• No results found

Beregninger av samfunnsøkonomiske kostnader for ulike tjenester

2. De samfunnsøkonomiske kostnadene i 2013

2.2 Beregninger av samfunnsøkonomiske kostnader for ulike tjenester

4.3.2.1 Relação Brasil-Estados Unidos

Aproximações ou afastamentos entre os dois países sempre pautaram o debate sobre a política externa brasileira. Desde o alinhamento claro do governo Castelo Branco até o pragmatismo responsável da gestão Geisel o tema foi de grande relevância.

A postura assumida pelo governo americano sobre o acordo nuclear entre o Brasil e a Alemanha, as visitas da primeira dama e do próprio presidente e, principalmente, o tratamento das questões de direitos humanos chamam a atenção da revista.

Em maio de 1977, Rosalynn Carter visitou o país. Em Brasília, além de pedir a Geisel que assinasse a Convenção Interamericana de Direitos Humanos, ressaltou a discordância do governo americano com a política nuclear. Para Gaspari: “Muitas seriam as más lembranças que Geisel guardaria de Carter. Nenhuma foi mais funda que o constrangimento de obrigá-lo a discutir assuntos de Estado com sua mulher373”.

A primeira dama visitou também o Recife, onde dois missionários americanos foram presos e torturados semanas antes. Lourenço Rosebaugh e Tomas Capuano ficaram três dias na Delegacia de Roubos e Furtos do Recife. Em depoimento no Consulado Americano, descreveram o período como um “pesadelo” tendo presenciado cenas de “extrema brutalidade”.

Em março daquele ano, Jimmy Carter autorizou a divulgação de um relatório sobre a situação dos direitos humanos no Brasil. O documento foi enviado pela Casa Branca e apresentado no Congresso americano. As notícias repercutiram muito mal, a ponto do chanceler Azeredo da Silveira ter ido a público desmenti-lo374.

Finalizava-se, a relação de apoio dos Estados Unidos à ditadura militar. O relatório foi descrito por Gaspari:

Equilibrado na análise, embaraçoso na linguagem, o relatório de 29 parágrafos, era devastador no tom. Grafava Revolução entre aspas, dizia que desde 1964 o governo

373 GASPARI, 2004. p. 392.

374 James Earl Carter Jr, do Partido Democrata, foi presidente dos Estados Unidos de 1977 a 1981. O relatório em questão foi produzido em 1976, ainda na administração Ford, mas não tinha sido divulgado.

estivera ‘sob o controle real dos militares’. Mencionava ‘poucos’ casos recentes de ‘abusos’ de presos políticos, mas reclamava da tortura de presos comuns. Reconhecia lisamente que Geisel liberalizara o regime, apesar da oposição existente em ‘várias organizações de segurança’375.

Sucederam diversas ações do governo brasileiro. A princípio, convocou-se o embaixador americano, John Crimmins, ao Itamaraty. Em seguida, todos os tratados militares foram denunciados, acabando com o acordo de assistência mútua assinado em 1952376.

Como candidato, Carter deu sinais de que isso aconteceria. Em entrevista à edição americana da revista Playboy marcou sua posição: “Quando Kissinger diz, como fez há pouco, que o Brasil tem um tipo de governo compatível com o nosso, bem, aí está o tipo de coisa que queremos mudar. O Brasil não tem um governo democrático. É uma ditadura militar”377. Com sua eleição, no dia 3 de novembro de 1976, a ditadura brasileira perdeu a

simpatia do governo americano.

Segundo a Economist, a oposição havia sido encorajada pela preocupação do presidente americano com os direitos humanos378. A expectativa da visita de Carter movimentou os defensores das causas humanitárias e, por consequência, não agradou os condutores do regime:

Brazil’s soldier-rules are particularly irritated by the support given by leading members of the Roman Catholic Church to the campaign for an amnesty for political prisoners and the return of an estimated 10,000 political exiles […] Dom Paulo Evaristo Arns, says he will bring up these topics with Mr Carter when America’s presidents visits Brazil at the end of the month379.

A chegada do presidente americano coincidiu com as comemorações dos quatorze anos do golpe380. De acordo com a revista, o ministro das Relações Exteriores afirmou que foi Carter quem requisitou a visita, demonstrando que o governo não a desejava, pelo menos, não naquele momento.

Publica que o novo dirigente dos Estados Unidos atacava três aspectos das relações bilaterais até então: o primeiro era o “Memorandum of Understanding” que singularizava o Brasil em detrimento das relações com outros países da América Latina, o segundo foi o

375 GASPARI, 2004. p. 384. 376 Ibid.

377 Playboy (edição americana), nov. 1976, p. 74-75, apud ibid., p. 373. 378 Not very human, yet. 9 jul. 1977. p. 79 e ss.

