5.2. Sosial kompetanse
5.2.3. Kva for sosiale ferdigheiter er vanskeleg for elevar å lære
A atribuição de Jesus como cordeiro está presente no Evangelho segundo João e em outros escritos neotestamentários, mas com o termo amnós, encontra-se somente em At 8,32 e 1Pd 1,19414. Em outros textos a referência aparece com termos distintos415. Em At 8,32, a referência se dá quando Filipe encontra um etíope que está lendo o texto do profeta Isaías, sem saber a quem se refere, quando o profeta diz: como ovelha levada ao
matadouro e como um cordeiro...; ao que Felipe logo apresentou Jesus como o servo-
cordeiro exposto pelo profeta Isaías (cf. Is 53). No entanto, o texto de Atos não se demorou na descrição da catequese de Filipe, mas passou rápido à conversão do etíope, registrando o seu desejo de ser batizado (cf. At 8,36-38). Tal contexto informa que a comunidade dos Atos dos Apóstolos não fugiu em compreender que a analogia do cordeiro, referida ao servo de Is 53,7, na verdade se aplica a Jesus, pois nele se cumpre a profecia. E, mesmo não tendo a descrição da catequese de Filipe, torna-se evidente que esta passagem foi o ponto de partida do anúncio, pois o próprio texto diz: e
começando por esta passagem da Escritura, Filipe pôs-se a falar anunciando-lhe Jesus
(At 8,35). O termo utilizado em At 8,32 é amnós, o mesmo de Jo 1,29.
O Filipe que se encontrou com o camareiro etíope é o mesmo a quem os gregos procuraram em Jo 12,20-21. Também é o mesmo que em At 8,4-5 esteve em Samaria anunciando o evangelho. Revela-se a presença de Filipe como interlocutor com culturas diferenciadas da judaica, fazendo-lhe, como defende Gass, um autêntico membro da
412 DIEZ MERINO, Luis. El cordero de Dios en el Nuevo Testamento y en el Targum. EstB, p. 585-586: “La tradición ha considerado a Cristo como „al verdadero cordero‟ Pascual. [...]esta tradición primitiva vio en Cristo al verdadero cordero Pascual, y así lo comprobamos en las orígenes mismo del cristianismo.”
413 Cf.Idem ibidem, p. 592, 2006.
414 Cf. GESS, J. Amnós. In: DITNT. 2 ed. São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 430. 415 Cf. JEREMIAS, J. Arnión. In: GLNT. V. I. Brescia: Paideia, 1965, p. 924.
comunidade joanina, pois as comunidades joaninas “teimavam em ser fiéis ao projeto de Jesus de Nazaré, vivendo a partilha fraterna em comunidades, onde não havia discriminação nas relações de gênero, nem de etnia ou de classe”416.
Em 1Pd 1,19 Jesus é reconhecido como o amnós, o cordeiro sacrificial, a quem a carta petrina relaciona dois atributos do cordeiro pascal: cordeiro sem defeito e sem
mácula (cf. 1Pd 1,19b). Deste modo, a relação da Primeira Carta de Pedro com a
imagem do cordeiro se diferencia na fonte da passagem de At 8,32; lá o termo amnós está posto dentro de uma citação de Is 53, o que se torna base da pregação de Felipe417. Por sua vez, a Primeira Carta de Pedro, faz menção à prescrição do Cordeiro Pascal, que estava em Ex 12 (um macho sem defeito), mas pode também estar se referindo aos vários ritos sacrificiais realizados com o cordeiro418. Nenhum dos dois textos se deixou deter por muito tempo na temática do cordeiro; todavia, indica, claramente, que esta imagem era uma das tipologias com que as comunidades cristãs tornavam o ministério de Jesus mais conhecido. Por sua vez, o Quarto Evangelho tem consciência de que há outras tipologias atribuídas a Jesus, mas quis usar a imagem do cordeiro, citada duas vezes (cf. Jo 1,29.36) e com uma referência ao Cordeiro Pascal no episódio da Paixão (cf. Jo 19,36).
