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5.5. Taus kunnskap

5.5.2. Diskuterer lærarar relasjonar mellom lærarar og elevar?

Os olhos são responsáveis pela maior parte dos elementos captados e residentes na memória humana, por isso são chamados de janela da memória. Fisiologicamente, são os órgãos externos mais próximos do cérebro humano, também um dos mais complexos e belos, dada suas partes e funcionalidade.

No Antigo Testamento a palavra olho aparece 872 vezes. Mantém sentido real e fi- gurado, no real expressa a dimensão biológica do globo ocular e a capacidade de ver; no sen- tido figurado apresenta a conotação de órgão dos desejos, da expressão dos sentimentos e to-

ma sentido de totalidade, de modo antropomórfico nos atos divinos44. No Novo Testamento há cerca de 130 ocorrências referentes ao termo olho45.

“No Antigo Testamento, quando se fala dos olhos de uma pessoa ou, com muita fre- quência, dos olhos de Deus, em primeiro plano não está jamais à forma ou a função física do olho, mas sempre a qualidade e dinamismo do olhar”46. No Novo Testamento, muitas das vezes ao termo olho e a sua função se atribui conceitos morais47. Vale a pena ressaltar que a análise da Sagrada Escritura permite a denotação fortemente presente de uma teologia da vi- são, pois tanto o Antigo quanto o Novo Testamento dão ênfase a essa faculdade sensorial de enxergar.

Podem ser citadas, nos relatos bíblicos do Antigo Testamento, situações expressivas sobre a reação olhar-ver, tanto em Deus como também no homem. Em Deus, a fim de apenas contextualizar a reflexão, a referência olho/olhar se encontrada nos seguintes elementos da história salvação e fé de Israel: Criação, Promessa, Eleição e Libertação. Colocando o olhar do homem em foco, apresentando a faculdade de ver a partir da ótica bíblica, pode ser classi- ficada sobre vários pontos significativos: olhar de solidão afeto, busca de Deus, fidelidade, conversão, de compaixão e etc.

Na Criação Deus vê que toda sua obra era muito boa (cf. Gn 1,31). No ato da Pro- messa ele diz para Abraão sair e ir para a terra que ele irá mostrar; evidentemente isso supõe o uso da visão (cf. Gn 12,1). Quando Deus elege Abraão e lhe promete a descendência, o texto bíblico diz o seguinte: “Abrão tinha 99 anos. O Senhor apareceu-lhe e disse-lhe: ‘Eu sou o

Deus Todo-poderoso. Anda na minha presença e sê integro’”(Gn 17,1). Tal passagem pode ser lida em paralelo com Gn 13,14-17 e Gn 15,1, esses textos citam Deus aparecendo ao Pai da fé numa visão e pedindo para ele levantar os olhos para o norte e para o sul, para o oriente e o ocidente, pois toda terra por ele vista seria a ele dada. O exercício da visão, de modo me- tafórico ou segundo as experiências místicas, se mostra bem claro nestes textos.

44 Cf. HARMAN, Allan H. Olho. In. VANGEMEREN, Willen A (Org.). Novo Dicionário Internacional de

Teologia e Exegese do Antigo Testamento. v. 3. São Paulo: Cultura Cristã, 2011. p. 386-390.

45 Cf. DAHN, K. Ver, Visão, Olho. In. COENEN, Lothar; BROWN, Colin. Dicionário Internacional de Teo-

logia do Novo Testamento. v.2. São Paulo: Vida Nova, 2000. p. 2591-2598. 46 SCHROER; STAUBLI. O simbolismo do corpo… p. 138.

A mesma coisa, também há de ser dita, na experiência de Moisés no anúncio da Li- bertação. Ele vê a sarça que não se consome (elemento divino) e o próprio Deus diz a ele:

“Eu vi, eu vi a aflição do meu povo que está no Egito” (Ex 3,7). Em todos esses casos a situ- ação significa ir além do tomar posse da realidade material, algo mais profundo, passa do ní- vel da experiência física, até mesmo por que em Deus os olhos são metáforas, antropomor- fismos e interpretações teológicas.

