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6.1 Vurdering av fengslingskjennelser fra Oslo tingrett

6.1.2 Krav til begrunnelse

Com a conclusão da etapa da obtenção dos dados, teve início a transcrição e a análise do conjunto relacional das imagens. Foram realizadas, entre as análises preconizadas por Y. Durand (1988), as análises Estrutural, Elemencial e Funcional.

A análise Estrutural leva à identificação da estrutura do imaginário de cada um dos sujeitos, contida em cada protocolo, e a estrutura do imaginário do grupo, deixando ver suas características se esquizomorfa (heroica), antifrásica (mística), sintética/disseminatória/dramática.

A análise Elemencial ou morfológica trata dos detalhes das representações das imagens, das funções e dos simbolismos atribuídos a cada um dos nove elementos do teste. (LOUREIRO, 2004, p. 45).

A análise Funcional consiste em inventariar os simbolismos atribuídos a cada um dos elementos do teste, identificando neles a ideia de vida ou morte. Marcando- os simbolismos com sinal positivo ou negativo, os expressamos em uma fração ordinária, cujo numerador indicará o número de simbolismos positivos e o denominador, o número dos simbolismos negativos. A fração imprópria, com o numerador maior que o denominador, indicará um microuniverso simbólico positivo, tendente à ideia de Vida; o contrário, a fração própria, com o numerador menor que o denominador, indicará a presença de ideias de Morte (LOUREIRO, 2004).

5.7 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS

A pesquisa foi desenvolvida após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa/UCB, protocolo nº 09127412.3.0000.0029, de acordo com a resolução 196/1996 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), a qual aprova as diretrizes e

normas regulamentadoras de pesquisa que envolve seres humanos, baseado nos princípios básicos da bioética: autonomia, beneficência, não maleficência e justiça.

As informações sobre a pesquisa estão expressas no TCLE que foi assinado pelos participantes, atestando a voluntariedade de participar do estudo, ficando assegurado total anonimato e sigilo sobre as informações coletadas, como também a privacidade e o direito de desistência. Coube à pesquisadora, a responsabilidade da pesquisa e, diante dos resultados levantados, a manutenção do respeito aos participantes da mesma.

6 RESULTADOS E DISCUSSÃO 6.1 PROTOCOLOS

6.1.1 Protocolo nº 1

Teste AT-9 - Arquétipo Teste de Nove Elementos, de Yves Durand 1ª Parte

Informações preliminares: Nome ou pseudônimo: Violeta Sexo: F

Idade: 74 anos Estado civil: Casada

Natural de Monção, no Maranhão Grau de Instrução: Não foi à escola Religião: Evangélica, mas não batizada Nº de filhos: 13 vivos

Nº de Netos: + de 40 netos e 11 bisnetos Idade em que foi avó: 40 anos

Observação: Mora com o neto aluno da EPC/PROEM, de quem não é a responsável legal, mas já foi de três netas.

B - Escreva aqui a história do seu desenho.

Pensei que quando eu tinha 11 anos fazia vestidinho de boneca, cabeça e os olhinhos, bem feitinho. Eu sei costurar.

(Não quis mais contar a história.) 3ª Parte

Responda, de modo preciso, às seguintes questões:

1- Sobre que ideia você centrou sua composição? Na flor. (Várias flores desenhadas).

2- Você foi eventualmente inspirado? Eu pensei que quando eu tinha 11, 12 anos que eu fazia boneca para eu brincar. (Sem coerência).

3- Entre os nove elementos do teste de sua composição, indique:

a- Os elementos essenciais em torno dos quais você construiu o desenho: A flor b- Os elementos que você teria vontade de eliminar. Por quê? A espada que mata. (Heroísmo)

c- Como acaba a cena que você imaginou? Eu ia tirar a raposa fora, ela é feia.

d- Se você tivesse que participar da cena composta onde você estaria? O que você faria? Eu estava na água tomando banho, na água fresquinha.

4ª Parte

No quadro seguinte, você deve especificar:

1- Por meio de que você representou os 9 elementos do teste (coluna A).

2- O papel, a função, a razão de ser de cada uma de suas representações (coluna B).

3- O que simboliza, para você, cada um dos nove elementos do teste (coluna C).

