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3.4 Kulturbasert byutvikling
O título do filme que retrata o início da saga faz referência à condição inconsciente dos Jedi em relação à existência dos Sith. Os Jedi representam o bem, enquanto os Sith, o mal. O filme retrata a situação de os Jedi acharem que os Sith tinham desaparecido e que não existiam mais, mas no filme ocorre a revelação do Sith, que há milênios não se manifestava.
Neste episódio, um Sith é destruído por Obi-Wan Kenobi. No entanto, os Jedi sabem que sempre há dois Sith, um Mestre e um aprendiz, ou seja, resta um deles solto como um fantasma. Sendo assim, o título “A ameaça fantasma”, se refere à situação dos Jedi, que se encontravam ameaçados sem saberem; visto que o Sith estava tramando e usando seu poder para destruir os Jedi sem se revelar. O Sith que agiu sem se revelar é o grande vilão do filme, o qual concluiu futuramente seu golpe de destruir os Jedi, arquitetando um peculiar desfecho da primeira parte da saga no episódio III - A vingança do Sith.
A “Ameaça Fantasma” representa, portanto, a condição inconsciente dos Jedi, que concebiam o Sith como não mais existentes, mas que na verdade estava operando inconscientemente. Mesmo posteriormente, quando os Jedi tinham conhecimento da existência do Sith, eles permaneceram inconscientes na condição de não saberem identificá-lo, capturá-lo ou destruí-lo. O Sith Darth Sidious usou da estratégia de nunca se revelar para prosseguir operando inconscientemente, semelhante à dinâmica do psiquismo inconsciente exercido pela sombra no ego.
Darth Sidious disfarçou-se com o nome de Palpatine. Durante os primeiros três filmes, não é revelado que Sidious é Palpatine, eles aparecem como dois personagens diferentes, apenas no episódio III é que é revelada a verdade. Por meio dessas duas personalidades, Sidious arquitetou toda a trama, ora sendo Palpatine, um influente membro do Senado, ora Lorde Sidious, um aterrorizante
vilão que manipulava os corruptos e criminosos a cometerem crimes contra o Senado.
Palpatine foi “A ameaça fantasma”, nos três primeiros filmes da saga, os quais serão analisados neste trabalho. O mesmo revelou-se só no terceiro filme, situação que será desenvolvida mais adiante, e permaneceu exercendo seu papel como imperador nos três filmes posteriores, que completam a saga de vida e morte de Anakin Skywalker, personagem que é enfatizado neste trabalho. Anakin Skywalker no terceiro filme torna-se Darth Vader, discípulo de Darth Sidious ou Palpatine, permanecendo nesse papel nos três episódios seguintes. No entanto, como já mencionado, serão analisados apenas os três primeiros filmes.
Os Jedi tem a crença de que devem destruir o Sith e possuem a profecia do escolhido, que é o único que pode trazer o equilíbrio para a Força. No Episódio I, os Jedi descobrem o escolhido, um menino de dez anos chamado Anakin. Anakin Skywalker é o personagem principal e o mais influenciado pela trama, mas que, por fim, acaba contra-influenciando a mesma. Tal personagem pode ser concebido como um herói, visto que ele corresponde a todos os traços que compõem o herói mitológico. O herói é um arquétipo que contém características que seguem um padrão. Em heróis de diferentes culturas e tempos, podem-se traçar diversas semelhanças, as quais configuram tal arquétipo e compõem as características comuns do mesmo. A análise será construída a partir das características universais que compõem o arquétipo do herói, que serão destacadas dentro dos subtítulos abaixo.
Nascimento do herói:
O herói e protagonista dos filmes é Anakin Skywalker. Nascido em Tatooine, um planeta coberto por deserto, marginalizado e fora da República, Anakin é criado por sua mãe e desempenhava a condição e o expediente de escravo em uma oficina mecânica, cujo proprietário era “Dono” dele e de sua mãe.
Anakin nasceu espontaneamente sem um pai progenitor, teve sua concepção concebida naturalmente pela “Força”. Tal informação é destacada da cena no episódio I, em que Qui-Gon Jinn, após perceber algo de especial no
menino, pergunta para a mãe do mesmo quem era o pai; e ela responde: “Não houve pai (Qui-Gon intriga-se). Levei-o no ventre. Dei-lhe vida e o eduquei. Não sei como explicar”.
