paulo Mansan, Coordenador de Juventude da Via Campesina, compartilha desta mesma compreensão, defendendo que é o jovem do MST quem está ajudando na própria reprodução do Movimento: “se a gente olhar para o sentimento de pertença, se a gente olhar em todas as atividades dentro do MST a grande maioria é composta de jovens. Quem está dando vida, quem está motivando é o próprio jovem”. Defende Mansan.( Entrevista realizada em 17 de Setembro de 2008).

Assim, o Movimento vê o jovem como sendo a grande força para as mudanças .Esse reconhecimento, mesmo que tardio81,faz suscitar entre a categoria juvenil um sentimento de pertencimento.

80 Neto integra o Setor de Formação Nacional

81 Achamos tardio, porque 20 anos depois é que o MST vai discutir juventude como grupo específico,

reconhecendo-o enquanto tal ,pois os jovens participavam das mobilizações, exerciam funções de liderança e não eram reconhecidos.(grifo nosso)

80 Percebendo que o jovem se configura como uma frente de luta de destacada importância para o Movimento, o MST criou na sua estrutura um setor específico para a juventude, denominado setor de Juventude e Cultura. Nessa configuração o referido setor passa também a integrar o coletivo de Juventude Nacional. São dois jovens por estado ( um homem e uma mulher), que se articulam no processo de discussão e mobilização, já que a meta do Movimento é promover espaços de debates entre os jovens, apoiando-os nas suas iniciativas.82

O desafio do Coletivo de Juventude é, de fato garantir a sua permanência nessa coletividade, conformando suas atividades políticas, de lazer, conhecendo qual o lugar que este jovem ocupa no mundo. A perspectiva é oferecer espaços de oportunidades para que o jovem de fato construa o seu ser. Ou seja, a juventude enquanto constitutiva do Movimento também possa construir a sua ideologia.

O MST acredita que a luta e a organização social são elementos centrais no processo de formação da consciência. Nesse sentido, os jovens,ao participarem das lutas ou de algum processo organizativo, têm em geral um nível de consciência política ampliada em detrimento daqueles que não participam.

Defende João Paulo que “a juventude só se manifesta plenamente nos jovens que participam da vida coletiva. Os jovens que não participam de nenhum espaço coletivo têm dificuldade em exercer essa juventude”.

No assentamento Antonio Eufrosino, esta política vem sendo adotada, mesmo que de forma embrionária, com a implantação de projetos que possam aglutinar os jovens e despertá- los junto para um sentimento de pertencimento ao Movimento. As práticas ali exercidas se estabelecem a partir de encontros semanais que se estruturam tanto na forma de reuniões, como através de atividades práticas. Tivemos oportunidade de participar de algumas delas e pudemos observar que naqueles espaços sociais se legitimam determinados processos de construção de pertencimentos na medida em que várias formas de sociabilidades são oferecidas, seja através de atividades lúdicas, ou momentos mais reflexivos, como atos de mobilizações.

82 Embora desde o seu surgimento o MST conte com a participação dos jovens, tanto nas ações internas como

externas ( marchas, ocupações, encontros) esse fato só encontra consistência nos anos 1997 e 98, período em que o Movimento investe mais incisivamente na formação de jovens militantes, organizando campanhas de formação e inserindo os jovens em todas as suas instâncias.Com esse objetivo criou parceria com a Unicamp e no período de 1999 a 2000 realizou dois cursos de capacitação destinados a jovens do MST. O objetivo foi a formação de jovens para a militância política. A título de esclarecimento, esta parceria foi desfeita posteriormente tendo em vista que a nova direção da universidade não compactuava dos mesmos ideiais que a antiga gestão defendia .

81 Com essa perspectiva, a coordenação do assentamento promoveu um dia de mobilização interna como forma de lembrar o perfil histórico do Movimento. Para tanto, organizou-se uma programação voltada para suas ações, assim como para relembrar as perseguições sofridas, a exemplo da chacina de Eldorado dos Carajás,83 na qual vários militantes foram assassinados nos momentos de conflitos.

