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Kvernvasselva naturreservat, Nærøysund kommune

9. DE ENKELTE OMRÅDER

9.1. Kvernvasselva naturreservat, Nærøysund kommune

Internet

Lacier Dias

Resumo

Este trabalho explora questões pertinentes ao acesso à Internet na América Latina e no Caribe, tratando da crescente necessi- dade de estarmos conectados, do impacto que o acesso tem na economia digital e da falta de segurança jurídica para empreen- dedores e usuários que ainda persiste na região. Para versar sobre esses tópicos, atenta-se inicialmente à trajetória histórica dos tipos de infraestrutura física, de protocolos de roteamentos e tecnologias de encaminhamento de dados utilizadas na pro- moção da conectividade. Ademais, o artigo também apresenta algumas perspectivas para um futuro cenário, ao versar sobre a implementação do IPv6, o crescimento das redes comunitárias e o importante papel desempenhado pelos pequenos e médios provedores. Por fim, o artigo trata das barreiras geográficas, sociais e econômicas enfrentadas pelas pessoas dedicadas a proporcionar o acesso à rede nas mais diversas localidades não cobertas pelos grandes provedores comerciais.

8.1

Introdução

A Internet é um universo que aparenta ser apenas tecnológico, con- tudo, nos bastidores é um mundo cheio de desafios. O que chamam de tecnologia ou de forma mais moderna de inovação disruptiva, é simplesmente um termo que aponta os avanços tecnológicos dos produtos e/ou serviços que permeiam a internet. Este rompimento ocorre não por uma evolução, mas pela interrupção da tecnologia existente e utilizada até então, dando lugar a outras formas tec- nológicas. É a quebra de um processo, que dá início a outro, de uma nova forma. E o ritmo desta disrupção, no que diz respeito ao avanço tecnológico da internet, tem sido cada vez mais veloz por conta da demanda por serviços ininterruptos e de qualidade. Afinal, a internet hoje está tão presente nas relações sociais, sejam elas profissionais ou pessoais, que todos querem tê-la tal qual se

tem os serviços de água e energia elétrica: de forma sempre dis- ponível. Quando uma pessoa chega em sua casa ou qualquer outro ambiente, sabe que terá acesso à águae energia elétrica – salvo em alguns raros imprevistos. Da mesma forma, a sociedade como um todo deseja ter acesso à internet: sempre livre, sem ser refém das instabilidades de conexão.

A combinação da demanda por mais velocidade e estabilidade, dos antigos serviços migrando para a internet e da criação de novos serviços exclusivamente via rede, fez com que nos últimos 20 anos ocorressemmudanças drásticas nas tecnologias, tanto de entrega da internet nas empresas e residências, quanto nos backbones que interconectam as pessoas aos serviços e conteúdos que fazem este mundo mágico da internet acontecer.

No final dos anos 90, se tinha, basicamente, a internet discada nas residências, contudo, no início dos anos 2000, iniciou-se a ins- talação dos primeiros links ADSL, ainda com poucos kilobits por segundos, mas não se dependia dos pulsos telefônicos e se podia usar 24hs pagando um valor único. Davam-se os primeiros passos em direção à banda larga.

Os cabos de cobre da telefonia foram, e ainda são, fundamentais para a internet, pois a maior parte da banda larga fixa depende destas estruturas legadas da telefonia com cabos de pares de cobre. Porém, não se pode esquecer da existência dos cabos coaxiais das TVs a cabo, link satélites e os links de rádio, também conhecidos como Wireless, que tem sua parcela de responsabili- dade em levar internet a milhares de pessoas. Estas tecnologias não são novas, mas foram se reinventando para levar cada vez mais banda e serviços aos usuários, nos lugares mais inóspitos. Apesar da considerável melhora no acesso, e de já se alcançar 50% da população latino-americana e caribenha120, as disparidades persis-

tem, especialmente em relação à banda larga residencial. Nos países em desenvolvimento, principalmente nos menos desenvolvidos, a penetração da banda larga ainda é baixa. Mesmo aqueles que têm acesso à banda larga tendem a experimentar velocidades baixas de download e upload121, o que limita as atividades na internet.

120 Ver UIT (2016). 121 Ibid.

O relatório122 da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e

Desenvolvimento (UNCTAD) apontou que a presença dos países da América Latina e do Caribe na economia digital permanece rela- tivamente limitada. Junto com a África, a região latino-americana e caribenha responde por menos de 2% das empresas digitais do mundo, com uma capitalização de mercado de mais de 1 bilhão de dólares no último semestre de 2017. O relatório indicou também que menos da metade dos países da América Latina e do Caribe adotaram legislação de proteção e privacidade de dados, e menos de um terço de todas as economias caribenhas têm leis de prote- ção ao consumidor para compras online.