379 Bad memories. 11 mar. 1978. p. 61 e ss.

silêncio das administrações Nixon e Ford sobre direitos humanos e por fim, a complacência deles sobre a questão nuclear381.

Conforme a revista, a reação do governo à divulgação do relatório e à própria visita do presidente americano mostrou o quanto o Brasil havia se afastado de sua aliança com os Estados Unidos. A diversificação das relações comerciais e o acordo para transferência de tecnologia nuclear com a Alemanha Ocidental também confirmam o novo momento das relações entre os dois países382.

4.3.2.2 Visita de Geisel à Inglaterra

As relações comerciais entre o Brasil e o Reino Unido estiveram, muitas vezes, sob o olhar da revista. Os acordos sobre o comércio de café, manteiga de cacau, minérios e outras commodities sempre figuraram na Economist383. Mas, apenas em 1976 quando Geisel foi convidado para retribuir a visita feita pela Rainha Elizabeth II ao Brasil em 1968 que a cobertura sobre as relações bilaterais foi intensificada. Houve forte reação do Partido Trabalhista Inglês e da imprensa de esquerda, mas a revista aprovou a visita. A manutenção das boas relações, principalmente em termos comerciais, era mais importante que as manifestações de determinados setores políticos da Inglaterra contra os abusos dos direitos humanos, por isso, a publicação considerou deselegante o posicionamento dos Trabalhistas:

Now the Labour party’s national executive committee has thrown a whopping spanner into the works by passing a resolution on Wednesday that General Geisel, as a ‘head of one of the most repressive regimes in Latin America’ should have his visit cancelled. […] General Geisel may take umbrage and cancel his visit. That would be a pity. Britain has a number of sound reasons for keeping on civil terms with Brazil and it is anyway very rude to tell an invited visitor that he is not welcome384.

381 No governo Figueiredo as divergências com o governo Carter permanecem, até que na administração Reagan “Human rights were now no longer an issue”. Cf. HURRELL, 1986. p. 255.

382 A diversificação das relações internacionais do Brasil, tanto do ponto de vista comercial quanto político, é objeto da tese de doutoramento do Professor da Universidade de Oxford Andrew Hurrell. Nesta, o autor busca entender como o desenvolvimento das relações internacionais do Brasil, de 1964 a 1985 possibilitaram que o Brasil atingisse uma posição mais autônoma e independente nos assuntos internacionais. Cf. Ibid.

383 Finding a new blend. 24 mar. 1973. p. 60 e ss. 384 Rude. 28 fev. 1976. p. 47.

A visita de Ernesto Geisel aconteceu entre os dias 4 e 7 de maio de 1976385. Para a Economist, o presidente objetivava, além de promover a imagem do Brasil, obter financiamento para grandes projetos de infraestrutura como: as rodovias Transamazônica, Rio-Santos e Imigrantes, o metrô do Rio de Janeiro, a ponte Rio-Niterói, a usina de Itaipu e a ampliação da usina nuclear de Angra dos Reis. O que, logo depois foi considerado desperdício de dinheiro386.

Seguiu-se uma série de manifestações contrárias à visita. Entre elas, uma moção de repúdio, uma carta do Deputado Trabalhista Stan Newens e protestos do sindicato dos jornalistas e do Instituto Católico de Relações Internacionais. Além da carta do professor Emanuel de Kadt, publicada pelo The Times em que dizia:

There are good reasons for improved diplomatic, cultural and trade relations with Brazil. But my hope is that most of those who ‘know what Brazil is really like’ (though clearly not Mr Evans) will also understand why it was a moral mistake for a Labour government to sponsor a state visit by the president of a country where social justice and human rights are still so widely disregarded387.

No primeiro dia da visita um documento com cinquenta assinaturas do Grupo Parlamentar de Direitos Humanos foi entregue a Geisel e The Times publicou uma carta do arcebispo de Westminster, Basil Hume, com uma foto do protesto realizado em frente ao Guildhall onde a prefeitura de Londres oferecia um jantar ao visitante388.

Em 1979, reavaliando a visita e o governo Geisel, o periódico voltou a fazer críticas aos opositores da recepção do ditador brasileiro:

In the midst of this rather brave march towards democracy, Britain’s (not exactly democratic) TUC said that President Geisel was an ever-more-repressive right wing dictador, and told the Wilson government that it should not welcome a visit to Britain from him389.

