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Kort om Arbeid- og velferdsetaten

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1 Método de Análise

Este capítulo apresenta a metodologia utilizada, sob a perspectiva teórica e prática, para a obtenção dos dados e para a sistematização e análise dos mesmos. A seguir, descrevem-se os passos adotados para a coleta dos dados.

Adotou-se o método de análise temática para a coleta, sistematização e análise dos dados da pesquisa, uma vez que está ligado ao método de análise qualitativa. A análise temática adotada está em conformidade com os pressupostos e referenciais definidos por Braun e Clark (2006, p. 81), e foi adotado por permitir, com sua adequada aplicação, que os dados e as análises possam refletir a realidade e, também, desvendá-la.

Buscou-se com este método em razão das vantagens que oferece, quais sejam: ser flexível na sua aplicação; ser de fácil acesso, aprendizado e uso; permitir maior acessibilidade das informações ao público; permitir pesquisas participativas e com colaboradores; por ser útil para a sistematização de questões essenciais ou “chaves” em dados amplos e complexos; permitir a geração de temas imprevistos, ou novos; e por ser útil para a realização de análises para o desenvolvimento de políticas (Braun & Clark, 2006, p.97).

A construção do mapa temático da pesquisa teve como base o objeto tema da pesquisa: a Formação Profissional para ressocialização de reclusas, cujo objetivo geral é: compreender o grau de expectativa que as reclusas têm acerca do Programa de Capacitação Profissional para a reinserção social, oferecido na Penitenciária Feminina de Santa Cruz do Bispo.

A análise temática foi feita a partir de uma abordagem indutiva e não teórica, visto que o tema central desta pesquisa está fortemente vinculado às informações coletadas, as quais determinaram os caminhos da análise temática (Braun & Clark, 2006, p. 83). Apesar de o tema de análise ser explícito, buscou-se também temas latentes e a sua interpretação no contexto.

O paradigma das bases epistemológicas definido para a análise temática é o paradigma realista ou essencialista. Definição motivada pela forte vinculação unidirecional assumida nesta pesquisa entre o significado, a experiência e a linguagem existentes nos dados a serem coletados, baseada em Potter e Wetherell (1987); Widdicombe e Wooffitt (1995 citados em Braun & Clark, 2006, p.85).

Foram perseguidos os 06 passos básicos em acordo com as 06 fases da análise temática propostas e descritas por Braun e Clark (2006, p. 87): 1) Familiarização com os dados obtidos; 2)

Geração das primeiras codificações; 3) Busca e definição inicial de temas; 4) Revisão dos temas; 5) Definição e nomeação dos temas; 6) Redação do trabalho. Foi também utilizada a listagem de 15 critérios, enumerados pelas autoras, que deverão ser observados para a garantia de uma boa análise temática (Braun & Clark, 2006, p. 96).

A pesquisa obedeceu ao cronograma apresentado no Anexo III e foi iniciada após a expedição da autorização da Direção Geral de Reinserção e Sistema Prisional (DGRSP), que permitiu o acesso à área interna do Estabelecimento Prisional da Penitenciária Feminina de Santa Cruz do Bispo e a recolha dos dados.

O instrumento utilizado para a recolha dos dados foi a entrevista semiestruturada, por permitir um contato direto com as entrevistadas e propiciar uma profunda compreensão do objeto a ser estudado, em face da relevância do aspecto subjetivo das interpretações individuais frente à realidade vivida fora e dentro da penitenciária. As entrevistas foram realizadas com 15 reclusas que participaram dos programas de capacitação profissional e concluíram os cursos de Arte Floral, Empreendedorismo para a Vida, Costureira/Modista, Geriatria e Bar e Mesa.

As entrevistas seguiram os procedimentos normativos previstos no Código Deontológico de Sociólogos e de Antropólogos, referentes à proteção de dados coletados e privacidade das entrevistadas e todos os nomes das reclusas constantes neste trabalho são nomes fictícios.

Após explicação sobre o objeto do estudo, a respeito da confidencialidade e do anonimato, constantes nas Declarações do Consentimento Informado, as reclusas mostraram-se disponíveis, todas assinaram as respectivas declarações, e foi-lhes assegurado o direito de, a qualquer momento, interromper a cooperação ou desistirem de cooperar.