Segundo NEUMANN (1995: 108), a mãe do herói é sempre virgem, ou seja, sagrada e dotada de abertura psíquica para Deus. O fato de não ter havido um pai denota uma experiência de milagre, que a identifica com a Grande Mãe, Mãe Terra, e Deusa Mãe. Escolhida e qualificada pela natureza para gerar o herói. Segundo o autor, a Deusa Mãe que não precisou de um progenitor, não é regida por um pai pessoal, mas sim por um poder suprapessoal que representa um elemento procriador masculino internalizado e que a auxilia na maternagem e educação do herói.
Todo herói mitológico é caracterizado por um nascimento peculiar, geralmente sendo um parto com dificuldades ou com tentativas de “outros poderosos” de destruir o filho enquanto ainda recém nascido e indefeso. No entanto, o herói sempre supera as dificuldades iniciais impostas pelos “adversários” ou pela própria natureza. No caso de Anakin, seu nascimento foi diferenciado e especial, pois o mesmo fora concebido magicamente, “um milagre da Força”. O nascimento do herói é diferenciado, seja por extremas dificuldades, ou extremas facilidades, em todos os heróis mitológicos é presente no nascimento a característica de ser especial. A característica especial do nascimento de Anakin é o fato de não ter sido necessário um pai progenitor para se dar à gravidez, podendo-lhe ser atribuído o status de “o enviado dos deuses”, entre outros.
O fato de não ter existido um pai pessoal, configura a distinção do herói, que segundo NEUMANN (1995: 110), faz com que o herói se sinta estranho perante os outros, experimentando dentro de si algo incomum e divino, fazendo-o pensar que é filho de uma divindade. Segundo o pensamento antigo, o herói é aquele que veio para a terra com uma missão, predestinado a realizar sua elevação espiritual para ascender nos ciclos das reencarnações, o que o caracteriza como o enviado dos deuses, recebendo projeções de messias, salvador, o escolhido, entre outras.
Com 10 anos de idade, Anakin teve subitamente nele projetado o “status de o escolhido e referido na profecia Jedi” ao entrar em contato com Qui Gon, apesar de sua mãe sempre o ter concebido como especial, como indica o filme.
Anakin suportou projeções da mãe, que cuidou dele concebendo-o especial e, posteriormente, a projeção de o escolhido da profecia Jedi. Apesar de inevitavelmente terem sido projetados nele outros conteúdos, as duas projeções destacadas possuem uma importância que tange ao sagrado. Anakin teve, na sua experiência com maternidade, um cuidado exercido pela sua mãe, de resguardá-lo em uma vida normal apesar de saber que ele tinha poderes especiais futuramente concebidos como atributos Jedi. Qui-Gon, em uma fala que será destacada posteriormente, toma conhecimento a partir da mãe de Anakin, que ele tinha poderes especiais, que seriam capacidades superiores Jedi inatas.
Anakin, logo de início em sua relação com Qui Gon, que por sinal foi uma breve relação (devido ao mesmo ter morrido em duelo), se encaixou naturalmente na projeção de herói redentor que veio ao mundo para trazer equilíbrio para a Força.
Ainda assim, Anakin não tinha consciência, talvez nem mesmo Qui Gon, da responsabilidade de assumir tal projeção. A relação entre ambos fluiu de forma natural e Anakin não foi tratado como uma entidade divina, o que lhe permitiu não estranhar a projeção a ele dirigida, prosseguindo assim em sua jornada.
Pode-se destacar a naturalidade com que Anakin encaixou-se na trama, como sendo o seu destino. A nave de Qui Gon é atingida enquanto escapava de um planeta que havia sido invadido e ele chega até o planeta Tatooine para fazer os reparos. A nave teve que pousar no tal planeta, pois não tinha condições de seguir adiante, logo foi uma ação de sobrevivência. O fato de ser uma ação de sobrevivência configura a real necessidade e propósito da ação de pousar em Tatooine para adquirir peças novas, que permite atribuir a tal ação, a qualidade de “força do destino” já que é Anakin quem repara e quem possui as peças para o conserto da nave. Se isso não acontecesse, não se daria à sobrevivência, logo, tal sobrevivência teve que se dar para que a nave prosseguisse existindo
futuramente, ou seja, o destino pode ser entendido, nesse caso, como sendo a realização no presente que configurou o futuro.