Sob este foco, foi realizado um dia de campo, com uma marcha no próprio assentamento. Na frente da fazenda Logradouro, o grupo se reuniu: eram jovens, crianças e adultos nos preparativos para a caminhada, que se destinava a um açude para uma aula em espaço aberto. Sob a coordenação de Suzy (militante), realizaram uma mística84, lendo poesias e narrando o episódio da referida chacina, ocorrido há 12 anos85.

Ilustração V- Preparativos para caminhada

Aquele momento constituiu-se como um espaço de reflexão sobre a trajetória do Movimento, lembrando-se o tombamento de vários “companheiros”. Assim, na medida em que o Movimento propõe a realização de práticas coletivas,na forma de militância política, está subjetivamente contribuindo para uma reflexão sobre a realidade social na qual estão inseridos, através de uma vivência de um momento que é físico, mas também psicológico.

83o MST realiza atos com marchas e protestos em 23 Estados do país onde está organizado e no exterior. A

mobilização denuncia a impunidade dos policiais militares que exterminaram brutalmente três famílias Sem Terra, que ocupavam a rodovia PA-150 para exigir a desapropriação de um latifúndio improdutivo. O 17 de Abril se transformou no Dia Internacional da Luta Camponesa da Via Campesina, organização internacional de movimentos sociais do campo, em memória aos 19 trabalhadores brutalmente assassinados no Massacre de Eldorado de Carajás. , no Pará, em 17 de abril de 1996.

84 A mística é uma prática que cotidianamente é realizada com a finalidade primordial de sempre reafirmar o real

sentido do projeto do MST. Ela se manifesta através de cantos, poesias, encenações, que se configuram num processo de subjetividade que se expressa pela representação. Caracteriza-se, assim, como uma necessidade de reafirmação de uma identidade em prol de uma luta social.

82 Com isso, possibilita ao jovem problematizar a sua realidade e se situar, buscando seu lugar nesta sociedade, numatransição para uma vida adulta com outras responsabilidades.

A marcha seguia no assentamento com as crianças à frente carregando faixas com os dizeres:“Queremos paz, liberdade e principalmente justiça”;“Carajás,12 anos de impunidade”; “Diga não a violência”; “Nosso sem-terrrinha em defesa dos índios”. Em seguida, desfilavam os jovens, com bonés e camisetas com símbolos do MST, animando a caminhada com batuques e músicas dos mais variados estilos: tanto as que entoavam a ideologia do Movimento, como de outros gêneros musicais. Naquele momento, acionavam referenciais identitários de forma multifacetada : ora de integrantes do MST, com os refrões: “Juventude que ousa lutar, constrói o poder popular”; “MST, essa luta é pra valer”,ora de jovens conectados aos estilos musicais difundidos pela indústria cultural.

Ao longo do caminho, mais pessoas se agregaram à marcha: o percurso foi longo, alcançando uma média de 5 km direcionando-se a um açude localizado no assentamento. Duas carroças acompanhavam o trajeto: uma de burro, carregando os mantimentos; e outra de boi, que conduzia algumas mulheres com crianças pequenas. Pegamos carona, pois o nosso condicionamento físico não nos permitiu continuar à pé. Chegando ao açude, a coletividade se dividiu e cada grupo assumiu uma tarefa. Os jovens sentaram em círculo e, sob a coordenação de Suzy, promoveram momentos de reflexão sobre o episódio dos Carajás, com a leitura de novas poesias. Esta intitulada “Ao mês de Abril”, sem autor definido, que expressa o seguinte:

Sempre que chega este mês, dá vontade de chorar. Da vontade de dizer, e vontade de lutar, por motivos muito certos, pois é como ficar perto de um tempo sem lugar. Tempo que a história comeu. Tempo que a história marcou, nas curvas com sangue novo. Tempo que levou do povo a esperança de viver.[...] E o dezessete de abril manchou de sangue e repique.[...] Abril do descobrimento. Abril da inconfidência. Abril de lá dos Carajás que já nos tira a paciência. Abril das manchas e lutas de combates e resistências. Abril de esperanças vivas que animam nossas consciências e nos faz seguir em frente, apesar das deficiências. Esta chama de esperança é quem nos leva pra frente, armando lonas na terra em todos os continentes, para dizer ao império, este sujeito demente, que embora ele tenha as armas, nós temos a força da gente, que, apesar de nos matar, o tempo não vai faltar, para nos ver independentes”.