Elemento A.Representado por B. Função/papel C. Simbolizando

Queda Nuvem Cobrir o sol Água que cai

Espada Espada Matar a raposa Arma que mata

Refúgio Casa Escapar/refúgio Se esconder

Monstro Raposa XX Maldade

Cíclico Sol Luz + brilhar Brilha

Personagem Menina Amiga Amizade

Água Lago Pescar Fresca/banho

Animal Cachorro Guardar Amigo/cuida

NARRATIVA

“Eu moro em um sobrado de alvenaria, a casa é própria. No mesmo lote mora

uma de minhas filhas que é mãe de A.

[Dona Violeta nos apresentou a sua filha e seus netos que moram na casa dela. Já havia ligado e conversado com ela explicando que era um projeto para dar voz aos avós de meninos da escola. Após a leitura do TCLE, o mesmo foi assinado e ela ficou com a cópia.]

“Eu sou do Piauí, mas os meus documentos são do Maranhão. Tá aqui os meus documentos, porque eu perdi o registro e naquele tempo no Maranhão a gente tinha que tirar outro como se fosse mesmo de lá.”

“Eu tenho74 anos. Eu estava doente e eles diminuíram a minha idade.”

“Eu nunca estudei nem um dia. Isso aí eu tenho que confessar, não é? Porque eu sei ler e escrever, mas foi Deus que me ensinou. Eu leio a Bíblia todos os dias.”

[Ao ser dito que ela poderia ter tristeza ou alegria ao contar sobre alguns fatos relacionados com a sua vida e os seus netos, ela afirmou.]

“Eu vou ficar é muito contente por desabafa, alguns não diz que quando a gente fala, tudo passa? Prá mim é.”(A pessoa idosa tem necessidade de falar,contar, para sair de sua solidão e falta de quem a escute).

[Durante todo o tempo da conversa, Dona Violeta passava a mão sobre a toalha da mesa, alisando. Eu disse que a toalha era muito bonita e ela falou que tinha sido feita por ela.]

“Eu costuro e depois eu vou mostrar os meus trabalhos. Eu tenho dores nas costas e é o meu marido quem faz os trabalhos de casa.”

[O marido de Dona Violeta foi até a sala e se desculpou de não ficar junto, pois ele tinha que ficar na varanda, vigiando o carro, pois o lugar era muito perigoso.]

[Foi pedido que ela imaginasse uma história com os nove elementos do teste e fizesse um desenho dessa história.]

“Eu só sei desenhar uma flor. Pode ser as premeres que eu posso fazer? Tenho 13 filhos vivos, mais de 40 netos e 11 bisnetos. O neto que eu sou responsável na escola é filho da minha filha que mora aqui no mesmo lote. Eu não sou responsável legal por ele, mas já ajudei muito a cuidar. Eu sou responsável para ir à escola, fazer matrícula, resolver todos os problemas, quando a escola chama, porque a minha filha trabalha e não tem tempo. Eu levei o neto e um outro irmão dele para a escola, pois lá eles poderiam ficar o dia todo.Eles estão atrasados nos estudos e também eu moro entre duas bocas de fumo o lugar é perigoso e o meu genro marido da minha filha, pai do meu neto estava preso.”

“Aqui é perigoso. Quando eu cheguei lá do PROCON com a minha filha, isso aqui estava cheio de polícia. Mataram um aqui. Aqui em cima tem uma boca de fumo. Eu moro entre uma boca de fumo e outra. Hoje aqui tá calmo. Mataram um, dentro da boca e dois saíram baleados. Acerto de contas.”

[Dona Violeta estava agitada, pois seu cartão havia sido clonado e ela só descobriu quando foi fazer compras.]

Bachelard (2008) fala da poética do espaço e deixa ver a importância do nosso entorno, do espaço onde habitamos.

“Eu já crie três netas de uma filha separada e eu tinha a guarda. Elas deram mais alegria do que os meus filhos.”

“Aqui na mesma casa mora, um filho com a família, ele está doente e ficou desempregado, mora também a minha neta, que se separou, e os filhos dela, meus bisnetos.”

“Fui avó aos quarenta anos, na mesma época eu estava sendo mãe. Gosto muito de brincar com os meus netos, mas com os bisnetinhos eu gosto de passar música para eles dançar. O avô também brinca e faz comida para os netos. Para eu cuidar dos netos é uma benção de Deus. Todo dia agradeço a Deus de eu está conhecendo meus bisnetos.”

“Eu e o meu marido já fomos católicos, mas hoje somos da Assembleia de Deus. Sou evangélica, mas não sou batizada. O pastor falou que era prá eu me batizar. Na Bíblia fala que batizado é uma vez só.

