3 Adel, aristokrati, elite
3.2 Litt omgrepshistorie
3.2.1 Adel, nobility og nobilitas
É nesse mesmo artigo já comentado, publicado por Livingstone (2008), que é proposto considerar as conquistas e os problemas envolvidos com os estudos culturais da recepção, e assim, em sua referência, exponho tais argumentos. Para a autora, os principais pontos de questionamento direcionados ao domínio da pesquisa são: (1) a não determinação dos limites da atividade da audiência; (2) o poder dos textos para determinar as leituras (e o poder da audiência em subverter o texto); (3) o problema da teorização do contexto do receptor; (4) o enfoque teórico da diversidade de leituras; (5) a validade do conceito de audiência; (6) o (não) entrelaçamento dos níveis micro e macro dos estudos e os (7) métodos da pesquisa da recepção e a política de investigação.
Para cada um dos questionamentos postos, a autora instiga propostas de superação das fragilidades indicadas. Não vou aqui explorar todos os seus pontos e aspectos; entretanto, alguns não deixam de ser ilustrativos da sua afinada percepção das fraquezas apresentadas pela tradição de pesquisa. Ela expõe, por exemplo, que uma dúvida significativa do campo do estudo é: - até que ponto a audiência é livre para interpretar textos?
Livingstone entende que se as pesquisas foram capazes de analisar os textos e as audiências, estas também poderiam fazê-lo em balanço, analisando a leitura nos termos de interação entre estes. Tal balanço desfaria a contradição entre as duas primeiras críticas expostas como questões a serem resolvidas pela tradição da recepção: tanto dos limites da atividade da audiência junto aos meios, quanto os limites do poder do texto/audiência para determinar as leituras/interpretações das mensagens dos meios da comunicação social.
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Em síntese à reflexão da terceira questão, Livingstone pondera os problemas envolvidos na tomada do receptor em contexto, de forma que a proposta investigativa contribua com resultados consistentes para o conhecimento generalizável da questão. Para a autora, o projeto de pesquisa da audiência dependeria das respostas empíricas quanto aos fatores de quando, onde e sob quais circunstâncias as interpretações seriam mobilizadas, se estabelecendo assim, com o acúmulo de tais pistas e com sua “análise comparativa”, a formulação dos determinantes particulares do processo “complexo e situado” da construção dos significados.
Particularmente também para o quarto item, o significado das diversas interpretações tem sido colocado em questão por posições que acusam que não se pode afirmar que qualquer tipo de atividade interpretativa envolve resistência, oposição ou subversão, sem se ter um teste claro do fato de que uma leitura divergente é subversiva ou normativa, se esta leitura se origina principalmente do texto ou do receptor, e sem ter demonstrado como tal suposta decodificação resistente, realmente faz alguma diferença em termos políticos (ver LIVINGSTONE, 2008).
Quanto à reflexão que se relaciona ao item de número sete, se põe como polêmico, a política da investigação no sentido da maneira pelo qual o assunto é tomado pelo pesquisador, ou o que o pesquisador fundamentalmente deseja obter em estudo. Neste sentido é possível perceber que uma parcela dos pesquisadores dessa tradição possui certo empenho sobre uma “antipolítica de cunho populista” (ver POLISTCHUK e RAMOS, 2003:133-134), embora com variações, primordialmente na pesquisa do percurso das audiências ativas e dos estudos normativos.
Esta posição posta por Polistchuk e Ramos parece propositada quando acusa que estes pesquisadores logo se fariam “advogados” de uma causa ou movimento sempre intransigente na defesa e ilustração de práticas culturais tidas na maioria como marginais ou subalternas. “Tratar-se-ia então, de uma forma de exercício político radical fundamentado em uma ortodoxia teórica”. Segundo os autores, seus limites imediatos poderiam estar na celebração de algo simplório ou teoricamente ingênuo das “resistências populares” e da “autonomia do receptor”. Ao lado da causa ideológica dos estudiosos se encontra fundamentalmente, a inferência da posição destes na condução
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do estudo empírico, posição que se atravessa essencialmente no rigor científico da investigação.
De forma conclusiva, com a reflexão de cada um dos pontos em destaque, a análise e argumento fundamental da autora se fixa sobre a ideia de que a conciliação dos modelos na tradição como exposto anteriormente, não é de todo produtiva, principalmente porque a tradição passou a perder sua “pauta de estudo”, que de início se estabeleceu como muito bem-sucedida (LIVINGSTONE, 2008). O enfoque das interpretações, o modo pelo qual o receptor extrai sentido e compreende as mensagens dos meios parece ter-se diluído perante o desenvolvimento dos estudos que acabaram por privilegiar outros aspectos que não este objeto de centralidade inicial da tradição.
