• No results found

6. Datainnsamling

6.2. Kvasieksperiment

Diariamente o servidor das organizações e sistemas públicos enfrenta situações nas quais se exige a tomada de decisões éticas. Tais situações envolvem elementos complexos como sistemas de valores e crenças adquiridas, além da possibilidade de perdas e ganhos imediatos, como a credibilidade e o reconhecimento social e profissional. Masiero (2013, p.31) sustenta a complexidade dessas situações cotidianas:

Ao analisar uma situação desse tipo, a pessoa envolvida desenvolve complexas racionalizações internas e também ouve colegas e outras pessoas envolvidas, que apresentam suas argumentações. Em ambas as situações é importante evitar os raciocínios falhos – os próprios e os dos outros – e conseguir pensar mais claramente sobre a situação.

Isto pode ser atribuído a um variado número de fatores, dentre eles, a percepção e a racionalidade limitadas das pessoas envolvidas nos processos decisórios. A grande complexidade das questões organizacionais defrontada com a capacidade individual de perceber e raciocinar sobre os vários elementos enredados nas situações faz as decisões se tornarem razoáveis, não completas, devido ao número de informações necessário para se otimizar uma decisão e à extensa e complexa rede de relações entre as partes comprometidas na decisão (KUROSKI, 2002).

Ademais, as decisões éticas precisam se ater à complexidade do fenômeno das metanarrativas construídas em torno de um processo decisório. Todas as metanarrativas encontram seus pontos de interseção e seus pontos de exclusão, de tal forma que as conexões entre uma e outra esclarecem de maneira mais lúcida e consistente os princípios defendidos ou não pela tendência “rival”. Este confronto entre as metanarrativas fornece um dinamismo intelectual para o redescobrimento dos estudos das organizações e dos sistemas e, certamente, responde à emergência do tempo atual: a busca do diálogo e das inter-relações entre os diferentes campos integrantes da complexidade organizacional (REED, 1999). É necessário ter clarificado a noção de “campo”, isto é, um espaço estruturado de relações no qual agentes

em disputa procuram obter um máximo lucro simbólico objetivado em melhores posições. As “conversações” entre os diversos campos interpretativos motiva uma dialética capaz de estabelecer, na diversidade, os elos do conhecimento. Pelas “conversações”, os resultados obtidos nas decisões serão submetidos, frequentemente, às negociações e rearranjos de significados (BOURDIEU, 2014).

Se quiserem dar soluções aos problemas das organizações na atualidade, os gestores devem considerar a literatura já construída e se livrar da presunção das teorias fechadas em si mesmas, com juízos absolutos, pois como são complexas as organizações, assim também a história onde elas estão inseridas pode ser verificada sob o prisma de um emaranhado de princípios, ideologias, métodos e conhecimentos. A conectividade entre as interpretações diversas se impõe (FACHIM, 1999). Tentar compreender uma organização, para apresentar as decisões, a partir de apenas um ponto de vista é reducionismo e a consequência poderá ser uma análise míope, sem fundamentação na essência da organização e sem a abertura necessária a novos diagnósticos. Uma análise científica e ampla sobre as organizações, para a tomada de decisões, se prima pelas conversações entre a pluralidade dos campos paradigmáticos (MORGAN, 1980).

Desta maneira, os decisores ou atores sociais exercem importante papel. Destaca-se o benefício da capacidade de comunicação dos atores sociais para, além de criar significados e crenças, também serem capazes de despertar significados em outros membros do grupo para garantir a unidade do campo. Uma coalizão política será tanto mais condensada, afinada e organizada quanto mais seus atores forem hábeis para comunicar o significado de suas crenças e mobilizar a memória afetiva de seus interlocutores, motivando-os para a cooperação nas decisões, não somente racional, mas empaticamente. Um campo terá unidade enquanto os membros internalizarem os princípios e valores defendidos pelos atores sociais hábeis (FLIGSTEIN, 2001).

Os processos de decisão ética em uma organização devem estar alicerçados na compreensão dos valores inerentes a cada pessoa e como eles se interagem no sistema organizacional, de que forma são construídos e reconstruídos. Se aposta na existência de forças acima do controle individual e para detectá-las e compreendê-las é preciso considerar a complexidade do sistema, onde elementos como permeabilidade cultural, articulação política, arranjos de poder e demandas sociais contribuem com a estruturação de um “modus operandi” próprio. As organizações não são como máquinas programadas, cujo mecanismo é previamente estabelecido. Elas podem ser interpretadas assim, mas equivocadamente. Nelas existem pessoas criativas e interativas, constitutivas de regras e normas sociais, habilidosas na

formulação de crenças, valores éticos e ideologias, além de estipularem sentidos e interpretações às coisas e aos seus pares (MORGAN, 1996; BERGUE, 2010).

As ações de transposição e importação de soluções éticas padronizadas para se atingir uma almejada mudança é um risco, pois a mudança tenderá a ser superficial, de cunho essencialmente estético. Este é um problema endêmico no Estado e nas organizações públicas brasileiras, dado o costume de supervalorização e implantação de modelos estrangeiros e protótipos do setor privado, seja na formação profissional, inclusive de agentes públicos, seja na apropriação tecnológica e nas práticas gerenciais vigentes. Este processo seria consequência de uma fixação com o que vem de fora. Há na cultura brasileira um valor acrítico e acentuado ao exógeno, em detrimento das soluções dadas a partir do que realmente corresponde à realidade local (BERGUE, 2010).

Isto gera um problema grave à administração nas organizações públicas brasileiras: o “formalismo”. Ou seja, a incompatibilidade entre o poder formal e o poder afetivo; o contraste entre a constituição, as leis, os regulamentos, os organogramas e as estatísticas e as práticas reais; o conflito entre o que “deve ser” e o que “é”. Em outras palavras, inventam-se “jeitinhos” com a finalidade de adequar o que “não é” ao que “parece ser”. A superficialidade abala a identidade ética das instituições brasileiras. As decisões éticas, estrategicamente, nas organizações do Brasil urgem ser para valer (ZAJDSZNAJDER, 1994).

No livro a “A Civilização do Espetáculo”, Lhosa enfatiza as consequências da cultura de nosso tempo fundamentada no entretenimento e na velocidade das informações. Para o autor, os principais resultados dos valores defendidos por esta sociedade são “a banalização da cultura, generalização da frivolidade e, no campo da informação, a proliferação do jornalismo irresponsável da bisbilhotice e do escândalo” (LHOSA, 2013, p. 19). O alerta do autor se enquadra no âmbito deste trabalho na medida em que o jornalismo do serviço público deve considerar, no desenvolvimento do conteúdo hipermidiático, a qualidade da informação divulgada. As facilidades da comunicação desencadeadas pelas ferramentas da hipermídia não se sobrepõem à profundidade com que as notícias do setor público urgem ser tratadas. Não se justifica o uso das hipermídias pela superficialidade da informação. Ao contrário, nos processos de decisão que envolve o uso das hipermídias nos conteúdos jornalísticos do serviço público, a incumbência pelo zelo, primor, qualidade e profundidade da notícia necessitam se sobrepor.