A minha filha é evangélica de outra igreja. Quando começam a falar de religião, a minha filha não gosta e eu respeito. Eu leio pela manhã e a noite, o Salmo 91 e outros dois.”

“Dos meus filhos, duas deram desgosto, mas depois que eu cheguei a Brasília, eu fui à luta, eu lutei com elas e tirei elas das mãos do inimigo.”

“Minha mãe era muito boa, mas o meu pai era grosseiro, mas não batia. A minha saúde não tá boa, tenho colesterol alto, diabetes, pressão alta, problemas de depressão, nervoso, problema de ouvido trancado, problemas de coluna e no joelho. O meu marido também tem problemas, mas eu e o meu marido fazemos caminhadas pelo menos duas vezes por semana. Fui convidada para ir nos encontros de idosos, mas não quis, vendo roupas de cama e costuro também. Viajo com o meu marido e quando não tenho problema, tenho qualidade de vida.”

ANÁLISE

Neste protocolo, o sujeito-autor se inspira na flor. Dona Violeta desenhou os nove elementos “estímulos arquetípicos”, mas apresenta uma estruturação defeituosa/subgrupos não estruturados (não ligados entre si). No entanto, apesar da história ser desconectada do desenho, pode-se ver alguma coerência mítica nas respostas do questionário e na entrevista.

A queda foi representada por uma nuvem que cobre o sol e simboliza a água que cai. Segundo Chevalier e Gheerbrant (2006, p. 648), a nuvem tem uma natureza confusa e mal definida e seu simbolismo está ligado aos símbolos da água e, portanto, à fecundidade.

A espada não está sendo empunhada por ninguém e está com a ponta virada para baixo, o que descarta a presença de um imaginário heroico. No entanto, o personagem está de pé, o que, segundo G. Durand sugere heroísmo (DURAND, Y., 1988, p. 49 ).

Não luta para destruir o monstro raposa, mas na entrevista conta que quando duas filhas deram desgosto “[...] eu fui à luta, eu lutei com elas e tirei elas da mão do inimigo”. Esta afirmativa lembra heroísmo. O monstro devorador de Dona Violeta é uma raposa que simboliza, conforme Chevalier e Gheerbrant (2006, p. 769), “as contradições inerentes a natureza humana, ativo, inventivo, mas ao mesmo tempo destruidor, audacioso, mas medroso”. Dona Violeta não tenta matar a raposa. Não luta. Deixa registrada no protocolo do teste um imaginário mais místico sem luta, incoerente com a narrativa.

O refúgio é a casa que Dona Violeta diz ter a função de refúgio, e esta simbolizando se esconder. Ela faz referência ao fato de morar entre “duas bocas de fumo”, de seus familiares estarem em situação de vulnerabilidade e desenhou um caminho (graminha) para levar para casa, mas ela está desenhada longe da casa.

Algo cíclico foi representado pelo sol. Segundo Chevalier e Gheerbrant (2006, p. 836), também apresenta dualidade, é considerado fecundador, mas também pode queimar e matar. Para Dona Violeta, ele estava simbolizando a luz, o que pode significar esquizomorfia.

O elemento água está representado por uma lagoa, água fresca simbolizando banho com função de alimentar. Aqui, a higiene/banho pode remeter a esquizomorfia, mas a função é digestiva, mística.

O animal foi representado pelo “cachorro”, com a função de “guardar”, simbolizando “o amigo que cuida”.

O fogo, representado por um graveto, segundo Dona Violeta, é um fogo bom, que serve para assar o peixe, que é o alimento da família.

As flores não fazem parte do elenco de elementos solicitados para o desenho e simbolizam o princípio passivo. “A flor identifica-se com o simbolismo da infância e para os celtas parece ser um símbolo da instabilidade e não da versatilidade da mulher. Pode apresentar-se como figura-arquétipo da alma como centro-espiritual.” (CHEVALIER; GHEERBRANT, 2006, p. 437). O simbolismo encontrado na flor, elemento principal da dramatização regendo o sujeito-autor Dona Violeta, remete a um possível imaginário místico.

Dona Violeta apresenta um microuniverso com “Estruturação Defeituosa”, quer dizer, a coerência mítica não se apresenta por conflito e a posição da espada, pode-se dizer tratar-se de um Imaginário pseudodesestruturado com tendência mística impura.