Como proposto por vários estudiosos419, o Quarto Evangelho é fruto de um longo processo de redação, mas guardou a sua unidade, isto é, o “4º Evangelho como temos hoje, certamente passou por um processo de redação que durou várias décadas”420; mas
isso não lhe tirou a unidade temática. Assim, existe entre a primeira intuição e a intuição do redator final uma comunhão que faz com que não se descarte e nem se desconecte a
416 GASS, Ildo B. Uma introdução à Bíblia, p. 138.
417BERGANT, Dianne; KARRIS, Robert J. (Orgs). Comentário Bíblico: Evangelhos e Atos, Cartas, Apocalipse. V. III. São Paulo: Loyola, 2010,p. 158: “Lucas também insiste repetidas vezes que as escrituras precisam ser explicadas. Os discípulos na Estrada de Emaús e em Jerusalém precisam que Jesus ressuscitado interpretasse para eles as Escrituras (Lc 24,25-32.44-47) […] por isso, aqui Filipe tem de explicar ao eunuco que Is 53, 7-8 não se referia a Isaías, mas a Jesus (como At 2 explicara que Sl 16; 110 não se referiam a David, mas a Jesus) e profetizava sua morte abnegada (At 8,31-35).”
418Cf. DODD, Charles. A interpretação do Quarto Evangelho. São Paulo: Editora Teológica, 2003, p. 306.
419 A saber: SHREINER, Josef; DAUTZENBERG, Gerhard. Forma e exigências do Novo Testamento. São Paulo: Paulus-Teológica, 2004; TUÑÍ, Josep-Oriol; ALEGRE, Xavier. Escritos joaninos e cartas
apostólicas. São Paulo: Ave-Maria, 1999; GASS, Ildo Bohn. Uma introdução à Bíblia: as comunidades
cristãs a partir da segundo geração. São Paulo: Cebi/Paulus, 2005; BROWN, R.E. A comunidade do
discípulo Amado. São Paulo: Paulinas, 1983; BLANCHARD, Yves-Marie. São João. São Paulo:
Paulinas, 2004; MOLONEY, Francis J. The Gospel of John. V. IV. Minnesota: Michel Glazier Book, 1998; VIDAL, Senén. Los escritos originales de la comunidad del Discípulo “amigo” de Jesus: El
Evangelio y lãs cartas de Juan. Salamanca: ediciones sigueme, 1997. 420 GASS, Ildo B. Uma introdução à Bíblia, p. 120.
vida toda de Jesus421: sua encarnação e morte-ressurreição422. Fica assim, evidente, que apesar do Gólgota ser o ponto de convergência do Quarto Evangelho, o ministério público de Jesus está em unidade temática, de modo que o plano teológico orientado para o Gólgota perpassa todo o Quarto Evangelho. Mas o relevante, agora, é que a imagem do cordeiro dentro do processo de redação do Evangelho não se perdeu e foi, segundo Vidal423, realçada, pelo que considera que numa etapa posterior às narrativas da Paixão, o redator aliou a imagem de 19,36 (não lhe quebraram nenhum osso) com o que tinha em mãos em Jo 1,29 (eis o cordeiro de Deus)424.
A imagem do cordeiro marcou profundamente a comunidade joanina; é o que se percebe também ao se considerar a imagem presente em outros escritos atribuídos a esta comunidade, aliás, quando se buscou a raiz do Evangelho joanino, encontrou-se, o que alguns estudiosos, como Zumstein, consideram uma Escola Joanina, visto que,
o trabalho literário e teológico que levou à redação de João se estende por vários decênios. Supõe a existência de um meio estável no qual as tradições próprias das Igrejas joaninas foram recolhidas, cotejadas, reinterpretadas e transmitidas, um meio em que esse trabalho teológico e literário desembocou na redação progressiva do evangelho e, depois, das epístolas. É, portanto, legítimo supor que esta tarefa tenha sido cumprida por um círculo teológico- a escola joanina.425
Este meio joanino, chamado de Escola Joanina426, foi se desenvolvendo a partir de um núcleo histórico que inicialmente estava formado pelo judaísmo palestinense e se
421Vale recordar que as teorias acerca da redação do Quarto Evangelho ainda se encontram em amplo debate, mesmo considerando as importantes contribuições de Bultmann, Brown, Moloney e mais recentemente, Vidal.
