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8. Konklusjon

8.4. Videre forskning

dos cidadãos, por outro lado potencializa crimes, deslizes e práticas antiéticas (CHRISTOFOLETTI, 2008). O ambiente do ciberespaço é plural e pode ser permissivo, enquanto “é recheado de informações das mais diversas procedências” (CHRISTOFOLETTI, 2008, p. 97).

Desta maneira, a legislação brasileira contida no Código de Ética Profissional do Servidor Público Federal representa uma forte adaptação do serviço público à nova realidade cultural marcada pela globalização e pela tecnologia e significou um passo decisivo para a consolidação do artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos:

Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

2.5. Hipermídia como viabilização da ética: uma visão estratégica do serviço público

No universo das organizações e sistemas públicos, bem como nos organismos privados, ações com o intuito de resgatar os princípios éticos têm sido desenvolvidas de maneira estratégica. Na gestão das organizações da contemporaneidade repercute uma forma cultural hegemônica marcada pela racionalidade do planejamento e da conquista de metas. Este conjunto de atitudes, pensamentos e comportamentos muito frequente em um tempo histórico é chamado de “espírito do tempo”. Atualmente, a cultura organizacional com seus padrões, suas diretrizes e valorizações, encontra-se dominada por um “espírito do tempo” com enfoque fortemente de busca pela postura estratégica. Como afirma Zajdsznajder (1994, p.75):

A postura estratégica é a outra forma de ser em nosso tempo. É como se a estratégia tivesse abandonado os espaços mais restritos dos estados maiores das forças militares, ou os altos escalões públicos e privados, para se tornar uma questão de qualquer um de nós. Neste sentido mais geral, a estratégia diz respeito a como agir nas relações entre as pessoas – individualmente, grupalmente, nacionalmente ou

internacionalmente – tendo por objetivo o sucesso, ou tendo por finalidade evitar o fracasso, a destruição, enfim, ou simplesmente sobreviver.

A estratégia em uma abordagem de natureza organizacional se relaciona com as demais dimensões da organização, como administração, tecnologia, estrutura e comunicação. Como resultado, qualquer alteração de ordem estratégica se reflete nas características culturais da organização. Assim, a estratégia passa a ser encarada muito mais como um processo do que como uma fórmula prefixada (MACHADO; FONSECA; FERNANDES 1998).

No conceito de estratégia, há pelo menos dois elementos envolvidos: o primeiro é o conteúdo, o qual considera as ideias, propostas, diretrizes e apontamento de soluções; e outro de processo, que analisa a dinâmica envolvida na implantação das estratégias (MEIRELLES, 2000).

As estratégias devem fomentar a pró-atividade como elemento essencial na construção de um ambiente organizacional cujas oportunidades possam ser otimizadas e as ameaças não lhe afetem de forma relevante, aprimorando os pontos fortes e minimizando a influência dos pontos frágeis da organização, melhorando-os (WRIGHT, 2000).

Isto depende das contingências ambientais a que uma organização está exposta, pois como sistemas abertos, as organizações sofrem influência da cultura e do ambiente externo. A administração deve adaptar-se às circunstâncias ambientais, equilibrando a satisfação interna com as demandas do ambiente externo. Este modo de gestão é característico das organizações orgânicas, que operam com flexibilidade, adaptando-se às oportunidades ambientais. Os bons resultados desta adaptação dependem de como os envolvidos na elaboração de diretrizes avaliam as condições externas e a cultura interna da organização para, a partir desta análise objetiva, tomar as decisões (MORGAN, 1996).

Estruturas e comportamentos humanos externos à uma organização são imitados, introjetados, empossados e aplicados de tal forma que a similaridade entre os sistemas tende a se estreitar, num fenômeno chamado de homogeneização e isomorfismo. Esta dinâmica teria surgido a partir dos elementos da competição e da eficiência, impostos pela cultura da burocracia defendida pelo mercado econômico. Estas adaptações, mudanças e introjeções de maneiras novas na estruturação de uma organização e no comportamento dos sistemas se dão em diferentes contextos como, por exemplo, em situações coercitivas, miméticas e normativas. Ao Estado cabe um equilíbrio na sua metodologia de ação: orientar-se pela eficiência exigida pela burocracia capitalista, sem levar o isomorfismo e a homogeneização ao absoluto, mas também cuidar dos interesses e demandas de uma sociedade plural e

diversificada. À teoria das organizações apresenta-se o desafio da análise tanto das similaridades, quanto das variações nos sistemas com a finalidade de elucidá-los sobre as consequências desses fenômenos em suas estratégias de ação (DIMAGGIO; POWEL, 2005).

As organizações reúnem condições para a absorção de elementos culturais novos, provocadores de transformações, a chamada “antropofagia”, isto é, a assimilação de novas tecnologias e novos comportamentos estratégicos. A permeabilidade das instituições públicas a elementos novos e a alteração decorrente em sua estrutura e no comportamento de seus membros é resultado de vários componentes, como por exemplo, as pressões sociais, a absorção de modelos gerenciais ou a influência de novas tecnologias em emergência no setor privado. Qualquer movimento reformador do Estado, introjetando estas e outras influências, devem ser acompanhadas de reflexão e crítica aos modelos importados, além de uma adaptação criativa ao contexto cultural em que será inserido (BERGUE,2010).