A relação da ditadura brasileira com a democracia inglesa parecia ser importante para ambos os países. A repercussão negativa da tortura na imprensa americana e europeia, inclusive inglesa, teria como resposta a recepção, na Inglaterra, do chefe de Estado brasileiro.

385 Ainda antes da chegada de Geisel, em 16 de março, Harold Wilson renunciou à liderança do Partido Trabalhista e o cargo de primeiro ministro foi assumido por James Callagham, antes ministro das Relações Exteriores.

386 Brazil's Geisel brings the bills to Europe. 1 mai. 1976. p. 110.; An airport, not a city. 31 jul. 1976. p. 26 e ss. 387 KADT, E. de. Britain and Brazil. The Times, p. 13, 1976. 13.

388 CANTARINO, Geraldo. A Ditadura que o inglês viu. Rio de Janeiro: MauadX, 2014. p. 160 e ss.

389 The importance of not being Ernesto. 4 ago. 1979. p. 4 e ss. TUC significa Trades Union Congress, a central sindical britânica.

O governo trabalhista, interessado nos bons negócios, independentemente das críticas, decidiu que a visita teria mais prós que contras, a mesma posição foi adotada pela Economist.

4.3.2.3 Brasil-Argentina

Conforme as relações Brasil-Estados Unidos foram perdendo a centralidade, as conexões com outros países latino-americanos ganharam importância e, indiscutivelmente, a Argentina consolida-se como parceiro preferencial no final dos anos 1970 e início da década de 1980.

A revista tinha tratado as relações entre Brasil e Argentina como deterioradas, mas o cenário modificou-se. Em 1980, depois de quarenta anos, aconteceu a primeira visita de um chefe de Estado brasileiro ao país vizinho. Visita essa retribuída em agosto, pelo General Videla. Para a publicação, os presidentes foram aproximados pelos homens de negócios e o consequente desejo de incremento nas relações comerciais entre as duas maiores economias da América do Sul390. A rivalidade de mais de duzentos anos chegava ao fim com a assinatura de alguns acordos.

Em 1982, a disputa sobre as Malvinas chamou a atenção do semanário para a posição que o Brasil assumira. Primeiro, descreveu que os países latino-americanos não estavam confortáveis com o apoio oferecido por Reagan ao Reino Unido e que o Brasil poderia levantar questionamentos sobre as relações especiais com os Estados Unidos391. A Argentina não faria um acordo com a Inglaterra e isso significava instabilidade regional: “There is going to be no security in the area for Argentina, for Chile, for Brazil – or for Britain, the United States, Australia or New Zealand – until all of them start reconciling their and other people’s claims on Antarctica and the seas above it”392. O Brasil se envolveu o mínimo possível no

conflito. Mesmo assim, as relações bilaterais com a Argentina ganharam importância.

No entanto, a revista enfatizou a diferença de perfil entre os dois países. O Brasil que teria assumido a proposta terceiro-mundista estava aberto inclusive a reconhecer e estabelecer

390 Hello, soldier. 10 mai. 1980. p. 39., Tightrope to democracy. 4 ago. 1979. p. 18 e ss.; General manoeuvres. 30 ago. 1980. p. 33 e ss. Em um artigo de maio a revista fala em quarenta anos, no de agosto em 45 que é a informação adequada. Cf. URT, João Nackle. Construção de confiança na América do Sul: a política externa do governo Figueiredo (1979-1985). 2009. 155 f. Dissertação (Mestrado em Relações Internacionais). Instituto de Relações Internacionais, Universidade de Brasília, Brasília. p. 35.

391 Testing Uncle Sam (ed.). 29 mai. 1982. p. 16. 392 And after Stanley? (ed.). 12 jun. 1982. p. 16 e ss.

relações comerciais com o governo de esquerda recém-instalado na Nicarágua, o que não aconteceria no caso da Argentina:

Brazil’s foreign minister, Mr Saraiva Guerreiro, has been using every international meeting he attends to plead that the sharpening of east-west tension should not be imported into the south Atlantic region and to argue that the north-south problem is more urgent. [...] Two things explain the difference between the two approaches. The first is the fact that the scars of Argentina’s civil war, in which between 10,000 and 15,000 left-wing guerrillas are thought to have lost their lives, have by no means healed. In the left’s assault on Brazil in the late 1960s, on the other hand, fewer than 100 guerrillas died. The rest have been forgiven and are back in operation some doing rather eccentric things but not breaking the law. The thousands of Argentines who fled from their country are not likely to be welcome back for a long time to come, if ever. Many of them – including Mr Mario Firmenich, who was responsible for the murder of an Argentine ex-president – are helping the left-wingers in Central America. Which is one reason why Argentina is not averse to get involved there393.