Com respeito ao olhar do homem há no Gênesis o olhar de solidão e tristeza da parte de Adão, pois vê todos os animais e os nomina, mas não vê uma auxiliar que lhe corresponda (cf. Gn 2,18-21). O olhar de Adão transformado em afetuoso ao contemplar um ser a ele se- melhante (cf. Gn 2,22-23). Em Abraão se vê o olhar da esperança ao falar com Deus em tom de confiança (cf. Gn 15,1-3). Diante da presença de Deus que, de modo misterioso o visita, seus olhos são agora de contemplação (cf. Gn 18,1-3). Saltando um pouco na História da Salvação rumo ao êxodo do povo de Deus, há da parte de Moisés, o olhar de indignação pela falta justiça (cf. Gn 2,11-12).

No Novo Testamento os olhos têm seu sentido reforçado na atuação de Jesus. Prin- cipalmente porque, de acordo com as perspectivas proféticas, a abertura dos olhos cegos era um dos fortes indícios da chegada dos tempos messiânicos (cf. Is 35,5). Destarte, o restituir a visão traria benefícios ambivalentes, pois se de um lado favorece o enfermo, por outro, con- firma o messianismo de Jesus conforme o anunciado pela palavra profética de Isaias.

O Evangelho segundo Mateus narra Jesus curando quatro cegos, dois logo ao partir de Cafarnaum (cf. Mt 9,27-31) e dois em Jericó (cf. Mt 20,29-34). O evangelista Marcos nar- ra as seguintes curas de cegueira: um em Betsaida (cf. Mc 8,22-26) e outro na entrada de Jeri- có (cf. Mc 10,46-52). Em Lucas se descreve a cura de um cego mendigo em Jericó48 (cf. Lc 18,35-43). João narra a cura de um cego de nascença (cf. Jo 9,1-41). Ao todo são narradas sete curas de cegos nos quatro Evangelhos.

As curas na visão realizadas por Jesus significam muito, extrapolam o campo do bio- lógico. Abrem espaço para muita interpretação teológica a respeito de si e da sua proposta de

48 Ao que tudo indica o cego de Jericó é mesmo cego Bartimeu do Evangelho de Mc 10,46-52. As evidências seriam pela descrição dos fatos, pois ambos milagres ocorreram em Jericó, os cegos descritos estavam fora da cidade pedindo esmolas e todo e a sequência dos fatos foram as mesmas tanto em um quanto em outro, isto é, ambos reconheceram Jesus como Filho de Davi e foram atendidos por Jesus que pediu que os trouxessem até ele e foram curados por meio da palavra.

vida eterna, uma vez que dá a se entender, a partir dos textos bíblicos, a ideia dos olhos serem imagem de local de recepção das realidades espirituais.

Jesus falando do olho assim se expressa: “A lâmpada do corpo é o olho. Portanto,

se o teu olho estiver são, todo teu corpo ficará iluminado; mas se o teu olho estiver doente, todo teu corpo ficará escuro. Pois se a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão as trevas!”(Mt 6,22-23). A percepção ou não da luz influencia todo o comportamento do corpo, por isso a cegueira pode ser vista como sinal do aprisionamento na realidade obscura, isso dá a conotação religiosa de distância de Deus, pois “Deus é luz e nele não há treva alguma”

(1Jo 1,5b).

Dentro do campo das relações o cego se torna dependente de outrem para locomo- ção, presa fácil de aproveitadores e exposto aos perigos. Não tem contato profundo com a realidade material, nem noção das imagens e cores, logo é alguém de condição limitada no seu relacionamento com as pessoas e coisas. Para a proposta de vida cristã a cegueira seria então o sinal teológico de um mundo individual, sem recepção, sem abstração e, consequen- temente, sem noção de comunicação, pois os olhos transmitem e recebem mensagens.

