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Kostnader og betalingsmønstre hos husholdningene

Em 1994, o Brasil passaria pelo seu segundo processo nacional de eleições democráticas desde o fim da ditadura militar. Mas, antes que aquelas acontecessem era preciso que o país realizasse algumas reformas na Constituição recém-aprovada. Para a Economist, o capítulo mais relevante da revisão constitucional era aquele que regulava a ordem econômica e estabelecia diversas áreas de atuação exclusiva do Estado; um nacionalismo que custaria muito caro. Por isso, as reformas eram fundamentais para o crescimento da indústria e consequentemente do país. O semanário define a constituição como uma pedra preciosa em termos do pensamento liberal, mas que muitos dos direitos ali garantidos não tinham como ser implementados. Mais ainda, a reestruturação era essencial para que o plano econômico desenvolvido por Fernando Henrique Cardoso tivesse sucesso457.

A disputa presidencial começou a se desenhar conforme foram aparecendo os resultados do Plano Real. Antes disso, Lula aparecia como favorito. É interessante notar que a revista sempre teve uma visão simpática dele. Ao descrever suas viagens na Caravana da Cidadania considera que representava uma nova fase da esquerda na América Latina, uma esquerda moderada e que aceitava as regras do jogo democrático. No entanto, enfatiza a

456 BARBOSA, Rubens Antonio. Defining democracy. 24 set. 1994. p. 6.

incerteza do cenário e afirma que apenas a eleição poderia mostrar qual o resultado de uma vitória de Lula458.

Segundo a Economist, com Lula em primeiro nas pesquisas, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) tinha declarado que um milhão de homens de negócios sairiam do país. Mas, a revista relembrava que onde o PT havia ganhado as prefeituras tinha deixado de lado a ideologia e feito um governo bastante pragmático. Além disso, destacava que o candidato vinha se articulando com homens de negócios, “precisava do terno mais do que nunca”, afirmava459.

A publicação contabilizou que até julho de 1994, Lula esteve com cerca de 40% das intenções de voto. Contudo dois fatores fizeram com que o cenário eleitoral mudasse. Primeiro, o vice na chapa do PT, José Paulo Bisol foi acusado de corrupção, mas principalmente, o Plano Real, vinha dando bons resultados. A popularidade do governo Itamar Franco tinha aumentado bastante, mas o principal beneficiado foi Fernando Henrique Cardoso. Tanto que em setembro a revista já noticiava que este, já com 44% das intenções de voto, tinha grandes chances de vencer o pleito em primeiro turno. Analisava que a medida que o candidato do PSDB subia nas pesquisas em função do bem sucedido plano de estabilização, Lula atacava-o como estratégia eleitoral460.

Depois do resultado das eleições a publicação considerou que a população agradeceu Fernando Henrique Cardoso tornando-o presidente da República. Por outro lado, este teria que responder ao apoio que recebeu tanto das Organizações Globo, como da direita partidária. Aconselhou que a gigante democracia precisava de um período de inflação baixa e de crescimento estável e festejou que os brasileiros tenham resistido à tentação populista e colocado uma pauta reformista no poder, com grandes tarefas pela frente461.

5.1.4 Direitos humanos

Durante os mais de vinte anos de ditadura militar chamou bastante a atenção o tratamento que a Economist deu sobre a sistemática violação dos direitos humanos no Brasil.

458 Lula on the road. 12 mar. 1994. p. 63. 459 Lula and business. 4 jun. 1994. p. 71.

460 Brazil gets real (ed.). 2 jul. 1994. p. 13. Two in the loft. 30 jul. 1994. p. 52 e ss.; More Truman than Quayle. 20 ago. 1994. p. 46 e ss.; Sua maxima culpa. 10 set. 1994. p. 58.; Brazil's poor back Cardoso. 1 out. 1994. p. 77. José Paulo Bisol foi substituído por Aloísio Mercadante.

