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Lærestykker fra 1995 til eventuell videreføring

Servindo de partida para a elaboração da intervenção, a análise dos mapas de leitura do lugar foram tomados como o primeiro passo para fundamentar o processo de concepção do plano interventivo. Para facilitar o

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diagnóstico e para melhor detalhamento dos bairros, a área delimitada foi setorizada em 4 partes, de forma equidistante. No primeiro fragmento os bairros: Araxá, Jeremias, Universitário, Bodocongó e Pedregal; Segundo fragmento: Centenário, São José, Dinamérica, Santa Rosa, Quarenta e Liberdade; Terceiro fragmento: Estação Velha, Catolé e Tambor; Quarto fragmento: Itararé e Distrito Industrial.

Figura 5. Mapa de Setorização da área de estudo

Acervo pessoal, 2016.

O primeiro e o segundo fragmento são ambos caracterizados por bairros que possuem intensa presença de vegetação rasteira e acúmulo de resíduos em vazios urbanos, pelo qual também encobre e ocupa, de forma desarranjada, considerável parte do trilho e seu entorno. Apesar dos vestígios de descuido, é possível ainda perceber diversas zonas de comércio e lazer improvisadas e estruturadas pelos próprios moradores locais. São vazios ocupados por mobiliários concebidos pela reutilização dos tais acúmulos residuais sólidos. Tais fragmentos estão localizados em áreas também universitárias, pelo qual 3 grandes universidades públicas, UEPB (Universidade Estadual da Paraíba), UFCG (Universidade Federal de Campina Grande) e IFPB (Instituto Federal da Paraíba) encontram-se inseridos nos bairros das imediações.

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Figura 6. Mapa Setorizado 1 e 2

Acervo pessoal, 2016.

Figura 7. Imagens locais do fragmento 1

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Figura 8. Imagens locais do fragmento 2

Acervo pessoal, 2016.

O terceiro e quarto fragmento, englobam bairros direcionados ao sul da cidade e pelo qual estão em intenso processo de transformação. Apesar do cenário de invisibilização, alguns bairros possuem, assim como nos fragmentos 1 e 2, intervenções espontâneas advindas de moradores locais. Alguns líderes comunitários do bairro do Tambor, localizado no terceiro fragmento, construíram a própria biblioteca e horta comunitária, além de promoverem oficinas gratuitas de grafite e costura. É possível traduzir através da leitura da morfologia urbana que quanto mais os bairros se localizam geograficamente aos extremos da cidade, menor a densidade e menor são as opções de equipamentos públicos acessíveis. O fragmento 4 está inserido neste cenário de segregação, traduzindo na completa falta de estrutura.

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Figura 9. Mapa Setorizado 3 e 4

Acervo pessoal, 2016.

Figura 10. Imagens locais dos fragmentos 3 e 4 Acervo pessoal, 2016.

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2.3

Diretrizes e Proposta

Depois da constatação e reflexão acerca da situação de abandono do trem e da interpretação do espaço circundante à linha férrea, cabe a inquietação com relação a ausência de funcionamento de equipamentos públicos locais acessíveis à comunidade local e a negligência relacionada à equipamentos já existentes. Como é possível unir as duas problemáticas e intervir nestes espaços de forma emergente e sustentável? Seria possível suprir, em parte, uma deficiência espacial, social e econômica a partir do que já existe? Reviver objetos, reutilizar materiais e reinterpretar equipamentos pode vir a ser um meio viável de associar as duas questões.

Em busca de respostas, um dos projetos concebidos pelo escritório de arquitetura Al Borde, com sede no Equador, foi tomado como objeto de referência e estudos para a formulação da proposta. Neste projeto, implementado em 2012, o escritório propõe a recuperação do sistema ferroviário da região, pelo qual foi solicitado pelo Ministério da Cultura e Patrimônio do Equador. Ao propor novas funções ao trem subutilizado, distinto dos outros processos de recuperação, este vagão não leva turistas ou cargas, mas cultura e espaço público. Assim como neste projeto referência, a proposta desenvolvida neste projeto é a de resignificar o trem enquanto projeto piloto e equipamento público, a fim de resgatar a memória física da locomotiva e oferecer, temporariamente e a partir do seu percurso sobre o trilho, serviços e espaços eventuais coletivos destinados às comunidades locais e do entorno.