Para os teóricos neochumpeterianos26, as instituições são um sistema em constante aprendizado e inovação. O “combustível” desta dinâmica é atender à demanda do mercado. Enquanto há lucro, há estabilidade na estratégia. Quando a operacionalização adotada não responde mais às expectativas do mercado, empreende-se uma nova rotina para responder com mais competência às solicitações do sistema capitalista. As constantes pesquisas e sondagens para verificar o grau de satisfação do consumidor exemplificam esta realidade e indicam a “agenda” e a “rotina” de produção e estratégias de uma empresa, bem como a necessária adequação às transformações impostas pela dinâmica social, cultural e econômica. Assim, os conceitos de “rotina”, “inovação” e “busca” estão conectados, porque os hipotéticos problemas detectados na rotina de uma organização podem desencadear em rotinas de solução dos problemas e, assim, introduzir “inovações” (RISSARDI; SHIKIDA; DAHMER, 2009). No serviço público, o desenvolvimento de “inovação”, em especial, no campo das TIC é ação ética não pautada pelo lucro segundo a cosmovisão capitalista, como defendem os neochumpeterianos, mas como mecanismo para garantir a transparência, o acesso à informação e a consolidação do sistema democrático (BRASIL, 2013).

Como resultado desta postura estratégica e deste ambiente externo às organizações no campo da ética, em especial nas instituições públicas, surgem iniciativas para o fomento dos valores nos ambientes organizacionais, como por exemplo, a criação dos Conselhos, Comissões, Códigos e Escolas de Ética do Governo, como mecanismos pedagógicos de

26 Estes teóricos ligados à Economia e à Sociologia, inspirados nas reflexões elaboradas pelo economista e

cientista político austríaco, Joseph Alois Schumpeter, defendiam a “inovação” como elemento essencial para o desenvolvimento econômico. Estas teorias foram difundidas a partir do final da década de 1970.

gestão da ética. Mais do que punir, estas estratégias buscam prevenir e educar os membros de uma organização para as condutas estabelecidas e aguardadas pela instituição (BRASIL, 2015). As organizações devem qualificar o comportamento de acordo com os princípios éticos, pois isto possibilita a inserção desses princípios nos processos administrativos, nas tomadas de decisão e na elaboração de novas e criativas estratégias de efetivação de serviços pautados pela ética (PFANNEMULLER, 2006). Como argumenta Aristóteles na obra Ética a Nicômaco27:

[...] a verdadeira finalidade não é a busca dos princípios e o conhecimento das regras em geral, mas sua real aplicação. No que se refere à virtude, tampouco pode ser suficiente saber o que ela é; é preciso, além disto, esforçar-se em possuí-la e colocá- la em prática [...]

A implementação de estratégias éticas pode introduzir a organização em um entendimento integrador entre as necessidades dos indivíduos e as do sistema, na medida em que estabelecem mecanismos para despertar nas pessoas o sentimento de responsabilidade, dando-lhes liberdade para serem criativas, motivando-as para exercer suas capacidades de autocontrole e autonomia e, também, suscitar em si mesmo o sentido do constante aprendizado e autoavaliação. Se a forma mecânica de administrar uma organização isolou as pessoas e quebrou a coesão e as relações interpessoais, a interpretação da organização como organismo interligado estimula a observar a importância do envolvimento do colaborador, bem como a enxergar o trabalho como elemento essencial para o bem-estar psicológico e social do indivíduo, além de construir sistemas flexíveis, interconectados e holográficos, capazes de possuir “visão do todo” pela troca e fluir das informações necessárias ao bom funcionamento do sistema, por meio do respeito e internalização das normas e criação de uma cultura ética organizacional (MORGAN, 1996).

A visão estratégica da hipermídia como viabilização da ética na administração pública deve estar atenta às diferentes ideologias, às demandas e à moral em vigor dos chamados stakeholders, ou seja, grupos ou indivíduos afetados pela busca dos objetivos por parte de uma organização. A teoria dos stakeholders (KUROSKI, 2002) propõe que as estratégias organizacionais devem visar o consentimento, e não a igualdade e neutralidade de posição, entre as partes. A teoria deste gerenciamento postula que uma instituição será tanto mais eficiente e eficaz em produtividade, qualidade, finanças, relações humanas e públicas, quanto melhor for o seu relacionamento com os stakeholders.

A construção de uma política de informação e de comunicação, dentre as quais a implantação das hipermídias nos conteúdos jornalísticos com viabilidade ética da organização, implica na criação de estruturas físicas e tecnológicas, além da construção de procedimentos, formação e capacitação de equipes e produção de instrumentos e planejamento de ações de comunicação (BOTELHO, 2011).