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2. Faglig forankring

2.2 Læring i profesjonsfellesskap

A deinição de residual, termo que mais diretamente interessa a esta pesquisa, foi elaborada pelo crítico literário Raymond Williams em seu livro

Marxismo e Literatura.126 Seu objetivo, ao cunhar esse termo, foi o de mostrar

que numa sociedade de uma determinada época existem, além dos elementos culturais e dos fenômenos sociais dominantes, que são aqueles que melhor ca- racterizam um período histórico e que, na maioria das vezes, são produzidos no âmbito das classes detentoras de poder, fenômenos sociais e/ou elementos culturais que foram gestados no passado e que, de alguma forma e/ou por algum motivo, vieram à tona em um momento histórico ulterior, ou se arras- taram por vários períodos históricos posteriores ao da sua origem. Williams, no seu livro supracitado, dá a esses elementos culturais e/ou a esses fenô- menos sociais os nomes residual ou arcaico. Vale salientar que ele admite, já no começo do seu texto, a diiculdade de se distinguir, na prática, um do outro:

Qualquer cultura inclui elementos disponíveis do seu passado, mas seu lugar no processo cultural contemporâneo é profundamente variável (WILLIAMS, 1979, p. 125).

Por “residual” quero dizer alguma coisa diferente do “arcaico”, embora na prática seja difícil, com freqüência, distingui-los (WILLIAMS, 1979, p. 125).

Para Raymond Williams, o arcaico seria todo e qualquer elemento cul- tural ou fenômeno social capaz de ser identiicado como algo do passado, mas que estaria sendo revivido, por alguma razão, de forma consciente, por um determinado agrupamento social:

Eu chamaria de “arcaico” aquilo que é totalmente reconhecido como um elemento do passado, a ser observado, examinado, ou mesmo, oca- sionalmente, a ser “revivido” de maneira consciente, de uma forma deliberadamente especializante (WILLIAMS, 1979, p. 125).

O residual, por sua vez, seria tudo aquilo formado no passado, mas pas- sível de ser constantemente retomado, de forma inconsciente, por indivíduos de um grupo ou camada social, de modo a ser tido como algo próprio das épocas posteriores ao seu surgimento:

O residual, por deinição, foi efetivamente formado no passado, mas ainda está ativo no processo cultural, não só como um elemento do passado, mas como um elemento efetivo do presente. Assim, certas

experiências, signiicados e valores que não se podem expressar, ou veriicar substancialmente, em termos da cultura dominante, ainda são vividos e praticados à base do resíduo – cultural bem como social – de uma instituição ou formação social e cultural anterior (WILIAMS, 1979, p. 125).

Williams chama a atenção, ainda, para o fato de o residual poder ser in- corporado, total ou parcialmente, sem qualquer conlito, à cultura dominante de uma determinada civilização de um dado período histórico; ou então, para o contrário: de manter, o residual, com essa cultura dominante, uma relação alternativa ou mesmo oposta, ou seja, conlituosa:

É importante distinguir esse aspecto do residual, que pode ter uma re- lação alternativa ou mesmo oposta com a cultura dominante, daquela manifestação ativa do residual (distinguindo-se este do arcaico) que foi incorporada, em grande parte ou totalmente, pela cultura dominante (WILLIAMS, 1979, p. 125).

Um elemento cultural residual ica, habitualmente, a certa distância da cultura dominante efetiva, mas certa parte dele, certa versão dele – em especial se o resíduo vem de alguma área importante do passado – terá, na maioria dos casos, sido incorporada para que a cultura dominante tenha sentido nessas áreas (WILLIAMS, 1979, p. 126).

Além disso, em certos pontos, a cultura dominante não pode per- mitir demasiada experiência e práticas residuais fora de si mesma, pelo menos sem um risco. É pela incorporação daquilo que é ativamente residual – pela reinterpretação, diluição, projeção e inclusão e exclusão discriminativas – que o trabalho de tradição seletiva se faz especial- mente evidente (WILLIAMS, 1979, p. 126).

Pelas seguintes palavras do crítico galês é possível depreender que o

arcaico, com o passar do tempo, pode dar lugar ao residual, ou seja, algo que

foi incorporado a uma civilização conscientemente, por parte de um determi- nado grupo ou de uma certa camada social, pode ser utilizado, pelas futuras gerações dessa sociedade, de forma inconsciente:

Na monarquia, não há praticamente nada que seja ativamente re- sidual (alternativo ou opcional), mas com pesado e deliberado uso adicional do arcaico, uma função residual foi totalmente incorpo- rada com função política e cultural especíica – marcando os limites, bem como os métodos – de uma forma de democracia capitalista (WILLIAMS, 1979, p. 126).

Porém, nem tudo, numa civilização, provém do passado. Raymond Williams acredita que a todo momento são criados novos elementos cultu- rais, novas práticas e novos tipos de relações sociais, da mesma forma como são atribuídos novos signiicados e novos valores a elementos culturais e a fenômenos sociais considerados antigos. O crítico marxista deu o nome de

emergente a esse novo fenômeno social ou a esse novo elemento cultural pro-

duzido, majoritariamente, no seio dos grupos ou das camadas dominantes de uma certa civilização dum dado momento. E se, conforme falou Williams, é difícil diferençar o arcaico do residual, também não constitui tarefa das mais fáceis distinguir o residual do emergente ou algo rigorosamente novo daquilo que somente ganhou uma nova signiicação ou um novo valor com o passar do tempo. Para inalizar o presente subcapítulo, eis a deinição de emergente dada por Raymond Williams, bem como as palavras desse crítico literário sobre a diiculdade de se diferenciar residual de emergente ou algo realmente novo da- quilo que só teve o seu valor ou o seu signiicado modiicado tempos depois de sua origem:

Por “emergente” entendo, primeiro, que novos signiicados e valores, novas práticas, novas relações e tipos de relação estão sendo conti- nuamente criados. Mas é excepcionalmente difícil distinguir entre os que são elementos de alguma fase nova da cultura dominante (e nesse sentido “especíico da espécie”) e os que lhe são substancialmente al- ternativos ou opostos: emergente no sentido rigoroso, e não simples- mente novo. Como estamos sempre considerando relações dentro de processo cultural, as deinições do emergente, bem como do residual, só podem ser feitas em relação com um sentido pleno do dominante. Ainda assim, a localização social do residual é sempre mais fácil de compreender, já que grande parte dele (embora não toda) se rela- ciona com formações sociais anteriores e fases do processo cultural, nas quais certos signiicados e valores reais foram gerados. Na subse- qüente omissão de uma determinada fase de uma cultura dominante há então um retorno aos signiicados e valores criados nas sociedades e nas situações reais do passado, e que ainda parecem ter signiicação, porque representam áreas da experiência, aspiração e realização hu- manas que a cultura dominante negligencia, subvaloriza, opõe, reprime ou nem mesmo pode reconhecer (WILLIAMS, 1979, p. 126-127). Nesse processo complexo há realmente uma confusão constante entre o localmente residual (como uma forma de resistência à incorporação) e o geralmente emergente (WILLIAMS, 1979, p. 128).

Não obstante, em nosso próprio período como em outros, o fato da prática cultural emergente é ainda inegável, e juntamente com o fato a

prática residual, uma complicação necessária da pretensa cultura domi- nante (WILLIAMS, 1979, p. 129).

Dos conceitos de Residualidade, resíduo,