422 RODRÍGUEZ RUIZ, Miguel. Cuarto Evangelio, Cartas de Juan: introducción y comentário de J. José Bartolomé. EstB, Madrid, v. 61, n. 4, 2003, p. 568: “ciertamente hay uma continuidad entre la encarnación y la muerte en la cruz o exaltación en ella, porque la persona del Verbo es la misma, pero la muerte de Jesús es algo más que „la última prueba‟, es la prueba por excelência de que Jesús, por así decir, recupera la „gloria de su preexistencia‟ (cf. 1,1-2; 13,1; 17,2).”
423 Senén Vidal considera que o IV Evangelho passou por várias etapas de redação e o material coletado se organiza em diferentes titulações: TB- Tradições Básicas, que são comuns tanto a João como aos sinóticos; T- Tradições Soltas, estão aí tradições como as de João Batista; CM- Coleção de Milagres, estão aqui os relatos dos sinais; RP- Relatos da Paixão, é uma fonte para os textos da Paixão, tanto em Jo como nos sinóticos; estas fontes originaram as várias etapas de redação: E1: primeiro Evangelho; E2: segundo Evangelho; E3: terceiro Evangelho; E4: quarto Evangelho. Fonte: VIDAL, Senén. Los escritos
originales de la comunidad del Discípulo “amigo” de Jesus: El Evangelio y las cartas de Juan.
Salamanca: ediciones sigueme, 1997.
424 VIDAL, Senén. Los escritos originales de la comunidad del Discípulo “amigo” de Jesus: El Evangelio y lãs cartas de Juan. Salamanca: ediciones sigueme, 1997, 274: “sin embargo, sí es muy probable que el autor de E1 entendiera ese texto de RP tradicional en referencia a Jesús como cordero pascual, ya que se trata de un motivo típico de su obra.”
425 MARGERAT, Daniel (Org). Novo Testamento: história, escritura e teologia. São Paulo: Loyola, 2009, p. 457.
abriu aos samaritanos427, demonstrando a comunidade joanina como uma comunidade com raízes profundamente judaicas, mas ao mesmo tempo aberto, dando assim possibilidade para que várias tradições possam ser nela encontradas, o que demonstra uma comunidade que se abre ao diálogo, como se pode constatar nos vários diálogos que estão presentes no Evangelho segundo João (cf. Jo 3,1-21; 4,1-26 e 8,1-11); os vários elementos, que marcam a pluralidade do ambiente do Quarto Evangelho, expõem sua dinâmica missionária para levar vários povos a aceitar Jesus428.
Quanto à relação com o judaísmo, sabe-se que o Evangelho joanino expõe bem a expulsão da sinagoga429 (cf. Jo 9,22;12,42;16,2), o que requereu maturar a reinterpretação do legado judaico dentro da comunidade joanina, isto é, houve uma ressignificação do judaísmo à luz da pessoa de Jesus, pois os grupos que antes frequentavam o Templo e a sinagoga, e tinham a Lei como centro da Revelação, agora passavam a ver em Jesus a realização da Palavra, das Festas e da Lei430. Uma destas interpretações é a imagem do cordeiro, que não está somente no corpo do Quarto Evangelho, mas também ressoa em outros escritos da Escola Joanina. Informando, que a reinterpretação não foi somente na primeira hora, mas foi sendo gestada ao menos por duas gerações da comunidade joanina, o que culminou no registro escrito que se tem hoje.