O que a autora expõe como questão primordial nesse sentido é se os seis modelos de pesquisa seriam suficientemente convergentes a ponto de gerar uma teoria da audiência que contribua efetivamente para a pesquisa da comunicação para além do que estes campos próprios da pesquisa já contribuíram. Livingstone coloca como suspeito o enviesamento da pesquisa que teria um projeto pouco consistente ou desorientado sobre o que mais recentemente poderia resultar, de fato, como a pesquisa poderia ser útil para a consolidação do estudo cultural da recepção.
Esta suspeição baseia-se entre outros pontos na observação de um número evidente de estudos recentes da recepção que enraizados em suas respectivas proposições de análise se afastaram das questões centrais da leitura dos meios, dedicando-se, por exemplo, ao destaque das condições contextuais em prejuízo da centralização desses “contextos na leitura dos meios”. Para sustentar tal suspeita Livingstone inclusive discorre que como anteriormente na tradição dos estudos culturais a “audiência” já se apresentava em perigo de desaparecimento dos estudos, (como em FEJES, 1984 apud LIVINGSTONE, 2008), agora, o que se encontra em perigo de desaparecimento no estudo cultural da recepção é o “texto”.
Uma pauta mais bem definida que direcionasse as pesquisas garantiria em sua perspectiva, resultados que conectam mais firmemente a audiência com a produção de textos e respectivamente com os contextos situados, “tão firmemente como as
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audiências reais estão inevitavelmente interligadas com a real
produção/textos/contextos” Livingstone (2008:08).
Mesmo com tal dispersão observada sobre o enfoque da investigação da recepção, é imprescindível reconhecer que a pesquisa estabeleceu conhecimentos de real valor sobre as respostas interpretativas da audiência.
A pesquisa teve o mérito de evidenciar que a audiência em grande parte formula e propaga interpretações que nem sempre está conciliada com os sentidos transmitidos pela comunicação social. A tradição contribuiu com o destaque das habilidades de uma audiência eminentemente ativa nas suas interpretações, o que por consequência desta nova ideia, forjou uma importante transformação sobre o entendimento dos atributos da audiência, que não é nem de toda passiva e alienada frente aos meios, como também não exerce necessariamente poder sem limites quando interpreta os conteúdos da comunicação social.
A indicação da pesquisa de um conjunto complexo de elementos que intervém nas leituras dos meios (decodificações) desponta também uma perspectiva moderada quando se põe em estudo o relacionamento interpretativo da audiência dos meios.
Assim, sob o ponto de vista dos aspectos fortes e válidos bem como das fragilidades apresentadas, é adequado para a tradição dos estudos culturais, o aguardo do tempo necessário para o amadurecimento/solidificação dos seus conceitos teóricos centrais, bem como para a superação dos problemas e dificuldades observados para a sua mais firme consolidação. Para isso, como bem-posto por Livingstone (2008), é necessário que a investigação empírica adequadamente acumulada venha a responder as questões mais específicas do conhecimento que poderá ser generalizável sobre as interpretações da audiência dos meios.
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2.3 Perspectivas atitudinais
________________________________________________________________ Os estudos desenvolvidos pela perspectiva atitudinal partiram do pressuposto de que para se compreender um comportamento manifesto, era preciso inicialmente ter clareza das condições envolvidas na formação da atitude do receptor. A atitude é um estágio significativo anterior e condutor do comportamento manifesto do receptor, é o indicador do que interiormente o espectador está disposto a praticar, operar, é enfim, uma disposição ou ainda uma preparação para agir de uma maneira determinada em exclusão a outras possíveis.
A ideia principal dessa abordagem é de que as predisposições na maioria das vezes se convertem em comportamento, o que motivou os teóricos a buscarem entender como os meios influenciam as opiniões e as atitudes da audiência. Devido à intrínseca conexão e muitas vezes concordância, entre atitude e comportamento, tais estudos são genericamente tratados como pertencentes à literatura dos “efeitos dos meios”. Por consequência, para a descrição do seu processo de desenvolvimento, utilizo os resultados da pesquisa de Neuman e Guggenheim (2009) no artigo “A evolução da teoria dos efeitos dos meios” (The evolution of media effects theory: Fifty years of cumulative research), que encontra seis modelos fundamentais dos estudos atitudinais e comportamentais na literatura do período de 1956 a 2005, oriundos da análise de 20.736 artigos das cinco principais revistas dedicadas ao assunto da pesquisa da audiência e dos meios de comunicação social, os “Journals of Communication”.