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5. Kortfattet om ungdomsenhetene
A “arte” dessa representação foi adquirida com a norma comunicativa responsável pela sociabilidade nas relações de submissão à autoridade. Nessa perspectiva os homens primeiro se submetem ao poder dos pais, depois se submetem a outras instâncias sociais, patronais, governamentais, além dos poderes militares e religiosos. Assim, podemos dizer que as normas se desenvolveram ao longo do chamado processo civilizatório; através delas a humanidade se estabeleceu e se conduziu até a atualidade. Elas adquiriram poder, foram cultuadas e possibilitaram a existência humana e a sua permanência sobre a Terra.
Administração participativa também é uma das formas em que o poder da autoridade é compartilhado entre os funcionários e a chefia (STONER, 1994: 24)
54 Perspectiva proposta por Norval BailelloJr.no primeiro semestre 2003, durante o curso Sistemas Visuais e Espaciais, no Programa de
Assim, o homem que aprendeu os comportamentos adequados para a vida social, profissional e afetiva, comunica as suas necessidades básicas e representa. Essa representação é marcada por compassos e descompassos culturais que permeiam a sua existência. A sua atuação na corporação é intimamente ligada à cultura das instituições que marcaram a constituição de seu universo simbólico. Dessa maneira a sua vida cotidiana no trabalho se transforma em uma reprodução simbólica das suas experiências (im)possíveis nas relações e atividades de grupo socialmente (des)integradoras. Recorrendo a Norval Baitello Jr.55 encontra-se que “o espaço social é composto pelos papéis que os homens desempenham. E o seu trânsito nesse meio com a desmesura que a sociedade impõe e cobra, só é possível através dos sistemas de vínculos”.
Nos meios sociais e nas empresas não seria suportável viver essa falta de medida e representá-la se as normas não tivessem sido aprendidas e experimentadas em seu primeiro núcleo, o familiar”. Esse estilo de representação posiciona o homem no mundo simbólico ao qual ele se adapta, se submete, é submetido e no qual ele se transforma permanentemente. A vida do homem nas corporações torna-se possível através da repetição de performances ou das formas teatrais que são reproduzidas.
A repetição de formas teatrais no espaço corporativo permite o cultivo de vínculos num contexto marcado por poder, submissão e hierarquia. Neste espaço o poder do mais forte, no estado natural, converte-se em poder de domínio no estado legal. Retomamos Samain para frisarmos que toda “convivência é mediada, objetivada e institucionalizada, ou seja, normatizada” (SAMAIN. Disponível em <http://www.unr.edu.ar/>. Acesso em 10 jun. 2005).
Essas normas moldam comportamentos, atitudes e a forma de lidar com um mundo carregado de significados. Assim, a convivência na empresa fará com que a característica pessoal dos funcionários se molde às suas normas; para atendê-las eles terão que reelaborá-
55 A afirmação faz parte da palestra “As Formas do Titanismo na Cultura e na Comunicação”, proferida por Norval BailelloJr.em seis de
abril de 2003, no encerramento de um ciclo de cinema sobre “Os maiores e os melhores do mundo”. O evento foi promovido pelo Centro Interdisciplinar de Semiótica da Cultura e da Mídia e realizado no Centro Cultural São Paulo. Fita cassete. Transcrição da autora.
las e a elas se adaptar. Para isso, terão que se submeter e desestruturar algo que foi estabelecido na família: a sua identidade. Como a empresa conta com as carências humanas de auto-realização e reconhecimento público pelo trabalho, aposta em mecanismos de promoção, mecanismos de atribuição de status, oportunidades do exercício do poder e da vaidade do saber. Além disso, desafia o homem a exercitar a sua capacidade de se auto- superar galgando cargos na escala hierárquica. Nessa escalada ele se depara com a gestão de competências, os desafios dos mercados globalizados e com as expectativas das massas (clientes) e acaba precisando “tratar o impossível como se fosse possível” (CASSIRER, 1994:103).
Para responder a essa demanda o homem corre todos os riscos de embarcar em uma viagem sem retorno, pois ela representa metaforicamente a “savana” da sua descida da árvore, com resultados ainda mais selvagens. Para sobreviver nessa “savana” o homem tem que imprimir, na sua representação, uma força que ele não possui na realidade. Por isso trabalha com os fatores análogos ao sistema de vinculação experimentado-os; despe-se da identidade que contava com as características do vínculo maternal e incorpora as características do vínculo paterno. Ele simula o trabalho perfeito, a invencibilidade, o bom humor constante e a permanente disponibilidade diante das autoridades. Nada disso existe de fato, mas a empresa precisa que essas características sejam representadas. Assim “os homens cumprem o que a vida profissional complexa os obriga a assumir, atendem a padrões culturalmente impostos”56. Por sua vez, a empresa constitui um território simbólico da representação do trabalho, uma savana selvagem, espaço de vida dos mortais governados pelos titãs57 - as normas.
A empresa se transforma em campo de luta em que vale tudo pela sobrevivência lucrativa; não importam os meios, apenas os fins. Nela se ignora o espaço comum de convivência. Com essa filosofia nela “os vínculos fracassam e onde se deveriam cultivar
56 A afirmação também faz parte da palestra “As Formas do Titanismo na Cultura e na Comunicação”, proferida por Norval
BailelloJr.em seis de abril de 2003, no encerramento do ciclo de cinema sobre “Os maiores e os melhores do mundo”. Fita cassete. Transcrição da autora.
57 Titãs é o nome genérico dos seis filhos de Urano e Geia: Oceano, Ceos, Crio, Hiperíon, Jápeto e Crono. Pertencem à primitiva geração
divina. Do caçula Cronos saíram os primeiros deuses olímpicos. Unidos às sua próprias irmãs, as Titânidas – Téia, Réia, Têmis, Mnemosina, Febe e Tétis geraram uma pletora de divindades menores sem projeção nos mitos. Após Cronos mutilar seu pai Urano, os
relações de mútua colaboração se cultiva a devoração”, conforme Baitello58. Há corporações que só valorizam o seu crescimento econômico e físico; ignoram que o sucesso e a satisfação do homem são imprescindíveis para o desenvolvimento da própria sociedade.
A importância do homem no processo corporativo e na vida da sociedade pode ser pensada a partir de uma esclarecedora citação de Samain:
“A dinâmica sobre o desenvolvimento da sociedade abrange todos os processos e produtos que as atividades coordenadas de numerosos indivíduos pressupõem. Essas atividades coordenadas que produzem resultados amplamente superiores a si mesmos, em seu âmbito e complexidade, são obtidos como resultado do empenho de cada atividade individual, e a empresa é a soma dessas atividades. Um ciclo permanente e nunca acabado (SAMAIN. Disponível em <http://www.unr.edu.ar/>. Acesso em 10 jun. 2005).
Os resultados esperados estão vinculados à submissão dos homens às normas e valores corporativos mesmo que ambos sejam divergentes. Aqui voltamos a lembrar a afirmação de Bystrina: “o homem viaja do céu ao inferno” graças às suas transações simbólicas, estrutura assimétrica59 na qual se debate. Essas transições são possíveis pela capacidade de interpretar e adaptar símbolos, o que garante a sua aceitação nesse universo e o seu enquadramento. Esse exercício de adaptação, porém, é agressivo aos seus padrões já estabelecidos. Para viabilizar essa adaptação o homem utiliza-se de uma forma metafórica de representação.