No que se nomina Escola Joanina, a referência a Jesus com a tipologia de cordeiro também se encontra na Primeira Carta de João431. Entre as diferenciações levantadas entre a Carta e o Evangelho está no centro a temática da imagem do cordeiro, pois estudiosos, como Gass, defendem que o Evangelho segundo João ao se referir ao cordeiro, não faz uma leitura expiatória sobre o ministério de Jesus,
427 Cf. MARGERAT, Daniel (Org). Novo Testamento, p. 452-454.
428 FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno. Os Evangelhos. V. II. São Paulo: Loyola, 1995, p. 26: “um evangelho aberto em muitas direções, este é um primeiro dado que deve de toda maneira ser reconhecido, sendo uma das razões do fascínio do evangelho de João. Espíritos diversos se sentem interpelados por sua mensagem. É aberto, não no sentido de aflorarem ora numa, ora noutra página motivos disparatados, cada um referindo ao seu próprio ambiente. Pelo contrário, os mesmos motivos (não muito numerosos, nem motivos variados), símbolos, vocábulos são simultaneamente abertos a ressonâncias múltiplas [...]e não se pense que as diversas mentalidades possam ler simplesmente o evangelho cada um de seu modo, interpretando-o conforme seus próprios conceitos. Pelo contrário: cada espírito se sente envolvido e julgado, convidado a sair da própria idolatria para abrir-se a Cristo.”
429 Cf. SHREINER, Josef; DAUTZENBERG, Gerhard. Forma e exigências do Novo Testamento. São Paulo: Paulus-Teológica, 2004, p. 306.
430 Cf. GASS, Ildo B. Uma introdução à Bíblia, p. 124.
431 MARGERAT, Daniel (Org). Novo Testamento, p. 477: “um inegável parentesco- seja no nível da terminologia/estilística, seja no nível teológico- une 1Jo a João. Essa proximidade não tem nada de surpreendente, já que tanto João como 1 João emanam de uma mesma escola teológica e partilham, portanto, a mesma linguagem- uma linguagem muito original, aliás, no ambiente do cristianismo nascente.”
podemos perceber diferenças teológicas entre o 4º Evangelho e as Cartas. Uma é que 1Jo 2,2 e 4,10 apresentam Jesus como „vítima de expiação‟. Nenhuma vez, o 4º Evangelho compreende a morte de Jesus no sentido de sacrifício. Outra diferença teológica é a espera da parusia, da vinda iminente de Jesus [e] no Evangelho, não se espera pelo retorno de Jesus.432
Tanto Gass como Zumstein reconhecem que algumas diferenças teológicas não anulam a relação profunda que há entre as Cartas e o Quarto Evangelho433, fazendo com que estes sejam memórias de uma mesma comunidade, mas em momentos vivenciais diferentes. Todavia, a proposta de Gass, sobre a ausência de compreensão sacrificial a respeito da morte de Jesus no Quarto Evangelho, parece desprovida de fundamento escriturístico, visto que a saudação do Batista (cf. Jo 1,29), utilizando o termo amnós trazia exatamente a figura do cordeiro que se utilizava no sacrifício. Com este termo se evidenciava que “o cordeiro desempenhava um papel importante como animal sacrificial no culto público de Israel”434. Sobre a expiação pode-se reconhecer a fala de
Caifás (cf. Jo 18,14) como uma nota que dá tom expiatório à entrega de Jesus435 e na mesma linha seguem as imagens que relacionam Jesus com o rito do Dia de Expiação436. Ademais, a visão da morte de Jesus como expiatória, não foi algo comum somente à comunidade joanina, mas corrente no cristianismo nascente, como atestam várias referências (cf. 1Cor 15,3; 1Pd 3,18; Rm 5,8; 1Ts 5,10; Ef 1,7; Cl 1,20; Rm 3,25; Hb 2,17; 1Jo 2,2; Hb 9,12; 9,28; 10,10, 10,12).
Na relação com a expiação, a particularidade joanina se encontra na continuidade, ou seja, não bastasse constar e incidir no texto do Quarto Evangelho, também aparece na Primeira Carta de João, onde Jesus morre para expiar os pecados437 da humanidade.