Aquele, na verdade, era um momento solene, pois todos, atentos à leitura, refletiam sobre a bandeira de luta do Movimento. Para os mais jovens, uma verdadeira aula de história e de civismo. No nosso entender, pode ser caracterizado como uma construção identitária coletiva, na medida em que se reconheciam, enquanto Movimento na luta de seus iguais.

83 A observação participante86 nos proporcionou vivenciar, tanto em termos físicos quanto intelectuais, as ricas experiências culturais daqueles jovens, o que nos conduziu para a construção de várias interpretações sobre os processos que movem as suas identidades culturais.

Aquela experiência vivenciada igualmente por crianças, jovens e adultos inseridos em atividades políticas, mesmo que disfarçadas na forma do lazer, configurava-se como mais uma estratégia de participação coletiva que o Movimento apregoa. São, portanto, através desses espaços de circunstâncias que os jovens começam a se identificar como membros do MST. Isso ocorre independentemente da família, pois ao vivenciar experiências no assentamento, ele acaba exercendo um fazer político, referendando e fortalecendo a proposta do Movimento, incorporando sua ideologia. Agindo assim, o MST tem conseguido arregimentar jovens para sua militância, que começam a ser estimulados a partir do engajamento nas atividades que se identificam. Este, na verdade, é um processo de formação lento que se constrói através do exercício de múltiplas práticas.

Em razão do exposto, o assentamento torna-se um espaço de formação e a partir do instante em que os jovens começam a se inserir, acabam descobrindo que estão ali não apenas por questões circunstanciais, como ter que acompanhar o pai, por exemplo, mas estão ali porque acreditam também nas propostas do Movimento e as assume com bandeiras individuais.

Para a Coordenação nacional do MST, os jovens começam a se identificar com o Movimento, sempre que encontram espaços nas assembleias para se colocarem, quando vão para as manifestações ou quando participam de cursos de formação. Esta é uma proposta que vem sendo implementada no bojo de discussões do MST, no sentido de desenvolver espaços de debates no interior dos assentamentos para que os jovens possam, de fato,expressar seus posicionamentos, seus anseios. O Movimento acredita que esta é a melhor maneira de apoiar as iniciativas dos seus jovens.

No Assentamento pesquisado, os líderes locais demonstram essa concepção, discutindo os problemas ao redor da comunidade. Embora não tenhamos identificado a presença dos jovens nas reuniões que pudemos acompanhar no período da pesquisa de campo, eles afirmam suas participações. 28 dos 42 pesquisados garantem que participam das reuniões, e atestam que contribuem no momento, apresentando seus posicionamentos quando são necessários. O depoimento de Antonio, 23 anos , referenda essa assertiva. “Quando tem

86 A observação participante possibilita um meio contínuo entre ‘interior e exterior’ dos acontecimentos,

84 desistência de lote, eu indico quem tem condição de ficar no lote, indico o pessoal que está acampado.( Entrevista realizada em 26 de Outubro de 2007 ).

Outros, igualmente, confirmam que participam de quase todas as reuniões, assumindo funções ou de coordenador ou de relator, defendendo inclusive seus pontos de vista. John, 15 anos, afirma:“Participo, falo,dou meu ponto de vista, se acho bom eu digo, se errado também” (Entrevista realizada em 11 de Novembro de 2007).

Jandyra , 28 anos, entende que a participação dos jovens nos espaços de reuniões são importantes e contribuem para a melhoria do assentamento.

Artur, 16 anos, por exemplo, defende a necessidade de saber tudo que se passa no interior do assentamento: “ qual a idéia de eu me envolver com o Movimento? Eu tenho que saber tudo que acontece onde eu vivo, porque se eu não souber, eu estou perdido”(Entrevista realizada em 14 de Outubro de 2007).

Esta é uma das perspectivas que o Movimento pretende alcançar perante todos os seus jovens ao defender a ideia de que o jovem se sinta parte integrante da sua estrutura. É possível que esse grau de consciência de organicidade faça o Movimento avançar em outros aspectos que, de fato, legitimem a pertença desses jovens ao posicionamento desejado pelo MST.

Dilei Araújo advoga nesta direção e argumenta que a grande esperança do MST está, de fato, pautada nos jovens Ou seja, é esta categoria quem está dando vida ao próprio