As entrevistas tiveram o suporte no Guião (Anexo I), com perguntas que serviram de referência para todas as entrevistas aplicadas. O Guião abordou os seguintes domínios: informações socioeconômicas, situação profissional antes da reclusão, a Formação Profissional prévia, os motivos que as levaram a frequentar o(s) curso(s), qual o grau de satisfação com o Programa e que expectativas elas tinham em relação ao futuro, tendo em conta a Formação Profissional adquirida.

Contou-se com a colaboração da Técnica Superior de Educação, responsável pela gestão dos cursos de Formação Profissional no interior, que, além de colaborar viabilizando as entrevistas, ainda prestou várias informações pertinentes a esta investigação, dentre as quais, a de que, na ocasião da recolha dos dados, não estava havendo nenhum curso de Formação Profissional; o último curso ocorreu no ano de 2014 e que não havia previsão para as novas edições. Assim sendo, em outubro de 2016, quando foi dado o início à recolha de dados, não estava sendo ministrado nenhum curso de Formação

Profissional às reclusas. Os últimos cursos ocorreram até 2014.

Constatou-se que entre os anos de 2005 a 2014, foram ministrados 22 cursos de Formação Profissional e 325 reclusas foram beneficiadas com os cursos ofertados nesse período. Entretanto, por ocasião da execução da recolha de dados, a maior parte das formandas já havia sido liberada, restando apenas 15, o que restringiu a população original a ser investigada.

Embora limitado, o quantitativo de entrevistadas foi aceito, com base na saturação da informação, uma vez que não acrescentava informação de relevo para o objetivo do estudo. Assim sendo, teve-se acesso a relação com os nomes das 15 reclusas remanescentes, sendo-lhes aplicadas as entrevistas seguindo o cronograma, que ocorreram dentro do prazo previsto, outubro de 2016 a março de 2017. Algumas reclusas, entre as 15 (quinze) que foram entrevistadas, participaram de mais de um curso de Formação Profissional no decorrer do período de reclusão.

O critério utilizado para a realização das entrevistas teve como finalidade atingir o objetivo geral, isto é, compreender o grau de expectativas que as reclusas têm acerca dos Programas de Reinserção Social que visam a capacitação profissional na penitenciária, bem como os seguintes objetivos específicos: identificar quais cursos de Formação Profissional que foram aplicados nos últimos anos; conhecer as aptidões profissionais que as reclusas desejam desenvolver na prisão e suas aspirações prévias à reclusão; compreender os critérios adotados para a seleção das participantes; caracterizar o perfil socioeconômico e profissional das reclusas entrevistadas; verificar a motivação e o grau de aproveitamento que as reclusas tiveram nos cursos; conhecer a opinião das reclusas sobre a importância dos cursos para a reinserção social e seus planos após a reclusão.

Apesar do tempo destinado às entrevistas ter sido adequado à disponibilidade das reclusas, obedecidas às orientações do Sistema Prisional, não houve problemas quanto a esta questão. Contudo, no início das entrevistas, foi possível perceber-se a preocupação de algumas delas quanto ao tempo que iria ser utilizado, isto porque todas as entrevistadas tinham compromissos com os horários da instituição e das suas atividades, o que não as impediu de ao longo das entrevistas, ficarem bem à vontade, e tendo demonstrado grande interesse em colaborar com a investigação.

Com o apoio da Técnica Superior de Reeducação, foram obtidas as informações sobre os cursos de Formação Profissional ministrados e sobre os critérios de seleção adotados, o tempo de duração, número de participantes no início e ao final, número de aprovadas e outros dados de interesse dos objetivos da pesquisa.

Após a recolha dos dados, seguiu-se a fase de transcrição das entrevistas e a elaboração das grelhas para a análise dos dados. A transcrição seguiu os padrões gramaticais da Língua Portuguesa de

Portugal, conforme o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, conforme a versão original dos depoimentos das reclusas. Durante as entrevistas, foram levantados os dados sociodemográficos e as informações jurídicos-penais das entrevistadas e, juntamente com as informações contidas nas fichas biográficas, foi formulada e caracterizada a grelha para posterior análise dos dados.

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