461 Modest man, immodest task. 8 out. 1994. p. 72.; Betting on Brazil (ed.). 8 out. 1994. p. 17. Still waiting (ed.). 26 nov. 1994. p. 17 e ss.; Brazil better, not well (ed.). 24 dez. 1994. p. 16.; Cardoso's team. 24 dez. 1994. p. 74.

Apesar de noticiar determinados acontecimentos, não se juntou ao coro de boa parte da imprensa europeia e americana que em companhia de organizações como a Anistia Internacional e a Comissão Internacional de Juristas, denunciaram enfaticamente os casos de tortura, assassinatos e desaparecimentos forçados que se multiplicaram. Neste trabalho sugerimos que como a linha editorial da revista tendia a subordinar a política à economia e esta considerou que o bom momento para os negócios deveria ser mais valorizado. Neste sentido, houve grande destaque às altas taxas de crescimento proporcionadas pelo chamado milagre econômico e bastante timidez em relação às denúncias sobre a tortura. No entanto, o que pretendemos aqui é discutir se o posicionamento se manteve no período de renascimento da democracia.

Evidentemente que nesse novo momento político o país não era mais um caso importante no que diz respeito à violação dos direitos humanos como fora no final dos anos 1960 e início dos anos 1970, quando chegou a ter, segundo a Anistia Internacional, a situação mais preocupante do mundo. Mas mesmo assim, apesar de poucos artigos tratarem do tema, a abordagem muda. É difícil marcar qual foi o momento dessa mudança, contudo acredita-se que não foi a redemocratização que a provocou. A revista defendeu diversas vezes, em nome da estabilidade, a decisão de Tancredo Neves de não submeter os militares a qualquer espécie de julgamento e tratou como mais humanos os registros de violações no Brasil em comparação com a Argentina462.

Supõe-se que, com o fim da Guerra Fria e com a emergência dos novos temas a questão foi paulatinamente se estabelecendo. Foi possível verificar que o semanário passou a vincular o tema dos direitos humanos à violência urbana e à morosidade da justiça: “Brazil, with its 150m people, is a very large country with astonishingly few national institutions that work properly”463. Conforme a publicação, a maioria das vítimas eram os moradores da região

amazônica, numa referência à questão indígena, e aqueles que habitavam as favelas e as ruas, cujos algozes, muitas vezes eram as forças policiais: “According to Human Rights Watch, a group based in New York, 1,470 of the 20,274 deaths last year in São Paulo alone were attributable to the police464.

Para a Economist o país tentava seguir a normalidade democrática, entretanto, tinha que enfrentar questões como linchamentos, esquadrões da morte e chacinas: “Meanwhile 32m

462 The world's most borrowed man (ed.). 5 jan. 1985. p. 12 e ss.; Democracy can hurt. 19 jan. 1985. p. 46.; Even in Brazil the kissing has to stop. 9 mar. 1985. p. 45 e ss.; The Ash Wednesday awaiting Brazil's revelling politicians. 8 fev. 1986. p. 39 e ss.; Democracy in nappies. 25 abr. 1987. p. 15 e ss.

463 Brazil's frontier justice. 27 abr. 1991. p. 80.

Brazilians will continue to go hungry, and sleeping street-children will still be shot outside the churches of Rio de Janeiro”465. Além disso, a revista demonstrava preocupação com a questão

indígena, classificando como massacre a disputa entre os Yanomamis e os garimpeiros em Roraima466.

No Brasil haveria um estranho pacto entre os cidadãos, os criminosos e as autoridades que permitia que situações como essa continuassem a acontecer. Corrupção e violência policial eram, ainda, problemas crônicos da recém-democracia. Apesar de diagnósticos como esses, a publicação manifestou uma visão, podemos dizer, romantizada da criminalidade, especialmente daquela ligada ao tráfico de drogas:

Brazil´s drugs trade is not organized on Colombian scale. The boss is a retailer, who carves out and defends his path. He wears bermuda shorts and rubber sandals, with a cellular telephone to control his men. He will not live long. But while he lasts, he is Robin Hood: he takes from the rich what he can, and gives the poor what he chooses467.