Esta combinação de falta de entendimento governamental para criar incentivos, regras mais claras e a necessidade de investimentos para atender o contínuo crescimento da demanda nas cidades mais consumidoras – como: Rio de Janeiro, Quito, Georgetown, Bogotá, Montevidéu, La Paz, Santiago, Cidade do México, Buenos Aires, Cara- cas, Assunção, Paramaribo, San Salvador; dentre outras da região latino-americana e caribenha – faz com que, apenas em alguns bair- ros, a população utilize serviços com velocidades superiores aos 10 megas, a maioria dos usuários, mesmo nestes grandes centros, utilizam serviços com velocidades abaixo dos 10 megas, o que apa- rentemente é a velocidade mais comercializada nestas regiões. Isto sem considerar que, mesmo combinando as novas e antigas tecnolo- gias de acesso, ainda se tem os outros 50% da região latino-americana e caribenha que ainda não possuem nenhum tipo acesso.

8.2

Os caminhos da Internet

A Internet percorre caminhos que o consumidor comum não vê: não é claro a forma como chega a internet nas suas residências. Basi- camente, existem cinco tipos mais populares de meios para levar a internet ao consumidor: o par trançado (o bom e velho fio tele- fônico), os cabos coaxiais (o mesmo usado nas conexões de TV a cabo), os enlaces de rádio, os links via satélites e, a última entrante, a fibra óptica. São todos meios para levar os dados de uma ponta à outra. No caso do par trançado, são dois filamentos isolados de

cobre torcidos, agrupados e fechados em um revestimento plástico. É o mais popular e utiliza a técnica chamada ADSL, um padrão rela- tivamente antigo, porém ainda muito funcional, que reaproveita a infraestrutura de telefonia fixa para a conexão com a internet. Tem-se também o cabo coaxial, utilizado nas conexões de TV por assinatura, utilizado para levar o sinal de internet. É um cabo feito por um fio central de cobre que transmite o sinal cercado por uma malha isolante, protegendo os dados transmitidos e absorvendo as interferências. Ambos são muito populares em cidades maio- res. Contudo, existem as tecnologias de rádio frequência e satélite. A comunicação via satélite é um caso extremo, pois não é muito performática e, sem dúvida, a pior em relação custo-benefício, no entanto, os acessos via rádio frequência, popularmente conhecido como acesso Wireless, são os responsáveis pela inclusão digital na maioria das comunidades carentes, nos grandes centros, e cida- des do interior dos países latino-americanos e caribenhos. Não depende de grandes meios físicos, baixo investimento inicial e usam pouca infraestrutura nos clientes. Nos 5 casos, quem mora perto da central de distribuição123, tem mais velocidade, enquanto

quem mora longe, tem menos e isto é um desafio.

Já a fibra óptica é a única que proporciona uma mesma qualidade em toda a rede, pois este tipo de estrutura transporta sinais de dados como pulsos modulados de luz e oferece grande capaci- dade em alta velocidade.

Há provedores que mesclam a fibra, utilizando-a nas conexões entre as centrais espalhadas pela cidade, usando os cabos de par trançados, coaxiais ou rádio enlace no acesso final com o cliente, e pouquíssimas, porém crescentes, que utilizam fibra até a residên- cia do usuário final.

Então, o movimento tecnológico que se tem nos últimos anos é no sentido de substituir as atuais tecnologias de acesso que, embora ainda usuais, vêm sendo migradas para uma tecnologia mais nova, de maior capacidade e qualidade, a fibra óptica.

As redes metálicas, que deram o pontapé inicial no processo da internet banda larga, são praticamente inexistentes nas cidades do

123 O termo “central de distribuição” se refere ao local onde ficam os equipamentos de transmissão de telecomunicações.

interior, pois lá predominam as conexões por rádio. Nas cidades maiores, tem-se uma substituição mais acelerada das tecnologias atuais por redes de fibra óptica, embora, até que se faça essa substi- tuição, residência por residência, empresa por empresa, a sociedade terá que conviver e reinventar muito as tecnologias atuais. Assim como os protocolos de roteamentos e as tecnologias de encaminha- mento de dados, todos utilizados já há mais de 20 anos, tais como o

Border Gateway Protocol (BGP), o Open Shortest Path First (OSPF)

e o Label Switching Multi-Protocol (MPLS). Todas estas tecnologias potencializam o backbone para que ele seja capaz de transportar grandes volumes de bandas de maneira segura e performática por muitos quilômetros de rede.

Embora já tenham uma certa idade no mercado, os principais pro- tocolos e mais disruptivos são o BGP e MPSL, que são presentes, ou pelo menos deveriam, em praticamente 100% das operações. Eles possuem uma gama de recursos de altíssima performance como

Virtual Routing and Forwarding (VRF), Pseudo Wire Emulation End to End (PWE3) e permitem elaboradas estratégias de engenharia

de tráfego que hoje sustentam os principais backbones do mundo.

8.3

Inovação, oportunidades e desafios

Parece importante destacar a emergência de tecnologias que estão despontando e caminhando a passos largos, como o Software-

-Defined Networking (SDN), um conceito que promete mudar o

cenário atual, e o protocolo Virtual Extensible LAN (VxLan) que ao longo dos anos possa vir a substituir algumas implementações existentes hoje.

