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Em Crato, em parceria com a Universidade Regional do Cariri – URCA, encontramos a sede do GeoPark Araripe, o primeiro Geopark das Américas, onde na Segunda Conferência Internacional de Geoparks da UNESCO, em Belfast, Irlanda do Norte, no ano de 2006, foi reconhecido oficialmente como membro da Rede Global de Geoparks Nacionais (HILLMER, in: HERZOG, 2008, p. 17).

Sendo esta uma área de aproximadamente 3.796 km², no estado cearense, abrangendo 06 municípios e de notório patrimônio geológico com características estratégicas que possibilitam um desenvolvimento sustentável; é um marco científico para a cidade.

Sua geologia caracterizada pela presença dos sedimentos do Devoniano, Jurássico e Cretáceo nos favorece com os fósseis, bem conservados, desses períodos. De acordo com Herzog (2008, pág. 65);

Os programas para as Ciências da Terra do departamento de Ciências da Terra da UNESCO são muito especiais para as Nações Unidas, já que prestam grande atenção

à divulgação do conhecimento do Sistema Terrestre. Desde o lançamento da organização em 2004, 56 Geoparks de 17 países têm se tornado membros. (Abril 2008) da Global Network of National Parks (Rede Global de Parques Nacionais) patrocinada pela UNESCO. O apoio da UNESCO à iniciativa dos Geoparks é uma extensão natural do seu trabalho, já que o conceito de Geopark promove uma verdadeira cadeia multidisciplinar de cooperação internacional para estudar o Sistema Terrestre e ao mesmo tempo, sustentar as comunidades locais.

Desde a sua criação com a definição dos roteiros e delimitação da área de visitação, vem atraindo muitos pesquisadores e visitantes para a região, principalmente para Crato como cidade-sede do Geopark onde, através da URCA, que é a mantenedora do Museu de Paleontologia na cidade de Santana do Cariri, abriga a sede do Geopark e é a “porta de acesso” aos geossítios que foram inventariados inclusive os que estão localizados nas cidades vizinhas.

O fluxo de visitantes na região faz fortalecer mais enfaticamente, agora em uma vertente científica, os laços regionais que permeiam o sul do Estado cearense.

A integração acadêmica norteada pela URCA bem como o compromisso das cidades que abrigam os outros geossítios pode proporcionar um novo traçado turístico para o Cariri, pois, ainda em conformidade com Herzog (2008, pág. 65):

O Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (URCA), em Santana do Cariri, a Capital Cearense da Paleontologia, recebe anualmente mais de 20 mil turistas (brasileiros e estrangeiros) interessados no paleoturismo local. O museu desenvolve programas relacionados ao paleoturismo, com significância especial no Geopark Araripe, recém instalado. No programa “geokids”, bolsistas treinados e capacitados pela URCA, SEBRAE e museu, conduzem visitantes (famílias, grupos de estudantes e excursões) a um “tour” no museu, na cidade e nos sítios fossilíferos próximos.

É necessário que se destaque aqui, a participação do Primeiro GeoPark das Américas, também, como um impulsionador maior das parcerias científicas que dele decorreram promovendo o turismo científico na região, embora ainda pouco estruturado pela ausência de uma oferta de transportes e guias que encaminhem os visitantes aos geossítios abertos à visitação.

De acordo com publicação informativa da Universidade Regional do Cariri/Geopark Araripe: S/D, p. 07, até então foram inventariados 59 geossítios sendo apenas 10 abertos para visitação. São eles:

1. Colina do Horto – em Juazeiro do Norte, com vestígios fósseis de quase 650 milhões de anos;

2. Cachoeira de Missão Velha – em Missão Velha, cujas águas escavaram rochas de, aproximadamente, 450 milhões de anos atrás;

3. Floresta Petrificada do Cariri – em Missão Velha, com a presença de pinheiros petrificados que existiram há quase 150 milhões de anos;

4. Batateira – em Crato, com rochas datadas de cerca de 113 milhões de anos; 5. Pedra Cariri – a 03 km de Nova Olinda, com vários fósseis de insetos e algas e até de pterossauros;

6. Ipubi – em Santana do Cariri, em uma área de propriedade privada de uma mina; 7. Parque dos Pterossauros – a 2,5 km de Santana do Cariri, no Sítio Canabrava, pertencente à Universidade Regional do Cariri, com fósseis de quase 105 milhões de anos;

8. Riacho do Meio – em Barbalha, com a presença da ave de espécie endêmica Antilophia bokermanni mais conhecida como soldadinho do Araripe e da espécie vegetal samambaia-açu;

9. Ponte de Pedra – na rodovia CE 292, próximo à Nova Olinda com evidências da extensão da Chapada do Araripe por todo o vale;

10. Pontal da Santa Cruz – em Santana do Cariri cujos arenitos datam de aproximadamente 100 milhões de anos.

Nem todos esses geossítios, lamentavelmente, apresentam condições de acessibilidade para todos, a partir de um serviço de guias com veículos disponíveis e adaptados às diversas necessidades de quem os visitam e, geralmente, são frutos de parcerias entre as Instituições de Pesquisas que já promovem um agendamento das atividades a serem desenvolvidas. Nesta vertente de visitação permanece um hiato entre estes registros geológicos, divulgados internacionalmente, e as condições de acesso aos mesmos. É necessário integrar a população a este acervo natural com o qual a região se destaca no meio científico.

Tais visitas de caráter científico, ou não, precisam também estar inseridas em um contexto educativo proporcionando a quem nele se faz presente, poder perceber a história ali presente. Vislumbrar cada fóssil como um registro histórico que transcendeu ao tempo como o conhecemos. Prevenir impactos não somente os considerados ambientais, mas também os culturais é dever da Gestão, pois como afirma Coriolano (2007, p.35):

O responsável por estes impactos não pode ser o turismo, ele é abstração e, portanto, não pode ser o sujeito dessas transformações. Há que se identificar os sujeitos das ações, o chamado trade, ou os promotores das atividades turísticas, governos, empreendedores, empresários. Mas os turistas também são responsáveis, com mentalidade elitista e, muitas vezes, desconhecendo ou desvalorizando a cultura endógena, popular autêntica acabam por descaracterizar os valores locais, a arte local, estimulando a substituição por valores de cultura externa e exógena. Em nome do turismo, muitas vezes se desrespeitam as identidades culturais e s modos de vida

dos habitantes dos lugares visitados, e assim, o que deveria ser o diferencial cultural como práticas tradicionais, os costumes locais passam a ser desprestigiados e destruídos.

Desse modo, em ação conjunta, as escolas, nos seus mais diversos níveis, precisam estar mais presentes a estes locais com o propósito maior de reforçar os laços entre as localidades participantes e de ecoar, junto à comunidade local, uma ação educadora que germine o compromisso histórico em cada um dos visitantes. Para uma visualização maior de como esses referenciais se apresentam na cidade e como estão distribuídos espacialmente podemos observar o mapa 10 a seguir:

Mapa 10: Situações Ambientais Especiais em Crato

Fonte: Secretaria da Infraestrutura da Prefeitura Municipal do Crato PDM Crato - 2010.

Fazer despertar a permanente continuidade desses vestígios geológicos não somente como meros observadores dos mesmos, mas também continuístas da história onde todos possam estar presentes além de fronteiras territoriais enfatizando a arte de ser humano.

CAPÍTULO IV