• No results found

3. TIDLIGERE FORSKNING OG TEORETISK GRUNNLAG

3.1 T IDLIGERE FORSKNING

3.1.1 Kvinner og funksjonshemming

A presente pesquisa se apresenta como sendo de cunho exploratório, conforme classificação apresentada por Martins e Theóphilo (2009). A estratégia de pesquisa escolhida para a realização do estudo é a do experimento, mas precisamente, o quase-experimento, cujas justificativas são apresentadas nesta seção, que são seguidas do desenho experimental e detalhes referentes à amostra e procedimentos operacionais adotados.

Shadish, Cook e Campbell (2002) trazem o conceito de experimento como sendo um teste em condições controladas, que é feito para demonstrar uma verdade conhecida, examinar a validade de uma hipótese ou determinar a eficácia de algo não experimentado previamente. Sua prática tem se ampliado com o avanço da ciência moderna, sobretudo no campo das ciências naturais, onde o uso de estratégias experimentais é tão comum a ponto de ser essa uma das formas mais corriqueiras de realizar pesquisas nesta área (Shadish, Cook & Campbell, 2002).

A aplicação dos experimentos, no entanto, não se restringe às ciências da natureza. Pesquisadores como Ariely (2009), Bazerman e Moore (2010) e Kahneman (2012) apresentam várias pesquisas que se valem fundamentalmente de experimentos em estudos sobre decisões. Ao defender o uso dos experimentos nas pesquisas da área contábil, Bonner (2008) destaca que os experimentos permitem ao pesquisador, dentre outros aspectos, controlar as variáveis de interesse e neutralizar aquelas que não se deseja avaliar, o que fornece informações sobre elementos que estão dispostos claramente no mundo real.

Kantowitz et al. (2014) destacam que um experimento ocorre quando o ambiente é sistematicamente manipulado, de modo que o efeito causal dessa manipulação possa permitir que algum comportamento seja observado. Existem, no entanto, diferenças entre experimentos e quase-experimentos. Segundo Shadish, Cook e Campbell (2002) a atribuição de medidas nos quase-experimentos não é aleatória e o pesquisador pode contar com considerável nível de controle sobre componentes do experimento a ser realizado. Aspectos do ambiente que não sejam de interesse do pesquisador devem permanecer constantes.

Algumas variáveis típicas que influenciam o ambiente real em comparação ao experimento podem dificultar a avaliação do efeito de certos aspectos que o pesquisador busca avaliar nos estudos. Macedo Junior (2003) utilizou o método experimental avaliando o comportamento decisório de investidores e destacou que o fato de se valer de experimento, se por um lado restringe a avaliação de algumas variáveis típicas da realidade, por outro, no caso do processo de tomada de decisões de investimento, o impacto de fenômenos que não são de interesse do pesquisador avaliar, pode ser isolado e permitir achados em condições “tudo o mais constante” (ceteris paribus).

Para Bonner (2008), em geral os experimentos apresentam muitas vantagens em relação a outros métodos, que se estendem aos estudos sobre julgamento e tomada de decisões. Para a pesquisadora, favorecem os experimentos a possibilidade de examinar processos pelos quais determinados fatores afetam a qualidade do julgamento e da tomada de decisão dos agentes, por meio de mudanças na tarefa ou no ambiente. Segundo Bonner (2008), um dos grandes desafios dos experimentos reside na questão da validação interna e externa.

Libby, Bloomfield e Nelson (2002) destacam que um experimento é eficiente na medida em que alcança um dado nível de efetividade tão economicamente quanto possível. Para ser efetivo, um experimento deve fornecer evidência de suficiente validade interna que permita aos leitores acreditarem nos resultados das hipóteses testadas. A validade interna é considerada por Campbell e Stanley (1963), citados por Bonner (2008), como sendo o valor verdadeiro que garante aos resultados que uma variável independente causa impacto em uma variável dependente.

Em se tratando de validação externa, refere-se à extensão para a qual o relacionamento entre uma variável independente e uma variável dependente é generalizável, em diferentes tempos, configurações e sujeitos (Bonner, 2008). Libby, Bloomfield e Nelson (2002), que também apresentam conceitos para validade interna e externa17, destacam que um estudo que falha em validade interna resulta em resultados equivocados da relação entre as variáveis, enquanto aquele em que falta validade externa produz resultados que são divorciados da motivação do estudo.

17 Internal validity is the degree to which you can be sure that observed effects are the result of the independent

variables. External validity is the degree to which results can be generalized beyond the specific tasks, measurement methods, and participants employed in the study Libby, Bloomfield e Nelson (2002, p.794).

Para Shefrin e Statman (1985), os economistas tendem a tratar as evidencias de experimentos com ressalvas e são relutantes em concluir automaticamente que características similares serão exibidas em ambientes de mercado do mundo real. De todo modo, os achados de Kahneman e Tversky (1979), que renderam a teoria do prospecto, são oriundos de pesquisas com uso de experimentos controlados, que até então não foram refutados por supostos resultados distintos que poderiam ser encontrados no mundo real.

Shadish, Cook e Campbell (2002) destacam que a proposta dos experimentos não é explanar completamente algum fenômeno, mas sim identificar se uma ou pequeno conjunto de variáveis em particular causa uma diferença marginal em algum resultado acima ou abaixo de todas as demais forças que afetam esse resultado. Para Kantowitz et al. (2014), os experimentos visam o teste de teorias e fornecem dados para explicar comportamentos. Para eles, o controle das variáveis que se deseja manipular e o planejamento bem estruturado do experimento são elementos essenciais para eliminar problemas de validação e contaminação por fatores externos alheios àqueles desejados pelo pesquisador.

Kantowitz et al. (2014) destacam ainda que os experimentos contam com a existência de três conjuntos de variáveis: as variáveis independentes, que serão manipuladas pelo pesquisador; as variáveis dependentes, que serão observadas; e as variáveis de controle, que serão mantidas constantes. Com isso, o comportamento deriva do resultado da manipulação. Shadish, Cook e Campbell (2002) afirmam que o fundamento chave dos experimentos é deliberadamente variar algo para descobrir o que acontece com outra coisa, em condições controladas.

Por exemplo, verificar o impacto da variação dos preços das ações e da opção de realizar vendas dessas ações por meio de ordens administradas ou não sobre os valores de ganhos e perdas estabelecidos por investidores, controlando os resultados por gênero e perfil de personalidade. Isso tudo fundado nas teorias da racionalidade limitada, do prospecto, do efeito disposição e dos tipos de personalidade, como é o caso do presente estudo.

Assim sendo, a fim de atingir os objetivos propostos neste estudo, optou-se pela estratégia experimental, por entendê-la como mais adequada para capturar aspectos que se aproximem mais da realidade, em ambiente sob controle de algumas das variáveis que estão concorrendo com o fenômeno em estudo no ambiente real, conforme consideram Kantowitz et al. (2014). No caso do estudo em questão, verificar o comportamento dos participantes em relação à

variação dos preços das ações, ao uso de estratégias de vendas de ações a preços correntes ou por meio de ordens administradas e a relação com os valores de ganhos e perdas previamente definidos pelos investidores.