• No results found

5. Læring og kunnskapsutvikling

5.2. Læring i programmene

Reconhecemos a forma de turismo adotada nas propriedades como aquela voltada para a realidade agropecuária e ao cotidiano da fazenda, identificamos nessas propriedades algumas atividades de turismo no espaço rural, que são: pousada-rural, camping, chácaras de recreio, restaurante ou bar rural, trilhas e aulas de campo.

De maneira geral, a Pousada Serra D’água tem no ecoturismo11 o seu principal segmento, servindo-se de várias trilhas e favorecendo a prática de um turismo de aventura.

A propriedade Fazenda Serra do Brigadeiro vive do turismo de experimento, assim denominado por causa das pesquisas científicas em suas terras. As duas restantes vivenciam apenas a atividade de camping modalidade turística.

Na propriedade onde o ecoturismo é o principal segmento, a presença de uma pousada-rural garante o diferencial do lugar, atraindo principalmente grupos familiares de outras cidades. Essa pousada-rural é a única do município.

“Olha, [...] é uma pousada e como ela é pequena, ela tem o trabalho de atendimento bem personalizado. As pessoas são bem atendidas eu acredito e ao mesmo tempo se sente bem a vontade. Não tem aquela coisa muito padronizada; não há um padrão de atendimento, mas um atendimento de padrão.” (Entrevistado C)

O tipo de seguimento existente , ou seja, o ecoturismo - que em muitas situações é identificado como turismo de aventura - representa um grande estímulo principalmente aos turistas mais jovens, os mais seduzidos por esse tipo de aventura. Porém, com um menor poder aquisitivo para se hospedar na pousada, tendem a preferir a área destinada ao camping.

Nas áreas de camping, também não ocorre uma padronização entre eles, apesar de circunvizinhos. O Camping Vale da Lua se apresenta mais estruturado, possuindo restaurante, banheiros e locais fixos destinados à instalação das barracas. Estes locais estão estabelecidos em dois níveis diferentes e aplainados.

“Para camping a estrutura é boa né; tem quatro chuveiros quentes, sanitários masculinos e femininos, tem áreas planas para as barracas né, tem um restaurante, que serve café da manhã, serve refeição, mas a idéia é fazer quartos e você pegar um público de maior poder aquisitivo.” (Entrevistado B)

O Camping Remanso possui pouca estrutura; não existe banheiro próximo às áreas de acampamento. Os locais para instalação de barracas são livres e se estendem ao longo de todo o rio. Na entrevista, o proprietário afirma que não existe reclamação por parte do visitante.

“Não, normalmente eles não têm queixa, não têm reclamado. Uma parte sempre fala: ‘o senhor poderia fazer um chalé, uns quarto’. Mas a estrutura é pouca aqui. O movimento é muito pouco, a gente pode fazer um investimento e não juntar gente. Você pode fazer que outros fregueses possam frequentá, tá certo? Fazer uns quarto, fazer uns banheiro lá embaixo [...].” (Entrevistado A)

“[...] por enquanto não tem separação. O povo acampa lá na beira do rio, é tudo livre, tudo aberto certo, não tem lugar fechado. Bem que eu queria fazer uma área tipo um campo, mas eles [IEF] não me autorizaram. Eu queria fazer com um trator, mas eles não me autorizaram, [...]. Se eles autorizarem eu até pago até por minha

conta a máquina. [...] tem um brejo, tem um lugar morrado, como é que você vai acampar? Não tem jeito uai. Tá daquele jeito, porque eles não autorizam pra gente. Se ele me autorizar, aí eu faço as coisas direitinho. Eu acho que merece. Ali deve ter umas sessenta pessoas por ali. O povo gosta daqui, é gente pra todo lado, hoje deve ter umas quarenta ou cinqüenta pessoas” (Entrevistado A)

Verificamos que todas as propriedades possuem trilhas e que são utilizadas pelos turistas. Algumas são de pequena extensão, como ocorre nas áreas internas dos camping. As melhores trilhas dos camping são as que se destinam ao Pico do Boné, principal atrativo do Município de Araponga, e que se encontram em áreas pertencentes ao PESB.