Nessa situação afirmava que 80% da população era favorável a ação dos militares no controle da criminalidade e que, na política, a direita truculenta ganhava cada vez mais espaço468.

5.2 Economia

Quais foram os temas mais relevantes dentro do noticiário econômico? Quais eram as expectativas da revista em relação ao Brasil? Que tipo de recomendações eram feitas?

Na economia foi possível perceber que a dívida e a inflação mantiveram-se como preocupações centrais. E a Economist continua a adjetivar o Brasil nesse sentido: the world biggest developing country debtor, jumbo debtor469. Apesar do crescimento de 8% em 1985, as expectativas para a economia não eram boas, estimava-se que a inflação chegaria aos 400%, se não, aos 500% em 1986470.

465 Onwards and downwards in Brazil. 13 nov. 1993. p. 19 e ss. 466 Victims in the forest. 28 ago. 1993. p. 43.

467 A disease of society. 5 nov. 1994. p. 71 e ss. 468 Ibid.

469 Democratic debtors (ed.). 23 fev. 1985. p. 17 e ss.; Why bankers need not fear for Brazil. 20 abr. 1985. p. 77 e ss.; The Polish precedent (ed.). 13 abr. 1991. p. 20.

470 The Ash Wednesday awaiting Brazil's revelling politicians. 8 fev. 1986. p. 39 e ss.; Cruzado enthroned (ed.). 8 mar. 1986. p. 13 e ss.; As growth picks up (ed.). 31 mai. 1986. p. 14 e ss. Os índices de inflação são constantemente apresentados pela revista. Boa parte dos artigos menciona os valores.

O grande problema era o tamanho do Estado. Segundo a revista, as primeiras medidas de José Sarney aumentavam os gastos, em um país que o setor público já correspondia a 60% do PIB, a economia feita pelo governo foi sempre considerada insuficiente471. Não haveria outra saída além dos cortes nos gastos públicos e o Plano Cruzado, lançado em fevereiro, foi tratado ironicamente:

The plan – based on a new currency, a price freeze and deindexation of Brazil’s inflation-haunted economy was a political masterpiece that stop prices in their tracks but gave everyone big wage increases as ‘compensation’. The predictable first result was a consumer spree followed soon after (and equally predictably) by some bare shelves in the shops472.

O posicionamento da publicação era que o Brasil tinha o Estado mais forte, intervencionista e regulador do mundo não-comunista e, isso, provocava descrença nos rumos da economia. Esta era dirigida de maneira autoritária, e o Estado marcava sua presença de quatro maneiras: pelo seu tamanho através das companhias estatais, pelas políticas macroeconômicas, pela regulação e pela intervenção na economia473.

O Brasil despontava como um dos maiores exportadores de commodities do mundo. A produção de minério crescia cada vez mais e ameaçava outros produtores474. No entanto, de acordo com a revista, o país não avançava mais, pois aumentava suas defesas contra a participação de estrangeiros em setores como exploração de petróleo e mineração. Contava também com uma legislação que limitava a participação estrangeira no setor bancário475. Além disso, o contencioso na área de informática foi alvo de críticas. A lei regulamentadora foi considerada uma insanidade: “The restrictive law was written to satisfy an alliance of xenophobic generals, business protectionists and the nationalist left. [...] Mr Sarney and his increasingly influential finance minister, Mr Dilson Funaro, cannot afford to allow such nonsenses to continue” 476.

471 Fails the test. 13 jul. 1985. p. 58 e ss.; There's an awful lot of debt in Brazil ... still. 31 ago. 1985. p. 75 e ss.; Cruzado enthroned (ed.). 8 mar. 1986. p. 13 e ss.; The good, The bad and the expensive. 25 abr. 1987. p. 18 e ss. 472 Brazil at the cruzadoroads (ed.). 29 nov. 1986. p. 16 e ss.