Figura 11. Perspectiva e interior do vagão após o processo de recuperação

Al Borde, 2012.

As diretrizes do projeto abordam o trem como um agente reabilitador do espaço. O deslocamento contínuo e as constantes modificações de espaço fazem dos meios locomotivos ferroviários um dos melhores exemplos de objetos que expressam a ideia do movimento itinerante e de temporalidades e finalidades variadas. Pela efemeridade da sua essência é que é possível imaginar diversas funções associadas ao seu movimento, enquanto elemento que proporciona também sensações e celebrações de chegada e partida.

Em suma, a partir dos estudos aprofundados da área de intervenção e através das análises dos mapas temáticos que serviram de embasamento para que se pudesse chegar ao desenvolvimento do conceito da intervenção,

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utilizaram-se algumas diretrizes como forma de nortear o partido:

a) redefinir o uso de três vagões ferroviários;

b) desenvolver um programa de acordo com as demandas de cada área explanada; c) modificar a sua estrutura a fim de adequar o espaço aos usos propostos;

d) definir os mobiliários internos de forma flexível, a fim de proporcionar seus usos variados;

e) promover o contato entre a população da área do entorno da linha férrea e, consequentemente, proporcioná-los força enquanto comunidade;

f) estimular ações sociais;

g) aproximar o meio acadêmico/universidades às comunidades;

h) desenvolver habilidades profissionais que possibilitem a imediata geração de renda; disseminar a cultura do reaproveitamento e da economia criativa.

No período em que o trem funcionava como equipamento de mobilidade urbana, existia uma rotina e um movimento gerado pela sua passagem. Com a reativação da linha do trem, propõe-se reanimar os espaços de encontro entre os moradores. A proposta do trabalho possibilita que o trem exerça outras funções e perpasse a atividade exclusiva de transporte.

Seguindo o mesmo raciocínio das unidades móveis do SESI (Serviço Social da Indústria) que oferecem serviços itinerantes no Brasil, o vagão também irá desempenhar um papel de ponto de apoio para atender outros tipos de necessidades, como educação, cultura, lazer, saúde e apoio cidadão, o que inclui aulas de suporte técnico (corte e costura, construção de horta, etc.), espaços de leitura (biblioteca), cinema aberto e ações coletivas na área de saúde.

Figura 12. Esquema demonstrando as possíveis áreas e funções dos vagões do trem

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Figura 13. Programa indicando alguns dos usos propostos para o trem

Para que a função de mobilidade do transporte ferroviário pudesse ser consolidada com outras funções de ofício, decidiu-se que seria desvinculado 3 vagões que são utilizados unicamente durante o evento do “trem forroviário” para tais atividades, equivalente à espaços necessários para abrigar grupos e turmas mínimas de aula e circulação. Os vagões escolhidos para oferecer tais serviços terão diferentes pontos de parada durante seu percurso que corta Campina Grande, de forma independente ou em conjunto, definidos de acordo com os mapas de leitura do lugar que detectam os comportamentos dos moradores locais, e com a verificação dos espaços vazios e ociosos nos entornos do trilho, localizando a concentração de maiores palcos de ações espontâneas e interventivas dos próprios residentes locais.

Figura 14. Mapa das áreas potenciais para parada do trem

Acervo pessoal, 2016.

A fim de ilustrar mais detalhadamente a inserção do trem nas comunidades, uma das áreas foi escolhida para tal: um trecho no bairro do Tambor (Implantação “A”, em anexo G). De acordo com os mapas de leitura do lugar, o bairro possui uma intensa participação dos moradores locais nos processos de intervenção do espaço, que

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envolve a existência de projetos comunitários e independentes do governo, relacionados a arte e cultura (desde oficinas de grafite a biblioteca pública).

Na previsão da sua implantação e diagrama, é possível prever algumas demonstrações de possíveis atividades espontâneas e efêmeras com a chegada do trem como equipamento público, como vendedores ambulantes e o uso do espaço como um lugar também de permanência.

Nesse trecho em específico, existe um curso d’água poluído, pelo qual foi proposto a limpeza do mesmo e o reaproveitamento do espaço que ele preenche para gerar uma área salubre, através do trabalho de uma vegetação em seu entorno, criando-se uma mata ciliar. Pequenas pontes de travessia foram propostas também sobre o curso d’água, para facilitar o acesso até o trem.