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ORDNINGSMÅTER – BLIR DE SYNLIGE I MATERIALET?

Nesta seção é apresentada uma síntese dos resultados do presente estudo, bem como suas contribuições à literatura. Inicialmente, resgatam-se as hipóteses e os achados oriundos de seus respectivos testes, conforme exposto na Figura 26.

Hipótese Resultado

H1: Pessoas extrovertidas apresentam maior desvio aos valores dos ganhos e perdas autodefinidos para seus investimentos do que as pessoas introvertidas.

Rejeitada. H2: Não há diferenças significativas nos resultados obtidos por homens e

mulheres de mesmo perfil de personalidade em suas decisões de

investimentos em ações. Não pode ser rejeitada.

H3: Os investidores que utilizam ordens programadas limitam as perdas e os

ganhos aos valores previamente autodefinidos. Não pode ser rejeitada. Figura 26. Resultados dos testes das hipóteses do estudo.

Fonte: Dados da pesquisa.

A Figura 26 mostra que H1 foi rejeitada, sinalizando que não há diferença entre os resultados de pessoas introvertidas e extrovertidas. Tais resultados levam a não rejeição de H2, uma vez que homens e mulheres de mesmo perfil de personalidade não apresentaram resultados efetivamente distintos entre si. Schubert, Brown, Gysler e Brachinger (1999) já haviam considerado que em contextos abstratos homens e mulheres podem apresentar comportamentos adversos, mas que em opções de investimento equivalentes não se observa qualquer diferença entre os gêneros.

Com relação a H3, os resultados mostraram que o uso de ordens programadas pode resultar em ganhos maiores e perdas dentro dos valores autodefinidos, ainda que no caso das perdas o impacto de vieses comportamentais se mostre mais relevante para os investidores, especialmente aquele relacionado à procrastinação. Além disso, o uso de ordens programadas pelos investidores ainda é relativamente baixo, fazendo com que seus potenciais benefícios sejam obtidos, proporcionalmente, por poucos investidores.

Frente a esses achados é oportuno relacionar as contribuições trazidas pelo presente estudo à literatura. Para tal, é apresentada a Figura 27, na qual são feitas ponderações dos achados à luz das evidências trazidas por estudos anteriores.

Estudos anteriores Fundamentos teóricos Contribuições desse estudo Arch (1993): Sundén e Surette

(1998): Byrnes, Miller e Schafer (1999); Schubert, Brown, Gysler & Brachinger (1999); Bernasek e Shwiff (2001); Barber e Odean (2001a); Graham, Harvey e Huang (2009); Eckel & Grossman (2008); Croson & Gneezy (2009); Nelson (2012).

Controvérsia entre os estudos que mostram as mulheres como sendo mais conservadoras e tomando menos risco do que os homens em suas decisões de investimento. Resultados divergentes para comportamento decisório no mercado financeiro, mediante diferentes critérios metodológicos.

Mulheres manifestam menor tolerância a perdas e desejam ganhos ao mesmo nível dos homens. Porém, perdem tanto quanto eles. Contribuição mais relevante: por meio de questionário, as mulheres sinalizam serem mais conservadoras do que os homens. Mas, por meio de metodologia experimental, esse comportamento não se sustenta. Moradi, Mostafaei e Meshki

(2013); Parsaeemehr, Rezeai e Sedera (2013); Pompian e Longo (2004).

Pessoas introvertidas são mais atenciosas às informações financeiras e não manifestam vieses comportamentais, como o excesso de confiança, em decisões de investimento tanto quanto as extrovertidas.

Pessoas introvertidas não obtêm resultados significativamente melhores do que as pessoas extrovertidas. Contribuição mais relevante: o tipo de personalidade não é fator decisivo para explicar o comportamento dos investidores no mercado financeiro.

Richards, Rutterford & Fenton- O’Creevy (2011); Kuo & Chen (2012) e Fischbacher, Hoffmann & Schudy (2013)

Uso de ordens programadas reduz o efeito disposição e a tendência para a venda de ações vencedoras mais cedo do que as perdedoras.

Confirmação de que o uso de ordens programadas pode contribuir com a redução do efeito disposição e com a obtenção de resultados melhores em investimento. Contribuição mais relevante: o uso de ordens programadas pode melhorar o desempenho dos investidores, desde que eles estabeleçam estratégias que não sucubam a vieses, como o da proscrastinação e do excesso de confiança.

Kahneman & Tversky (1979); Thaler (1980); Shefrin & Statman (1985); Odean (1998); Grinblatt & Han (2004); Costa Junior, Mineto & Silva (2008); Riella & Teper (2014); Braga, Lima & De Luca (2015).

Teoria do prospecto, efeito disposição e comportamento decisório frente a ganhos e perdas em investimentos. As pessoas sentem mais dor em perder do que em ganhar o mesmo valor equivalente e realizam ganhos mais cedo do que as perdas.

O uso de contas mentais separadas compromete o desempenho dos investidores. Contribuição mais relevante: as pessoas não respeitam suas próprias âncoras quando investem em ações, tomando perdas muito mais acentuadas do que aquelas que previamente estabeleceram para si. Figura 27. Relacionamento dos achados com a literatura pré-existente.

Fonte: Dados da pesquisa.

A Figura 27 apresenta as contribuições mais relevantes trazidas por este estudo, fruto especialmente do método experimental adotado. Tal método pode ser considerado diferenciado em relação à boa parte dos estudos referenciados, haja vista que muitos deles se valem de dados de arquivos ou levantamentos feitos por meio de questionários ou experimentos com uma amostra inferior àquela que foi utilizada aqui. Com isso, foi possível

obter contribuições que complementam as evidências até então apresentadas pela literatura sobre o comportamento do investidor em decisões no mercado financeiro.

Os achados aqui apresentados corroboram os fundamentos da teoria do prospecto (Kahneman & Tversky, 1979) e do efeito disposição (Shefrin & Statman, 1985), mas complementam com aspectos relacionados à dinâmica das decisões no mercado de ações, mostrando que homens e mulheres não são tão diferentes quanto se poderia imaginar em termos de atitude decisória, ainda que tenham expectativas diferentes. Aspectos relacionados com os tipos de personalidade não se mostram decisivos para justificar o desempenho dos investidores no mercado de ações. E, finalmente, o desrespeito às âncoras autodefinidas para ganhos e perdas, a contaminação por vieses comportamentais como o excesso de confiança e a proscrastinação, e o não uso de ferramentas que estanquem perdas e protejam ganhos podem gerar resultados bastante adversos para os investidores.

Com isso, mostra-se a tese de que as pessoas não consideram os valores autodefinidos de ganhos e perdas em suas decisões de investimentos em ações e assumem perdas maiores do que gostariam e ganhos abaixo do satisfatório. Além disso, aspectos associados ao perfil de personalidade junguiano, assim como diferenças de gênero, não são decisivos para explicar o desempenho obtido nas decisões de investimentos.