Em meio às demais comunidades cristãs, o grupo joanino foi profundamente marcado pela imagem do cordeiro e pela ressignificação do patrimônio judaico. Sobre a escolha do cordeiro como tipologia para Cristo, há que se perguntar “por que”; ao que
432 GASS, Ildo B. Uma introdução à Bíblia, p. 133.
433 MARGERAT, Daniel (Org). Novo Testamento, p. 477: “o fato de surgirem diferenças substanciais tanto no vocábulo utilizado como nas representações teológicas não constitui um argumento que exclua, de uma vez, a hipótese de um só autor [escola] para dos dois escritos. De fato, temos o direito de supor que tais mudanças possam resultar de situações, de gêneros literários e de estratégias argumentativas diferentes.”
434 GESS, J. amnós. In: DITNT. 2 ed, p. 429.
435 BARBAGLIO, Giuseppe. Jesus, hebreu da Galiléia: pesquisa histórica. São Paulo: Paulinas, 2011, p. 494: “o quarto evangelho apresenta dois traços próprios [na paixão de Jesus]: Caifás o quer condenar como bode expiatório: „é melhor que um só morra pelo povo‟ (Jo 18,14; 11, 49-50).”
436 RATZINGER, Joseph- BENTO XVI. Jesus de Nazaré: da entrada em Jerusalém até a ressurreição, p. 82: “a oração sacerdotal de Jesus é a atuação do dia da Expiação, é por assim dizer a festa para sempre acessível da reconciliação de Deus com os homens.”
se pode responder primeiro, que é devido ser uma imagem comum aos vários grupos da primeira hora que estão na base da tradição joanina; todos conhecem as funções atribuídas ao cordeiro, tanto na vida cúltica de Judá quanto na da Samaria.
Fabris e Maggioni defendem o que seria a segunda razão para o uso da imagem do cordeiro atribuída a Jesus. Para eles, “o cordeiro é a imagem de uma obediência e de um amor que vão até a cruz; e o cordeiro é a imagem do servo de Deus que toma sobre si (leva) o pecado do povo”438. Fazendo da imagem do cordeiro a constatação da entrega
voluntária e amorosa de Jesus por obediência e amor para levar ao conhecimento do amor do Pai439. Na base do pensamento de Fabris e Maggioni parece estar a descrição de Is 53, que faz a analogia entre a mansidão do cordeiro e a mansidão do Servo do Deus. Ora, a comunidade joanina parece ter entendido exatamente isto, de modo que a morte de Jesus no Quarto Evangelho é retratada com serenidade e de forma majestosa440: uma entrega voluntária que fará Jesus voltar para o Pai441.
Sendo a tradição joanina uma tradição aberta, em diálogo; fica evidente que a comunidade do cordeiro se caracteriza também por anunciar que o evento da cruz tem alcance universal442, ou seja, a oferta de Jesus é para que o mundo saia da condição de pecado, daí a expressão “tira o pecado do mundo” (cf. Jo 1,29), pois o cordeiro que serviria unicamente para o povo de Israel, agora expande a toda a humanidade o bem do seu ministério443. Nesta mesma linha segue a Primeira Carta de João, que parece parafrasear o Evangelho ao dizer: “Ele é a oferenda de expiação por nossos pecados, e
não só pelos nossos, mas também pelos pecados do mundo inteiro”(1Jo 2,2), à
semelhança de “eis o cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). O cordeiro é de Deus, de modo que Deus tem direito sobre ele, e faz dele aquela oferta pelos pecados do mundo; a oferta a que se refere 1Jo 2,2, é exatamente a
438 FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno. Os Evangelhos. V. II, p. 294. 439 Cf. ERNANDES FERNANDES, Cézar L. O sentido da cruz, p. 21.
440 TUÑÍ, Josep-Oriol; ALEGRE, Xavier. Escritos joaninos e cartas apostólicas, p. 65: “é Jesus quem dá a própria vida, ninguém lhe tira (cf. 10,18). A Paixão se converte numa marcha triunfal de Jesus para a cruz. A morte de Jesus é mais uma vitória de que uma derrota. A cruz é mais um trono que um patíbulo.” 441 Cf. SCROGGS, Robin. O Jesus do povo: trajetórias no cristianismo primitivo. São Paulo: Paulus, 2012, p. 278.