Na atitude de Jesus em curar os cegos tais limitações são sanadas. Dar visão a uma pessoa significa abrir as janelas da alma para o encontro com Deus, verdadeira Luz. É colo- car o homem em contato com o mundo para o qual Deus o criou; dar a ele a oportunidade de se relacionar com as coisas e as pessoas na sua forma natural sem forçar a condição.

Um detalhe determinante são as formas e gestos usados por Jesus nesses milagres. Para curar os cegos de Cafarnaum e Jericó Jesus toca nos olhos deles (cf. Mt 9,29; 20,34), a mesma coisa ele fez com o cego de Betsaida depois de cuspir49 em seus olhos (cf. Mc 8,23). Nas outras curas visuais, descrita nos sinóticos, o milagre se deu somente pela força da sua palavra (cf. Mc 10,52; Lc 18,42). E a cura descrita no Evangelho segundo João ele usa lama feita com sua saliva (cf. Jo 9,6).

Ao curar pela palavra a ideia remete a ação criadora de Deus no Antigo Testamento. Ele cria as coisas pela ação da palavra, a primeira criatura feita por ele foi a luz. “Deus disse:

49 Segundo W. L. Lane “a aplicação aos olhos da saliva e a imposição das mãos nas curas era muito generalizada na prática judaica. Mediante seu toque e sua ação, Jesus entra no mundo do pensamento humano e restabelece com o homem o contato relevante ” (DITNT v. 2 – Vaso p. 2576-2578).

‘faça-se a luz’. E a luz foi feita” (Gn 1,3). Sem luz não pode haver vida na natureza, a luz além de iluminar exerce responsabilidade pela fotossíntese nas plantas e, consequentemente, mantém vida em toda a esfera terrestre. Jesus ao dar luz para esses cegos pela força da pala- vra age como próprio Deus e lhes devolve a vida na situação natural apresentando as perspec- tivas da vida eterna. Fator determinante para a teologia do Novo Testamento.

Semelhante ideia pode se ver também nas curas realizadas pelo toque, tais remete à mentalidade de Deus como o oleiro da Literatura Sacerdotal de Gn 1,1–2,4b. Principalmente ao ser visto o milagre realizado no cego de Jo 9,1-41, no qual, em seus olhos Jesus passa a lama feita com sua saliva. O passar lama nos olhos do cego lembra a imagem do oleiro res- taurando a obra. Tal ideia tem notável nitidez ao se ver a descrição do atingido pela deficiên- cia desde o nascimento (cf. Jo 9,1). Outro momento remetente ao restabelecimento da criação ao plano original pode ser considerado a partir da própria palavra de Jesus ao ser questionado sobre a origem da cegueira daquele homem. Ele teria nascido cego para que a glória de Deus fosse manifestada (cf. Jo 9,3). Em outras palavras, o Pai Criador torna revelado nas obras do Filho. Este Filho feito homem executa as obras por ter visto o Pai fazer. Ele mesmo disse:

“Em verdade, em verdade, vos digo: o Filho, por si mesmo, nada pode fazer, mas só aquilo que vê o Pai fazer; tudo o que este faz o Filho o faz igualmente” (Jo 5,19).

Quase todos os cegos curados por Jesus tornaram-se seus discípulos, caminharam a- trás dele o seguindo. Concretiza no hoje dos cegos a ideia joanina de fazer a experiência de querer caminhar atrás da luz que nunca termina (cf. Jo 8,12). E ao ser vista essas curas visu- ais de Jesus, sob a ótica escatológica e da ressurreição dos corpos, não tem como não lembrar da promessa do livro do Apocalipse descrevendo o seguinte para os vitoriosos: “Verão a sua

face e o seu nome estará nas suas frontes, já não haverá noite, nem se precisará da luz da lâmpada ou do sol, porque o Senhor Deus iluminará, e hão de reinar pelos séculos dos sécu- los” (Ap 22,4-5). Ou seja, a restituição da visão física aponta para a contemplação da visão beatífica no acontecimento glorioso da ressurreição dos corpos na consumação dos tempos.