Dona Violeta quer eliminar o monstro e a espada, que caracterizam a estrutura heroica, mas ela não deixa de imaginá-los, portanto, a antifrasia se apresenta com laivos de impureza heroica.

6.1.2 Protocolo nº 2 1ª Parte

Informações preliminares: Nome ou pseudônimo: Rosa Sexo: F

Idade: 60 anos Estado civil: Viúva

Natural de Maravilha – Pitangui – Minas Gerais Grau de Instrução: 2º ano do ensino fundamental Religião: Evangélica

Nº de filhos: 4 Nº de netos: 5

Idade em que foi avó: 44 anos

B - Escreva aqui a história do seu desenho.

O K vai tomar banho com a água. O peixe vai ser assado nesse fogo. A roda giratória vai girando digamos para a criança brincar.

A cobra vai engolir o sapo e a casa é para eu morar nela e a espada é para eu matar a cobra.

3ª Parte

Responda de modo preciso, às seguintes questões:

1- Sobre que ideia você centrou sua composição? Na minha vida.

2- Você foi eventualmente inspirado? Lembrei dos problemas que eu tenho. Eu tenho uma casinha, mas eu não tenho sossego, por causa do meu filho K.

3- Entre os nove elementos do teste de sua composição, indique:

a- Os elementos essenciais em torno dos quais você construiu o desenho: casa, refúgio.

b- Os elementos que você teria vontade de eliminar. Por quê? Eu tirava a faca. Eu tenho trauma de faca, de botar faca na cintura.

c- Como acaba a cena que você imaginou? Eu daria fim nas drogas. É muita perturbação, o que eu mais queria é ter uma vida mais digna.

d- Se você tivesse que participar da cena composta, onde você estaria? O que você faria? Na roda girando, brincando com as crianças.

4ª Parte

No quadro seguinte, você deve especificar:

1- Por meio de que você representou os 9 elementos do teste (coluna A).

2- O papel, a função, a razão de ser de cada uma de suas representações (coluna B).

Elemento A.Representado por B. Função/papel C. Simbolizando

Queda Chuva Água Cai

Espada Faca Matar Trauma

Refúgio Casa Esconder Moradia/esconder

Monstro Cobra Droga Destruição

Cíclico Roda Roda/criança Alegria

Personagem K Filho Não bom/no momento

Água Água Banho Bondade

Animal Peixe XX Alimento

Fogo Fogo Destrói Serve pra muita

coisa/comida NARRATIVA

“Eu moro em casa própria. Sou empregada doméstica, sou responsável afetiva e financeiramente por meu neto B, aluno com atraso escolar.”

“Tenho três filhos e uma filha e sou viúva. Um dos meus filhos é especial, um outro filho meu trabalha e mora fora de Brasília e o outro que não trabalha nem estuda é dependente químico. Estou tentando a internação compulsória, pois ele está muito violento, usa drogas e assusta todos em casa, com uma faca na cintura, inclusive o irmão que é especial.

“Ele tem muito medo.” [O especial]

“Apesar de ter uma casa boa, às vezes eu penso em alugar um cômodo para morar e ter um pouco de paz.”

“O meu filho “K” gostava de pescar, mas se envolveu tanto com drogas que até se esqueceu... esqueceu de tudo. Eu tenho trauma de faca, não sei se é por causa do que eu estou passando.”

“O meu neto que mora comigo já esteve internado em clínica de recuperação, encaminhado pelo Conselho Tutelar. Ele estava usando crack, mas graças a Deus ele largou. Só está com a maconha, fuma demais, tosse demais.

O meu neto já foi preso algumas vezes e até engordou em uma delas. O meu neto, as professoras dizem que é um aluno que não apresenta dificuldade de aprendizagem, mas está com grande defasagem, não consegue ficar na escola.

Desde os sete anos, ele cuidava da irmã para eu trabalhar, fazia mamadeira, quando eu chegava e ele ganhava a rua. Ele é um menino bom.

Agora ele está traficando, já foi suspenso várias vezes da escola. A mãe dele é usuária de drogas e vive nas ruas, ela tem, além dele, quatro filhas. Duas vivem com os avós paternos [pais diferentes] e outras duas vivem com a mãe, mas ela deixa, essas meninas com qualquer pessoa para ir para a rua e o pai dessas duas está preso.”