Porém, este crescimento pode ser desacelerado pela falta de endereços. O IPv4 que hoje endereça 100% da internet, se esgotou e seu sucessor, o IPv6, está sendo implantado a passos lentos, bem aquém da velocidade que se ativam os usuários de internet. Este é um problema global, que há mais de 20 anos vem sendo anunciado e agora chegou o momento em que a implementação é urgente e indispensável, caso contrário a internet entrará em colapso.

Muito mais bem preparado que seu antecessor, o IPv6 é um pro- tocolo feito com o que há de melhor em termos de recurso de numeração e funcionalidades, contudo, é totalmente incompatível

com o IPv4, sendo necessário se ter os dois funcionando simulta- neamente, para isso, dentre diversas opções, existe a pilha dupla. Este recurso, pilha dupla, é uma das formas de migração que tem se mostrado mais eficiente para suportar este período de implanta- ção, até que todos os serviços e dispositivos estejam compatíveis com o IPv6, e o IPv4 possa ser desligado.

No entanto, está por se abordar um segmento movido por desafios, não apenas tecnológicos, mas geográficos e sociais – é o desafio que move a tecnologia disruptiva. Contudo, necessário se faz considerar dois item nesta enorme máquina: As redes comunitárias que têm um papel muito importante de promover a literacia digital e o desenvolvimento de aplicativos, serviços e conteúdos locais e a enorme engrenagem dos provedores regionais124, que mesmo sem investimentos de gover-

nos, ou financiamentos de grandes grupos econômicos, pouco a pouco, vem levando a rede de internet às cidades latino-americanas e caribenhas mais remotas, possibilitando às empresas e famílias mais afastadas, distantes geográfica ou socialmente, que tenham serviços semelhantes aos das grandes cidades e centros urbanos.

O ponto fundamental é que as inovações tecnológicas nem sempre são possibilitadas por uma tecnologia disruptiva. Mas, em grande parte, por pessoas disruptivas. Ou seja, empresários e empreende- dores, técnicos envolvidos nas operações e equipes dedicadas ao trabalho e à conectividade. Atores que acreditam no desenvolvi- mento de uma região por menor ou mais distante que seja, a partir do esforço e trabalho de se levar a Internet aos lugares mais remotos. Fazem isso de sol a sol, como verdadeiros bandeirantes da inter- net, montando equipamentos muitas vezes frágeis, simples, de baixa performance e pouco funcionais. Era início dos anos 2001 e montavam computadores com placa de radio transmissão em cima de torres, que recebiam sinais via rádio a quilômetros de distância. Tudo para difundir a internet e levá-la a localidades inóspitas. Dos anos 2001 para cá, novos equipamentos adentraram a esse uni- verso e isso proporcionou que os empreendedores da internet pouco a pouco trocassem os aparelhos de pouca estabilidade por equipamen- tos robustos, mais preparados e mais desenvolvidos. Isto melhorou a

124 O termo “provedor regional” se refere a empresas que comercializam a Internet em uma mesma cidade, ou várias cidades circunvizinhas.

disponibilidade, uma vez que a demanda era latente para se ofertar mais banda, de forma mais estável, e incluir novos assinantes.

E, muito embora ainda haja localidades que sequer conhecem o que é um sinal de internet, tem sido de responsabilidade de peque- nos empreendedores o feito de levar as redes a lugares de difícil acesso. Estes empresários têm desbravado este mercado como os bandeirantes, aqueles sertanistas do período colonial que, a partir do século XVI, adentraram aos sertões latino-americanos em busca de riquezas materiais, sobretudo ouro e prata.

São estes empreendedores que lidam com a infraestrutura mínima encontrada nessas localidades, e mesmo com todas as adversida- des, proveem um serviço de internet de excelência. É sim mérito dos pequenos e médios empreendedores que a internet vem cres- cendo a passos largos e em grande escala por toda a América Latina e Caribe. O que move a internet a lugares inimagináveis é o empreendedorismo e a demanda aliados ao impulso dado pela entrada de novos fabricantes com licenças e equipamentos mais acessíveis, maneiras de operacionalizar mais eficientes, com escalabilidade e disponibilidade de serviço aliados ao empreende- dorismo e à demanda, movendo a internet a lugares inimagináveis. É um trabalho calcado em pessoas inovadoras e empreendedoras. Não apenas na tecnologia disruptiva, mas, sobretudo, naqueles que aceitam o desafio de empreender em um segmento cheio de grandes conglomerados econômicos, regulamentações complexas e, muitas vezes pouco claras, a serem seguidas. Mesmo assim, muitos aceitam desbravar o mercado que há nessas cidades mais longínquas, inves- tindo tempo e recursos financeiros para oferecer um produto/serviço já há muito utilizado nos grandes centros. A tecnologia é fundamen- tal, mas sem o empreendedor, ela nunca chegará ao seu destino.

8.4 Conclusão: Elefantes, abelhas e indivíduos para uma