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Como relata Rubin (1998), grande parte das críticas dirigidas à U&G concentra- se no período do início da década de 1970 e foram dirigidas às suposições iniciais da pesquisa prematura da tradição. O investigador aponta para a importância de se dar atenção aos trabalhos mais recentemente publicados, não que estes socorram todas as críticas mais válidas, mas muito dos estudos subsequentes ao período mencionado foram endereçados à superação desses apontamentos críticos, primordialmente, por pesquisadores orientados ao conhecimento que elucidaria tais pontos obscuros.
Mesmo com o reconhecimento de tal esforço, o autor aponta as mais sólidas críticas já publicadas desde então. Aqui reproduzo algumas apenas para ilustrar a que se têm dirigido tais críticas, expressas em conjunto com alguns comentários próprios como também tecidos por Rubin.
Os críticos em suma têm recorrentemente sustentado que os investigadores atribuem diferentes significados a conceitos tais como: motivos, usos e satisfações (ELLIOT, 1974; SWANSON, 1977 e 1979, apud RUBIN, 1998). Tal condição contribui para reflexões imprecisas sobre as investigações de fato. O conceito de atitude dos meios é tratado, por exemplo, às vezes como antecedente, às vezes como intermediário, ou até mesmo como uma variável consequente em estudos distintos. Rubin (1998) aponta que isso se deflagra em uma parte muito pequena dos estudos desenvolvidos, sendo que em sua maioria, se adotam conceitos mais uniformes.
Outras duas suposições, uma relacionada à audiência ativa e outra ao uso dos dados de auto relatórios, tem sido motivos de críticas (ELLIOT, 1974; SWANSON, 1977 e 1979 apud RUBIN, 1998). A primeira acusação é a de que os pesquisadores de
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U&G têm tratado a audiência como menos que universalmente ativa (BLUMLER, 1979; LEVY E WINDAHL, 1981; 1984; 1985 apud RUBIN, 1998); todavia, como já colocado anteriormente, a “atividade da audiência” deve ser entendida como uma variável no lugar de uma descrição ou prescrição da audiência. Rubin, por exemplo, acha que tais elementos da atividade, como intenção, envolvimento e atenção ajudam inclusive a suportar as diferentes motivações do receptor para com os diferentes conteúdos dos meios (RUBIN e PERCE, 1987a e 1987b apud RUBIN, 1998).
Com relação ao uso de dados de auto relatórios, a pesquisa de U&G tem, para além de amplamente apoiado a consistência e precisão destes com a validação de escalas, tem usado também, métodos experimentais e etnográficos. É claro que todos os métodos e processos metodológicos demandam cautela sobre possíveis imperícias que afetam os resultados em estudo, mas tal cautela é válida para qualquer método adotado, necessitando para isso, avaliação caso a caso.
Também é possível ser capturado com certa insistência, acusações mais genéricas da deficiência da pesquisa de U&G na descrição da audiência dos meios. Isso se daria devido, sobretudo, à tomada de uma perspectiva meramente psicológica e individualista “insensível às determinações da estrutura social” e ao mesmo tempo “útil aos propósitos (mercadológicos) dos meios” (ver, por exemplo, JACKS e ESCOSTEGUY, 2005:33-34 e WOLF, 1995). A par deste posicionamento de maquinação insustentável10, também é frágil a acusação da abordagem unicamente psicológica do uso dos meios. Como verificado na revisão apresentada, que é inclusive apoiada em um artigo que tem 25 anos de publicação, pode-se observar as abordagens de estudo que tomam de forma privilegiada, as condições contextuais envolvidas no fenômeno da exposição aos meios.
Muito mais bem colocado e efetivamente questionável é, entretanto, como posto pelas autoras supracitadas, o fato da evidenciação de alguns trabalhos que superestimam a racionalidade do comportamento da audiência de exposição aos meios. Quanto a tal evidência, parece que somente a soma dos trabalhos empíricos pode vir a dissolver tal
10 Compreender os motivos pelos quais a audiência se expõe aos meios/conteúdos não garante a boa
comunicação comercial e venda de qualquer produto que seja, nem mesmo garante a venda do próprio espaço publicitário em questão da programação estudada, desse modo, a acusação contida na declaração posta não procede.
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colocação como questionado pelas autoras.
Muito embora ainda com a eminência de fragilidades a serem superadas na tradição, Rubin vê com naturalidade tal condição na pesquisa. Para ele, tal situação reflete o tempo necessário para que qualquer perspectiva possa amadurecer. Do mais, a tradição possui seus méritos, e como aponta McQuail (1998:157), o paradigma básico já organizou muito trabalho e continua a emprestar adicional elaboração e aplicação às pesquisas: “é de fato mais flexível do que pode parecer e pode prover uma poderosa estrutura para observar os meios em um amplo contexto cultural e social”.
2.2 Perspectivas da recepção
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Os estudos centrados sobre as questões da recepção se voltam às respostas da audiência de interpretação dos conteúdos/mensagens dos meios de comunicação como já posto.
Duas principais tradições se destacam nesta abordagem de estudo, o modelo do interacionismo simbólico e a pesquisa cultural da recepção. Por serem perspectivas amplas, com diversas concepções teóricas enviesadas, devo aqui privilegiar esta última por parecer ser mais popular no meio acadêmico europeu.
Ao privilegiar a pesquisa cultural da recepção, entretanto, devo destacar que o interacionismo simbólico desenvolveu uma tradição muito bem articulada ao nexo a que se dedica investigar. Neste ponto de vista, a pesquisa do interacionismo simbólico é muito bem posicionada (ver RUÓTOLO, 1998:164) por especificar que a codificação e a decodificação das mensagens ocorrem em um contexto de elevada interação.
A suposição básica dessa abordagem de estudo é que a audiência “interage indiretamente com os produtores das mensagens para obter os conteúdos que desejam como também com outros receptores para extrair e formar os significados”. Tal interação conta com o apoio de comunidades interpretativas (contatos sociais) que o apoiariam com a extração dos significados das mensagens.
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De especial na tradição quanto a essa conceituação, é que as comunidades interpretativas são desestruturadas de grupos familiares, profissionais, políticos ou de classe, o que permitiria a visualização de diferentes “interpretações” entre os receptores da mesma família, classe ou outro grupo qualquer. A realidade (simbólica) construída através dos meios então tem o apoio do nexo social de todas as esferas da vida pessoal e profissional do receptor, o que liberta a determinação da associação de comunidades específicas às interpretações extraídas dos meios; ponto este fundamental para a compreensão de como as interpretações dos meios estaria influenciada pelo contexto sociocultural do receptor.
A par destas especificidades conceituadas pela tradição do interacionismo simbólico que merecem atenção, vamos, contudo, às formulações teóricas dos estudos culturais da recepção.