A revelação do herói:
Ao chegarem a Tatooine, Qui-Gon e Obi-Wan concordam que sentem um distúrbio na força. Tal sensação pode se referir tanto à influência dos Sith na trama, quanto à anunciação da vinda do escolhido.
As peças que faltavam na nave estavam disponíveis apenas na pequena oficina aonde Anakin trabalhava como escravo, ou seja, ele possibilitou a aquisição das peças que faltavam. Tal configuração do problema que afligia a nave tinha em Anakin sua solução, logo Anakin estava conectado à solução do problema da nave. Quando estavam na mesa conversando, após Anakin os abrigar da tempestade de areia, ele se propõe a participar da corrida de Pod para ajudá-los, já que os Jedi precisavam de dinheiro e o vencedor ganharia uma certa quantia, mas sua mãe discorda, assim como todos os outros que não o queriam em perigo. No entanto, Anakin insiste para sua mãe, que então reconsidera e diz: “Posso não gostar... mas ele poderá ajudar vocês. É o destino dele”. Qui Gon então o olha profundamente. O mesmo posteriormente fala para Anakin e sua mãe, que havia perguntado para Qui Gon se ele levaria Anakin para se tornar Jedi: “Sim. Nosso encontro não foi coincidência. Nada acontece por acaso”.
Devido ao encaixe natural de Anakin com o problema da nave, proporcionado pelo mesmo ter mostrado seu altruísmo, sua boa ação inconscientemente tratava-se da ação de seu ego para que ele realizasse seu destino de tornar-se um Jedi. Qui-Gon o libertou sem o mesmo saber e lhe ofereceu a oportunidade de deixar seu planeta para tornar-se um Jedi. Pode-se dizer que Qui-Gon acoplou na boa ação de Anakin, de forma inconsciente para o mesmo, sua libertação e escolha de partir, o que configura o ato de ajudar a nave como a abertura do self para o ego tornar-se um Jedi.
A naturalidade do “encaixe” entre a ajuda de Anakin e a necessidade de ajuda da nave, além de poder ser concebida como “força do destino”, por espontaneamente ter se dado à completude para se prosseguir a jornada, tal
realização do destino, pode ser associado à realização de uma demanda do self, correspondente ao processo de individuação.
Na mitologia, o destino é o que os deuses esperam dos homens, realizá-lo é atingir o sagrado dentro de si e elevar a existência ao nível de excelência. Na Psicologia Analítica, o self é a totalidade do sujeito, correspondendo simbolicamente ao sagrado e aos deuses. O ato de realizar o self configura o processo de individuação, que é o tornar-se si-mesmo, enquanto personalidade superior potencialmente acessível ao ego. Pode-se traçar uma semelhança entre a expressão: “realizar o destino”, e o conceito do processo de individuação.
Qui-Gon em uma fala comenta com a mãe de Anakin: “Deve orgulhar-se de seu filho. Ele faz sem esperar recompensa”. A mãe lhe responde: “Ele não conhece a ganância. Ele tem...”. Qui Gon completa sua fala: “Tem poderes especiais. Prevê as coisas antes que aconteçam. Daí seus reflexos. É uma característica Jedi”. A mãe lhe diz: “Merece vida melhor que a de escravo”. Qui Gon: “Se tivesse nascido na República nós o teríamos identificado. A Força é estranhamente poderosa dentro dele”.
Anakin estava cumprindo etapas de seu desenvolvimento concomitante com a realização de seu destino e individuação, ele fazia suas boas ações sem a ganância, que ainda não conhecia, mas sim motivado pela sua ligação e mesmo identificação com o self. Uma vez correspondendo com os conteúdos advindo de seu self e inconscientes, é que Anakin inicia sua trajetória, que o levou a ter que abandonar sua mãe e partir para o mundo. O processo de realização do destino, associado ao cumprimento do processo de individuação, pode ser referido como a realização do si mesmo orientado pelo self, concomitante com o seu próprio processo de desenvolvimento e amadurecimento. O processo de amadurecer é uma conseqüência de viver no tempo, as realizações feitas no passado estruturam a consciência do presente.