473 Brazil: Tomorrow's Italy. 17 jan. 1987. p. 23 e ss.

474 Traders' entrance (ed.). 15 set. 1984. p. 16 e ss.; Should steel be helped? (ed.). 9 fev. 1985. p. 10 e ss.; Brazil's steelnut. 12 jun. 1982. p. 86.; Chile reception. 27 jun. 1981. p. 76.; The great tin crash (ed.). 2 nov. 1985. p. 17 e ss.

475 Meanwhile in Brazil. 7 mai. 1988. p. 92.; Shutters down. 27 mai. 1989. p. 108.

476 A computer on the other foot. 14 set. 1985. p. 72.; Brazil takes on a protectionist ring. 12 out. 1985. p. 82.; Cruzado enthroned (ed.). 8 mar. 1986. p. 13 e ss. Sobre a questão da informática Cf. VIGEVANI, Tullo. O contencioso Brasil x Estados Unidos da informática: uma análise sobre formulação da política exterior. São Paulo: EdUSP, 1995.

O desemprego também era um problema. A publicação argumentou que este crescera em países que não aplicavam as políticas monetaristas vigentes na Inglaterra477. Essa situação fazia com que a desigualdade se acirrasse ainda mais: “Last year the top 1% of Brazilians earned more than the bottom 50% - one of the most unequal income distributions in the world”478. Dizia ainda que os investimentos sociais eram muito baixos:

In housing there has been a big reduction in the money available for lower category housing construction.

Roads and dams, it seems, come before roofs and the alphabet. Mr Sarney has set up a commission to examine Brazil’s huge social problems. But this year, at least, little money is likely to be available. Will it ever be? Ask the critics of the Brazilian model479.

Dessa maneira, respondia de forma pessimista o próprio questionamento sobre a realização do desejo brasileiro de ocupar um lugar entre o grupo de países desenvolvidos avaliando que estava diante de uma sociedade oligárquica e politicamente subdesenvolvida480. Neste sentido: “Brazil’s economy is going down hill so fast it may jump the rails”481.

Chamava de colapso a situação do país no que diz respeito ao enfrentamento da inflação, às taxas de juros e principalmente à moratória, estimada em 68 bilhões de dólares482. Declarou a morte do Plano Cruzado e procurou responder: “why Brazil’s anti-inflation but – pro-growth plan collapsed”483. Para a Economist, depois dos primeiros resultados positivos o

governo dava a impressão de que não sabia o que fazer e que a economia tinha ido à falência, estava fora de controle484.

Diante disso, o Brasil, de exemplo para as outras economias subdesenvolvidas no início dos anos 1970, passou a receber sugestões para que seguisse o modelo de outros países; Bolívia, México, Peru e mesmo a Argentina eram usados como exemplo. O problema foi resumido na obsessão pelo crescimento. Foi esta que criou a dívida e deixou a economia fora de controle. A política econômica dos militares, desde 1973, tomou mais empréstimos do que qualquer outro país do mundo485.

477 The right stuff (ed.). 4 mai. 1985. p. 19 e ss. (grifos originais). 478 The fall that threatens Brazil's new pride. 22 nov. 1986. p. 49 e ss. 479 The good, The bad and the expensive. 25 abr. 1987. p. 18 e ss. 480 Brazil: Tomorrow's Italy. 17 jan. 1987. p. 23 e ss.

481 Time runs out in Brazil, again. 21 fev. 1987. p. 65 e ss.

482 Ibid.; Your money or your life. 28 fev. 1987. p. 47 e ss. What Brazil can learn from Bolivia. 14 mar. 1987. p. 69.; Mud wrestling. 11 abr. 1987. p. 81 e ss.

483 RIP, Cruzado (ed.) 10 jan. 1987. p. 15.

484 Ibid.; Brazil goes bust (ed.). 28 fev. 1987. p. 12 e ss.; Please stop the world. 25 abr. 1987. p. 9 e ss.

485 What Brazil can learn from Bolivia. 14 mar. 1987. p. 69.; Lesson from Peru (ed.). 23 mai. 1987. p. 16 e ss. Obsessed with growth. 25 abr. 1987. p. 6 e ss.; Don't forgive the debtors (ed.). 14 mai. 1988. p. 15.