Na área da Pousada Serra D’água, as trilhas também são constantes e constituindo um dos principais atrativos da propriedade, sendo inclusive destinadas a esportes de aventura, como corridas de regularidade ou mesmo como aulas de campo de várias disciplinas escolares, contando inclusive com a condução do próprio proprietário.

“Quando é pra escola, eu mesmo faço [a condução da visita], porque a gente vai aprendendo com os biólogos, com o pessoal que conhece, com o próprio dia-a-dia, a experiência. Então, a gente acaba tendo um discurso interessante aí dentro da mata, a gente vai mostrando as coisas. É um negócio assim, muito sensorial; não tem uma palestra, a gente vai conversando, conversa daqui, conversa dali e funciona muito bem [...] e quando é para levar lá no alto, o pessoal mesmo vai; eu vou quando estou disponível pois adoro ir.” (Entrevistado C)

Também na Fazenda Serra do Brigadeiro a presença de trilhas é uma constante. No entanto, grande parte das trilhas não é destinada ao turismo de massa, mas utilizadas como meio de locomoção dos pesquisadores que trabalham na propriedade e vivem embrenhados na mata.

“Nós temos em torno da fazenda uma série de trilhas que foram feitas a trator na época do desmatamento da fazenda. Então, eu calculo que dentro da fazenda nós temos cento e cinqüenta quilômetros de estradas que a pessoa pode caminhar; estradas que ele pode observar a fauna com conforto sem ter que andar de lado praticamente em toda a região da fazenda.” (Entrevistado D)

Um fenômeno que vem ocorrendo na região e que observamos no Camping Vale da Lua e na Pousada Serra D’água é o lançamento de chácaras de recreio ou condomínio em áreas muito próximas aos empreendimentos turísticos. Nos dois casos, o terreno foi vendido pelos respectivos proprietários para essa finalidade.

Este é um fenômeno novo que ocorre na região e se caracteriza mais como um turismo de segunda residência, já que segundo os ex-proprietários do terreno, seus novos vizinhos - a maioria originários da cidade de Viçosa - só aparecem nos finais de semana e feriados.

Os dois empreendimentos imobiliários são divergentes entre si. O primeiro loteamento, denominado localmente de condomínio, pertencia ao Camping Vale da Lua. Constitui-se de alguns poucos lotes localizados entre os dois camping, com uma vista privilegiada do vale e que aproveita a pouca infra-estrutura do local; porém, as residências já construídas possuem um alto padrão quando comparadas com as moradias locais.

O segundo empreendimento localizado nas proximidades da Pousada Serra D’água é denominado de chácara e é mais recente. Possui uma melhor infra-estrutura, como abertura de ruas, calçamentos, água e luz. Essas chácaras são um projeto de complementação da renda conforme podemos comprovar na fala do ex-proprietário:

“[..] a minha história não tinha nada a ver com o café e com o gado. Para fazer essa fazenda funcionar com o café e com o gado eu teria que ter aqui uns dez funcionários, eu queria uma coisa um pouco mais leve pra mim, queria pegar uma coisa uma pouco mais leve que eu pegava na cidade, então o chacreamento pra mim é fácil, é claro que se eu quisesse uma coisa mais complexa, se eu fosse construir as casas todas do condomínio aí eu voltaria de novo àquela coisa pesada da cidade. Então como meio termo, fazendo só as chácaras, ela me complementa e é uma forma de eu trazer as pessoas aqui até a serra e é uma forma de eu aproveitar um pouco mais o restaurante, a minha infra-estrutura, que além da pousada, as pessoas que vierem comprar as chácaras aqui poderão usar um pouco mais essa estrutura.” (Entrevistado C)

Mesmo os proprietários que adquiriram as fazendas presumindo uma possibilidade de ativá-las com o turismo, não procuraram desenvolver o cotidiano produtivo agrícola. Seus objetivos não são o abastecimento do empreendimento com os próprios produtos.