Anakin, assim como todo ser humano, desenvolve-se com o tempo, e supera etapas de amadurecimento. No entanto, cada indivíduo tem sua própria aptidão para amadurecer e corresponder ao “seu próprio” self. Anakin capta, dá vazão e cumpre os conteúdos advindos de seu inconsciente. Seu ego até então
apenas realiza o que lhe é inconscientemente dirigido, levando-o ao encontro com o problema da nave que transportava os Jedi e a Rainha Amidala.
Anakin deu-lhes uma alternativa para que eles conseguissem dinheiro para as peças que faltavam na nave, o que lhe rendeu inconscientemente sua partida para o mundo.
A dinâmica de Anakin de participar da resolução da história demonstra sua aptidão para realizar as demandas do self, visto que o mesmo desempenha várias tarefas que por fim lhe abrem um caminho.
A característica de ser o escolhido predestina Anakin a ser diferente e o assemelha a uma variada gama de possibilidades de herói, seja messiânico, como já mencionado, seja redentor, seja guerreiro, de qualquer forma que Anakin se desenvolvesse, necessariamente lhe seria incumbida a realização da profecia.
Anakin fora de forma inesperada colocado diante do chamado para a aventura e responde como naturalmente apto. O mesmo mostrava qualidades especiais, como seu dote para piloto de Pod, para consertar coisas e ajudar os outros sem desejar nada em troca.
Seu gesto heróico e primeira grande façanha foi participar e vencer a perigosa corrida de Pod, que lhe rendeu o prêmio das apostas e que pagou as peças da nave. No entanto, Qui Gon apostou, sem o conhecimento de Anakin, sua libertação e ganhando a corrida ele passou a não ser mais um escravo.
Qui-Gon desempenhou o papel do inconsciente do herói, ele planejava um futuro para posteriormente oferecê-lo para Anakin.
Depois de feita a sua primeira grande façanha e benfeitoria heróica, enquanto Obi Wan encaminhava o conserto da nave, Qui Gon foi até Anakin na presença de sua mãe e anunciou a libertação e escolha de se tornar um Jedi.
Tal passagem foi um marco para Anakin, pois ele teve que fazer uma escolha que mudaria seu destino. Apesar de o ego ser permissívo à influência do inconsciente, o qual pode indicar qual escolha se fazer, desta vez, a escolha tinha um alcance maior, pois tinha como conseqüência que o mesmo abandonasse seu planeta e entrasse na instituição dos Jedi. Foi uma escolha que teve que ser selada com o ego, o que implica a conseqüência de separar-se do inconsciente,
responsabilizando-se agora o ego, que passa a assumir o controle paralelamente ao inconsciente, que até então o guiava. O ego passou então a ser solicitado para uma nova fase na qual o mesmo passaria a governar. Anakin até então seguia sua vida conforme seu inconsciente lhe indicava, mas com essa escolha ele passou a viver a partir de seu ego, pois ele havia abandonado sua condição inicial, saindo do planeta Tatooine e da companhia de sua mãe. Tal saída representa a separação primordial do ego com o self.
A separação do ego com o self, poderia ser descrita como o primeiro passo para o processo de individuação. O self é o estágio inicial da psique, aonde não há consciência e tudo é inconsciente. O ego deve emergir do self para se constituir o eu, fundando-se assim a consciência. Tal separação é necessária para se dar o desenvolvimento psíquico, o ego é uma estrutura que deve entrar em funcionamento para que o indivíduo possa exercer sua vida de forma autônoma. A permanência no self é a vivencia da totalidade, aonde não há o eu nem o outro, aonde não há a escolha nem a individualidade, pois tudo é dissolvido na totalidade e ordenado pelo self. No entanto, dentro do self contém o ego, o qual deve emergir e se separar do self; ainda que invariavelmente o ego seja submetido ao self, o mesmo pode exercer sua autonomia. Anakin estava identificado com o self, mas escolheu partir e deixar sua mãe e seu planeta de origem, o que implica em uma conseqüência e limitação que não cede ao seu desejo. O ego é uma parte do self, logo compartilha da totalidade e completude do mesmo, mas levando uma vida conscientemente limitada pelas suas escolhas, ao ponto que o self não tem uma vida limitada pelas escolhas pois ele é a totalidade intemporal. O ego é o eu que vive no tempo, na sucessão dos momentos presentes, enquanto que o self já contém o futuro, o passado, o nascimento e a morte, ou seja, a totalidade do sujeito.
