• No results found

Koordinatorrolle og uklar ansvarsfordeling

In document Den alvorlige kreftsyke pasient (sider 48-52)

3. RAMMEDOKUMENTER OG TIDLIGERE FORSKNING

5.2 Presentasjon av funn

5.2.2 Koordinatorrolle og uklar ansvarsfordeling

Descrever o sentido da pesquisa é refletir sobre as justificativas e relevâncias de sua realização, abordando-as a partir de três dimensões: pessoal, social e acadêmico-científica. Não necessariamente seguiu nesta ordem.

Primeiramente, o grande interesse pessoal na realização deste estudo, decorre do reconhecimento de que a criatividade e a expertise estiveram presentes no meu ambiente de trabalho, de forma tácita, por 35 anos. O percurso vivido como um aprendiz em processo

constante de autoformação levou-me a tentar compreender o que ocorria naquele ambiente que fazia parecer tão dinâmico, desafiador e repleto de alegria. Havia um impulso espontâneo que nos levava a romper alguns padrões e a buscar, obstinadamente, avançar no nível de melhoria de nossas práticas, para que os nossos alunos fossem bem sucedidos na aprendizagem. Os resultados significativos que obtivemos levaram-me a insistir na busca por esta compreensão, agora, via pesquisa, nos anos seguintes à minha aposentadoria.

O segundo grande interesse pessoal apenas mudou de contexto e de nível de complexidade, ampliando a teia de relações envolvida. Transpor aquelas práticas para um nível de compreensão teórica e depois retornar contribuindo com a criação de novas práticas, cuja fundamentação leve a resultados positivos semelhantes passou a ser a nova inquietação. Como compreender esses processos que levam ao desenvolvimento da aprendizagem de alto nível e a resultados positivos semelhantes àqueles que obtivemos, envolvendo, agora, de modo explícito, a criatividade na expertise? O que nos levou a atingir níveis de excelência com aqueles alunos poderia ser pesquisado, sistematizado e, de algum modo, contribuir para atualizar essas práticas e torná-las mais comuns?

Juntamente com outros estudos já realizados neste sentido, este se justifica por visar ampliar saberes e conhecimentos acerca dos fatores que limitam ou impulsionam profissionais das diversas áreas para melhorias significativas no desempenho. Existem diversas categorias de fatores que influenciam o desempenho. São fatores que evidenciam a diferença entre ser um profissional em constante busca de melhoria de sua prática ou apenas mais um profissional que passa a exercer suas tarefas mecanicamente, sem preocupar-se com o impacto negativo ou positivo dos resultados que obtém, sobre o meio e as pessoas envolvidas.

Na dimensão “acadêmico-científica”, a contribuição desta tese foi promover o diálogo entre dois temas polêmicos que ainda não conversaram na dimensão epistemológica, teórica ou empírica. De modo mais específico, outras contribuições podem ser registradas:

‒ inovação no enfoque, ampliando as perspectivas de discussão da expertise para além do que está posto na literatura;

‒ inserção da expertise em um contexto mais atual do debate entre as ciências, sugerindo uma linguagem que visa à comunicação mais ampla com outras áreas do conhecimento;

‒ o diferencial metodológico com a contribuição da fenomenologia e da história de vida, tanto para a criatividade como para a expertise, gerando maior profundidade na análise dos dados;

‒ a conjugação das dimensões teórica e empírica, como um esforço de aprofundamento que ampliou significativamente a compreensão do fenômeno; ‒ a diversificação de profissões pesquisadas, questionando alguns mitos sobre a

ocorrência desses fenômenos de modo privilegiado em determinados domínios. Outro aspecto peculiar de contribuição nesta dimensão reporta às questões examinadas por Weisberg (2007), como estudos mais recentes no campo da expertise. Essas questões, seguindo por um caminho oposto ao desta tese, examinam se a expertise é que desempenha um papel na criatividade. As pesquisas nesta direção, até o momento, não consideraram a existência de uma base criativa na expertise. Entre pesquisadores que estudam a criatividade também não têm sido identificado questões que enfocam esta relação. As contribuições mais valiosas vêm de Ericsson (1996; 1999), autor que tem considerado que a expertise e a criatividade podem ter alguma ligação. Acerca desta relação, Ericsson tem três hipóteses testáveis, segundo Weisberg: que a expertise facilita o pensamento criativo, que os avanços criativos se desenvolvem como resultado de novas técnicas e habilidades e que esses mesmos avanços se estendem nos limites do campo de atuação.