“Para eu viver bem teria que acabar com essas drogas, eu vivo ansiosa, não tenho saúde, eu quero muito bem esses filhos e esse neto, mas gostaria de transformar os que usam drogas.”

“Fui avó com 44 anos e tenho cinco netos. Eu e meu neto B, a gente frequentava a igreja evangélica, mas agora, com todos esses problemas do filho usuário, não tenho tempo. Às vezes, vou com as amigas na Batista e na Universal. Toda noite eu me ajoelho no pé da cama e faço oração. Minha mãe cuidou de mim e agora eu cuido dos meus filhos e do meu neto.”

“Cuido do neto B desde pequenininho, brinco muito pouco com os meus netos. Cuidar dos netos é um pouco um fardo, principalmente quando eles dão problema. Eu fico com o meu neto por amor só prá não ver ele aí na rua.”

ANÁLISE

Neste protocolo, os elementos do teste estão representados com imagens/desenhos soltos. Foram desenhados os nove elementos.

Pela análise, pode-se perceber que não existe uma relação entre a parte pictórica e a semântica. Ela não imagina uma história. Ela confunde com a realidade.

O personagem está sendo representado por seu filho K, que é dependente químico e usa uma faca na cintura, mas é a representação dela, sem braços e sem pernas, pois não pode fazer nada. Para Chevalier e Gheerbrant (2006, p. 141), “O braço é um símbolo de força, de poder”. Para o sujeito-autor, o personagem tem como simbolismo que ele não é bom no momento.

Representando o elemento cíclico, desenhou uma roda de parque de diversão, roda para criança brincar, simbolizando alegria. Para Chevalier e

Gheerbrant (2006, p. 783), ”A roda é um símbolo privilegiado de deslocamento, da libertação das condições de lugar e do estado espiritual que lhes é correlativo”.

A espada foi uma faca que não estava na mão de ninguém, com a ponta quase na horizontal. Ela diz que a função é matar a cobra, que é o monstro, só que o monstro são as drogas, simbolizando a destruição. Pois o filho “K”, o neto “B” e a mãe dele são todos usuários de drogas. É esta situação que oferece o perigo/morte/monstro para Dona Rosa percebido quando ela fala “gostaria de transformar os que usam drogas”.

O refúgio foi representado por uma casa, com a função de esconder, simbolizando a moradia/esconder, mas tem uma estradinha até a casa. O cenário não é de paz, é de angústia. Dona Rosa, que se projeta no filho “K”, tem desejo de alugar um cômodo para viver com sossego. Mas não o fez até agora.

A queda, representada pela água da chuva, para Y. Durand (1988, p. 65) pode identificar a estrutura sintética.

O animal está representado pelo peixe, o que sugere um imaginário com estrutura mística, pois a dominante digestiva se apresenta no simbolismo atribuído por Dona Rosa: alimento.

O fogo pode ser um fogo mau, porque destrói tudo, mas também pode ser bom, porque pode preparar o alimento, “assar o peixe”, indispensável à nutrição; é isomorfo da estrutura mística.

Os elementos aparecem espalhados no desenho, mas a fala os junta. A coerência mítica pode ser percebida e o desenrolar do imaginário emerge no protocolo da entrevista, como um Imaginário com Estrutura Pseudodesestruturada. Ela responde a questão “C” do teste: “eu daria fim as drogas” (monstro), o que deixa ver certo heroísmo. Mas também misticamente responde a questão 3ª do teste que o elemento essencial é “a casa, refúgio” negativa, pois na sua casa não tem sossego. Dona Rosa diz: ”Eu tenho uma casinha, mas eu não tenho sossego...”. Portanto, pode-se dizer que estamos diante de um protocolo que registra (complementado com o que fala Dona Rosa) um Imaginário pseudodesestruturado com tendência mística. O desenho está explodido e não há uma história do desenho, e sim, uma explicação de cada desenho em separado. Auxiliado pelo questionário do teste e o quadro do mesmo, pode-se identificar uma tendência mística impura. Ela não luta, gostaria de transformar. Há uma impureza heroica por estarem presentes no seu

imaginário a espada e o monstro, mas ela não mata a cobra/droga/monstro. Ela se esconde na casa/refúgio (místico).

6.1.3 Protocolo nº 3

 

1ª Parte

Informações preliminares: Nome ou pseudônimo: Jasmim Sexo: F

Idade: 63 anos Estado civil: Casada Natural de Teresina/Piauí