Anakin escolheu ser um Jedi e partiu com Qui Gon para realizar sua jornada e sonho. Anakin fala logo quando conhece Qui Gon sobre o sonho que teve, no qual ele era um Jedi que libertava os escravos de seu planeta. Pode-se destacar esse conteúdo profético em seu sonho, de ele ser um Jedi, fato que ocorreu posteriormente, apesar de ele nunca ter voltado para Tatooine para
libertar todos os escravos, visto que um Jedi segue as missões a ele passadas e não traça suas próprias missões ou criações. Semelhante a um Samurai, um Jedi tem um profundo compromisso em servir a Força e não aos seus próprios desejos. Ainda assim, Anakin mostra ter uma conexão direta com seu inconsciente, uma vez que ele colhe em seus sonhos suas futuras realizações, de forma que ele realiza o que é inconscientemente esperado dele. Além de um guerreiro, piloto e altruísta, todos seus dotes e feitos se apresentam precocemente. Tal precocidade mostra sua excepcionalidade, o que é uma característica padrão do herói mitológico - a de apresentar precocemente talentos excepcionais.
Anakin iniciou sua individuação de forma conivente com a atitude Jedi, de corresponder à Força, e não conforme seu bel-prazer. O seguir a Força e não seus próprios desejos podem ser associados ao processo de individuação, no qual o sujeito deve seguir seu self e não seu ego, como será visto adiante quando o mesmo abandona sua mãe.
Anakin mostra sua relação próxima com self ao se referir ao seu sonho. Os sonhos são conteúdos advindos do self, com o propósito de nortear o ego. Anakin aos dez anos parece já estabelecer uma relação madura com seus sonhos, tratando-os como conteúdos sagrados constituídos pelo e para o sujeito, o que mostra um dote psicológico do mesmo, de explorar seus recursos internos mantendo-os em contato e ligação com sua vida externa. Tal característica atribui a Anakin qualidades de herói com talentos psicológicos, pois sabe expressar e realizar suas próprias demandas internas.
Os sonhos são produções do self, que contém as demandas do self, como orientações a serem cumpridas em prol do processo de individuação. Anakin mostra ter um elo fortalecido com seu self, pois estava realizando o que seu sonho lhe tinha dirigido.
Anakin, por ter seguido o caminho que se abriu naturalmente para ele, possui legitimidade e direito de estar ali. Apesar da possibilidade de ele não ser aceito pelo mundo, ainda lhe resta seguir sua ordem interior. O mesmo não fora induzido pelo por seu bel-prazer ou pela arbitrariedade do ego a chegar ali, visto que ele se lançou ao chamado para a aventura, estruturado pelo self,
abandonando sua mãe e planeta, para realizar-se enquanto personalidade heróica. Anakin não pesou as suas possibilidades para fazer sua escolha de se tornar ou não um Jedi, não escolheu de forma racional, apenas de acordo com a consciência do ego, mas sim se deixou levar por algo que sentia que devia fazer. Tal disposição de cumprir com seu senso de dever é outra característica que identifica Anakin com o herói mitológico e o assemelha a um sujeito em processo de individuação, uma vez que o mesmo faz inconscientemente a realização de seu self, enquanto herói cumprindo seu destino e etapas de desenvolvimento. Sendo assim, Anakin possui um vínculo com seu self, capaz de orientá-lo em sua vida para o caminho do herói, de superar as provas, ampliar sua consciência e realizar o seu destino.
No processo de individuação, o ego corresponde-se com o self, abrindo mão de seu próprio desejo para realizar a demanda do self. Sendo assim, Anakin