Dentro desta perspectiva, a relevância e o diferencial desta pesquisa consistem em abordar o mesmo objeto, porém, caminhando em um sentido oposto ao que a literatura propõe. Essa busca seguindo por caminhos diversos e opostos pode trazer implicações importantes e interessantes para os dois domínios, na perspectiva do princípio dialógico da complementaridade. O que Weisberg (2007) enfatiza em suas pesquisas é o suporte para as três hipóteses de Ericsson, no sentido de compreender as definições e conceitos relevantes envolvidos. O interesse dele consiste em eliminar possíveis pontos de confusão e esclarecer prováveis lacunas sobre a expertise na criatividade. O desafio, aqui, coincide com o esforço de Weisberg e de Ericsson, todavia, buscando compreender o papel da criatividade na expertise.

Sobre a última hipótese de Ericsson (1999) – os avanços dos experts não transcendem os limites do campo de atuação – Simonton (2000) já reconhece que abrir-se para uma variedade de interesses e experiências, subconscientemente, nos permite ter a mente cheia de ideias. Acerca disto, o século XXI caracteriza-se como um período que já não reconhece como estratégico o perfil profissional dedicado à tarefa focalizada e restrita. Perfis como estes já passariam a fazer parte de outro paradigma, considerado ultrapassado por mostrar-se, há longo tempo, ineficientes.

Para imprimirmos avanços sociais, há uma demanda crescente para a inovação. Isto reflete o perfil de um contexto que rejeita a estagnação, o entrincheiramento em determinada especialidade, e, em consequência, a ênfase sobre rituais procedimentais na execução de tarefas e na resolução de problemas. Afinal, os problemas se renovam em número, complexidade e velocidade exponenciais.

Podemos, ainda, considerar a relevância de explorar a criatividade na expertise na dimensão social, a partir do modo como as pessoas passam a exercer a profissão ou a prática em domínios específicos. E, neste âmbito, há uma forte integração com a dimensão pessoal e a científico-tecnológica. Trata-se de questões que envolvem a necessidade de avanços metodológicos que permitam um conhecimento mais profundo das características das pessoas. Já existe no campo da psicologia, uma preocupação com o bom desempenho que transcende o interesse por estruturas cognitivas, emocionais e motivacionais. Cada vez mais se amplia a tendência em valorizar as competências de vida, na busca por transformar profissionais excelentes em pessoas excelentes (MILLER; KERR, 2002). A percepção da complexidade, na explicação da influência de uma espécie de sinergia planetária, a qual envolve tudo em um processo de múltiplas relações e interações, não mais permite isolar a pessoa do seu desempenho.

Ericsson e Charness (1994, p. 725) reconhecem que “os recentes avanços na compreensão do desempenho excepcional tiveram pouco impacto sobre as teorias gerais da psicologia”. Há um número suficientemente bom de estudos voltados para a medida da expertise cognitivo-perceptiva, por exemplo. Falta-nos, porém, cumprir metas humanistas na compreensão de insights no âmbito da vida das pessoas. De que maneira esses novos conhecimentos podem contribuir, para não deixar pendentes aspectos essenciais, como melhorar as vidas das pessoas e a vida do meio social onde convivem? Isto, certamente, requer mais ênfase na dimensão humana dos pesquisados. Maslow (1971) é um dos autores que se ocupam destes objetivos há bastante tempo. Para ele, mesmo as perspectivas mais contemporâneas insistem em estudar a excelência no desempenho, considerando menos o humano e mais o „sobrenaturalmente‟ dotado, especialmente quando se voltam para a medida do desempenho por si.

Todos estes pressupostos estão fundamentados na teoria e na prática de dois construtos ou fenômenos, cuja aquisição, desenvolvimento e expressão são requeridos como imprescindíveis à melhoria dos ambientes de convivência e de atividade humana em geral. Por esta razão, a criatividade na expertise torna-se uma estratégia amplamente almejada por

vincular-se à sobrevivência das instituições públicas e privadas. Tornando-se melhores em sua prática e atendimento, esses espaços passam a exercer um papel social importante.

Deparamo-nos, diante dos problemas atuais, com o grande anseio da sociedade humana e comunidades científicas por saberem como definir construtos como estes e desenvolvê-los com mais facilidade e frequência. Há uma expectativa de que o conhecimento e a compreensão dos seus processos indiquem como acessar os meios que ampliem a sua manifestação na população, resultando em melhorias para as condições de vida no planeta. A alta competitividade no mundo profissional, por exemplo, tem levado organizações a uma disputa agressiva por aqueles indivíduos ou por equipes que demonstram um desempenho que se diferencie da média. Essa disputa tem gerado debates, no âmbito organizacional e no acadêmico, sobre como compreender os efeitos de fenômenos como estes e acessar sua ocorrência na população.