Em abril de 1987, Bresser Pereira assumiu o Ministério da Economia com o objetivo principal de baixar a inflação através do congelamento de preços e da indexação da economia486. Como vimos, o ministro se propôs a renegociar a dívida e abrir caminho para a entrada de mais capital estrangeiro, o que rendeu o artigo: “Brazil learns a little humility”487.

O cenário era de pessimismo e a trajetória de retomada dependia, na visão da Economist da aproximação com o receituário neoliberal: “Making a liberal swap scheme and a financial-reform plan conditions of the new loans that Brazil is seeking would be more of a favour than an imposition – if only Brazil’s politicians would believe it”488. Segundo a

publicação, o governo José Sarney havia acumulado 22.000% de inflação. A resposta eficiente passava necessariamente por mais austeridade, já que o país tentava conter a inflação sem entrar em recessão e, para tanto, era imprescindível realizar cortes no setor público489.

Para a revista, o Brasil estava sufocado pela incompetência de seu governo. Por si só tinha condições de crescer, mas o problema estava no Estado, obssessivamente intervencionista e muito dispendioso. Por isso a possibilidade de recuperação da economia e a força de alguna setores continuavam a ser sobrelevadas490. Conclui: “The biggest myth about Brazil’s industrial ‘miracle’ is that it is an example of free-market economic development”491.

Da mesma forma, o gosto do governo por grandes obras foi criticado. A usina hidrelétrica de Itaipu, o estádio do Maracanã, todo o programa nuclear e a construção de Brasília e a expansão das rodovias eram obras comparáveis a elefantes brancos492.

O Brasil era então, um mau exemplo, apontava a revista. Poderia inspirar outros países endividados a atrasarem seus pagamentos e a não realizarem as reformas necessárias para o ajuste econômico. “Down Brazil away” era a imagem utilizada493.

A eleição de Fernando Collor representou não só uma ruptura política. As medidas iniciais do pacote econômico foram recebidas como um choque: “The latest piece of Brazilian economics is of a kind to make heads spin”494. Apesar das medidas de abertura de mercado,

como a liberação das importações e o tratamento mais favorável dos investidores estrangeiros

486 New wine for an old jug. 2 mai. 1987. p. 44 e ss.; Bresser to the breach. 9 mai. 1987. p. 64 e ss. 487 Brazil learns a little humility. 20 jun. 1987. p. 81 e ss. Cf. Friend or foe? 4 jul. 1987. p. 83 e ss. 488 Growth with equity (ed.). 11 jul. 1987. p. 17 e ss. Cf. Better to pay. 20 fev. 1988. p. 88.

489 Brazil back at the brink (ed.). 7 jan. 1989. p. 16 e ss.; Brazilian summer (ed.). 21 jan. 1989. p. 14 e ss. 490 Nuts to Brazil? (ed.). 29 ago. 1987. p. 17 e ss.; Brazil hyped. 1 jul. 1989. p. 81.

491 The good, The bad and the expensive. 25 abr. 1987. p. 18 e ss.

492 Ibid. Nesse artigo, o estádio do Maracanã é chamado de Maracaibo, o mesmo acontece em Sao Paulo, Sao Paulo. 25 abr. 1987. p. 22.

493 Treat debt with reserves (ed.). 27 fev. 1988. p. 15 e ss.; Don't forgive the debtors (ed.). 14 mai. 1988. p. 15.; Nuts to you too. 12 set. 1987. p. 84.; Getting together. 31 out. 1987. p. 82 e ss.; A classic fudge. 14 nov. 1987. p. 93 e ss.; Down Brazil's way. 1 jul. 1989. p. 82.

agradarem a revista, esta considerava que o confisco das poupanças era uma medida autoritária. Avaliava, em seguida, que o plano de estabilização de Fernando Collor não podia ser considerado um fracasso, mas também não representava um triunfo completo. Era fundamental ainda reduzir os gastos do governo federal com funcionalismo público e avançar bastante no processo de privatizações. Além de transformar o déficit orçamentário em superávit, o livre-comércio era parte fundamental do remédio495.

