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3. Hypoteser

4.8 Kontrollvariabler, datainnsamling og utvalg

4.8.1 Kontrollvariabler

O CUCA é um espaço frequentado pelas jovens funkeiras há pouco. Foi a partir da criação do grupo que passaram a frequentá-lo com mais assiduidade. As jovens vão ao CUCA para realizar os ensaios e apresentações e para terem acesso à internet. No CUCA, as jovens funkeiras encontram algumas dificuldades. Além dos/as jovens que frequentam o CUCA, também alguns funcionários apresentam dificuldades em lidar com as jovens e suas expressões culturais. Os vigilantes e funcionários dos serviços gerais foram convidados pela coordenação da instituição a assinar um documento se comprometendo a não assistir aos ensaios e a não proferir nenhum comentário com relação às jovens, uma vez que esses casos estavam acontecendo.

Uma das coordenadoras, ao assistir a uma apresentação do grupo, sentiu-se incomodada com o fato de as jovens dançarem encenando atos sexuais para um auditório lotado, inclusive com crianças presentes. Além da preocupação com a formação dessas jovens, a coordenadora estava também preocupada com a imagem da instituição CUCA e o que esta representa para a formação dos/as jovens em geral. No CUCA não sabem direito como lidar com a realidade apresentada pelas jovens funkeiras. A presença das jovens funkeiras no CUCA representa uma perturbação à ordem.

O CUCA, enquanto política pública para a juventude, se apresenta, em relação ao grupo de funk, distante da realidade e do universo vivido pelas jovens. Apresenta uma padronização, à qual as jovens funkeiras não se adequam. A proposta do CUCA é contemplar a diversidade das culturas juvenis, no entanto, o que me pareceu é que, embora não seja intencional, a instituição contempla um determinado perfil de juventude, não conseguindo dar conta da multiplicidade dos modos de ser dos/as jovens.

Ao saírem do seu “hábitat”, onde o que elas fazem está muito próximo da realidade vivenciada por todos/as, as jovens funkeiras causam estranhamento. Se no bairro onde moram foram convidadas para fazer apresentação em uma escola, no CUCA a sua dança é considerada inapropriada para aquele espaço, o que acaba por revelar que o CUCA, enquanto política pública, se apresenta distante da realidade da juventude que vive nos seus arredores.

É evidente que o grupo de funkeiras da Barra do Ceará apresenta muitas questões para discussão. O conteúdo das letras e da dança tem forte apelo sexual, chegando a causar impacto em quem assiste aos seus ensaios e apresentações. No entanto, considero que o CUCA, assim como outras instituições que são voltadas para o público jovem, ainda se apresenta distante da realidade em que estes sujeitos estão inseridos. Ainda mais quando se trata de uma instituição que está localizada no mesmo bairro onde as jovens moram e que foi pensada, principalmente, para atender os jovens daquela localidade. Talvez essa distância entre a realidade vivida pelas jovens e os conteúdos apresentados pelo CUCA seja um dos motivos da não apropriação desse espaço pelas jovens.

O desafio pode ser assim traduzido: ressignificar valores e atitudes dos adolescentes que se sentem excluídos e são realmente excluídos do acesso a equipamentos e serviços urbanos mais diversos, nos seus lugares de vida, nas suas práticas de espaço e, concomitantemente, interligá-los a toda rede de direitos que os constituam como sujeitos atuantes para além dos seus âmbitos costumeiros de atuação e vivência (DIÓGENES, 2009, p. 283).

Não quero aqui desmerecer ou descreditar o trabalho que vem sendo realizado pelo CUCA. São muitos espaços, projetos e atividades interessantes e importantes para a formação dos/as jovens através da arte e da cultura, no entanto, não atingem a todos/as os/as jovens que frequentam aquele espaço.

Para a construção de políticas públicas efetivas no âmbito da juventude, é necessário ter em mente a pluralidade de princípios que regem as culturas juvenis, especialmente no que concerne a jovens que apresentam comportamentos que estão de acordo com os padrões socialmente estabelecidos.

Uma política pública para juventude deve levar em conta aspectos que recortam o conjunto de suas experiências, suas formas de sociabilidade e as marcas e os códigos de linguagem que balizam suas linhas de comunicação e produzem um reconhecimento entre seus pares (DIÓGENES, 2009, p. 278).

O respeito à diversidade cultural, social e sexual deve ser o primeiro passo para uma política pública inclusiva. Diferença não significa desigualdade, e esta só pode ser minimizada se houver iniciativas que promovam atividades de inclusão dos diversos sujeitos jovens, nas quais as diferenças não sejam eliminadas, mas tratadas em suas especificidades.

Acredito que o funk poderia ser uma maneira de aquelas jovens se expressarem e participarem de forma mais efetiva da escola, das atividades promovidas pelo CUCA. O funk, que é uma atividade significativa para elas, poderia ser potencializado como uma forma de inclusão nos projetos e atividades voltados para a juventude.

4 CORPO, GÊNERO E SEXUALIDADE NO FUNK

Neste capítulo, apresento as experiências das jovens funkeiras relacionadas ao corpo, às relações de gênero e à sexualidade. Inicialmente, apresento a centralidade que o corpo ocupa nas práticas sociais das jovens funkeiras, principalmente na sua relação com a dança (o funk), em que os atributos corporais e a sensualidade são instrumentos de poder, de sedução, de exibição de potencialidades. Tendo o funk como referência, as jovens valorizam determinado padrão de corpo, constroem seu estilo, suas identificações e produzem os seus corpos.

Destaco as experiências das jovens funkeira s com as relações de gênero, o modo como estas vão construindo suas relações de rompimento e adequação aos papéis hegemônicos definidores do lugar do masculino e do feminino.

Por fim, focalizo as experiências das jovens funkeiras com a sexualidade, destacando suas relações afetivo/sexuais, os modos como se dão a entrada na vida sexual e a diversidade de experiências vivenciadas por elas. Busco problematizar os prejuízos identitários que podem surgir em decorrência da não adequação das jovens a determinados padrões, tendo em vista que estas apresentam um comportamento considerado socialmente como desviante.

Procuro apresentar uma discussão sobre os sentidos e efeitos que são produzidos nas jovens funkeiras a partir dessas experiências, uma vez que as representações sobre corpo, sexualidade e gênero dizem respeito ao modo como elas vão se construindo como mulheres em suas relações e práticas sociais.