A visão de que a realidade vigente impõe profundas adequações e atualizações na arquitetura dessas organizações e instituições é consensual. Isto já é o bastante para requerer conhecimento e condições de se identificar, reconhecer, captar, manter e também de saber como estimular o desenvolvimento de profissionais que atendam à expectativa de melhor desempenho. O modelo tradicional dos anos de 1960, baseado na mera formação de equipes de trabalho, e o dos anos de 1970, pautado no desenho sociotécnico está superado. Mais precisamente, a partir da década de 1990, desencadeou-se um processo de renovação, o qual seguiu evoluindo até os dias de hoje. Esse avanço de paradigmas tem provocado, de modo cada vez mais acentuado, um distanciamento da ênfase sobre a especialização e uma aproximação da ideia de criação de sistemas que permitem a conexão entre diferentes funções e integração de habilidades (ILUNDÁIN VILÀ, 2008).

A Economia Criativa é um exemplo desta renovação. Este setor emergiu como uma demanda que compõe a agenda social e econômica desta década. Trata-se de um conceito criado como opção de desenvolvimento viável para o contexto contemporâneo (UNCTAD, 2010). No centro do desenvolvimento das atividades, produtos ou serviços está o conhecimento (expertise) e a criatividade como capital intelectual dos indivíduos, tendo por base a cooperação de múltiplos setores trabalhando em consonância. É uma alternativa que vem, progressivamente, adquirindo maior visibilidade nas estratégias de desenvolvimento econômico e social. À luz de Virgolim (2007, p. 30), nesta nova visão de economia podemos, inclusive, transmutar o velho conceito de “mão-de-obra” por “cérebro-de-obra”, evidenciando

o papel crucial da criatividade na base das estratégias de geração de novos conhecimentos e de possibilidades reais de inovação.

Nesse contexto, a criatividade passou a ser fomentada por políticas públicas e “tratada como o principal insumo da inovação” (UNCTAD, 2010, p. xvi). Tornou-se, enquanto dimensão simbólica da produção humana, o elemento fundamental na definição do valor de novos bens e serviços. Transcendendo a finalidade econômica e a produção de bens ou riqueza, o mais interessante é que esta nova visão da economia passou a “construir solidariedade, reunindo e incluindo comunidades e indivíduos, coletivos e redes”, numa perspectiva sistêmica. Isto reforça, mais uma vez, a urgência na mudança de mentalidade e de perspectiva na constituição da expertise profissional, o que deve começar pela mudança nas metodologias de estudos que orientam para esta finalidade. Há um movimento dos adeptos deste olhar, no sentido de fomentar o “levantamento dos investimentos para desenvolver a criatividade da população, principalmente dos jovens” (CODEPLAN, 2015) 4.

Em termos numéricos, o Relatório da Economia Criativa apresentado recentemente, revela que apesar da queda acentuada de 12% no comércio internacional, provocada pela “crise financeira mundial”, os setores abrangidos pela economia criativa aumentaram e alcançaram o equivalente a US$ 592 bilhões, ou seja, mais de 1 (um) trilhão de reais (UNCTAD, 2010, p. xvii). Esses dados evidenciam que as indústrias criativas estão entre as mais dinâmicas do comércio internacional. E, apesar de esse mesmo relatório fazer parte de um setor comumente voltado para visões mais cartesianas, foi possível encontrar uma concepção sistêmica para o papel da criatividade, aplicada em uma situação que sugere os efeitos sociais benéficos da sua interação com a expertise. O relatório descreve que, se “estimulada de forma adequada, a criatividade infunde um desenvolvimento centrado no ser humano e constitui o ingrediente chave para a criação de trabalho, inovação e comércio”, contribuindo, ao mesmo tempo, para “a inclusão social, diversidade cultural e sustentabilidade ambiental (UNCTAD, 2010, p. xix). Nesse contexto, o fenômeno se destaca como a “mola mestra” para o sucesso das organizações e de sua sustentação “no competitivo mundo dos negócios” (VIRGOLIM, 2007, p. 30).

Nesse sentido, a relevância desse estudo se justifica na combinação de dimensões, para as quais, geralmente, não atentamos e que precisam ser evidenciadas. Reportando estas questões à minha própria trajetória e retratando o cenário que me instigou a explorar a

4 Palestra proferida no Seminário de Economia Criativa, realizado em outubro de 2015, na Universidade de

criatividade na expertise, está entre os resultados desta tese, integrar às dimensões supracitadas, a dimensão Ser-profissional. A proposta segue na direção de inspirar o desenvolvimento de processos que envolvem formação, evidenciando a dimensão humana e complexa do expert. Esta perspectiva visa à constituição da expertise incluindo a visão complexa dos aspectos que unem e distinguem as diferentes dimensões, abrangendo o desempenho excelente e as diferentes realidades onde isto acontece.

In document Den alvorlige kreftsyke pasient (sider 48-52)