Entretanto, no início de 1991 a revista já anunciava que o plano anti-inflacionário do governo havia naufragado “Spokesmen were rounding up the usual suspects [...] to explain away the government´s failure. The finance minister, Zelia Cardoso de Mello, was first to blame, aha, Saddam Hussein”496. Para a Economist, isso aconteceu porque o governo não

reduziu os gastos e acabou usando o dinheiro que foi compulsoriamente emprestado pelo setor privado. Avaliou ainda que o plano era provavelmente inconstitucional e que como resultado de seu malogro toda a equipe econômica pediu demissão. Analisava que às reformas econômicas, necessárias para a abertura dos mercados, se impunham entraves políticos depositando na inabilidade do governo a inconsistência das medidas reformista497.

Segundo o semanário, a inflação destruiria o Brasil. Mais uma vez as potencialidades do país foram destacadas, como o crescimento ininterrupto entre 1940 e 1980 que o colocou como a décima economia do mundo. O problema eram os governos, que faziam opções erradas e que não conseguiam controlar os gastos públicos aumentando a inflação e a dívida. Concluiu que a austeridade nunca funcionou efetivamente e que o otimismo antes sempre presente, dava sinais de esgotamento498.

Todavia, sempre que o governo aprovava medidas no sentido de abrir os mercados merecia considerações positivas da publicação. Apesar de dizer que o país ainda ia devagar nas reformas econômicas salientou o fato de que Fernando Collor estava se esforçando para diminuir as barreiras para o comércio e para privatizar as estatais, seguindo o exemplo da Argentina de Carlos Menem499.

Em meio às denúncias de corrupção e das notícias de que o governo estava desmoronando a revista avaliou que o governo Collor não foi de todo mau, o ministro da Fazenda que havia substituído Zélia Cardoso de Mello, Marcílio Marques Moreira, teria sido

495 The big squeeze. 19 mai. 1990. p. 92.; Latin America's new start (ed.). 9 jun. 1990. p. 15 e ss.; Bankshut. 9 fev. 1991. p. 74 e ss.

496 Laying the blame. 2 fev. 1991. p. 66 e ss.

497 Ibid.; Out of style. 18 mai. 1991. p. 76 e ss.; A prospect of growth (ed.). 13 jul. 1991. p. 15 e ss.; The debt crisis R.I.P (ed.). 12 set. 1992. p. 15 e ss.

498 A blow to the head. 2 nov. 1991. p. 81. Empurrar com a barrige. 7 dez. 1991. p. 6 e ss.; The blessed and the cursed. 7 dez. 1991. p. 3 e ss.; Towards hyperstagflation. 7 dez. 1991. p. 9 e ss.

capaz de aumentar o fluxo de capitais e de reduzir a inflação para cerca de 20% ao mês. A perspectiva de um governo liderado por Itamar Franco, reconhecido nacionalista, fazia o periódico refletir sobre o governo Fernando Collor.

Ajuizou que a incerteza econômica era uma constante e que o presidente empossado estava mantendo essa tradição, por isso, a princípio, os banqueiros teriam ficado apreensivos devido a possibilidade de um choque heterodoxo. Mas acalmaram-se, uma vez que ele havia prometido dar continuidade à política econômica do presidente anterior e a honrar os compromissos brasileiros com a dívida. A confiança durou pouco e a troca da equipe econômica fez com que os investidores alardeassem “Mr Franco’s lack of serious economic ideas”500.

A publicação advertia que se medidas radicais contra a inflação não fossem tomadas a queda dos mercados seria incontrolável. As reformas necessárias deveriam ser mais profundas