442 Cf. LÓPEZ ROSAS, Ricardo; RICHARD GUSMÁN, Pablo. Evangelio y Apocalipsis de San Juan. Navarra: Verbo Divino, 2006, p. 269.
443 Cf. DIEZ MERINO, Luis. El cordero de Dios en el Nuevo Testamento y en el Targum. EstB, p. 588: “paciente, como un cordero, ofrecido en sacrifício, el Salvador fue la muerte por los otros sobre la cruz; con fuerza expiadora de su muerte inocente borro la culpa (cf. Jn 1,29) de toda la humanidad (Jn 1,29). Así como en outro tiempo la sangre de los corderos pascuales tuvo parte en la liberación de Egipto, así, con la fuerza expiadora del su sangr, Jesús há realizado la liberación (elytrozete, 1 Pd, 1,18). De la esclavitud del pecado (1Pd 1,18). Pero la fuerza expiadora de su muerte, no está, como la del cordero Pascual, limitada a Israel. Como cordero de Dios expíala culpa de todo el mundo (Jn 1,29), que está sometido inexorablemente, sin distinción ni de religión ni de raza, al juicio de Dios.”
anunciada já no Quarto Evangelho, em Jo 1,29. É nela que Deus tira os pecados não só da comunidade, mas do mundo inteiro444. Jesus é a oferenda de Deus, aceita em total liberdade445. Diante disto se pode entender que não há cisão teológica entre as Cartas e o Evangelho no que toca ao ministério do cordeiro, mas uma acentuação diferenciada; no Evangelho segundo João, a acentuação pende mais para o rito da Páscoa e as Cartas pendem mais para o rito do Dia de Expiação, mas ambos se encontram aliadas à imagem do cordeiro dentro da tradição judaica, fazendo desta imagem algo significativo a toda a Escola Joanina.
A diferença de acentuação compõe já uma realidade presente no Quarto Evangelho, pois, “o Evangelho não é uma túnica sem costura. As tradições utilizadas pelo autor não são de todo consistentes; é quase certo que a própria comunidade tinha várias perspectivas, e todas concordavam umas com as outras.”446 Do mesmo modo, as Cartas
Joaninas, e, em primeiro lugar, a Primeira Carta de João traz uma realidade diferenciada do Evangelho, o que a faz reinterpretar o Evangelho de outro lugar histórico, isto é,
1Jo se situa depois da composição do evangelho, isso significa que os conceitos teológicos fundamentais utilizados pelo evangelista foram reinterpretados em 1Jo. Em outras palavras, o autor de 1Jo, apoiando- se no evangelho como numa tradição estabelecida, tenta dizer de novo o seu sentido numa situação nova.447
Esta reinterpretação de temas do Evangelho acontece também na Segunda e Terceira João, aliás, “os dois temas principais de 1Jo, a saber, a explosão de uma crise no seio das Igrejas joaninas e a exortação a amar o irmão reaparecem em 2 e 3 João.”448 No
entanto, não se deve “ignorar diferenças substanciais”449. Todavia, um traço comum
nesta tradição é a referência, ainda que subentendida, à entrega voluntária de Jesus, isto é, mesmo com a crise interna, que se revela nestas Cartas, o mandamento do amor e da obediência, que são virtudes de Jesus, estão presentes nas Cartas, fazendo eco à entrega de Jesus por amor, pois, “não há maior amor que dar a vida por seus amigos” (cf. Jo 15,31).
Além do Evangelho e das Cartas, há ainda o livro do Apocalipse, que se chegou a considerar como um escrito do meio joanino. Sobretudo, pelo fato de o autor se nomear
444 Idem ibidem, p. 589: “El Cordero de Dios es um cordero que pertenence a Dios en propriedad, sobre el